Início Site Página 1985

Gente do campo: produtor cadeirante investe no plantio sem uso do solo e vira referência em Goiás

0

Um verdadeiro contador de histórias, o agricultor Paulo Rodrigues Alves já passou por muitas dificuldades na vida, como a perda do movimento das pernas e a dificuldade de aprendizado devido à dislexia. Ainda assim, hoje, aos 57 anos, ele é referência no plantio de alfaces na cidade de Nazário, em Goiás, graças à adoção da hidroponia.

“Quando perguntam, eu falo: ‘Eu não sou deficiente, eu sou eficiente’. Tenho minhas limitações, como todo homem e toda mulher têm”, afirma o produtor que, ao encarar a cadeira de rodas, diz apenas ter sentido medo da piedade alheia.

A técnica hidroponia, adotada por Paulo, consiste em cultivar sem o uso do solo. Nela, as raízes recebem uma solução que contém água e todos os nutrientes essenciais para o desenvolvimento da planta, explica Ricardo Pereira, engenheiro agrônomo e instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Goiás.

Com o método, a hortaliça, que seria apenas para sustento próprio, rendeu o suficiente para a comercialização e a lavoura de Paulo se tornou sala de aula para cursos sobre o tema e para estudantes de escolas públicas.

Medo da pena

Paulo começou a trabalhar ainda criança, aos 8 anos de idade, depois que seu pai teve um infarto fulminante e ele se viu sozinho com a mãe, que era costureira. Na época, um dos tios lhe entregou uma enxada e o chamou para ajudar em uma roça de arroz plantada às margens de uma rodovia.

“Dessa lavoura, que meu tio tratou para mim, minha mãe comprou um rádio. Aquilo para mim… Até aquele dia eu nunca tinha usado uma calça comprida. (A colheita) deu 21 sacos (de arroz), guardamos para a despesa, vendemos e ainda abrimos uma poupança. Todo trabalho que eu fazia a gente depositava”, recorda.

Foi com essa poupança que, aos 18 anos, Paulo comprou uma caminhonete e decidiu mudar de ramo. Trocou a roça pelo transporte de leite para uma fábrica de queijo.

Conforme realizava as entregas, ele começou a se interessar pela produção do laticínio e se ofereceu para trabalhar, sem salário, em troca do aprendizado. Sua nova rotina, então, era pela manhã transportar o leite, de onde tirava a sua renda, e de tarde cumprir expediente na fábrica.

Essa dinâmica permaneceu por 11 meses, quando a sua caminhonete, que funcionava a gás, pegou fogo. “Queimou toda e aí eu fiquei sem dinheiro, porque tudo o que eu tinha foi para comprar a caminhonete”.

Apesar de estar dentro do veículo com um ajudante na hora do acidente, ambos saíram sem se machucar. “Mas demos sorte que na região o povo estava arando a terra e aí fomos jogando terra para apagar o fogo, conseguimos salvar o leite de dentro da caminhonete”.

Se encontrando desempregado, Paulo foi convidado a abrir uma sociedade com um primo para produzir queijos. Como ele tinha o conhecimento, seria o responsável pela mão de obra e o primo pelo investimento em dinheiro.

A fábrica foi crescendo e em 4 meses o volume obtido subiu de mil litros de leite para 5 mil, se fazendo necessário, inclusive, abrir uma estrutura para os queijos em um povoado próximo da fazenda do primo.

A parceria deu certo por 13 anos. Depois deste período, Paulo sentiu a necessidade de ter algo completamente dele, já que, com a nova unidade, ele recebia apenas 10% dos lucros. Assim, o agricultor começou a fazer queijos sozinho.

Aos 36 anos, sua própria produção de queijos era enviada para outros estados e o transporte era feito em parceria com o primo, que também continuou a fabricar sozinho.

Em janeiro de 1999, os motoristas que faziam este translado estavam cansados devido à demanda e Paulo precisou conduzir o caminhão com os produtos à São Paulo.

Ainda enquanto passavam por Araguari, em Minas Gerais, o freio do caminhão falhou, fazendo com que o automóvel caísse em barrancos e quase tombasse em um rio.

“O caminhão deu perda total, eu machuquei a coluna e tive um corte de leve na sobrancelha. A fratura da minha coluna foi porque eu segurei o peso do impacto nas pernas e a minha coluna comprimiu e esmagou minhas pernas. Eu estava sem cinto”, recorda.

Paulo relata que nunca se deixou abater: “Quando as pessoas chegavam para me visitar, me encontravam sorrindo e pensando positivo”.

