Levantamento da Emater aponta perdas em lavouras, criações e estruturas agrícolas de 101 municípios; milhares de toneladas de produtos foram comprometidas
Os temporais registrados entre os dias 20 e 29 de julho provocaram grandes prejuízos à produção rural do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS), cerca de 30 mil propriedades rurais foram atingidas em 101 municípios. Além das chuvas intensas e do granizo, um tornado registrado na região de Santa Rosa agravou os danos.
Os impactos atingiram diferentes áreas da atividade agropecuária. Lavouras, criações de animais, estradas e estruturas utilizadas na produção foram danificadas. Galpões, estufas, instalações agrícolas e sistemas de abastecimento de água também sofreram com a força dos fenômenos meteorológicos.
Perdas em diferentes culturas
O levantamento da Emater aponta perdas de milhares de toneladas em diferentes culturas agrícolas. A intensidade das chuvas e do granizo afetou tanto plantações que estavam em desenvolvimento quanto produtos que já estavam próximos da colheita.
Entre os prejuízos registrados estão danos à produção de grãos, hortaliças, frutas e outras culturas. O excesso de umidade também dificulta o acesso às áreas de plantio e pode comprometer a qualidade dos produtos, aumentando os prejuízos para os agricultores.
A situação é especialmente preocupante para pequenos produtores e agricultores familiares, que dependem diretamente da produção para garantir a renda das famílias.
Estruturas também foram destruídas
Os prejuízos não ficaram restritos às lavouras. A passagem do tornado e os temporais provocaram estragos em instalações utilizadas pelos produtores, além de danos em estradas e acessos rurais.
A destruição da infraestrutura pode prolongar os efeitos das tempestades, já que estradas danificadas dificultam a chegada de insumos às propriedades e o transporte da produção até os centros de comercialização.
O histórico recente do Rio Grande do Sul mostra a vulnerabilidade da agropecuária gaúcha diante de eventos climáticos extremos. Durante as enchentes de 2024, por exemplo, a Emater contabilizou 206.604 propriedades rurais atingidas em todo o estado, com perdas de lavouras, instalações, equipamentos, animais e problemas de logística.
Recuperação deve ser um dos principais desafios
Com milhares de propriedades afetadas, a recuperação das áreas rurais deve exigir investimentos na reconstrução de estruturas, recuperação de estradas e reestruturação da produção agrícola.
Além dos danos materiais imediatos, os produtores precisam lidar com a redução da renda provocada pelas perdas nas lavouras e com os custos necessários para retomar a atividade.
O novo episódio reforça a preocupação com a ocorrência cada vez mais frequente de eventos meteorológicos severos no estado e os impactos que eles podem provocar sobre a produção de alimentos e a economia das comunidades rurais.
Para os agricultores atingidos, o desafio agora é reconstruir as estruturas danificadas, recuperar as áreas produtivas e encontrar condições para voltar a produzir após mais um episódio de tempo severo no Rio Grande do Sul.


