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A Teia do Banco Master: como Daniel Vorcaro se aproximou do BRB
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Operações financeiras, contratos milionários, articulações políticas e investigações da Polícia Federal colocam empresários, ex-autoridades e agentes públicos sob escrutínio no caso que abalou o sistema financeiro de Brasília

por Donny Silva

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, chegou ao centro das operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) por meio de uma série de participações acionárias, negociações financeiras e aproximações com integrantes da antiga cúpula da instituição financeira pública.

Segundo informações que vieram à tona durante investigações conduzidas por órgãos de controle e pela Polícia Federal, empresas ligadas ao grupo de Vorcaro passaram a deter participação relevante no BRB por intermédio de holdings, fundos de investimento e fintechs, incluindo operações envolvendo o Will Bank.

As apurações também analisam a venda de ativos e carteiras de crédito do Banco Master ao BRB. Relatórios investigativos apontam que algumas dessas operações teriam ocorrido com valores superiores aos praticados pelo mercado, gerando questionamentos sobre eventual prejuízo à instituição pública.

Documentos produzidos durante as investigações citam diálogos e negociações que passaram a integrar o material analisado pelas autoridades.

A seguir, os principais personagens e fatos relacionados ao caso.

Michel Temer e a atuação como “consultor”

Em 2025, o ex-presidente Michel Temer confirmou ter sido contratado pelo Banco Master para atuar como consultor e mediador  (lobby) em negociações envolvendo a tentativa de venda de ativos da instituição ao BRB.

Segundo o próprio Temer, os honorários contratados somaram R$ 10 milhões. O ex-presidente afirmou que sua atuação consistiu em consultoria jurídica e intermediação institucional, destacando que o contrato foi encerrado sem que o negócio fosse concluído.

Além disso, um fundo de investimentos ligado ao grupo controlador do Banco Master destinou aproximadamente R$ 1 milhão para a produção da cinebiografia “963 Dias: A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos”.

Gustavo Rocha e contratos sob análise

As investigações também alcançaram operações envolvendo profissionais ligados ao escritório Vale Rocha e Passamani Advogados.

Reportagem de O Globo revelou que o advogado Engels Augusto Muniz participou de contrato avaliado em R$ 38 milhões firmado com um fundo ligado à gestora Reag Investimentos. Muniz possui forte trânsito político, tendo exercido cargos no governo federal e atuado como conselheiro indicado pelo Senado no Conselho Nacional do Ministério Público.

Engels é sócio e administrador do escritório que também tem entre seus integrantes Gustavo Rocha, ex-secretário-chefe da Casa Civil do Distrito Federal.

O negócio foi celebrado em maio de 2024, período em que o BRB negociava operações relacionadas ao Banco Master. As transações passaram a ser analisadas por órgãos de controle no âmbito das investigações em andamento.

Em maio de 2024, os escritórios Ibaneis Advocacia e Engels Augusto Muniz Sociedade Individual de Advocacia venderam um total de R$ 38,12 milhões em honorários advocatícios futuros. Esses honorários eram decorrentes de uma ação coletiva do sindicato dos servidores do legislativo (Sindilegis). Os créditos foram adquiridos por um fundo de investimento estruturado pela Reag Investimentos.

A venda ocorreu com um deságio de 73%. Pelo acordo, as bancas receberam de forma imediata o montante líquido de R$ 10,3 milhões via depósitos bancários em junho de 2024.

O escritório de Engels Muniz recebeu a maior fatia da operação, totalizando R$ 6,3 milhões, enquanto a banca de Ibaneis ficou com R$ 4 milhões.

O Banco Central e a PF apontam que a gestora Reag funcionava como uma peça-chave para o Banco Master, utilizando fundos de investimento para inflar resultados financeiros, ocultar riscos e movimentar dinheiro de forma atípica.

Conhecido colecionador de automóveis no DF, Gustavo Rocha e o ex-presidente Michel Temer mantêm histórico de atuação conjunta em diferentes projetos políticos e institucionais.

Com receio do desgaste iminente, aliados da governadora do DF já pensam pedir a troca de Gustavo Rocha por outro nome para vice na chapa de Celina. De preferência, Fred Linhares (Republicanos) ou  Cristian Viana (Podemos).

Ibaneis Rocha e operações financeiras investigadas

O escritório Ibaneis Advocacia movimentou aproximadamente R$ 43 milhões em honorários posteriormente negociados com fundos ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos.