Após descobrir as sequelas do acidente, o agricultor teve uma preocupação: “Eu senti medo das pessoas sentirem dó, dos outros me julgarem como um inválido. Eu não queria ser um inválido”.

Um mês após o acidente, o produtor já tinha ingressado em uma instituição para fazer fisioterapia e, 6 meses depois, montou uma sorveteria. “Com essa sorveteria eu construí a minha casa, dei estudo aos meus filhos”, diz.

O negócio foi tocado por Paulo até 2009, quando o passou para sua filha, Ana Paula, pois ela iria se casar e precisava de um sustento. Durante a pandemia, a família teve que vender o negócio para poder pagar outras contas, como aluguel.

Além disso, a família de Paulo enfrenta mais um desafio. Seu genro luta contra uma leucemia há 2 anos.

Estudar para plantar

“Eu tenho o segundo grau completo, viu?”, conta Paulo logo no início da entrevista. A conquista é motivo de orgulho para o produtor que possui dislexia, um transtorno genético que dificulta o aprendizado e a assimilação de signos escritos em signos verbais. A condição atinge entre 5% e 17% da população mundial, segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

Por isso, mesmo gostando de estudar e tendo facilidade para aprender várias coisas, ele sempre teve dificuldade em ler e escrever, o que fez com que permanecesse até os 18 anos na 3ª série do ensino fundamental.

Durante toda a infância e adolescência Paulo passava o dia na roça e, depois do expediente, atravessava 7 km a pé para ir às aulas noturnas.

“Com toda essa dificuldade que eu tinha para aprender a ler e escrever, eu nunca deixei de estudar. (…) Não perdia a aula”.

Paulo conta que mesmo que nas provas ele respondesse às perguntas corretamente, acabava sendo reprovado pelas falhas na escrita. Quando fez 18 anos, acabou desistindo de estudar para se dedicar integralmente ao trabalho.

Ainda antes do acidente que retirou o movimento de suas pernas, Paulo sentiu necessidade de aprender a ler porque começou a ir à igreja e queria entender a bíblia. Ele foi tentando a leitura e aos poucos melhorou, mas ainda tinha dificuldades.

Apenas depois dos 36 anos é que ele decidiu voltar à escola e conseguiu completar o ensino através do sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para ele, a educação é extremamente importante.

“Antigamente me falavam que tinha que estudar para não ficar na roça e trabalhar para os outros. Eu disse o mesmo para os meus filhos, ‘Vocês têm que estudar, senão vão trabalhar na roça’. Mas hoje em dia tem que estudar para ir para a roça também. Eu estudei para conseguir meus pés de alface”.

De volta à lavoura

Depois da sorveteria, Paulo construiu sozinho um triciclo adaptado, a partir de uma motocicleta antiga. Nele, o produtor instalou uma carroceria para carregar a sua cadeira de rodas e uma caixa de som e começou a fazer propagandas para o comércio.

Nesse meio tempo, o agricultor conta que ajudava um morador de sua cidade, que trabalhava com plantio convencional de alface. Um dia, esse senhor pediu para que ele pesquisasse sobre hidroponia e montasse um plano para aplicar a técnica na lavoura dele.

“Aí eu fiz a pesquisa, fiz um curso pela internet e fiz o projeto para ele e entreguei na mão dele, e ele falou pra mim ‘ah, não estou acreditando nesse trem’. Eu, com o projeto na mão, com espaço no meu quintal, decidi montar uma hidroponia para ver se dava certo, a princípio para consumo da família”.

Em 2017, ele colocou o plano em prática. Para isso, Paulo precisou comprar tanques de água, bombas e canos PVC. Com apenas duas bancadas, ele obteve 800 pés de alface e passou a vender o produto, usando o seu triciclo.

O instrutor do Senar Goiás Ricardo Pereira explica que a hidroponia consiste na montagem de bancadas e em um reservatório, onde é dissolvido um kit de nutrientes na água, criando uma solução que é injetada e bombeada para os plantios. O sistema é montado em declive, por isso, o líquido volta para a caixa de água formando um ciclo.

De acordo com o instrutor, as vantagens de se usar a hidroponia são diversas. O processo é sustentável, permite cultivar em pequenos espaços ou em estufas, além de dispor a bancada na altura ideal para o agricultor, deixando de ser necessário que ele fique se abaixando.

Apesar das facilidades, para usar a hidroponia é preciso formação técnica por causa dos seus procedimentos, como a calibração de equipamentos, medição dos componentes da água, entre outras especificidades, ressalva Pereira.

