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Empresas do varejo e alimentação podem vender mais e lucrar menos durante a Copa por erro tributário
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Aumento da demanda em bares, restaurantes, comércio e e-commerce pode elevar a carga fiscal e reduzir margem sem planejamento adequado

O aumento no consumo impulsionado pela Copa do Mundo deve beneficiar diretamente pequenas e médias empresas do varejo, bares, restaurantes e e-commerce. Mas o crescimento pode esconder um risco relevante para esses negócios: vender mais e lucrar menos por efeito da carga tributária. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, cerca de 95% das empresas brasileiras pagam mais impostos do que deveriam, seja por erro de apuração ou falta de estratégia fiscal . Em períodos de pico de faturamento, esse impacto tende a se intensificar.

Maynara Fogaça, especialista em gestão tributária com mais de 23 anos de experiência, afirma que o problema está na leitura equivocada do crescimento. “Muitos empresários comemoram o aumento das vendas, mas não percebem que isso também eleva a carga tributária. Sem planejamento, o que parecia ganho pode reduzir o lucro do negócio”, diz.

O efeito é mais evidente em pequenas e médias empresas desses setores, que operam com margens mais pressionadas e dependem do volume para gerar resultado. Bares e restaurantes, por exemplo, costumam reforçar estoque, ampliar equipes e aumentar custos operacionais para atender a demanda. No varejo e no comércio eletrônico, o aumento das vendas ocorre de forma acelerada, muitas vezes sem revisão da estrutura fiscal.

Esse movimento impacta diretamente a margem. Em regimes como o Simples Nacional e o lucro presumido, o crescimento do faturamento pode levar a empresa para faixas de tributação mais altas ou ampliar a base de cálculo dos impostos. “O empresário olha para o volume de vendas, mas não acompanha a carga efetiva. Isso faz com que a empresa venda mais e retenha menos resultado”, afirma.

Além da pressão sobre a margem, há reflexos no fluxo de caixa. O crescimento rápido exige maior capital de giro, enquanto os tributos acompanham o faturamento de forma quase imediata. “É comum ver empresas aumentando a estrutura para aproveitar a demanda, mas sem controle financeiro isso gera descasamento de caixa. Crescer sem planejamento é um dos gatilhos mais comuns de crise empresarial”, explica.

No varejo e no e-commerce, a combinação de vendas parceladas, prazos logísticos e recolhimento de tributos em datas fixas cria um desalinhamento entre entrada e saída de recursos. Já bares e restaurantes enfrentam custos elevados com insumos, equipe e operação, o que reduz ainda mais a margem quando o impacto tributário não é monitorado com precisão.

Para a especialista, o erro está em tratar o tributo apenas como obrigação operacional. “Existe uma diferença entre faturar mais e lucrar mais. O imposto acompanha a receita, não o lucro. Se não houver planejamento, o crescimento pode virar prejuízo”, afirma.

Como evitar que o aumento de vendas reduza o lucro

Entre as medidas recomendadas, a principal é antecipar a análise tributária antes de períodos de alta demanda. Isso inclui revisar o regime fiscal para verificar se ele ainda é o mais adequado ao volume projetado de vendas, mapear a carga tributária real sobre os produtos ou serviços mais vendidos e simular o impacto do aumento de faturamento na margem líquida. Também é fundamental acompanhar o efeito das vendas no fluxo de caixa, especialmente em operações com prazos e parcelamentos. “O planejamento precisa acontecer antes do pico, não depois. Quando a empresa entende quanto realmente ganha por venda, consegue crescer com segurança e evitar que o aumento de receita vire perda de rentabilidade”, afirma.

Com a expectativa de aumento no consumo durante a Copa, o alerta ganha relevância para negócios que operam com margens mais apertadas. Para essas empresas, vender mais não garante resultado positivo. Sem controle sobre o impacto tributário, o crescimento pode se transformar em perda silenciosa de rentabilidade.

Sobre Maynara Fogaça

Maynara Fogaça é tributarista, especialista em gestão tributária e referência nacional em Auditoria de Crédito Tributário, com mais de 23 anos de experiência e mais de R$200 milhões recuperados para empresas. É CEO da Visão Tributária e da Mais Tributário, além de fundadora do Visão Tax, maior evento de empreendedorismo tributário do interior paulista. Formada em Direito, com pós em Gestão Tributária, atua como mentora e palestrante, ajudando empresários e contadores a transformarem o caos fiscal em lucro. Sua abordagem estratégica vai além da contabilidade tradicional, com foco em resultados reais.

Para mais informações, visite o site, Instagram ou pelo Linkedin.

 

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