Início Site Página 280

Warren Investimentos | Será bem mais complexo fechar 2025 com a meta cumprida

0

Felipe Salto, economista-chefe Warren Investimentos

Resultado primário de 2024 deve ter encerrado em -0,4% do PIB, incluindo gastos com o Rio Grande do Sul. Nossa projeção era -0,46% do PIB. Melhora em relação a 2023 (déficit de 1,6% do PIB, sem precatórios extraordinários) é expressiva, mas desafio fiscal é grande.

Realizamos hoje uma coleta de dados no sistema SIGA-Brasil, do Senado Federal, que reproduz o SIAFI, sistema do governo federal que congrega todas as informações da execução orçamentária. O resultado obtido indica que, em 2024, o déficit primário do governo central encerrou em R$ 47,5 bilhões ou 0,4% do PIB. Nossas projeções indicavam 0,46% do PIB.

Sem os gastos extraordinários com o Rio Grande do Sul, trata-se de um déficit para fins de verificação da meta fiscal (zero) da ordem de 0,22% do PIB. Como há uma banda inferior de -0,25% na meta zero, o governo teria encerrado o ano passado cumprindo a meta legal. Para fins de avaliação da política fiscal e da dívida pública, entretanto, o importante é o resultado sem abatimentos, de -0,4% do PIB.

De rigor, o número oficial a ser cotejado com a meta zero é o chamado “abaixo da linha”, calculado pela variação da dívida fiscal líquida, entre 2023 e 2024, e divulgado pelo Banco Central. O valor fechado de 2024, por essa ótica, será divulgado na Nota de Estatísticas Fiscais do Bacen do fim de janeiro.

Considerando-se os dados até novembro e o dado de dezembro coletado pelo SIGA (“acima da linha”), temos uma proxy para o resultado “abaixo da linha” do ano passado inteiro, calculada em R$ 28 bilhões ou 0,24% do PIB de déficit. Mesmo assim, observar-se-ia cumprimento da meta usando a banda de -0,25% do PIB. Esse valor já desconta os gastos com o RS (há outros gastos menores a serem abatidos, vale dizer).

Há algumas observações, desde logo, a serem feitas:

A melhora do quadro fiscal, se confirmados os números acima, é expressiva. O déficit primário do governo central (“abaixo da linha”) de 2023 havia totalizado R$ 264,5 bilhões ou 2,4% do PIB (sem precatórios extraordinários, algo como 1,6% do PIB). Assim, a redução para 0,4% do PIB, em termos efetivos, sem descontos, indica que a contração fiscal promovida teve sucesso, com grande peso para as receitas.

– Esse resultado, no entanto, ainda está distante do necessário para reequilibrar a dívida em relação ao PIB, isto é, para que a dívida bruta do governo geral se estabilize em relação à evolução da atividade econômica.

– Além disso, preocupa o volume elevado de receitas temporárias, que não deve se repetir. O mesmo problema se verifica na peça orçamentária (ainda não aprovada) de 2025, em que as receitas novas necessárias para fechar o Orçamento ultrapassam os R$ 168 bilhões (nós consideramos R$ 48,8 bilhões).

– A dinâmica fiscal de 2025 será beneficiada pelo pacote fiscal anunciado, mas será bem mais complexo fechar este ano com a meta anual cumprida, mesmo considerada a banda inferior de 0,25% do PIB.

Estamos produzindo um novo Relatório de Cenários Fiscais para atualizar todas as projeções de 2025 em diante, agora considerando-se a nova coleta do SIGA-Brasil para o ano fechado de 2024.

 

Fonte: Warren Investimentos

Secretaria de Agricultura de SP e Hospital de Amor na luta contra o câncer de pele na população rural

0

 

O Projeto “Retrate” já identificou quase 2 mil casos de risco aumentado para o desenvolvimento de melanoma; campanhas atuam junto aos trabalhadores do agro.

O Brasil possui elevados índices de radiação UV, o que aumenta significativamente o risco de câncer de pele. Atentos a esta realidade, o Hospital de Amor em parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio da Casa da Agricultura de Barretos, realiza um trabalho de rastreamento do câncer de pele, que envolve em seu público-alvo a população rural.

Trata-se do Projeto Retrate, que promove campanhas de busca ativa voltadas a grupos de risco, como os trabalhadores do agro, predominante na região de Barretos, no interior do Estado. Para este público, o Projeto ainda envolve capacitações para os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS) rurais e também fornece equipamentos necessários para melhorar o atendimento. Essas iniciativas visam eliminar as barreiras e garantir que a prevenção e o tratamento do câncer de pele sejam acessíveis a todos.