O interesse pela metodologia foi tamanho, que Paulo comprou uma chácara de pouco mais de 1 hectare. Ele também solicitou ao sindicato da cidade e ao Senar para que trouxessem um curso sobre o tema para que ele conseguisse aprender ainda mais e cedeu sua propriedade para as aulas.

Com a especialização, sua produção expandiu, alcançando 4 mil pés da hortaliça. Atualmente, o agricultor paga uma pessoa para ajudá-lo em atividades mais complicadas para as suas limitações, como a esterilização dos canos.

Sua plantação também já foi sala de aula para os alunos do Colégio Estadual Professor Edmir Povoa Lemes e da Escola Estadual Santos Dumont. A partir dela, os estudantes aprenderam como montar uma horta comunitária.

Além da alface, o agricultor cultiva cheiro-verde, laranja, mexerica, abacate, uva, entre outros produtos. Ele conta que mesmo quando não trabalhava mais com a lavoura, nunca deixou de plantar alguma coisa e que essa é uma de suas grandes paixões.

“Você, plantar com a semente na terra e ver ela crescer… Quando eu era jovem e eu sentia o cheiro da terra quando arava, aquilo pra mim era a coisa mais gratificante do mundo.”

Fonte: G1.

Explosões deixam vítimas no aeroporto de Cabul

0

Explosões e tiros foram ouvidos no aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão nesta quinta-feira (26). Mais cedo, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália alertaram para o risco de um atentado ”iminente” no local.

O Pentágono confirma “pelo menos” duas explosões e que há vítimas, sem dizer quantas nem se são mortos ou feridos. Ainda não há informações oficiais até o momento se foi um atentado terrorista.

“Podemos confirmar que a explosão no portão da Abadia foi o resultado de um ataque complexo que resultou em várias vítimas americanas e civis”, afirmou o porta-voz do Pentágono, John Kirby. “Podemos confirmar pelo menos uma outra explosão no hotel Baron ou próximo a ele, a uma curta distância do portão da Abadia. Continuaremos atualizando”.

Duas fontes do governo americano disseram à agência de notícias Reuters que a explosão parece ter sido um ataque suicida causado por uma bomba.

Um fonte do Talibã disse à Reuters que ao menos 13 pessoas morreram, incluindo crianças. A rede de televisão Al Jazeera fala em ao menos 10 mortos, também citando uma fonte do grupo extremista. O “The Wall Street Journal” diz que fuzileiros navais americanos ficaram feridos.

O aeroporto internacional Hamid Karzai é a única porta de saída do país para milhares de estrangeiros e afegãos que tentam, desesperados, embarcar nos voos de retirada organizados pelos países ocidentais.

Risco ‘iminente’ de atentado

O presidente dos EUA, Joe Biden, foi informado sobre o possível ataque durante uma reunião com autoridades de segurança sobre a situação no Afeganistão, segundo a Reuters.

Mais cedo, EUA, Reino Unido e Austrália alertaram para o risco de um atentado “iminente” no local e pediram a seus cidadãos que abandonassem imediatamente a área do aeroporto devido a uma ameaça terrorista.

“As informações obtidas ao longo da semana são cada vez mais sérias e fazem referência a uma ameaça iminente e grave”, afirmou mais cedo o secretário de Estado britânico das Forças Armadas, James Heappey. “É uma ameaça muito séria, muito iminente”.3

Única porta de saída

O aeroporto internacional Hamid Karzai é a única porta de saída do país para estrangeiros e afegãos. Quase 90 mil pessoas já foram retiradas desde que o Talibã retomou o poder, em 15 de agosto, mas uma multidão ainda se aglomera dentro e ao redor do local, inclusive em valas.

Segundo o jornal “The New York Times”, ao menos 250 mil afegãos que trabalharam para os EUA ainda não foram retirados do país (e o atual ritmo de evacuação não é suficiente para retirar todo mundo até o dia 31).

A estimativa é baseada em relatórios sobre o emprego de afegãos que são publicados anualmente pelo Departamento de Defesa dos EUA analisados pela Associação dos Aliados em Tempo de Guerra (grupo que defende os afegãos que trabalharam para os EUA) e pesquisadores da American University.

Os EUA e as forças aliadas têm até terça-feira (31) para deixar o país — data que foi anunciada pelo presidente americano, Joe Biden, no começo de julho.

Aliados pressionaram os EUA para adiar a saída definitiva do Afeganistão, para permitir a saída de todos os estrangeiros e afegãos necessários, mas Biden negou o pedido. O Talibã já havia dito, reiteradas vezes, que não aceitaria a prorrogação do prazo.

