Dario Durigan aponta abusividade nas taxas de juros, inclusive de fintechs, e inclui escala de trabalho entre os grandes desafios econômicos a serem enfrentados
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, destacou a urgência de encarar dois nós centrais da economia brasileira: o alto custo do crédito e o impacto das jornadas exaustivas de trabalho na produtividade e no bem-estar da população. A declaração coloca no centro do debate econômico o comportamento do sistema financeiro, ressaltando que o problema das taxas elevadas não se restringe aos bancos tradicionais.
Durigan enfatizou que as taxas praticadas no mercado de crédito seguem em patamares abusivos. O alerta incluiu expressamente as fintechs, startups financeiras que surgiram com a promessa de democratizar o acesso ao capital, mas que vêm cobrando juros tão ou mais elevados que as instituições seculares.
O número dois da Fazenda também conectou a pauta do crédito à qualidade de vida dos trabalhadores. Para a pasta, a discussão sobre a duração da jornada de trabalho precisa avançar em paralelo às reformas econômicas para garantir crescimento sustentável.
A sinalização indica que o governo estuda mecanismos e medidas regulatórias adicionais para aumentar a competitividade no setor financeiro, reduzir o spread bancário e combater excessos no parcelamento e nas linhas de crédito pessoal.
A inclusão das fintechs no tom crítico do Ministério da Fazenda reflete a mudança de dinâmica no ecossistema financeiro brasileiro. Se antes essas plataformas eram vistas como a principal solução para aumentar a concorrência, hoje o Executivo enxerga a necessidade de regulação e monitoramento mais rigorosos para evitar o superendividamento das famílias.
O enfrentamento do custo do crédito e a revisão das condições de trabalho despontam como prioridades na agenda da Fazenda para sustentar a renda das famílias e garantir a estabilidade do consumo interno no país.