Vale destacar, que um dos maiores desafios para a prevenção primária é a adoção de medidas de proteção, como o uso regular de roupas apropriadas e filtro solar, o que esbarra na resistência cultural em relação a essas práticas.

Desde abril de 2024, o projeto promove ações junto à população rural, por meio de informações sobre a doença e atendimentos dermatológicos para o rastreamento do câncer de pele. “Nossa atuação não é algo fácil. A população rural é muito receosa, até mesmo por questões culturais, sendo difícil dar o primeiro passo para buscar o diagnóstico”, conta Rolando Salomão, diretor técnico da CATI Regional de Barretos.

Até o momento, o Projeto Retrate recebeu mais de 7 mil imagens de lesões de pele enviadas por meio das diferentes abordagens implementadas. Todas essas imagens foram avaliadas via teledermatologia, resultando no agendamento de aproximadamente 700 consultas presenciais, onde 173 pacientes foram encaminhados para biópsia. Também foi identificado um grupo de quase 2 mil pacientes com risco aumentado para o desenvolvimento de melanoma, incluindo trabalhadores rurais, que são monitorados anualmente pelo Projeto Retrate.

Atualmente, o Projeto atua nos municípios que compõem a Diretoria Regional de Saúde V (DRS-V), abrangendo 18 cidades no Estado de São Paulo e também está desenvolvendo uma proposta de expansão para levar o rastreamento a outras localidades.

É importante destacar que o câncer de pele é a neoplasia mais comum no Brasil e no mundo, e os tempos de espera para diagnóstico e tratamento pelo SUS podem variar de meses a anos. Por isso, um dos principais objetivos do Projeto Retrate é oferecer atendimento gratuito, de alta qualidade e com a maior agilidade possível..

O projeto conta ainda com outros parceiros, como a Cooperativa de Trabalhadores Rurais de Barretos e região (COOPBAR), que envolve a capacitação de profissionais da saúde primária, estética, cuidado corporal (manicures, podólogos, tatuadores, cabeleireiros, massoterapeutas, entre outros) e estudantes de medicina, para oferecer atendimento primário por meio de um conjunto de ações que abrange a promoção e proteção da saúde.

“O objetivo da campanha é fornecer uma avaliação dermatológica e identificar lesões suspeitas de câncer de pele. O diagnóstico precoce é crucial principalmente para o câncer de pele do tipo melanoma, e fazer campanhas direcionadas para esta população que fica muito exposta ao sol é fundamental”, afirmou Raquel Descie, pesquisadora e doutora em Oncologia pelo Hospital de Amor.

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil. O tipo não melanoma ocorre mais em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas e braços. Já o melanoma, que é o mais agressivo, afeta áreas não expostas, como tronco e pernas.

Segundo Raquel, muitos trabalhadores rurais passaram a vida inteira exercendo suas atividades sem usar roupas adequadas ou protetor solar e sem acesso a informações suficientes. “Enfrentamos o desafio de combater crenças equivocadas, de que o câncer de pele não é preocupante. É fundamental ressaltar que alguns tipos são extremamente agressivos e apresentam alta mortalidade. Convencer as pessoas sobre essa realidade e a importância da prevenção e do diagnóstico precoce é uma tarefa desafiadora, mas que seguimos trabalhando arduamente para superar”, afirma a doutora Raquel Descie.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, assim como o desempenho econômico do agro paulista é de suma importância para o Estado, os produtores rurais também precisam estar atentos aos cuidados com a sua saúde. “Os homens e mulheres do campo devem se proteger do sol, com roupas adequadas, chapéu e protetor solar. E se notarem qualquer alteração na pele, busquem ajuda médica. Nossa saúde é fundamental, se cuidem”, ressalta Piai.

Projeto Retrate

 

O Projeto Retrate, financiado pelo PRONON (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica) do Ministério da Saúde, teve início em setembro de 2022. Desde então, esforços são concentrados no desenvolvimento e implementação de diversas estratégias de rastreamento para o câncer de pele, coordenado pelos pesquisadores Dra. Raquel Descie e Dr. Vinicius Vazquez. A implementação dessas abordagens junto à população começou em julho de 2023, contemplando inovações como uma cabine fotográfica de autoatendimento instalada em local de grande circulação, um aplicativo de celular, além de capacitações voltadas ao diagnóstico precoce do câncer de pele.