Ameaça do Estado Islâmico

Entre os motivos apontados por Biden para negar o pedido estava a “aguda” ameaça terrorista do braço regional do grupo terrorista Estado Islâmico, responsável por alguns dos ataques mais violentos no Afeganistão e no Paquistão nos últimos anos.

O grupo terrorista matou civis nos dois países em mesquitas, santuários, praças e até hospitais, além de ter executado ataques contra muçulmanos de alas que considera hereges, incluindo os xiitas.

“A cada dia, as operações suscitam um risco suplementar para nossas tropas”, disse o presidente americano, citando a probabilidade de um atentado do Estado Islâmico em Cabul. “O inimigo número 1 dos talibãs visa o aeroporto para atacar as forças americanas e aliadas, bem como civis inocentes”.

Embora o Estado Islâmico e o Talibã sejam sunitas radicais, os dois grupos extremistas são rivais.

O Estado Islâmico criticou o acordo de paz entre EUA e Talibã assinado em 2020, que estabeleceu as diretrizes para a retirada das tropas estrangeiras, e acusou os talibãs de abandonar a causa jihadista.

Fonte: G1.

‘Achava que alcançava a outra janela, mas não alcancei’, conta babá que pulou do 3° andar de prédio para fugir da patroa

0

“Quando eu vi o basculante do banheiro, aí eu tentei sair. Achava que alcançava a outra janela, mas não alcancei e me soltei. Fiquei pendurada em um ‘degrauzinho’ onde estende roupa, mas não alcancei a outra janela, me soltei e caí”.

O relato angustiante é da babá Raiana Ribeiro da Silva, de 25 anos, que na quarta-feira (25), em Salvador, se jogou do terceiro andar de um prédio, para fugir da patroa – identificada como Melina Esteves França – que agredia e a mantinha em cárcere privado, segundo relato da vítima.

O caso é investigado pela 9ª Delegacia Territorial (DT/Boca do Rio). Segundo a Polícia Civil, a patroa foi intimada e será ouvida nesta quinta-feira (26).

Raiana sobreviveu à queda, mas sofreu uma fratura no pé. Ela recebeu alta médica ainda na quarta-feira, mas terá que ficar alguns dias sem sair da cama. Foi nessas condições que a jovem concedeu entrevista e relatou o ocorrido.

A jovem morava na cidade de Itanagra, a cerca de 150 km de Salvador, encontrou a vaga de emprego através de um site e mudou-se para Salvador. Ela contou que trabalhava havia cerca de uma semana no local, cuidando de três crianças, e que as agressões começaram após ela comunicar à patroa que queria deixar o emprego.

“Ia fazer oito dias hoje [que estava trabalhando lá], mas a agressão começou na terça-feira. Começou porque eu falei para ela que não dava mais para mim, que eu ia sair na quarta-feira. Aí ela falou: ‘Vou te mostrar, vagabunda, se você sai’. E aí começou a me agredir”, disse a jovem.

“Ela me batia, puxava meu cabelo, me mordeu. Várias agressões… Dava tapa”, detalhou.

Raiana destacou que, além de já estar querendo sair do trabalho, encontrou uma oportunidade melhor e, por isso, comunicou à patroa que iria sair.

“Eu já estava querendo ir embora e apareceu uma oportunidade melhor pra mim, e eu queria agarrar a oportunidade e pedi a ela para sair”, disse a babá, sem saber que a situação iria piorar na quarta-feira.

“Ela me trancou no banheiro ontem pela manhã, e foi quando bateu o desespero de fugir de alguma forma”, disse ela.

Foi neste momento em que, segundo a jovem, ela tentou sair pelo basculante do banheiro, não conseguiu acessar a outra janela e se jogou do terceiro andar.

Ela ainda revelou que não se alimentava direito na casa da patroa. “Desde terça-feira que eu não comia nem bebia água. Vim comer alguma coisa quando cheguei aqui, ontem de noite”, relatou a mulher.

O advogado Bruno Oliveira, que representa a babá, contou que o caso se enquadra no crime de cárcere privado, com agravante.

“É identificado o cárcere privado, onde no artigo 148 do Código Penal diz que privar alguém da liberdade mediante sequestro ou cárcere privado é detenção de um a três anos. Ainda no mesmo Código Penal, no mesmo artigo, parágrafo segundo, tem um agravante, que foi o que aconteceu com ela: se desse cárcere privado gerar-se sofrimento físico ou moral, a pena vai de dois a oito anos. É o que a gente vai requisitar para que a autoridade policial faça essa denúncia”, disse.

