-Publicidade -

Empresários devem participar mais da vida pública brasileira’, diz presidente do Conselho da Esfera Brasil
E

João Camargo destacou, no segundo dia da 5ª edição do Fórum Esfera, que é preciso ter políticas

de Estado, e não de governo; além de caminhos para a inovação, debates em Guarujá (SP) abordaram investimentos em infraestrutura e a necessidade de reestruturação na fiscalização do  sistema financeiro

 

Na imagem, o presidente do Conselho da Esfera Brasil, João Camargo, em entrevista à jornalista Joana Treptow em Guarujá (SP) (foto: Divulgação/Esfera Brasil)

 

São Paulo – Empresários e lideranças da sociedade civil devem se envolver de forma mais direta no debate público brasileiro. A avaliação foi feita pelo presidente do Conselho da Esfera Brasil, João Camargo, na abertura do segundo dia da 5ª edição do Fórum Esfera, realizado em Guarujá (SP), nesta sexta (22) e sábado (23). Para ele, é preciso deixar de lado a polarização e o revanchismo. “O que eu peço a vocês é para debaterem as propostas”, disse. “Adotem um deputado federal. Adotem um senador. Cobrem deles. Participem mais ativamente da vida pública brasileira. Vocês têm o direito, o dever de participar da vida pública.”

 

Camargo destacou o baixo crescimento em valor da Bolsa de Valores brasileira (de US$ 1 trilhão para US$ 1,06 trilhão entre 2018 e 2026) na comparação com a dos EUA (que, no mesmo período, cresceu de US$ 28 trilhões para US$ 70 trilhões). Ele afirmou que o Brasil precisa priorizar políticas duradouras de inovação e tecnologia, em vez de debater apenas para suas riquezas naturais. “Nós olhamos muito para o solo. Temos de pensar em inovação, tecnologia, políticas duradouras. Não podemos mais ter políticas de governo, temos de ter política de Estado.”

 

Em entrevista conduzida pela CEO da Esfera Brasil, Camila Funaro Camargo Dantas, o apresentador de TV Luciano Huck fez um relato de suas visitas a cidades brasileiras, onde entrou em contato com o que define como “Brasil real”, fora dos centros de poder. Huck destacou o empreendedorismo desses brasileiros e disse que a redução efetiva da desigualdade depende da política. “Podemos juntar todos os filantropos do Brasil que a gente não consegue mexer no ponteiro da desigualdade. Quem mexe no poder da desigualdade de verdade é o governo.”

 

Já o ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso destacou os impactos da tecnologia digital e da inteligência artificial sobre democracia, imprensa e Judiciário. Ele disse que ainda não se pode deixar decisões judiciais a cargo da IA porque ainda não há um código de ética maduro o suficiente. “Não tenho nenhuma dúvida de que esse é o futuro: decisões produzidas com inteligência artificial com uma objetividade maior do que os juízes são capazes. Sempre com supervisão humana.”

 

Infraestrutura e segurança pública

 

O diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, destacou a previsão de R$ 12,5 bilhões em investimentos no Porto de Santos e o processo já iniciado para aprofundar o canal de navegação, cujas obras devem começar em 2027. Para o diretor-geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Frederico Dias, a gestão para dragagens e hidrovias requer um novo modelo, com maior protagonismo da iniciativa privada: “Gerir de forma privada os serviços na hidrovia não significa privatizar o rio”.

 

Já o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a carteira de projetos prevista até 2026, e disse que “quem entra no mercado para fazer investimento em infraestrutura não tem medo de risco, mas de insegurança jurídica”.

 

O presidente da Cufa (Central Única das Favelas), Preto Zezé, mediou o debate sobre segurança pública e disse que o Brasil está “perdendo, literalmente, pedaços” por uma ausência média ou total do Estado. Segundo ele, o crime organizado não está apenas nos territórios vulneráveis, mas “na Faria Lima”, nas grandes empresas e na economia formal. Para o presidente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Ricardo Saadi, é preciso reforçar a “asfixia financeira da organização criminosa” e o fortalecimento do Conselho como proteção à livre concorrência.

