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BOVINOCULTURA DE CORTE Pecuária brasileira entra em nova era até 2040
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Pesquisador da Embrapa apresenta no dia 6 de outubro em Chapecó os desafios e oportunidades da pecuária nas próximas décadas

Produzir mais carne em menos área, ampliar o valor agregado, atender a exigências ambientais e sanitárias e incorporar tecnologia à rotina das propriedades. A pecuária de corte brasileira deve atravessar, até 2040, uma mudança que ultrapassa os índices de produção e alcança a própria organização da atividade.

Esse cenário será apresentado pelo pesquisador Guilherme Cunha Malafaia, da Embrapa Gado de Corte, durante o 5º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte, no dia 6 de outubro, em Chapecó. A palestra integra a programação científica que abre o 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL). Promovidos pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Fórum de Bovinocultura de Corte e o SBSBL reunirão pesquisadores e profissionais para discutir os desafios da produção animal entre os dias 6 e 8 de outubro, em Chapecó.

A palestra “O Futuro da Carne Bovina Brasileira: Visão 2040”, marcada para as 9h20, analisará as transformações esperadas em toda a cadeia, dos insumos, genética e manejo nas propriedades até o processamento industrial e as novas exigências do consumidor.

Para Malafaia, a principal mudança estará na passagem de uma pecuária baseada predominantemente em volume para um modelo no qual eficiência, tecnologia, qualidade, rastreabilidade e diferenciação terão peso crescente. “A pecuária de corte brasileira passará por uma transição estrutural decisiva, abandonando o modelo de volume para se consolidar como uma pecuária de valor e precisão”, afirma.

PROJEÇÕES

Os números apresentados pelo pesquisador ajudam a dimensionar esse movimento. Segundo Malafaia, a área destinada a pastagens no Brasil recuou cerca de 11% nas últimas duas décadas, enquanto a produtividade quase dobrou e se aproxima de cinco arrobas por hectare ao ano. Para 2040, o cenário projetado aponta produção superior a 13 milhões de toneladas de carne bovina, com maior participação de sistemas intensivos e confinados.

A perspectiva significa que o crescimento futuro dependerá menos da incorporação de novas áreas e mais da capacidade de produzir melhor nas áreas já disponíveis. Genética, nutrição, recuperação de pastagens, integração de atividades e gestão passam, nesse contexto, a ter influência direta sobre a competitividade.

Outro fator capaz de alterar a posição brasileira no mercado internacional é o reconhecimento obtido em 2025 como país livre de febre aftosa sem vacinação. Na avaliação de Malafaia, a condição sanitária cria oportunidades para ampliar negociações com mercados de maior valor e aumentar a participação de cortes diferenciados nas exportações.

A projeção apresentada pelo pesquisador indica que as vendas externas poderão superar 40% da produção brasileira até 2040. Nesse cenário, não bastará ampliar volumes. Origem, sanidade, sustentabilidade, bem-estar animal e capacidade de comprovar como o produto foi produzido tendem a influenciar cada vez mais o acesso aos compradores.

A rastreabilidade, por exemplo, deverá avançar além do controle sanitário. A identificação individual dos animais poderá reunir dados sobre origem, genética, alimentação, manejo e indicadores ambientais. Essas informações tendem a acompanhar a carne ao longo da cadeia e poderão se transformar em elemento de diferenciação comercial.

MEIO AMBIENTE

A agenda ambiental também ocupará espaço crescente. Malafaia aponta a expansão dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e a recuperação de pastagens degradadas como caminhos para combinar produtividade com menor impacto ambiental. A expectativa é de que programas de agricultura de baixo carbono estimulem a transformação de milhões de hectares em áreas mais eficientes.

Esse processo, porém, também deve aumentar a pressão sobre a gestão das propriedades. Na análise do pesquisador, produtores terão de administrar a atividade cada vez mais como uma empresa, com domínio de custos, planejamento, indicadores produtivos e capacidade de investimento.

A tendência poderá aprofundar a diferenciação dentro da própria cadeia. De um lado estarão sistemas orientados à eficiência de custos e produção em escala. De outro, propriedades e empresas dedicadas a mercados especializados, com certificações de origem, sustentabilidade e outros atributos valorizados pelo consumidor.

TECNOLOGIA

A automação de processos, o uso de inteligência artificial e o monitoramento digital dos rebanhos devem avançar ao mesmo tempo em que o campo enfrenta dificuldades para encontrar trabalhadores especializados. O profissional rural, segundo o cenário traçado por Malafaia, precisará incorporar novas competências para operar equipamentos, interpretar informações e tomar decisões com base em dados.

Pesquisador da Embrapa Gado de Corte e coordenador do Centro de Inteligência da Carne Bovina (CiCarne), Malafaia possui mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e doutorado em Agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Também atua como consultor sênior do Banco Mundial em análises de riscos para o setor agropecuário.

SIMPÓSIO

A palestra integra a programação comemorativa dos 15 anos do SBSBL. O encontro ocorrerá no mês em que a entidade completa 55 anos. Ao longo dos três dias, especialistas do Brasil e do exterior discutirão sistemas de produção, sanidade e reprodução, gestão e qualidade do leite e nutrição de alta performance.

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