Início Site Página 102

62% dos brasileiros afirmam que não têm informação suficiente para ajudar uma mulher em situação de violência, aponta Índice

0

Lançado em novembro pelo Instituto Natura e a Avon, Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres mostra ainda que quatro em cada dez brasileiras não reconhecem espontaneamente como violência contra mulher as agressões vividas

 

Apesar dos esforços de governos, veículos de comunicação e instituições para conscientizar a população sobre a gravidade da violência contra a mulher, apenas 38% dos brasileiros acreditam que têm “alguma” informação sobre leis, tipos de violência doméstica (física, sexual, patrimonial, moral e psicológica) e canais de denúncia e apoio para ajudar uma mulher em situação de violência. O dado faz parte do Índice de Conscientização sobre Violência contra Mulheres, ferramenta inédita lançada pelo Instituto Natura e a Avon em novembro para apontar o nível de conscientização da população sobre o tema no Brasil, entre outros países da América Latina.

 

O Índice, desenvolvido a partir de levantamento realizado pelo Instituto Natura com o apoio da agência especializada Quiddity entre junho e agosto de 2025, mostra que quatro em cada dez brasileiros não se recordam de ter visto alguma campanha de conscientização sobre o tema nos últimos 12 meses – o que confirma que os esforços do governo e da sociedade civil em divulgar informações essenciais para proteger meninas e mulheres não está sendo efetivo. Além disso, quatro em cada dez mulheres não declararam espontaneamente que já sofreram violência contra mulher, mas depois identificaram que sofreram situações descritas pelos entrevistadores como tal.

 

“A conscientização é parte da solução do problema social que é a violência contra mulheres e meninas. É por isso que o Instituto Natura desenvolveu o Índice. Não se trata de uma pesquisa pontual, mas uma ferramenta perene, um instrumento de acompanhamento da conscientização sobre a violência contra as mulheres, que nos ajuda a compreender se estamos evoluindo enquanto sociedade na forma como percebemos, compreendemos e reagimos em relação à violência contra a mulher. E é ele que passará a nortear todas as nossas ações no tema e poderá ajudar a promover a transformação social no país pela qual trabalhamos”, afirma Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil.

 

Do total de entrevistados no Brasil para a criação do Índice – 4.224 homens e mulheres acima de 18 anos em todo o País -, somente 29% demonstraram conscientização “alta” ou “muito alta” sobre violência contra mulheres, enquanto 28% demonstraram conscientização “baixa” ou “muito baixa”. Os níveis classificados como “alto” e “muito alto” correspondem a um conhecimento satisfatório e capacidade de ação sobre os diferentes tipos de violência doméstica, maneiras de ajudar uma mulher em situação de violência, leis a respeito e serviços de apoio e proteção.
“Embora tenhamos a impressão de que este seja um assunto em evidência na sociedade, a maior parte de nossa população não conhece informações fundamentais a respeito das leis e políticas públicas de proteção e apoio. Esse cenário contribui para que a violência contra a mulher, em especial a doméstica, seja mantida na esfera privada, e não tratada como um problema social mais amplo”, diz Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura. “Enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade do Estado, mas também de toda a sociedade”, afirma a especialista.
Discurso x Ação: 98% das mulheres dizem que tomariam uma atitude ao sofrer situação de violência, mas somente 73% das que já sofreram de fato o fizeram
O Índice de Conscientização revela que há contradição entre o discurso, considerando cenários hipotéticos, e a tomada de atitude em casos reais de violência contra mulheres. Das brasileiras que participaram da pesquisa, 98% afirmaram que tomariam uma atitude, em especial o acionamento da polícia, se sofressem algum tipo de violência contra a mulher. No entanto, somente 73% das que apontaram que já sofreram violência doméstica de fato buscaram ajuda e a maioria o fez na esfera privada, sem acionamento da polícia ou formalização de denúncia ao agressor.