O advogado contou ainda que, segundo Raiana, o imóvel onde ela era mantida tinha câmeras em todos os cômodos, e que isso foi informado à polícia, para que eles requisitem as imagens dessas câmeras e as do condomínio.

Antes de se jogar do terceiro andar do prédio, Raiana chegou a enviar uma mensagem de áudio pedindo ajuda aos familiares em um aplicativo de mensagens;

“Oh meu Deus, chama a polícia. Eu estou sendo agredida aqui. Estou sendo agredida aqui, nega, no trabalho, no Imbuí. Chama a polícia, chama a polícia, por favor, por favor”, disse.

Segundo a defesa de Raiana, ela conseguiu mandar o áudio para família com pedido de ajuda, mas depois o aparelho celular foi recolhido pela patroa. Os familiares foram até Salvador em busca da vítima e não conseguiram encontrar o condomínio.

“A gente começou a mandar mensagens para ela, mas ela não estava respondendo. Ontem eu tornei a ligar para ela, ela falou que a patroa estava perto dela e ela não podia falar”, disse a mãe da jovem.

Uma amiga de Raiana acrescentou que a babá contou que foi agredida com tapas e com uma colher de pau.

Após o caso, o Sindicato das Domésticas afirmou que acionou a Superintendência Regional do Trabalho.

“Não é permissível mais, em uma época dessa, acontecer essas violências. Têm aparecido muito, durante a pandemia, casos de trabalhadoras que são obrigadas a ficarem confinadas no local de trabalho”, disse uma integrante do sindicato.

Fonte: G1.

Alberto Fraga detona Governador de Brasília

0

Sem previsão de chuva, clima seco deve se intensificar ao longo desta quarta

0

Com a falta de chuva e a baixa umidade do ar no Distrito Federal, o tempo deve permanecer seco durante parte do dia. O céu ficará com poucas nuvens e ventos moderados. De acordo com previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros vão registrar temperatura de 32ºC nesta quarta-feira (25/8), no DF. A mínima registrada foi de 14ºC, na estação meteorológica Águas Emendadas, em Planaltina

Segundo o meteorologista Olívio Bahia, poucas nuvens e a presença de névoa seca vai marcar estes os dias do mês de agosto. “As pessoas têm a facilidade de ver essa névoa seca no final do dia. Esse fenômeno é por conta das queimadas e da poluição dos carros. Devido a falta de chuva a gente não tem uma atmosfera lavada, por isso a névoa seca e altas temperaturas são comuns nessa época do ano”, relatou o especialista.

Nas primeiras horas do dia, a umidade relativa do ar alcançou 70%. O Inmet informou que, nas horas mais quentes, deve alcançar 20%. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando a umidade fica abaixo dos 30%, é preciso ter cuidado e seguir as devidas recomendações ao longo desse dia.

A Defesa Civil orienta que as pessoas bebam, ao menos, seis copos de água por dia. Pingar duas gotas de soro fisiológico em cada narina, ter toalhas molhadas e bacias de água nos quartos, usar roupas leves e, se possível, de algodão. Também faz parte das recomendações não fazer exercícios físicos nos horários das 10h às 17h e evitar queima de lixo e entulho.

Fonte : Correio Braziliense.

Hipertensão avança e atinge 1,2 bilhão de pessoas no mundo

0

Em três décadas, o número de adultos acima de 30 anos convivendo com hipertensão arterial dobrou no mundo, com o maior aumento de casos observado em países pobres e em desenvolvimento. Já naqueles com renda mais alta, a prevalência dessa condição — associada a doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC) — declinou, ao mesmo tempo em que os sistemas de saúde atingiram taxas de tratamento de até 80%, com 60% de pacientes controlados.

Baixo índice de detecção e, consequentemente, de cuidados adequados persistem nas nações mais pobres do globo, como as da África subsaariana, da Oceania e do sudeste asiático, mostra o maior estudo já realizado sobre o tema, publicado, ontem à noite, na revista The Lancet. De acordo com a pesquisa, mais de 1,2 bilhão de adultos tinham hipertensão em 2019.

O artigo, financiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), traz dados de 1.201 estudos referentes a 184 países, incluindo o Brasil, e cobre 99% da população mundial na faixa etária analisada (30 a 79 anos). Além de ser um fator de risco para a covid-19 grave, a hipertensão arterial está diretamente ligada a mais de 8,5 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano, e é o principal desencadeador de AVC, doença isquêmica do coração, outras condições vasculares e comprometimento renal.