 

Detran-DF promove ação educativa no centro de Taguatinga

0
As equipes realizaram abordagens a motoristas e pedestres, a fim de conscientizá-los sobre trânsito seguro e a importância de observar as normas de circulação
Valquíria Cunha/Ascom Detran-DF
O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) realizou, na manhã desta quinta-feira (9), uma ação educativa na região central de Taguatinga, com o objetivo de conscientizar motoristas e pedestres sobre a importância de “ver e ser visto” no trânsito, além de observar e respeitar a sinalização.
Durante a atividade, as equipes do Núcleo de Ação Educativa (Nucet) abordaram diretamente 200 pessoas, reforçando práticas seguras no trânsito e a necessidade de atenção às normas de circulação.
Para Ana Maria Moreira, diretora de Educação do Detran-DF, o trânsito é um espaço compartilhado por todos: “É essencial que haja atenção, empatia e cuidado nas vias. A segurança no trânsito depende da atitude de cada um de nós”, ressaltou a diretora.
A ação continuará nesta sexta-feira (10) e no sábado (11), buscando ampliar o alcance da mensagem e promover um trânsito cada vez mais humano e seguro na região.

Reforma Tributária: O que podemos esperar para os próximos anos?

0

 

Por: Roberto Folgueral, vice-presidente da FCDL-SP
 

A Reforma Tributária aprovada em 2024 está prestes a trazer mudanças no sistema de arrecadação de impostos no Brasil, impactando empresas, consumidores e o setor público. Com a Lei Complementar 187/2024, que estabelece a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o objetivo é simplificar o emaranhado de tributos indiretos que hoje sobrecarregam o ambiente econômico.

Novo sistema tributário?

A ideia é que o IBS e a CBS substituam tributos como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins. O IBS será compartilhado entre estados e municípios, enquanto a CBS será arrecadada pelo Governo Federal. A centralização na arrecadação promete reduzir as diferenças de interpretação e aplicação das regras fiscais entre algumas esferas do governo, mas também traz preocupações sobre a redistribuição de receitas.

No caso do IBS, a fórmula de divisão entre estados e municípios ainda não foi completamente definida, o que levanta dúvidas sobre a equidade na repartição dos recursos. Assim como no atual sistema do ICMS, há o risco de disputas judiciais e rivalidades federativas, especialmente entre regiões mais ricas e aquelas com menor capacidade de arrecadação.

Para o setor privado, a Reforma Tributária exige algumas adaptações que podem começar ainda este ano, e as empresas terão que lidar com dois sistemas tributários operando simultaneamente, o antigo e o novo. Isso implica em manter registros fiscais em múltiplos formatos, o que aumenta a complexidade operacional e os custos com tecnologia e treinamento.

Além disso, as alíquotas previstas para a CBS podem gerar um impacto substancial, especialmente no setor de serviços. Em algumas áreas, como consultorias, segurança e startups, os aumentos podem superar 200%. Para empresas desses setores, a alternativa será repassar os custos para os clientes ou absorver parte das despesas, o que pode reduzir a margem de lucro.

Pequenas e médias empresas, que possuem menos recursos para realizar essas adaptações, enfrentam um cenário particularmente desafiador. Sem suporte direto do governo para investir em novos sistemas ou na capacitação de funcionários, muitos negócios poderão encontrar dificuldades para se manterem no mercado.

Disputas federativas e desafios burocráticos

Outro ponto que merece atenção é a forma como a reforma redistribui as receitas entre estados e municípios. No modelo atual, o ICMS frequentemente gera disputas entre estados devido a diferenças nas alíquotas e nas regras de aplicação. Com o IBS, existe o risco de que esses conflitos sejam replicados, uma vez que o novo tributo dependerá de critérios de repartição ainda não completamente definidos.

Além disso, a coexistência de dois sistemas tributários durante o período de transição deve criar desafios burocráticos tanto para empresas quanto para o próprio governo. A experiência com a implementação de outros projetos, como o e-Social e a Nota Fiscal Eletrônica, mostra que mudanças dessa magnitude exigem planejamento, recursos e tempo para adaptação.

Embora o discurso oficial aponte para uma simplificação do sistema, especialistas questionam se a reforma realmente enfrentará as principais causas da “injustiça” fiscal no Brasil. O sistema tributário brasileiro é conhecido por sua alta regressividade, ou seja, o peso maior recai sobre as camadas mais pobres da população. A reforma, ao focar na reorganização de tributos, pode não resolver essa questão estrutural, mantendo as desigualdades existentes.

O que esperar para 2025

O ano de 2025 será um período de aprendizado para todos os setores envolvidos. Empresas precisam revisar suas operações para se adaptarem ao novo sistema, enquanto estados e municípios enfrentarão desafios para ajustar a arrecadação e redistribuir recursos.