 

Ao mesmo tempo, 96% dos homens e mulheres reconheceram que têm alguma responsabilidade, enquanto sociedade, diante do problema, mas 60% afirmaram que o que acontece entre um casal deve ser resolvido apenas pelo próprio casal e 15% disseram que não ajudariam a mulher porque “não acha que seja da sua conta”.
Veja o infográfico do índice do Brasil aqui.
Cenário latino-americano
O Índice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres será lançado nos 6 países da América Latina em que o Instituto Natura atua – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e México – e mostrou que a dificuldade em converter intenção e preocupação em ações práticas e conscientização não é um desafio local. Em todos os países considerados pela ferramenta, a maior parte dos entrevistados consideram importante intensificar as leis e ações de enfrentamento à violência contra a mulher, mas demonstram pouco conhecimento sobre o tema.
Todos os países têm mais de um terço dos participantes da pesquisa que se consideram com pouca ou nenhuma informação para ajudar uma mulher em situação de violência. Como uma das iniciativas para reforçar essa conscientização, o Instituto Natura e a Avon lançaram a campanha “Chame Pelo Nome” em agosto deste ano e farão uma segunda tomada agora em novembro no movimento dos “16 dias de ativismo”, período que marca a realização de ações globais de articulação em prol do tema por pessoas, instituições e organizações para prevenir, enfrentar e eliminar a violência contra mulheres e meninas.
Sobre o Índice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres
O Índice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres é uma ferramenta perene criada pelo Instituto Natura e a Avon para mensurar o nível de conscientização das populações do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e México – países em que as instituições atuam – sobre a violência contra as mulheres. Assim, pretende apoiar políticas públicas e ações de transformação social. A intenção é que os dados do índice sejam atualizados anualmente.
Para este lançamento, foram escutados somente no Brasil pelo Instituto Natura, com o apoio da agência especializada Quiddity, 4.224 homens e mulheres acima de 18 anos. As entrevistas aconteceram de forma presencial e online entre junho e agosto de 2025 e respeitaram os recortes de região e gênero recomendados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de recortes de classe social, de acordo com renda familiar e escolaridade do entrevistado.
O questionário da pesquisa foi aplicado a partir de metodologias quantitativas de pesquisa social. Ele considera três dimensões complementares: conhecimento (cognição; o que se sabe sobre o problema), atitudes (ação; como reagimos diante dele) e valores (percepção; o que sentimos e acreditamos).
Sobre o Instituto Natura
Criado em 2010, o Instituto Natura almeja transformar a educação pública, garantindo uma aprendizagem de qualidade para todas as crianças e jovens nos seis países da América Latina em que está presente (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Também como forma de atuação, se dedica ao desenvolvimento educacional das Consultoras de Beleza Natura e Avon e trabalha em conjunto com inúmeros parceiros no poder público, no terceiro setor e na sociedade civil. Desde 2024, o instituto ampliou sua atuação para a defesa dos direitos fundamentais das mulheres, desenvolvendo iniciativas voltadas à conscientização sobre o câncer de mama e ao combate à violência contra meninas e mulheres por meio do apoio da Avon, que historicamente tem sido uma parceira comprometida e continua apoiando as ações do Instituto Natura nessa causa.
Sobre a Avon
Avon é uma das maiores marcas de beleza do mundo e pertence à Natura Cosméticos. Há 138 anos, a Avon tem em sua essência um compromisso com as mulheres, promovendo não apenas experiências em beleza e autocuidado, mas também ações concretas em prol de sua independência e bem-estar. Presente no Brasil desde 1958, concentra no país sua maior operação. Seu portfólio diversificado inclui produtos inovadores e de alta tecnologia, com marcas mundialmente reconhecidas, como as linhas de maquiagem Power Stay, Tratamake e Color Trend, as linhas de cuidados Renew e Avon Care, além dos perfumes Far Away, Love|U, Attraction, Segno e 300km/H. Além disso, a marca oferece uma variedade de itens para Casa & Estilo. Para obter mais informações sobre a Avon, visite o site: www.avon.com.br.

