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PSD-DF empenha R$ 200 mil de Carol Fleury em advocacia ligada a Lucas Kontoyanis
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Candidata a federal contrata sociedade individual recém-aberta; advogada Michele Prado Gonçalves é nomeada no gabinete de Rogério Morro da Cruz e, segundo fonte, recebeu da cota mulher mais do que distritais do partido

As informações que fundamentam esta reportagem foram passadas ao BSB Times por fonte que não quis se identificar. O sigilo da fonte é resguardado nos termos do artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que assegura o sigilo quando necessário ao exercício profissional do jornalismo.

Todo dia uma bomba no PSD do Distrito Federal. A de agora mistura nomes já conhecidos da mesma turma e um detalhe que a prestação de contas no sistema do TSE deixa à mostra: a candidata a deputada federal Carol Fleury (PSD) teria recebido recursos na conta de campanha e, praticamente de imediato, empenhado cerca de R$200 mil na contratação de serviço de advocacia. O nome declarado no sistema eleitoral é Prado Brandão Sociedade Individual. Até aí já seria motivo de estranheza. Fica mais grave quando se cruza o CNPJ com o histórico político da sigla no DF.

A empresa Prado Brandão Sociedade Individual de Advocacia opera com o CNPJ 64.656.588/0001-19, foi fundada em 21 de janeiro de 2026 — no mesmo ano da eleição — e está com situação cadastral ativa. A sede declarada fica no Setor SHTN, Trecho 1, Bloco 4, Asa Norte, Brasília-DF, CEP 70.800-210. A atividade principal é serviços
advocatícios (CNAE 6911-7/01).

Dados cadastrais públicos coincidem com o que a fonte relatou e podem ser conferidos em bases empresariais. O que o TSE registra como razão social “Prado Brandão Sociedade Individual” é, segundo o informante, o veículo formal de Michele Prado Gonçalves, advogada descrita como antiga conhecida do grupo de Lucas Kontoyanis — operador recorrente nas articulações partidárias do DF, citado em reportagens locais como presidente ou articulador de legendas e, na versão da fonte, vice-presidente polêmico do PSD-DF, com histórico de situações estranhas envolvendo valores de fundo eleitoral.

Cota mulher, gabinete na CLDF e o mesmo circuito

Michele Prado Gonçalves, de acordo com a fonte e com o que consta no Diário da Câmara Legislativa do DF, é nomeada no gabinete do deputado distrital e candidato à reeleição Rogério Morro da Cruz (PSD). O parlamentar é apontado, nos bastidores, como ligado de forma direta — e, para muitos, controlado — por Kontoyanis.

A mesma fonte afirma que, na distribuição dos recursos da cota mulher do PSD/DF, Paulo Octávio “inova” e paga à advogada de Lucas mais do que a todas as candidatas a deputada distrital do partido. O escritório individual teria recebido, na condição de advocacia, valor superior ao destinado aos candidatos do PSD, com a exceção de
Rogério Morro da Cruz. Documentos que a fonte diz acompanhar a denúncia — nomeação no gabinete e registros de contratação — deveriam ser anexados à matéria para confronto com a prestação de contas oficial.

O desenho é o de sempre no quadradinho: fundo público entra na conta da candidata, sai quase inteiro para uma sociedade unipessoal aberta no início do ano eleitoral, a titular da banca está no organograma de um gabinete da CLDF e o fio condutor volta ao mesmo operador. Não se trata, nesta reportagem, de afirmar ilícito já julgado. Trata-se de registrar o que está declarado no TSE, o que está no cadastro da Receita, o que o Diário da Casa legislativa indica sobre nomeação e o que uma fonte, sob proteção constitucional, descreve como padrão repetido. Carol Fleury (PSD, 5555) é candidata a deputada federal; Rogério Morro da Cruz (PSD) disputa a reeleição na Câmara Legislativa. Associar o nome a Kontoyanis, no relato de quem acompanha o partido por dentro, virou sinônimo de “sempre vem alguma coisa estranha”.

A cota de gênero existe para ampliar a presença de mulheres na política, não para virar atalho de honorários concentrados numa banca recém-constituída e cruzada com gabinete parlamentar. Se a contratação de R$ 200 mil for regular, a prestação de contas precisa mostrar serviço efetivo, proporcionalidade e ausência de conflito entre a nomeada no Legislativo e a destinatária do fundo. Se não for, o eleitor do DF tem o direito de saber antes de outubro.

O BSB Times cobra do PSD-DF, de Paulo Octávio, de Carol Fleury, de Rogério Morro da Cruz e de Michele Prado Gonçalves o contrato, as notas, a justificativa do valor e a explicação de por que a cota mulher pagou mais à advogada do grupo do que às próprias candidatas distritais.

Quem paga a conta no fim é o fundo público e a credibilidade da cota feminina. Enquanto o partido explodir bomba atrás de bomba e o mesmo núcleo reaparecer, a pergunta continua a mesma: renovação no papel, circuito fechado no dinheiro?

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