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Projeto da UnB leva educação em saúde menstrual às escolas públicas do DF e combate tabus entre adolescentes
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Pro-LEME aposta no letramento em saúde para ampliar a autonomia de meninas e mulheres, enfrentar a desinformação e tornar o ambiente escolar mais acolhedor

Vergonha de pedir um absorvente, medo de manchar a roupa durante a aula, dúvidas sobre o próprio corpo e informações equivocadas sobre a menstruação ainda fazem parte da rotina de muitas meninas nas escolas brasileiras. Embora o tema tenha ganhado mais espaço nos últimos anos, o ciclo menstrual continua cercado por tabus que impactam o bem-estar, a autoestima e até a permanência das estudantes no ambiente escolar.
Para transformar essa realidade, a Universidade de Brasília (UnB) desenvolve o Escola Cidadã: Educação e Promoção de Letramento em Saúde Menstrual de Meninas e Mulheres nas Escolas do Distrito Federal (Pro-LEME). Vinculado ao Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde (LabECoS), o projeto integra o programa de extensão Escola Cidadã e conta com o apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). A iniciativa leva educação em saúde para escolas públicas do Distrito Federal, promovendo informação qualificada, diálogo e autonomia para que meninas e mulheres vivenciem a menstruação de forma mais saudável e sem estigmas.

“O Pro-LEME surgiu da escuta e da aproximação com a realidade vivida por meninas e mulheres nas escolas públicas do Distrito Federal. Percebemos que muitas estudantes ainda enfrentam a menstruação com vergonha, medo, desinformação ou constrangimento, além das dificuldades de acesso a condições adequadas de higiene. Entendemos que a saúde menstrual é uma questão de saúde pública, educação, dignidade e direitos humanos”, explica a coordenadora do projeto, professora Ana Valéria Machado Mendonça.

Mais do que informação: autonomia para o cuidado

Diferentemente de iniciativas voltadas exclusivamente ao acesso a produtos de higiene menstrual, o Pro-LEME tem como eixo central o letramento em saúde menstrual — conceito que busca desenvolver nas estudantes a capacidade de compreender o próprio corpo, reconhecer quando um sintoma exige atenção profissional, escolher métodos de manejo menstrual adequados à sua realidade e tomar decisões conscientes sobre sua saúde.
“O letramento em saúde menstrual faz a ponte entre a informação técnica e a vivência cotidiana. Quando a estudante compreende seu ciclo, sabe identificar sinais de alerta e entende onde buscar ajuda, ela ganha autonomia para cuidar da própria saúde e reduz a ansiedade que ainda acompanha a menstruação para muitas meninas”, afirma Ana Valéria.

Além das dúvidas sobre o funcionamento do ciclo menstrual, a equipe identifica que ainda persistem crenças equivocadas sobre o que pode ou não ser feito durante a menstruação, além do receio de vazamentos e do constrangimento em falar sobre o assunto. Para a coordenadora, romper esse silêncio é um passo fundamental para garantir qualidade de vida e igualdade de oportunidades às estudantes.

Construção coletiva dentro das escolas
As atividades do Pro-LEME são desenvolvidas de forma participativa, envolvendo estudantes, professores, gestores e demais integrantes da comunidade escolar. Antes de definir as ações, a equipe promove momentos de escuta para compreender as principais dúvidas e necessidades de cada escola, evitando uma abordagem padronizada.

Entre as estratégias estão rodas de conversa, fóruns, formulários participativos e materiais educativos produzidos especialmente para o público jovem, como um e-book que utiliza personagens lúdicos para combater fake news e facilitar o diálogo sobre saúde menstrual. As atividades são adaptadas à realidade de cada unidade escolar, tornando o processo de aprendizagem mais próximo das vivências das estudantes.

Para fortalecer o trabalho desenvolvido pelas escolas, o projeto também elaborou planos de aula alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), permitindo que o tema seja abordado de forma interdisciplinar ao longo do ano letivo e deixe de aparecer apenas em ações pontuais.

Escola, universidade e comunidade unidas pela saúde

A expectativa da equipe é que o projeto contribua para ampliar a busca por informações confiáveis, fortalecer o autocuidado e naturalizar o debate sobre a menstruação no ambiente escolar, reduzindo estigmas, preconceitos e situações de constrangimento.

Mais do que compartilhar conhecimento, o Pro-LEME reforça a proposta do programa Escola Cidadã de aproximar universidade, escolas e comunidade por meio da construção coletiva do conhecimento e da promoção da saúde.

“O Pro-LEME é um braço importante do Escola Cidadã. Ele integra um conjunto de ações que transforma a escola em um espaço de promoção da saúde e reafirma o papel social da universidade ao devolver à sociedade conhecimentos capazes de transformar, de forma concreta, a realidade das estudantes”, conclui Ana Valéria.

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