Consumidores, por sua vez, devem ficar atentos aos impactos nos preços e à transparência das cobranças. A promessa de simplificação, apesar de positiva, virá acompanhada de custos iniciais que podem ser sentidos diretamente no bolso. A reforma tributária é, sem dúvida, um passo importante, mas sua implementação exigirá esforço coletivo e monitoramento constante.

Sobre Roberto Folgueral

Roberto Folgueral é Vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo, professor universitário e consultor em gestão tributária. Tem mais de 50 anos de experiência como tributarista, contador e perito judicial. É formado em administração, contabilidade e direito, com mestrado em contabilidade e doutorado.

Uber e 99 de graça? Projeto de Lei propõe viagens gratuitas em caso de falta de troco

0

 

O Projeto de Lei 4126/2023, de autoria do deputado Marcos Soares (União-RJ), propõe que motoristas de aplicativos, como Uber e 99, sejam obrigados a ter troco em dinheiro para seus passageiros e, caso contrário, a corrida seria gratuita. A proposta tem como objetivo corrigir uma suposta injustiça enfrentada por consumidores que, sem troco, precisam abrir mão de valores ou recorrer a transferências via Pix.

Luiz Gustavo Neves, CEO do GigU, anteriormente conhecido como StopClub, alerta para os riscos do projeto. “Além de questões logísticas, essa medida pode aumentar a vulnerabilidade desses trabalhadores ao obrigá-los a portar dinheiro constantemente. Isso não apenas compromete a segurança, mas também representa um retrocesso no uso de métodos de pagamento digitais, que já são amplamente adotados”, diz.

Em outubro de 2023, a Comissão de Viação e Transportes rejeitou o projeto, alegando que a regulamentação do transporte privado cabe aos municípios. Além disso, a escassez de moedas no Brasil foi citada como um obstáculo prático à implementação.

Mesmo assim, o PL segue em tramitação, agora sob análise da Comissão de Defesa do Consumidor. A decisão poderá ser tomada em caráter conclusivo, sem necessidade de votação no plenário, o que mantém a atenção de motoristas e passageiros sobre os desdobramentos.

A proposta reacende debates sobre o equilíbrio entre os direitos dos consumidores e a viabilidade econômica dos motoristas. Empresas como Uber e 99 também são pressionadas a buscar alternativas tecnológicas para mitigar problemas relacionados ao troco.

 

Enquanto o futuro do PL 4126/2023 permanece incerto, o tema reforça a necessidade de um diálogo amplo entre todos os setores envolvidos, buscando soluções que garantam segurança, justiça e eficiência para motoristas e passageiros.

Se houver interesse na pauta, é só nos informar, e faremos a ponte com o Luiz para entrevistas.

 

GigU

Criado em 2017 e anteriormente conhecido como StopClub, o GigU é uma fintech social focada em apoiar motoristas e entregadores de aplicativo por meio de ferramentas colaborativas que ajudam esses trabalhadores em seus desafios diários. Está entre as missões do GigU criar uma comunidade unida e cada vez maior, que ofereça soluções de segurança e financeira personalizadas de acordo com a dor e necessidade de cada trabalhador. Atualmente a GigU é a maior comunidade de trabalhadores de aplicativo do Brasil somando mais de 250 mil usuários em uma rede de compartilhamento de conhecimentos e experiências.

 

Acordo Mercosul-União Europeia promete impactar preços e compras dos brasileiros

0

 

Por Emanuel Pessoa* 

Após mais de duas décadas de negociação, o Acordo entre Mercosul e União Europeia avançou com um entendimento técnico, embora ainda dependa de etapas importantes para sua assinatura e implementação. No entanto, o Tratado já provoca reações intensas, com protestos e expectativas sobre os impactos econômicos, especialmente para os setores produtivos e para os consumidores.

Enquanto 1,5 mil agricultores protestam em Madri contra a “concorrência desleal” do Acordo Comercial que ameaça os produtores europeus com importações mais baratas do Mercosul, o governo brasileiro prevê um aumento de R$ 94,2 bilhões no comércio com a União Europeia, além de um impacto de R$ 37 bilhões no PIB, equivalente a 0,34% da economia nacional em 2044.

Em meio às turbulências, é preciso analisar os possíveis impactos do acordo. A redução de tarifas de importação para mais de 90% dos produtos comprados pelo Brasil da União Europeia poderá beneficiar o consumidor brasileiro, especialmente no setor de alimentos e bebidas. Produtos como vinhos europeus, atualmente sujeitos a taxas superiores a 20%, e o azeite, por exemplo, tendem a chegar ao mercado com preços mais acessíveis, ampliando a oferta e impulsionando o consumo.