Segundo um estudo anterior, também divulgado pela The Lancet, a redução da pressão arterial pode diminuir o número de AVCs em 35% a 40%; de ataques cardíacos em 20% a 25% e de insuficiência cardíaca em cerca de 50%.

Estatisticamente, não houve alteração significativa na prevalência da hipertensão arterial (veja Sinais de alerta), mas preocupam os autores do artigo o fato de que, no mundo, 41% das mulheres e 51% dos homens com o problema não tiveram diagnóstico apropriado. Entre aqueles que têm a condição confirmada, são baixos os percentuais de pacientes em tratamento e ainda mais reduzidos os índices de controle da popularmente chamada pressão alta. Na Oceania, por exemplo, até 97% da população do sexo feminino que se trata não está com a doença controlada.

Fonte : Correio Braziliense.

Flashmob na Praça dos Três Poderes pede proteção dos direitos indígenas

0

Com a intenção de mobilizar e pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para manutenção dos direitos indígenas, os artistas Adriana Varella, do Anarko Art Lab, e Joseph Duplantier, da banda Gojira, realizam, nesta quarta-feira (25/8), às 17h, um flashmob na Praça dos Três Poderes. O público poderá participar da ação, que será encabeçada pelas anciãs Guarani Kaiowá e contará com participação de outros artistas.

Durante o flashmob, os participantes cobrirão o chão da praça com um líquido vermelho como metáfora do sangue perdido a cada morte indígena. Aos poucos, os artistas limparão o sangue performático com vassouras e panos enquanto repetem “Sangue indígena, nenhuma gota a mais”, frase que dá nome à performance. “O que queremos é que o governo respeite a demarcação dos territórios indígenas e os deixe em paz em suas terras”, diz Adriana Varella, membro da International Artist Solidarity (IAS) e responsável por criar uma campanha de arrecadação que conseguiu juntar US$ 300 mil para os indígenas.

A ideia é que o público realize vídeos do flashmob e publique nas redes sociais com o pedido de “Basta!” e as hashtags da campanha, #inartsolidarity, #pl490não e #indigenouspeoples. A ação será realizada no mundo inteiro e os organizadores esperam que os vídeos viralizem. “Os brancos vão fazer um ritual da limpeza do sangue indígena e da floresta que foi assassinada”, avisa Adriana, artista brasileira residente em Nova York e idealizadora da ação. Com a performance, os artistas esperam sensibilizar o público para o perigo da crise climática e para a importância dos povos da floresta no combate à degradação do planeta.

A ação vai chamar a atenção para as políticas anti-indígenas do governo federal, incluindo o PL 490 e o Marco Temporal, que prevê que os indígenas só poderiam reivindicar como suas as terras ocupadas antes da Constituição Federal de 1988. “Sabemos que se este governo passar a lei do Marco temporal, vai ser o fim de todos nós, o fim do planeta. Num momento de colapso climático, os indígenas são os únicos que podem ajudar no restauro reflorestamento e saúde do pujantes. Se os indígenas morrerem, todos nós vamos morrer”, garante Adriana. “Precisamos da participação e colaboração de cada brasileiro neste processo, os indígenas não podem ser os únicos a estarem na linha de frente.”

O julgamento da legalidade dos projetos no STF está marcado para esta quarta-feira (25/8) e indígenas estão acampados na região central de Brasília para protestar. Na tarde de terça (24/8), eles realizaram manifestação na Esplanada dos Ministérios. O ministro Edson Fachin, relator do caso, já votou contrariamente ao Marco Temporal.

Fonte : Correio Braziliense.

GDF entrega certificados de capacitação a lavadores e guardadores de carro

0

Nesta quarta-feira (25/8), a Secretaria de Trabalho deu início à entrega da certificação dos primeiros lavadores e guardadores de carros cadastrados do DF. A ação ocorre no Setor Comercial Sul. Além da entrega, cerca de mil veículos serão lavados em praça pública de forma gratuita, com produtos biodegradáveis, durante o evento. Para isso, basta que o cidadão vá até o local entre 9h e 17h desta quarta (25/8).

Um total de 329 trabalhadores já receberam o benefício, inclusive um curso sobre biolavagem. “Esse cadastro é fundamental para a segurança da população do DF que utiliza esse serviço. Com essa identificação, as pessoas saberão com quem deixam seu patrimônio, e (os trabalhadores) serão identificados pelo colete ou pelo crachá”, explica Thales Mendes Ferreira, secretário de Trabalho.

