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Novas mensagens ampliam pressão sobre Alexandre de Moraes no caso Banco Master
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Relatório da Polícia Federal revela contatos entre o ministro do STF e Daniel Vorcaro, além de detalhes sobre contrato milionário com escritório da esposa; investigação ainda depende de análise da PGR e do plenário do Supremo

Novos elementos divulgados nesta semana aumentaram a pressão política e jurídica sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por causa de sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O caso ganhou força após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de parte da investigação e encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) informações produzidas pela Polícia Federal (PF).

Entre os principais pontos estão mensagens encontradas no celular de Vorcaro que indicam contatos frequentes com Moraes. Segundo a PF, os dois teriam se encontrado pelo menos seis vezes. Em uma das conversas, dois dias antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, o banqueiro perguntou ao ministro se deveria deixar o país. Vorcaro acabou preso quando se preparava para embarcar em um jato particular.

Outro elemento que chamou atenção dos investigadores é o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos que chegaram a cerca de R$ 131 milhões ao longo de três anos. Metadados analisados pela PF indicam que a versão final do documento foi alterada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Escritório diz que consulta foi feita por compliance

Em nota, o escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes teve acesso ao contrato. A justificativa apresentada é que o setor de compliance da banca consultou o ministro, na condição de marido de uma das sócias, para verificar a existência de possíveis impedimentos legais relacionados ao Banco Master.

Segundo o escritório, não havia impedimento porque Moraes nunca teria julgado processos envolvendo diretamente o banco. A banca também afirma que os serviços contratados foram efetivamente prestados.

A investigação, entretanto, identificou mensagens nas quais Vorcaro demonstrava preocupação com os pagamentos ao escritório. Em março de 2024, por exemplo, o banqueiro reclamou de um atraso e classificou o repasse como um dos pagamentos mais importantes do banco. A PF também encontrou registro de uma transferência de aproximadamente R$ 3,4 milhões para o escritório.

Mensagens sobre investigações aumentam preocupação

O relatório da PF também reúne mensagens que, segundo os investigadores, indicam que Vorcaro buscava utilizar sua proximidade com autoridades para obter informações ou dificultar o avanço de investigações envolvendo o Banco Master.

Entre os nomes mencionados no material estão o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O conteúdo das mensagens passou a ser analisado por Mendonça, que pediu manifestação da PGR antes de decidir sobre os próximos passos da investigação.

Caso será analisado pelo Supremo

André Mendonça também solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a realização de uma sessão presencial para que o plenário da Corte avalie os novos elementos apresentados pela PF. A medida ocorre porque a apuração envolve um integrante do próprio Supremo.

A PGR terá prazo para se manifestar sobre o material. Entre as possibilidades estão o arquivamento, a solicitação de novas diligências ou a abertura formal de investigação envolvendo Moraes. Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltam que uma eventual investigação ou denúncia não provoca, por si só, o afastamento automático do ministro.

Até o momento, os elementos divulgados representam suspeitas e pontos sob investigação, e não uma condenação ou comprovação definitiva de irregularidade por parte de Alexandre de Moraes. O ministro já negou anteriormente interpretações de mensagens atribuídas a Vorcaro e afirmou que determinadas reportagens representavam uma tentativa de atacar o STF.

O caso permanece em andamento e deve continuar provocando repercussões no meio político e jurídico, especialmente diante da possibilidade de o plenário do STF discutir publicamente os elementos reunidos pela Polícia Federal.

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