A concorrência com o mercado chinês, conhecido pelos preços baixos, também será um desafio. Se o acordo tornar os produtos europeus mais competitivos, o consumidor poderá acessar itens de maior qualidade a preços melhores. No entanto, produtos chineses mais baratos devem manter espaço no mercado, e a dependência de insumos industriais da China segue como obstáculo para uma maior substituição.

O barateamento de itens importados certamente influenciará as escolhas dos consumidores, com a qualidade sendo um fator crucial para uma série de produtos. Espera-se que essa mudança no cenário de preços altere o comportamento de compra, com os consumidores tendo a oportunidade de avaliar também a qualidade. O impacto no mercado dependerá, ainda, do quão competitivos os preços dos importados serão e como isso afetará os diversos segmentos sociais frente às novas opções disponíveis.

Por fim, os consumidores brasileiros podem se preparar para as possíveis mudanças no mercado observando as tendências de preços e avaliando a relação custo-benefício. Além disso, os importadores poderão diversificar as fontes de compra, aproveitando a maior disponibilidade de fornecedores que surgirá com a redução do custo de aquisição de produtos importados. 

*Emanuel Pessoa é advogado especializado em Direito Empresarial, Mestre em Direito pela Harvard Law School, Doutor em Direito Econômico pela USP e Professor da China Foreign Affairs University, onde treina a próxima geração de diplomatas chineses.

A qualidade da mão de obra profissional na indústria e no segmento elétrico é de chocar

0

 

Marcelo Mendes*

 

Com os muitos anos de vivência no setor eletroeletrônico temos constatado a carência de mão de obra capacitada nos processos de seleção e contratação. Em nossos contatos e entrevistas para oportunidades profissionais, não reconhecemos perfis que se alinham a nossa demanda. Portanto, fica claro que há uma lacuna principalmente na formação técnica ou profissionalizante para o segmento eletroeletrônico.

 

Diante de milhares de lamentos e reclamações diárias na internet de um grupo específico, juvenil ou denominado como da ‘Geração Z’ em relação à falta de empregos, chega-se a estranhar este lamento, de “falta de oportunidades’. A realidade é que não se encontram com facilidade profissionais com o mínimo de base necessária. O problema central dos trabalhadores que estão iniciando no mercado de trabalho verdadeiramente é em maior medida o descomprometimento com dia a dia da operação de uma indústria, lidar com a hierarquia, procedimentos e ter a humildade para querer aprender parecem requisitos básicos de quem está iniciando um processo de aprendizagem, entretanto, há uma ausência desta consciência com posturas completamente inadequadas.

 

Atualmente, nossa empresa tem realizado um esforço enorme para encaminhar recém contratados e jovens para cursos técnicos, literalmente complementando sua formação acadêmica e não só com treinamentos específicos, mas investindo em cursos de profissionalização na operação de máquinas e equipamentos, e por vezes em legislação e normas de segurança do trabalho. Há sempre questionamentos e dúvidas se estão efetivamente preparados para as necessidades reais do empregador do setor elétrico.

 

O que é notório é que se as empresas não fizerem investimentos regulares nos contratados, na capacitação deles para desempenhar suas funções de forma satisfatória, quase sempre os resultados para os contratantes não serão positivos. Além disso, diversos funcionários mesmo em início de carreira já chegam com vícios graves em sua formação, muitas vezes com visões distorcidas a partir de culturas organizacionais bem diferentes daquelas de outras empresas do mercado que são a maioria.

 

Uma dificuldade comum é o tempo gasto para agregar valor no trabalho, tanto para o jovem quanto para empresa. Muitas vezes precisamos contratar o profissional inacabado, e fica evidente a grande carência de conhecimentos e capacidade, e a também a presença de deficiências entre esses novos profissionais.

 

Nas diversas categorias ocupacionais o perfil do chamado operário de ‘chão de fábrica’ onde o problema é mais frequente. O entrave da educação básica aqui também é notório. Há pessoas que nunca tiveram um plano de saúde, nem sabem como são seus respectivos benefícios e as normas contratuais e neste perfil de trabalhador durante o processo seletivo, por absurdo que pareça, descobrimos que estamos concorrendo com benefícios.

 

Por outro lado, dentro da fábrica eles não entendem como um protetor auricular é importante para sua audição e saúde geral. Não compreendem que a falta do equipamento pode prejudicá-lo ao longo da sua vida, além de contrariar a legislação da segurança do trabalho. Há alguns que não conseguem enxergar a importância do uso de uma bota de proteção contra acidentes.