O titular da pasta destaca que os profissionais também receberam um cartão de visita, no qual está impresso um QR Code. “Ao fotografar o QR Code a pessoa tem acesso ao cadastro do funcionário na secretaria, com todos os dados e inclusive o telefone. É uma forma de dar valor ao trabalho realizado por eles, de reconhecer, e com respeito, essa atividade”, avalia.

Para Ibaneis Rocha, a segurança não é o único benefício. “Além de dar toda a segurança ao usuário, qualificamos os profissionais. A biolavagem é um modelo novo, que utiliza apenas 300 ml de água para lavar um veículo inteiro. Isso economiza a água e dá importância a natureza, principalmente nesse período seco que estamos vivendo”, pontua.

O chefe do Executivo Local também citou as expectativa do governo com o programa Renova DF, que já atendeu três mil pessoas. “Começamos (com o Renova-DF), em Ceilândia e Samambaia. Até o fim do ano, queremos ter aproximadamente 10 mil pessoas qualificadas”.

No evento de entrega de certificação, os profissionais receberão crachás e coletes com matrículas e números de identificação. Além disso, receberão um kit de biolavagem automotiva. Com isso, o lavador passa a ser um prestador de serviço autorizado, dando, assim, mais dignidade ao trabalhador e mais segurança ao cidadão usuário do serviço.

O Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou a capacitação desses profissionais no início do mês de agosto. O curso de biolavagem foi realizado nos dias 2,3 e 4 de agosto, com aulas teóricas e práticas. O evento ocorreu no auditório e no pátio da Secretaria de Trabalho e foi destinado a pessoas que já haviam realizado um cadastramento na pasta.

Disciplinas como noções de atendimento ao público, aplicação de conhecimento básico de etiqueta social no atendimento ao cidadão, noção de comunicação não violenta e aplicação de conhecimento básico da teoria de inteligência emocional no âmbito do trabalho e noção de empreendedorismo fizeram parte dos treinamentos oferecidos pela Secretaria de Trabalho a esses profissionais. O curso prático de biolavagem também foi ofertado a lavadores de carro.

De acordo com a Setrab, cerca de 878 lavadores e guardadores de carro manifestaram interesse em se cadastrar para a capacitação. Desse total, somente 329 apresentaram a documentação necessária para participar do curso de qualificação profissional.

Fonte : Correio Braziliense.

‘Hipocrisia’ e ‘meias-verdades’ destroem Igreja, lamenta papa

0

O papa Francisco condenou “a hipocrisia” e as “meias-verdades” que dividem a Igreja e pediu a religiosos e católicos que se encham de “coragem” e tirem a “máscara” da falsidade.

Em sua audiência geral de quarta-feira (25/8) na sala Paulo VI do Vaticano, o sumo pontífice advertiu que a hipocrisia “põe a unidade da Igreja em perigo”.

Francisco pediu que “não se tenha medo da verdade e nem se escondam atrás de uma máscara”, porque isso “não nos permite sermos nós mesmos”.

“A hipocrisia é particularmente detestável na Igreja e, infelizmente, existe. Há tantos cristãos e ministros hipócritas”, admitiu.

A hipocrisia é “o medo de dizer a verdade abertamente, é fingir, ou aparentar algo para ficar bem aos olhos dos demais”, acrescentou, em sua saudação em espanhol.

“As meias-verdades são uma ficção”, frisou.

As palavras do papa coincidem com uma tentativa, por parte de setores ultraconservadores, de gerar polêmica sobre uma possível renúncia do papa Francisco, após sua operação no cólon em julho passado.

Em matéria publicada na segunda-feira (23/8) no jornal de extrema direita Libero Quotidiano, sem qualquer fonte e assinada por Antonio Socci, um dos maiores críticos de Francisco, afirma-se que o pontífice estaria pronto para renunciar, devido a seus problemas de saúde.

Desde que foi eleito para o trono de Pedro em março de 2013, Francisco teve de enfrentar uma dura dissidência interna que resiste a toda e qualquer mudança. Nos últimos anos, o papa argentino aguenta ondas de críticas, feitas até por setores da Cúria Romana e alimentadas por alguns veículos de comunicação.

Nos últimos meses, devido ao crescente ceticismo sobre a vacina contra o coronavírus, o papa também entrou em confronto com grupos de religiosos conservadores, contrários à imunização. Pediu-lhes que superem suas reservas e ajudem a estimular a vacinação generalizada contra a covid-19.

Fonte : Correio Braziliense.

Inflação está ‘dentro do jogo’, como disse Guedes? Entenda por que a escalada de preços preocupa

0

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (23) que a inflação brasileira não está fora de controle e que os índices de preços sobem no mundo todo. Para ele, uma inflação entre 7% e 8% está ”dentro do jogo”.

