Com um rombo de 8,5 bilhões de reais, o banco do bispo Edir Macedo é a nova dor de cabeça do Banco Central, do FGC e do mercado.
O Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, dono da TV Record, enfrenta uma crise de liquidez que acionou o sinal de alerta no sistema financeiro. Com um rombo patrimonial estimado, a instituição precisou de aportes emergenciais de seu controlador, que injetou cerca de R$ 250 milhões do próprio bolso para tentar manter o banco operando e evitar uma intervenção direta do Banco Central.
A situação se agravou após o colapso de instituições parceiras, como o Banco Master e a Reag, cujos papéis compunham o lastro de fundos de investimento do Digimais. Um sócio minoritário agora cobra na Justiça cerca de R$ 500 milhões, alegando que o banco de Macedo aportou “créditos podres” e sem lastro real, o que teria corroído o patrimônio de investidores e do próprio fundo EXP 1.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) monitora o caso de perto, já que o Digimais apresenta um modelo de captação agressivo, oferecendo taxas de CDB muito acima da média de mercado (até 135% do CDI) para atrair recursos. Esse movimento é visto por analistas como uma tentativa desesperada de “comprar fôlego” em meio à inadimplência alta e ao isolamento no mercado interbancário, onde o banco já vaga como um “zumbi”.
Sem conseguir atrair compradores de peso, após negociações fracassadas com BTG, Nubank e Ambipar, o futuro da instituição é incerto. O caso levanta debates sobre a qualidade dos ativos de crédito consignado no Brasil e a responsabilidade dos controladores em instituições ligadas a grupos religiosos e de mídia, que agora enfrentam supervisão rigorosa do BC e pressão jurídica bilionária.
Via Revista Piauí