 

Vários deles não entendem que o uniforme tem que estar em dia e que ele reflete na sua aparência e marca pessoal. Portanto, muitos não percebem os conceitos essenciais para sua formação como ser humano, que abarcam sua instrução, organização, dress code, ou seja, a vestimenta do dia a dia, além de outros aspectos cotidianos.

 

Por essa razão, quase sempre nossa empresa precisa ajudar a formar a pessoa para depois formar o profissional. O que presenciamos no cotidiano é um esforço muito grande para treinar além do escopo profissional, ou seja, na prática edificar um cidadão mais completo.

 

Lamentavelmente, cursos técnicos, profissionalizantes, de aperfeiçoamento ou de capacitação, além da própria formação dentro de casa, têm gerado um grupo de cidadãos muito limitados. Isso em geral nem é culpa da própria pessoa, mas na verdade do nosso conjunto de alternativas para formação e qualificação.  Há vários indivíduos que não possuem a consciência da importância dele e do que ele faz.

 

Precisamos, portanto, pensar melhor sobre a necessidade da educação básica para a indústria e na formação do indivíduo e do profissional.

 

Outro ponto, é a necessidade de refletir também como fazer com responsabilidade, por exemplo, a transformação de um trabalhador rural para torná-lo um eletricista de rede de distribuição. É altamente arriscado treinar um eletricista em apenas três meses para trabalhar numa rede elétrica. Isso tem de ser muito bem analisado. Vivenciamos recentemente inúmeros problemas elétricos, qualquer chuva, intensa ou não tem causado transtornos e prejuízos significativos. São os produtos que são ruins? Não, são mal instalados, porque a qualidade da mão de obra é insuficiente e os produtos não são corretamente aplicados.

 

Um outro aspecto é que, em empresas com perfis de pequeno e médio porte, é preciso também que o colaborador seja um generalista na função e muitos jovens têm dificuldades em exercer o trabalho com esse posicionamento. Também porque não estão habituados a usar tudo aquilo que, teoricamente, aprenderam. A questão é que boa parte dos jovens profissionais iniciantes entende que tem de ser sempre específicos e por essa razão este trabalhador iniciante apresenta muitas dificuldades em exercer tarefas mais diversificadas. O fato é que profissional que se destaca é aquele que consegue agregar várias habilidades.

 

Uma contradição é que a educação profissional focada na indústria tem se destacado em todo o mundo, principalmente com o avanço tecnológico acelerado e a demanda crescente por competências específicas no mercado de trabalho. Como consequência, é preciso pensar na formação, treinamento e educação como um todo.

 

Segundo a Unesco, aproximadamente 10% dos estudantes do ensino secundário no mundo estão matriculados em cursos técnicos e profissionais. Em países como Alemanha, esse número é muito mais alto, chegando a 50%, refletindo a forte parceria entre instituições educacionais e indústrias.

 

Até o ano que vem, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), prevê que, o Brasil vai precisar de aproximadamente 9,6 milhões de profissionais com capacitação específica em áreas tecnológicas e de engenharia. No entanto, apenas cerca de 8% dos estudantes do ensino médio estão matriculados em cursos técnicos e profissionalizantes, ou seja, muito abaixo de países desenvolvidos.

 

O Sistema S (Senai, Senac, entre outros) tem papel fundamental na oferta de cursos técnicos, profissionalizantes ou de capacitação para preparar mão-de-obra para setores específicos do comércio, indústria e serviços, mas ele não alcança a educação dentro de casa, também chamada de educação parental (parenting). É ela que trata da criação dos filhos, com todas as práticas, cuidados e orientações que os pais e mães deveriam fornecer para o desenvolvimento e bem-estar de suas crianças.

 

Talvez seja preciso que os sistemas de apoio profissional (sistema S), as empresas ou ONGs educativas reflitam com mais atenção nesse ‘público anterior’ que está dentro de casa, recorrendo a educadores especializados em ‘andragogia’, que é a metodologia de educação para adultos, e é desenvolvida a partir do compartilhamento de experiências entre aluno e professor.

 

Este deveria ser a discussão séria a ser tratada na esfera que engloba todos os atores que tratam da educação básica e do trabalhador e não uma discussão que já se inicia com uma mentira que que é a dita “jornada 6×1” afinal 44 horas semanais, são 5 dias e meio de trabalho por um e meio de descanso.

 

 

* Marcelo Mendes é gerente geral da KRJ Conexões ( https://krj.com.br/ ). É economista e executivo de marketing e vendas do setor eletroeletrônico há mais de 15 anos, com atuação inclusive em vários mercados internacionais.

