Fala do presidente sobre “agradecimento” do agronegócio repercute mal entre produtores ruralistas, que rebatem sustentando o peso econômico do setor para o país
Uma nova polêmica voltou a acirrar os ânimos entre o governo federal e o agronegócio brasileiro. A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmando que o setor agropecuário deveria “se ajoelhar” em reconhecimento às políticas do governo gerou forte reação de entidades e lideranças rurais, aprofundando o desgaste diplomático entre Brasília e o campo.
Em resposta contundente, representantes do setor rebateram a fala presidencial. O presidente do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, destacou que a visão do Planalto não reflete os fatos do dia a dia econômico.
“A realidade é oposta. O presidente é quem deveria, diariamente, se ajoelhar para agradecer ao setor agropecuário por segurar a economia do país há tantos anos, gerando empregos, renda e impostos que muitas vezes não são usados em prol da população”, declarou o dirigente.
O episódio traz à tona um ruído histórico entre a gestão atual e a bancada ruralista. De um lado, o governo busca defender que os investimentos públicos, linhas de crédito do Plano Safra e a diplomacia comercial favorecem as exportações rurais. De outro, produtores sustentam que o crescimento do setor decorre da eficiência privada, inovação tecnológica e riscos assumidos pelos próprios agricultores.
Especialistas apontam que embates públicos como este dificultam a construção de pontes em um momento em que a estabilidade do agronegócio é fundamental para o controle da inflação de alimentos e a manutenção do superávit na balança comercial brasileira.