 

O deputado federal Mendonça Filho (PL-PE) afirmou que a proposta da PEC da Segurança, de sua relatoria, conseguiu apoio “do PT até o PL”, e defendeu cooperação federativa, integração de dados e compartilhamento de informações. Já a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, questionou a lógica de operações policiais sem continuidade. “É preciso colocar a investigação criminal no centro do debate. Ela precisa de recursos, tecnologia e policiais bem-preparados”, disse. Na mesma mesa, o advogado tributarista Luiz Bichara destacou estimativa de que, desde 2022, o crime organizado teria faturado R$ 148 bilhões com combustível, bebida, cigarro e ouro, ante R$ 15 bilhões com drogas. Ele defendeu controle sobre Pix e criptomoedas. “Quem tem medo de controle? Quem deve. Os controles são lamentavelmente falhos.”

 

Transformação digital e reindustrialização

 

O presidente do Google no Brasil, Fábio Coelho, afirmou que a inteligência artificial “trouxe para a mão das pessoas e das empresas a capacidade de promover uma mudança profunda”, e destacou que a falta de um marco regulatório e de qualificação profissional deixam as empresas “um pouco reticentes em relação a fazer investimentos maiores no Brasil”.

 

Já o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, ressaltou que o consumidor brasileiro é “ávido por tecnologia e inovação”, o que explica o crescimento acelerado dos veículos elétricos, além de defender políticas públicas para atrair investimentos e verticalizar a cadeia produtiva. “O Brasil tem toda condição de ser protagonista e estar na vanguarda dessa mudança transformacional”, afirmou.

 

Na avaliação do presidente do Grupo EMS, Carlos Sanchez, empresas brasileiras precisam investir mais em pesquisa própria, com prioridade regulatória para produtos desenvolvidos no país. “O Brasil está se transformando de um país de cópia para um país de pesquisa.”

 

Pré-candidatos e rumos do país

 

Em uma mensagem de vídeo, o pré-candidato à presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) disse que a polarização “empobrece o debate político no país” e defendeu que o debate presidencial enfrente os temas da corrupção, violência e das facções criminosas. Durante sua fala, Caiado associou a competitividade internacional brasileira a combustíveis renováveis e mineração. Outro provável postulante ao cargo de chefe do Executivo, Romeu Zema (Novo) criticou também, por vídeo, os juros altos, a burocracia e o peso do Estado.

 

No painel, Aldo Rebelo (DC) apresentou sua pré-candidatura dizendo que o Brasil sofre uma “interdição institucional”, que bloquearia projetos estratégicos como a ferrovia Ferrogrão, a exploração de petróleo e potássio, ferrovias e hidrovias. “Tudo no Brasil está interditado. É preciso desinterditar”, afirmou. Para o também pré-candidato Renan Santos (Missão), é preciso fazer um ajuste fiscal com corte de despesa e um “choque de credibilidade nas contas públicas”.

 

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), destacou que o banco estatal ampliou investimentos em infraestrutura e inovação e disse que “o Estado precisa correr riscos” para estimular novos setores produtivos. O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas defendeu decisão recente da corte de contas que reforçou a autonomia financeira das agências reguladoras. “Nós tínhamos agências reguladoras com responsabilidades elevadíssimas e sem orçamento para fazer o básico, justamente o papel de fiscalização”, afirmou.

 

O chairman do BTG Pactual, André Esteves, avaliou que a economia brasileira atravessa um momento mais estável do que em crises anteriores e afirmou que o país tem condições de avançar com ajustes relativamente simples: “O Brasil não está voando, mas as coisas estão nos trilhos”. Ele disse ainda que “essa coisa de que o BNDES é uma jabuticaba brasileira, é o contrário. É uma qualidade brasileira”. Sobre o caso do Banco Master, Esteves comentou as falhas de supervisão e a expansão de práticas ilegais no sistema financeiro. Mercadante classificou o episódio como “o maior crime financeiro da história do país” e defendeu uma reestruturação dos órgãos reguladores e de fiscalização.
Assista a todos os painéis dos dois dias do Fórum Esfera Brasil, em Guarujá (SP) NESTE LINK

Sobre a Esfera Brasil

A Esfera Brasil é uma organização criada para fomentar o pensamento e o diálogo sobre o Brasil e um think tank independente e apartidário que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. O objetivo é gerar debates que permitam a construção de um país melhor por meio da promoção de diálogo entre empresas, governos e instituições na busca de soluções viáveis para as principais barreiras de desenvolvimento nacional. Fundada em 2021 por João Camargo, atual presidente do Conselho, a Esfera é liderada pela CEO Camila Funaro Camargo Dantas. Integram o ecossistema da organização o Instituto Esfera de Estudos e Inovação, frente acadêmica, e a Casa ParlaMento, espaço de articulação política e institucional em Brasília.

 

-Publicidade -
spot_img

Relacionadas

-Publicidade -