No Dia do Nordestino, a capital federal celebra a força da comunidade que saiu do sertão e do litoral para erguer o Planalto Central e moldar a identidade brasiliense
Neste 8 de outubro, o Brasil celebra o Dia do Nordestino, data instituída em homenagem ao centenário do poeta e compositor cearense Patativa do Assaré e ao nascimento do músico Catulo da Paixão Cearense. A celebração exalta a riqueza cultural, a resiliência e a identidade dos nove estados que formam a região Nordeste. Mas, se existe um lugar fora do território nordestino onde essa data ressoa com força e pertencimento, esse lugar é Brasília.
Erguida do poeiral do Cerrado no final da década de 1950, a capital do país traz em cada traço arquitetônico e em cada rua das Regiões Administrativas a marca indelével das mãos nordestinas. Os primeiros braços a cortar a vegetação, misturar o cimento e edificar os monumentos desenhados por Oscar Niemeyer foram os dos “candangos” — em sua esmagadora maioria, homens e mulheres que deixaram o Piauí, a Bahia, o Maranhão, o Ceará e Pernambuco em busca de novas oportunidades no Planalto Central.
A força dos números no Quadrado do DF
A conexão entre Brasília e o Nordeste não ficou no passado dos canteiros de obra. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IpeDF), a comunidade migrante ultrapassa 1,2 milhão de pessoas na capital. Entre os estados de origem que mais enviaram novos cidadãos para o DF, três dos cinco primeiros são nordestinos: Bahia, Maranhão e Piauí.
Se contados também os filhos e netos desses migrantes — os “brasilienses de sangue nordestino” —, a influência cultural atinge quase a totalidade da população do DF.
| Origem dos Migrantes no DF | Participação (%) |
| Minas Gerais | 15,7% |
| Goiás | 13,4% |
| Bahia | 11,9% |
| Maranhão | 11,3% |
| Piauí | 11,3% |
Mapeamento cultural na capital do país
A presença nordestina na capital manifesta-se no cotidiano, na gastronomia e na rotina cultural do quadradinho:
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Gastronomia e Tradição na Ceilândia: A Feira Central de Ceilândia é o maior símbolo dessa fusão cultural, reunindo temperos, carne de sol, farinhas e o autêntico forró pé de serra.
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Música e Arte: O sanfoneiro, a literatura de cordel e as rodas de xote encontram terreno fértil nas feiras de Taguatinga, Samambaia e no Centro de Tradições Nordestinas do DF.
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Linguagem e Cotidiano: Expressões, receitas à base de macaxeira e o costumeiro acolhimento nordestino integraram-se ao vocabulário e ao modo de vida do brasiliense.
Celebrar o Dia do Nordestino em Brasília é reconhecer que a capital federal é, por essência e por história, a maior síntese da diversidade e da coragem do povo nordestino.


