Mesmo após pedido de vista de Gilmar Mendes, decisão de André Mendonça segue válida e mantém cúpula da corporação fora do cargo, impondo forte desgaste político ao governo federal
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos nesta terça-feira para referendar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e da cúpula da corporação. A decisão representa um expressivo revés para o Palácio do Planalto, impondo desgaste à área de segurança pública e ao Ministério da Justiça, órgão ao qual a PF é subordinada.
A análise do caso ocorria no plenário virtual quando o ministro Gilmar Mendes apresentou um pedido de vista, paralisando temporariamente o julgamento. Contudo, a interrupção da sessão não altera o quadro imediato: a liminar individual assinada pelo relator, ministro André Mendonça, continua plenamente em vigor, mantendo o comando da PF fora de suas funções públicas.
Antes da suspensão, os ministros Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam seus votos e acompanharam o entendimento do relator, garantindo três dos cinco votos da turma julgadora. Com isso, o plenário atingiu o placar necessário para ratificar a medida, sinalizando forte contrariedade da maioria do colegiado em relação ao alinhamento da atual direção da instituição.
A paralisação travada pelo pedido de vista estende a incerteza no órgão e eleva a pressão sobre a gestão federal. Com a cúpula formalmente desarticulada por determinação judicial, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a enfrentar o desafio de reestruturar a articulação institucional da segurança pública sem previsão imediata para o encerramento do processo no STF.