No total acumulado de movimentações financeiras cruzadas e contratos de cessão que passaram pelas contas do escritório de Ibaneis e foram mapeados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o volume financeiro sob suspeita de ligação com a rede de negócios do Master e da Reag alcança a cifra de R$ 43 milhões.

Entre as operações analisadas está um contrato firmado em maio de 2024, avaliado em R$ 38 milhões. O escritório afirma que recebeu cerca de R$ 4 milhões desse montante. O ex-governador do DF se defendeu argumentando que estava formalmente afastado das atividades de seu escritório de advocacia desde 2018 e que a transação foi conduzida de forma regular por seus sócios (incluindo seu filho) e por Engels Muniz, sem sua interferência política.

A descoberta do fluxo financeiro ligando diretamente o escritório de aliados do governo à gestora do esquema do Banco Master provocou pedidos de abertura de CPI na Câmara Legislativa do Distrito Federal para apurar os contratos de compra de ativos feitos pelo BRB.

As movimentações financeiras geraram comunicações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e motivaram pedidos de investigação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em declarações públicas, o ex-governador Ibaneis Rocha reconheceu ter se encontrado com Daniel Vorcaro em algumas oportunidades, inclusive em Brasília.

O ex-governador foi convocado para prestar esclarecimentos à CPI do Crime Organizado do Senado Federal, mas não compareceu após obter habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do STF, tornando facultativa sua presença.

Recentemente, durante duro discurso no plenário da Câmara,  o deputado federal Alberto Fraga (PL) pediu a prisão do ex-governador Ibaneis Rocha e o bloqueio de seus bens.

 

 

Paulo Henrique Costa e as investigações sobre imóveis

Indicado para a presidência do BRB em 2019, Paulo Henrique Costa tornou-se uma das figuras centrais das investigações relacionadas às operações entre o banco público e o Banco Master.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas durante fases da Operação Compliance Zero apontam contatos diretos entre Costa e Daniel Vorcaro.

Segundo os investigadores, as conversas tratavam de negociações financeiras e imobiliárias envolvendo empreendimentos de alto valor.

A Polícia Federal apura se imóveis avaliados em aproximadamente R$ 140 milhões teriam sido utilizados como parte de vantagens indevidas relacionadas às operações entre as duas instituições financeiras.

Paulo Henrique Costa está preso enquanto prepara delação premiada.

A aprovação da operação na Câmara Legislativa

Em agosto de 2025, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o Projeto de Lei nº 1.882/2025, autorizando o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master.

A proposta, encaminhada pelo então chefe do Executivo, governador Ibaneis Rocha,  foi aprovada em regime de urgência por 14 votos favoráveis e 7 contrários. Ele fez forte campanha para que o BRB comprasse o Master.

A tramitação chamou atenção porque, antes da votação em plenário, deputados distritais participaram de reunião reservada com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB para discutir os detalhes da operação.

Posteriormente, em maio de 2026, a governadora Celina Leão encaminhou projeto revogando a autorização concedida ao BRB para aquisição de participação no Banco Master.

Os pagamentos do Banco Master a escritórios de advocacia

Documentos tributários enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam pagamentos de aproximadamente R$ 304,5 milhões realizados pelo Banco Master a escritórios de advocacia ao longo de 2025.

Entre os beneficiários citados estão bancas ligadas a ex-autoridades e advogados de renome nacional.

Os documentos indicam pagamentos de cerca de R$ 10 milhões ao escritório de Michel Temer, R$ 40,1 milhões ao escritório ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, R$ 2,3 milhões ao escritório do ex-ministro Ricardo Lewandowski e R$ 1 milhão ao escritório do dirigente partidário Antônio Rueda (União Brasil).

As contratações não representam, por si só, irregularidade e integram o conjunto de informações analisadas nas investigações. Mas não deixam de ser suspeitas no âmbito da operação Compliance Zero.

Investigações continuam

A tentativa de aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB acabou não sendo concretizada após questionamentos regulatórios e decisões do Banco Central.

Enquanto isso, a Operação Compliance Zero e outros procedimentos investigativos continuam em andamento.

Autoridades federais seguem analisando contratos, transferências financeiras, negociações imobiliárias e relações institucionais envolvendo empresários, agentes públicos, escritórios de advocacia e instituições financeiras.

Até o momento, diversas e profundas apurações permanecem em curso, sem decisão judicial definitiva sobre grande parte dos fatos investigados.

Autoridades estão seguindo o rastro do dinheiro do Banco de Brasília (BRB) dado  ao Master.

Brasília vai ferver!

 

Fonte: donnysilva.com.br

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