O juiz Arthur Engoron pontuou nesta quarta-feira (10) que Donald Trump não terá permissão para falar durante os argumentos finais no julgamento de fraude civil de US$ 370 milhões em Nova York.
Em nota enviada aos advogados de Trump e à procuradora-geral de Nova York, Letitia James, pouco depois do meio-dia desta quarta-feira (10), no horário local, Engoron afirmou que o ex-presidente não concordou com as condições estabelecidas caso desejasse dar uma declaração.
“Não tendo recebido notícias suas até o terceiro prazo prorrogado (meio-dia de hoje), presumo que o Sr. Trump não concordará com os limites razoáveis e legais que impus como pré-condição para dar uma declaração final acima e além daquelas fornecidas por seus advogados, e que, portanto, ele não falará no tribunal amanhã”, escreveu Engoron.
O e-mail mostra que as partes têm discutido a possibilidade de Trump participar dos argumentos finais ao menos desde a semana passada.
Em audiências anteriores, Trump e sua equipe disseram que há interferência eleitoral de Joe Biden, alegaram perseguição política e tentaram desviar a atenção dos meios de comunicação dos seus rivais republicanos, que têm lutado para diminuir a vantagem que o empresário leva nas pesquisas eleitorais.
O ex-presidente não enfrenta acusações criminais no caso de fraude civil, mas o processo atinge o empresário pessoalmente, uma vez que a procuradora-geral de Nova York pede US$ 370 milhões de dólares em indenizações e quer proibir Trump de fazer negócios no estado.
A procuradora alega que Donald Trump, os seus dois filhos adultos e sua empresa fraudaram bancos e companhias de seguros ao inflacionarem o valor dos ativos do ex-presidente para obterem taxas de empréstimo mais favoráveis, por exemplo.
Engoron já decidiu que Trump é responsável por fraude. O juiz está agora considerando indenizações e seis reivindicações adicionais no julgamento.
Gabinete da procuradora-geral foi contra fala de Trump
O gabinete da procuradora-geral foi contra que de falar durante as alegações finais da defesa, mas também reconheceu que isso dependia do critério do juiz.
“Permitir que o Sr. Trump apresente o argumento final irá convidar a mais discursos que irão ‘perturbar indevidamente’ os procedimentos”, escreveu Andrew Amer em e-mail na quinta-feira passada.
E ex-presidente entrou em confronto com Engoron outras vezes durante o julgamento. O juiz impôs uma ordem de silêncio proibindo comentários sobre sua equipe na semana de abertura do julgamento, depois que Trump postou ataques nas redes sociais contra o secretário do magistrado.
Engoron também multou o empresário duas vezes por violar a ordem de silêncio, tendo também levado ele para o banco das testemunhas para responder a perguntas sobre comentários que fez fora do tribunal quando se queixou de “uma pessoa muito partidária sentada ao lado” do juiz.
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