Especialista aponta que municípios sem critérios de sustentabilidade e governança estruturados enfrentam mais dificuldades para aprovar projetos e captar recursos
Brasília – A incorporação de critérios ESG (ambiental, social e governança) deixou de ser apenas uma tendência no setor público e passou a influenciar diretamente a aprovação de projetos e a liberação de financiamentos no Brasil. Municípios e instituições que não conseguem comprovar práticas sustentáveis, mecanismos de transparência e planejamento técnico estruturado enfrentam dificuldades cada vez maiores para acessar recursos nacionais e internacionais.
A mudança acompanha um movimento já observado em bancos públicos, organismos multilaterais e na própria legislação brasileira. Atualmente, instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste possuem linhas específicas voltadas a projetos sustentáveis, saneamento, resiliência urbana e transição energética. Em alguns casos, municípios que atendem critérios ESG conseguem até condições diferenciadas de financiamento.
Segundo Cícera Suzana, consultora e assessora em ESG para municípios da Supremo Negócios Públicos, o ESG passou a integrar efetivamente os critérios de análise dos projetos públicos. “Os critérios ESG deixaram de ser uma pauta de adesão voluntária e foram definitivamente institucionalizados nas linhas de crédito e nos editais de fomento ao setor público”, afirma.
Além das exigências do mercado financeiro, a própria Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) consolidou o desenvolvimento sustentável como princípio das contratações públicas. Na prática, projetos sem planejamento socioambiental, gestão de riscos e mecanismos de governança passaram a enfrentar mais barreiras técnicas para aprovação.
“A ausência de uma governança ESG estruturada funciona como um bloqueio invisível para o acesso ao capital. Muitos municípios acabam perdendo competitividade em editais porque não conseguem comprovar resultados, indicadores ou estruturas mínimas de governança”, explica Cícera.
Entre os aspectos mais observados pelos financiadores estão licenciamento ambiental, impacto social, geração de emprego e renda, inclusão social, transparência na prestação de contas e programas de integridade pública. Organismos internacionais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial também exigem salvaguardas socioambientais como condição obrigatória para aprovação de recursos.
Segundo a especialista, o cenário mostra que o ESG deixou de ser tratado apenas como estratégia de imagem institucional. “Sem ESG, o projeto simplesmente não nasce. Hoje, os órgãos financiadores e de controle entendem que ignorar riscos climáticos, governança e impacto social significa assumir passivos financeiros e jurídicos que não podem mais ser sustentados”, destaca.
Para os municípios, o principal desafio está na mudança de cultura administrativa e na preparação técnica das equipes. De acordo com Cícera, a implementação do ESG exige atuação integrada entre diferentes áreas da gestão pública, além de planejamento de longo prazo. “O ponto de partida é entender que sustentabilidade não é responsabilidade isolada de uma secretaria. O ESG precisa fazer parte da estratégia de desenvolvimento do município como um todo”, conclui.
Sobre a Supremo Negócios Públicos – A Supremo Negócios Públicos atua desde 2019 com consultoria estratégica para empresas, instituições e municípios que desejam ampliar sua atuação no setor público com segurança técnica e visão de resultado. Liderada por Cícera Suzana, profissional com mais de 15 anos de experiência em licitações e contratos públicos, a empresa também atua com ESG para municípios e elaboração de projetos para captação de recursos, apoiando gestores na transformação de oportunidades em projetos viáveis e financiáveis.
Ao longo de sua trajetória, já contribuiu para a geração de mais de R$750 milhões em resultados. Atualmente, apoia a estruturação de projetos sustentáveis e o acesso a financiamentos, sempre com foco em eficiência, conformidade e impacto real.
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