A operação foi marcada pela falta de transparência
Rio de Janeiro – O Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), protocolou pedido de acesso à informação à Petrobras e ao Ministério de Minas e Energia (MME), a fim de esclarecer pontos relevantes sobre a privatização da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), localizada em São Mateus do Sul (PR).
A unidade, vendida pela Petrobras, em 2022, à canadense F&M Resources (subsidiária da Forbes & Manhattan), foi agora adquirida pelo grupo Questerre, também do Canadá, numa operação realizada sem transparência, cujo valor não foi divulgado e que se dará por meio da cessão de ações entre as companhias.
Segundo o advogado Rodrigo Salgado, da Advocacia Garcez, que representa os petroleiros na ação, o processo de alienação da Six foi marcado, desde o início, por controvérsias e ações judiciais, quando, para viabilizar a venda, a empresa foi transformada em subsidiária da Petrobrás, sob a denominação Paraná Xisto S.A. (PX Energy S.A.), e comprada pela F&M Resources, por US$ 41,6 milhões – preço considerado muito baixo na ocasião, equivalente ao lucro de um ano da empresa, então sob o controle da Petrobras.
A SIX tem papel estratégico no desenvolvimento tecnológico e na produção de óleo combustível e derivados a partir do xisto no Brasil. A Petrobras continua com atividades no complexo do xisto, desembolsando cerca de R$ 6 milhões por ano em aluguel para utilização do CENPES/NESIX (Núcleo Experimental da Superintendência de Industrialização do Xisto), que concentra pesquisas sobre o aproveitamento do xisto.
A Petrobras anunciou recentemente investimento de R$ 4 milhões em novas instalações para o NESIX. Entretanto, a prestação dos serviços de suporte à pesquisa – atualmente realizada pela PX Energy, ao custo aproximado de R$ 250 mil mensais – tem se mostrado insuficiente, comprometendo a qualidade necessária às análises demandadas pela companhia.
No questionamento à Petrobras e ao MME, que reforça a necessidade de transparência e de prestação de contas à sociedade, o Sindipetro PR/SC busca respostas relativas a investimentos realizados pela Petrobras na SIX desde 2023; aos impactos da venda da PX Energy à Questerre sobre contratos estratégicos; ao futuro das áreas rurais de mineração vinculadas à unidade; e à responsabilidade da Petrobras em relação a passivos ambientais, trabalhistas e tributários decorrentes dessas operações.