Projeto de Lei Complementar 210/24 pode afetar Lei Federal de Incentivo ao Esporte

0

 

Mudanças visam suspender a destinação de verba de incentivos fiscais a entidades do terceiro setor em caso de déficit primário nas contas públicas

 

O Congresso Nacional aprovou o texto-base do Projeto de Lei Complementar (PLP) 210/2024, que faz parte da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 54/2024, chamada de “PEC do Corte de Gastos”, que prevê a não concessão, ampliação ou prorrogação de benefícios e incentivos fiscais em caso de déficit primário nas contas públicas. Dessa forma, inúmeras leis de incentivo podem ser comprometidas, incluindo a Lei Federal de Incentivo ao Esporte.

 

Para Alceu de Campos Natal Neto, diretor-geral do Instituto Futebol de Rua e idealizador da Rede CT – Capacitação e Transformação, rede de desenvolvimento de empreendedores sociais esportivos para uso de leis de incentivo, “a aprovação desse projeto significa um retrocesso em políticas sociais”. Segundo ele, “inúmeras ações criadas por Organizações da Sociedade Civil (OSCs) poderão deixar de ser implementadas, o que reduziria significativamente o impacto positivo do trabalho dessas entidades com pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica”.

 

“Existem quase 900 mil OSCs ativas no Brasil. Elas podem arrecadar recursos financeiros por alguns meios, como doações de pessoas físicas e jurídicas, bazares, eventos beneficentes e outros. Porém, alguns de seus projetos dependem dessas verbas para alcançar mais pessoas e desenvolver cidadãos economicamente ativos. Estamos falando aqui de crianças, jovens, adultos, idosos, famílias inteiras que dependem dessas organizações para ter oportunidades na vida”, diz.

 

Alceu comenta ainda que a Lei Federal de Incentivo ao Esporte é um exemplo de transformação social de centenas de pessoas. “Por meio desses recursos, muitas OSCs de todo o país, ensinam diferentes modalidades esportivas, incentivam a educação e a cultura, trabalham pelos direitos das pessoas atendidas e seus familiares, enfim, fazem o que o estado muitas vezes não faz. Se esse PLP for aprovado, esse impacto positivo deixará de existir, aumentando ainda mais os índices de desigualdade e exclusão social no país”.

 

O impacto em números

 

Ao todo, de acordo com o Ministério do Esporte, a Lei Federal de Incentivo ao Esporte captou R$ 985 milhões em 2023, valor 1,7 maior do que em 2022. O PLP, para Fernando Salum, diretor de captação de recursos na Nexo Investimento Social e diretor-executivo da Rede Igapó – Projetos Incentivados da Amazônia e um dos criadores da Rede CT, “põe em risco o impulso vivido pelo setor esportivo, que cresceu enormemente em 2023 e 2024 e pode viver um retrocesso nos investimentos e tiraria de centenas de pessoas o acesso a projetos sociais de grande relevância para sua inclusão na sociedade”.

 

Alceu diz também que o governo deveria trabalhar no caminho inverso ao que está sendo proposto. “Nem todas as OSCs estão localizadas em grandes centros e isso dificulta o acesso de muitas dessas entidades aos recursos destinados pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte. Segundo o Mapa das OSCs, 40% dessas instituições estão localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e recebem, somados, apenas 14% das verbas. O maior montante é destinado a organizações do Sul e Sudeste, com 17% e 69%, respectivamente. Esse é o cenário pelo qual lutamos para mudar. É importante promover equidade. Somente assim teremos um país de fato desenvolvido”, finaliza.

 

Sobre a Rede CT

 

A Rede CT – Capacitação e Transformação, é um projeto que, com apoio do Instituto Futebol de Rua, Nexo Investimento Social e Rede Igapó, e patrocínio do Itaú, capacita empreendedores sociais esportivos para uso da Lei Federal de Incentivo ao Esporte. Com a expectativa de capacitar 300 OSCs e mentorear outras 120, a Rede CT visa capacitar representantes dessas organizações para auxiliar em programas de apoio à prática esportiva como agente de transformação social nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, com foco em cidades no interior dos estados e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

 

Estudo sobre a Elevação do Rio Grande detalha ambiente costeiro do passado

0

Entre os resultados, destaca-se a grande quantidade de fósseis de algas vermelhas, organismos que vivem predominantemente em águas rasas

Brasília (DF) – A Elevação do Rio Grande (ERG) é tema do artigo publicado na Social Science Research Network. Essa formação submarina tem grandes dimensões e seu topo atualmente se encontra, em média, a 650 metros abaixo do nível do mar, com a porção mais rasa estando a 543 metros de profundidade.