É verdade que a inflação está em alta em boa parte dos países. Mas economistas ouvidos dizem que a comparação feita por Guedes tem pouco fundamento.

Em países da zona do euro, a agência Eurostat apurou uma inflação de 2,2% em julho. É a taxa mais elevada desde outubro de 2018 e acima da expectativa de economistas de 2,0%. Mas o Banco Central Europeu sinalizou que os choques devem arrefecer nos próximos meses e não deve mudar sua política monetária.

Primeiro, o Copom havia afirmado que monitorava os choques inflacionários, mas buscava um patamar neutro de juro real no país. Na última reunião, a limitação de nível ”neutro” foi abandonada, o que mostra disposição de aumentos da Selic até o ponto necessário para conter a alta de preços.

Em 2021, o centro da meta de inflação do país é de 3,75%, com teto de 5,25%. Não há esperança do Copom de cumprir esse objetivo. Segundo o boletim Focus, sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, a estimativa para o IPCA deste ano é de 7,11%, o 20º aumento consecutivo do relatório semanal.

Equações diferentes

Se há alguma semelhança com os Estados Unidos é no índice de inflação oficial mais alto que o padrão. Nos 12 meses até julho, o índice de preços ao consumidor no país avançou 5,4%. As causas, contudo, pouco têm a ver com os choques inflacionários presentes no Brasil.

Por lá, a acelerada recuperação da economia – empurrada por estímulos sem precedentes no país e reaquecimento do setor de serviços – somam-se às interrupções na cadeia de suprimentos industriais como principais motores da alta de preços.

No Brasil, há uma equação diferente. Em comum com outros países, há alguma pressão de preços pela escassez de insumos na indústria. Mas o país sofre mais com suas particularidades.

Uma delas é uma severa crise hídrica, que aumenta o preço da produção de bens, de serviços e, especialmente, de habitação. Só no resultado do mês passado, os custos de moradia subiram 3,1%, puxados pela energia elétrica, que subiu 7,88%.

A seca forçou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a elevar a tarifa de energia ao nível máximo de cobrança ao consumidor pelo sistema de bandeiras tarifárias e ainda reajustar o teto de preço da bandeira vermelha patamar 2 em 52%.

Outra é a desorganização fiscal e a crise política provocada pelo presidente Jair Bolsonaro, que aumentam a desconfiança de investidores internacionais e impactam o câmbio. O real desvalorizado favorece a exportação e desabastece o mercado interno. Essa é a origem da alta dos preços de alimentos, que teve um agravante nas geadas do último mês.

Pressão das commodities

Houve também uma alta forte do preço das commodities no mercado internacional, causada pelo reaquecimento de economias potentes como a China. Se, por um lado, exportadores nacionais se beneficiaram da procura, por outro houve alta no preço dos insumos. O petróleo mais caro, cotado em dólar, reflete no preço dos combustíveis. O trigo, na farinha e no valor dos alimentos – e assim por diante.

Para o economista Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria, houve, sim, uma pressão global de commodities, mas esse é um processo que já está se revertendo. Além disso, um ciclo de commodities deveria ter reduzido o valor do dólar (e, por conseguinte, dos produtos que a moeda dos EUA influencia por aqui) pela entrada de dinheiro no país, mas os problemas domésticos se sobrepõem.

“As perspectivas do país não são boas. O fiscal não é bom, o crescimento do ano que vem deve vir baixo. Guedes está querendo se esquivar da responsabilidade, seja dele ou do Banco Central”, afirma Jensen.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, concorda e afirma que as pressões adicionais ao câmbio, energia e commodities devem persistir em 2022.

O analista lembra que, apesar de alguns elementos de comparação, a expectativa de inflação no Brasil é mais difícil de controlar do que nos Estados Unidos ou Europa. “Nossa economia tem componentes inerciais e estruturais mais complicados que a economia americana”, afirma.

“O ministro está certo em dizer que o BC vai agir. A pena é que ele vai agir sozinho porque a pressão fiscal em ano de eleição vai deixá-lo abandonado na briga”, diz Vale.

Fábio Romão, economista da LCA Consultores, diz é normal que nossos índices de inflação caminhem acima de economias mais desenvolvidas, mas ele também explica que o nível de inflação que o país atingiu joga uma inércia incômoda para o ano que vem.

“A economia americana também sentiu a pandemia, mas está acompanhado de muitos estímulos para ver um PIB mais forte já neste ano. A Europa tem taxas de crescimento bem menores e carrega menos inflação”, diz.

Fonte: G1.