Dados da SES-DF mostram aumento das internações entre o primeiro e o segundo quadrimestres de 2025; especialista explica como prevenção e exames ajudam a avaliar o risco
As internações por acidente vascular cerebral (AVC) cresceram 21,3% no Distrito Federal entre o primeiro e o segundo quadrimestres de 2025. O número passou de 718 para 871 internações, segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Entre maio e agosto do ano passado, 104 pacientes internados por AVC morreram. No quadrimestre anterior, haviam sido registrados 86 óbitos entre os pacientes internados pela condição, segundo a SES-DF.
O cenário chama a atenção para a prevenção neste Setembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre as doenças cardiovasculares. Embora o AVC aconteça no cérebro, muitos dos fatores que aumentam o risco estão relacionados à saúde do coração e dos vasos sanguíneos.
“Muitos dos fatores que aumentam o risco de AVC são conhecidos e podem ser controlados. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo estão entre eles. O problema é que algumas dessas alterações podem permanecer por anos sem causar sintomas, por isso a prevenção precisa começar antes de a pessoa apresentar algum sinal”, explica o Dr. Márcio Epifânio, cardiologista do Laboratório Exame, marca da Dasa no Distrito Federal.
De acordo com o especialista, além do controle da pressão arterial, da adoção de hábitos de vida mais saudáveis e da avaliação do histórico pessoal e familiar, alguns exames ajudam o médico a identificar alterações relacionadas ao risco cardiovascular.
“O perfil lipídico permite avaliar o colesterol total e suas frações, como LDL e HDL,além dos triglicérides. A glicemia, insulina basal, e a hemoglobina glicada ajudam na investigação do diabetes. Dependendo do perfil do paciente, o médico pode solicitar outros marcadores, como a lipoproteína(a) e a PCR ultrassensível, para complementar essa avaliação”, explica o Dr. Márcio.
Somados aos exames de sangue, outros métodos podem ser usados para avaliar o funcionamento do coração. A indicação varia de acordo com a idade, os sintomas, o histórico familiar e os fatores de risco de cada pessoa.
“Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, Teste Ergométrico, Doppler carótidas, Angiotomografia de coronárias, Ressonância cardíaca, Holter e MAPA podem ser utilizados em diferentes situações para investigar a saúde cardiovascular. Cada um avalia aspectos específicos, como as arritmias, estrutura do coração, avaliação da anatomia coronariana, isquemia miocárdica e o comportamento da pressão arterial ao longo do dia. A escolha depende da avaliação médica e das características de cada paciente”, afirma o cardiologista.
A prevenção também passa pelas escolhas do dia a dia. Manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, ter um sono adequado, evitar tabagismo e praticar atividade física regularmente são hábitos que ajudam a proteger a saúde cardiovascular. Consultas periódicas e acompanhamento médico completam esses cuidados, especialmente para quem tem histórico familiar ou outros fatores de risco.
No caso do AVC, também é importante reconhecer rapidamente os sinais de alerta. Fraqueza ou formigamento súbito em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, alteração repentina da visão, perda de equilíbrio e dor de cabeça intensa e inesperada exigem atendimento imediato. Quanto mais rápido o paciente recebe assistência, maiores são as chances de reduzir as sequelas.
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