No passado geológico, a ERG – que fica a cerca de 1.300 km e 1.500 km dos litorais do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, respectivamente – já esteve emersa, funcionando como uma ilha vulcânica. O estudo apresenta um modelo de reconstrução paleoambiental de uma antiga plataforma carbonática rasa associada a essa ilha, que existiu entre 30 milhões e 5 milhões de anos atrás, no período Oligoceno-Mioceno/Plioceno.
O principal objetivo do estudo foi reconstruir o ambiente de deposição das rochas que compõem o fundo oceânico da Elevação do Rio Grande, testando a hipótese de que a área já esteve acima do nível do mar em um passado remoto.

O diferencial do trabalho está no fato de ser o primeiro a descrever, em detalhes, o ambiente costeiro raso dessa ilha oceânica atualmente submersa. Essa antiga ilha seria comparável a outras do Atlântico Sul, como Fernando de Noronha e Trindade, porém com dimensões muito maiores, semelhantes às da Islândia, porém em um clima tropical.

Entre os resultados mais importantes, destacam-se a grande quantidade de fósseis de algas vermelhas, organismos que vivem predominantemente em águas rasas, e de corais associados a elas. Outro achado relevante foi a alteração fosfática nas rochas carbonáticas, evidenciando a interação da ilha com correntes oceânicas que existiram no Mioceno.

A importância da pesquisa é sobretudo científica, pois revela uma fase única da evolução da Elevação do Rio Grande. Durante o período em que esteve acima do nível do mar, a deposição de sedimentos carbonáticos interagiu com as extrusões vulcânicas da ilha. Esse cenário fornece uma valiosa “janela” para observar o futuro das ilhas oceânicas do Atlântico Sul, que tendem a afundar em relação ao nível do mar, assim como ocorreu com a ERG.

O artigo foi elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com colaboração dos pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) Eugênio Frazão, Mauro Lisboa, Heliásio Simões e Victor Lopes. Além disso, contou com a participação de especialistas da Petrobras.

Acesse aqui o documento completo.

Estratégias e desafios para a manutenção do status sanitário da Febre Aftosa

0

Profissionais capacitados contribuem para a implementação de estratégias de vigilância contínua da Febre Aftosa, protegendo a saúde animal e a economia. Com essa visão, o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (PANAFTOSA/OPS/OMS) está com inscrições abertas para o curso online da Febre Aftosa. A atividade foi avaliada positivamente pelo Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa).

O curso é voltado para pessoas que vivem em áreas rurais e se dedicam à criação de animais ou estão envolvidas na pecuária em todo o continente americano. As inscrições podem ser feitas pelo link https://portalpanaftosa.org/.

A médica veterinária e conselheira técnica do Icasa, Luciane Surdi, salienta os principais pontos abordados pela capacitação, que relata sobre o impacto, transmissão e prevenção da Febre Aftosa; como o produtor deve fazer para notificar uma suspeita da doença; o que ocorre em uma propriedade rural que tem suspeita de Febre Aftosa e as estratégias traçadas para erradica-la nas Américas.

“Este curso abrange um público diversificado, incluindo trabalhadores do serviço veterinário oficial, profissionais de matadouros-frigoríficos e propriedades rurais agropecuárias, transportadores de animais, médicos veterinários e zootecnistas, a comunidade acadêmica de medicina veterinária (docentes e discentes) e demais atores envolvidos na prevenção, vigilância e resposta precoce à Febre Aftosa”, destaca.

FEBRE AFTOSA               

A Febre Aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente bovinos, suínos, ovinos, caprinos e bubalinos. É essencial que todo o produtor rural e, de forma geral, todos os profissionais que trabalhem em contato direto com animais conheçam os sintomas para prevenir e identificar a doença, bem como os procedimentos necessários para notificá-la caso haja suspeita de sua presença.  Toda a cadeia de produção precisa estar sensibilizada, em constante alerta e orientada para que em qualquer suspeita notifique o serviço veterinário oficial.

Equipe técnica do Icasa em vistorias realiza ações de educação e prevenção contra a Febre Aftosa, atua na verificação da saúde geral dos rebanhos, orienta os produtores sobre sinais clínicos da Febre Aftosa e reforça a importância da vigilância ativa e notificação de suspeita para a Cidasc.

O estado de Santa Catarina obteve o reconhecimento internacional de Zona Livre de Febre Aftosa sem vacinação em maio de 2007. Desde então e qualquer cidadão ou profissional relacionado à saúde animal que tenha conhecimento de suspeitas ou casos de doenças deve comunicar aos órgãos oficiais de defesa sanitária animal. Um reconhecimento que deve ser mantido com o esforço de todos.