-Publicidade -

Menopausa: quando o corpo muda e os sentimentos também pedem cuidado
M

Entre ondas de calor, alterações de humor, inseguranças e novas descobertas, a prevenção e a escuta são fundamentais para que a mulher atravesse o climatério com mais saúde e qualidade de vida

A chegada da pré-menopausa, também chamada de perimenopausa, pode representar uma fase de muitas mudanças na vida da mulher. O ciclo menstrual começa a ficar irregular, os hormônios oscilam e podem surgir sintomas físicos e emocionais que, muitas vezes, são confundidos com estresse, cansaço ou simplesmente com as responsabilidades da rotina.

Mais do que uma transformação física, essa etapa pode provocar questionamentos sobre envelhecimento, autoestima, sexualidade, relacionamentos e até sobre a própria identidade. Por isso, falar sobre menopausa também significa falar sobre sentimentos, acolhimento e saúde mental.

A menopausa é confirmada depois de 12 meses consecutivos sem menstruar e ocorre, em média, por volta dos 50 anos. Ela faz parte de um processo mais amplo, chamado climatério, que marca a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo.

Uma fase que pode mexer com as emoções

Irritabilidade, ansiedade, tristeza, dificuldade de concentração, alterações no sono e sensação de cansaço estão entre as queixas relatadas por muitas mulheres durante essa transição. Os sintomas não aparecem da mesma maneira para todas, mas podem interferir significativamente na rotina.

A queda e a oscilação dos hormônios têm participação nesse processo. Entretanto, os sentimentos vivenciados nessa fase não podem ser atribuídos exclusivamente aos hormônios. Questões familiares, profissionais, relacionamentos, mudanças na sexualidade e a percepção do envelhecimento também podem influenciar a maneira como a mulher vivencia o período.

A FEBRASGO destaca, por exemplo, que situações como a saída dos filhos de casa e mudanças na carreira podem contribuir para alterações de humor durante o climatério.

Um estudo publicado em 2023 no International Journal of Psychiatry in Clinical Practice, que realizou uma revisão sistemática sobre menopausa, depressão e ansiedade, investigou justamente a relação entre a transição menopausal e a saúde mental.

Mais recentemente, uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2026 no General Hospital Psychiatry analisou a ocorrência de sintomas depressivos, ansiosos e de insônia em mulheres na perimenopausa e pós-menopausa, reforçando que a transição menopausal merece atenção também do ponto de vista da saúde mental.

Nem tudo é “coisa da cabeça”

Um dos principais problemas enfrentados pelas mulheres é a naturalização do sofrimento. Durante muito tempo, sintomas como insônia, irritabilidade, falta de libido, tristeza e dificuldade de concentração foram tratados como algo que simplesmente deveria ser suportado.

Hoje, a compreensão é diferente.

A FEBRASGO chama atenção para o fato de que os sintomas da menopausa podem afetar as dimensões física, social, mental e emocional da vida da mulher. A entidade também defende uma escuta individualizada, considerando a história e as necessidades de cada paciente.

As alterações também podem incluir ondas de calor, suor excessivo, palpitações, dificuldade para dormir, ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais, alterações urinárias e mudanças na memória.

Reconhecer esses sinais é importante porque sofrimento persistente não deve ser encarado como algo que a mulher precisa suportar sozinha.

Prevenção começa antes da menopausa

A prevenção não deve começar somente depois da última menstruação. A pré-menopausa pode ser uma oportunidade para rever hábitos, acompanhar a saúde e identificar precocemente fatores de risco.

A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado, controle do peso, abandono do tabagismo e acompanhamento médico são medidas importantes para preservar a saúde durante o envelhecimento.

Também é fundamental manter os cuidados preventivos de acordo com a idade e os fatores de risco individuais, incluindo acompanhamento da pressão arterial, glicemia, colesterol, saúde óssea e exames ginecológicos indicados para cada mulher.

A FEBRASGO considera o climatério uma oportunidade para promoção da saúde e destaca a importância da atividade física, alimentação adequada e acompanhamento individualizado.

E a terapia hormonal?

A terapia hormonal pode ser uma alternativa para mulheres que apresentam sintomas menopausais que comprometem sua qualidade de vida. Entretanto, não é um tratamento obrigatório para todas as mulheres e não deve ser iniciada por conta própria.

A indicação precisa levar em consideração idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico médico, fatores de risco e possíveis contraindicações. A FEBRASGO ressalta que os benefícios e riscos variam de acordo com o perfil da paciente e com o momento em que o tratamento é iniciado.

Além da terapia hormonal, existem estratégias não hormonais para determinadas situações. Medidas relacionadas à alimentação, atividade física, sono, saúde emocional e tratamentos específicos para sintomas geniturinários também podem fazer parte do cuidado.

Em 2025, FEBRASGO e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia reforçaram que a terapia hormonal, quando bem indicada e individualizada, pode melhorar sintomas climatéricos e qualidade de vida, mas não representa uma autorização para o uso indiscriminado de hormônios ou implantes manipulados sem comprovação de segurança e eficácia.

Cuidar da mente também é prevenção

A saúde emocional merece o mesmo grau de atenção que a saúde física. Sentir-se diferente, mais sensível, irritada ou insegura durante a transição não significa que a mulher esteja “perdendo o controle”. Significa que ela pode estar passando por uma fase de mudanças que merece compreensão.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 no Journal of Affective Disorders avaliou intervenções psicossociais para sintomas não fisiológicos da menopausa, incluindo depressão, ansiedade, alterações cognitivas e qualidade de vida. O estudo reforça a importância de estratégias voltadas também ao bem-estar psicológico.

Conversar com pessoas de confiança, buscar acompanhamento psicológico quando necessário e manter uma rede de apoio podem ser atitudes importantes. A mulher não precisa enfrentar essa fase em silêncio.

Informação para viver essa fase com mais autonomia

A menopausa não representa o fim da juventude, da feminilidade, da sexualidade ou dos projetos pessoais. É uma etapa biológica da vida que pode trazer desafios, mas também pode ser vivenciada com informação, acompanhamento e autonomia.

O mais importante é que a mulher consiga reconhecer as mudanças no próprio corpo e tenha espaço para falar sobre aquilo que sente. Prevenir doenças, cuidar da saúde emocional e buscar atendimento quando os sintomas interferirem na qualidade de vida são formas de transformar a menopausa de um período de silêncio em uma fase de cuidado e autoconhecimento.

A orientação de profissionais de saúde é fundamental, principalmente diante de sintomas intensos, alterações persistentes de humor, sofrimento emocional, sangramentos anormais ou qualquer mudança que cause preocupação.

-Publicidade -
spot_img

Relacionadas

-Publicidade -