Comunidade Raiz recebe integrantes do TJMG

0

Demandas diversas dos quilombolas foram relatadas durante ação de cidadania

 

São inúmeras as espécies de flores existentes na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, onde está localizada a comunidade Raiz (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

O acesso ao território é para a gente manter viva nossa cultura, nossos saberes, nossa ancestralidade e, principalmente, para poder manter a nossa juventude aqui. Quando a gente perde o território, perde muita coisa. Nosso medo é que nossas crianças não conheçam campo de flor.”
O desabafo é de Andreia Ferreira, liderança da comunidade quilombola de apanhadores de flores sempre-vivas Raiz, localizada no topo da Serra do Espinhaço, no município de Presidente Kubitschek, em Minas Gerais, a 21 km do Serro e a 62 km de Diamantina.
Na comunidade, cuja existência já se aproxima dos 150 anos, vivem 27 famílias. “Estamos encurralados pelas fazendas de monocultura de eucalipto”, acrescentou outra liderança local, Ercy Alves Ferreira.
A maior demanda da comunidade, afirmam as lideranças, é de acesso ao território, já que o povo ali se entende como parte da Serra. Mas as pessoas que vivem ali enfrentam outros desafios.

Raiz foi reconhecida como Comunidade Apanhadora de Flores Sempre-Viva em 2018 (Crédito: Quilombro Raiz)

As dificuldades e as necessidades mais urgentes foram relatadas pela comunidade aos representantes do Sistema de Justiça que estiveram no Raiz, no dia 28/11, para a “Ação cidadania: Escuta ativa”.
A iniciativa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) integrou as ações do Mês da Consciência Negra no Judiciário mineiro, em uma realização da 3ª Vice-Presidência, por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para demandas de Direito relativos a indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais da Justiça de 1º e 2º Graus (Cejusc Povos e Comunidades Tradicionais), e pelo Cejusc da Comarca de Diamantina, com o apoio de parceiros.
Acompanharam a escuta ativa em Raiz o coordenador-adjunto do Cejusc Povos e Comunidades Tradicionais, desembargador Enéias Xavier Gomes; a juíza coordenadora do Cejusc da Comarca de Diamantina, Letícia Machado Vilhena Dias; e o juiz diretor do Foro da Comarca de Guanhães, Otávio Scaloppe Nevony; entre outras autoridades.

A “Ação de cidadania: Escuta ativa” na comunidade quilombola Raiz foi realiza no dia 2911 (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)
Remanescente de quilombo
O Decreto nº 4.887/2003 considera remanescentes das comunidades dos quilombos “os grupos étnico-raciais, segundo critérios de autoatribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida.”
Em 2015, a comunidade Raiz foi certificada pela Fundação Cultural Palmares (FCP) como remanescente de quilombo. Isso foi uma mudança na estratégia que veio ampliar a cidadania da população ali residente.
“No passado, era a invisibilidade que mantinha a comunidade, que vivia de seus modos de vida sem ser incomodada, acessava seu território e apanhava muitas flores.”
Assim lembrou Andreia Ferreira, que também atua na Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex).

Andreia Ferreira, liderança da comunidade, é doutoranda em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)
Ela contou que, em meados de 2006, com a chegada da monocultura de eucalipto à região, por meio de fazendeiros, a comunidade começou a sofrer os efeitos nocivos da atividade:
“Em 2014, fomos impactados mais diretamente, pois perdemos o acesso ao território. Somos proibidos de apanhar flor, de nadar, de pegar esterco e lenha.”
O reconhecimento do território como remanescente de quilombo, em 2015, veio, segundo Andreia, como uma “luz no final do túnel”: “Viver como povo tradicional a gente sempre viveu, mas entendemos que tínhamos de ser certificados pelo governo para tentar preservar nossos modos de vida.”
Já em 2018, nova garantia para esse grupo vulnerabilizado: Raiz foi reconhecida como Comunidade Apanhadora de Flores Sempre-Viva, cujo sistema de agricultura tradicional, em 2020, tornou-se o 1º patrimônio agrícola mundial presente no Brasil, tendo recebido da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) o título de Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial (Sipam).

Claudinei Alves Ferreira é uma das apanhadoras de flores da comunidade, além de artesã de capim-dourado (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)
Apanhadora de flores
Claudinei Alves Ferreira, de 42 anos, é uma das apanhadoras de flores da comunidade, além de artesã de capim-dourado. Ela acompanhou a mudança do cenário:
“Esses lugares todos que a gente vê hoje cheio de eucalipto, era tudo lugar que a gente apanhava flor. Mas os fazendeiros chegaram e plantaram o eucalipto, que destruiu tudo.”
Ela revelou que os moradores de Raiz, agora, “têm que ir longe”, porque próximo à comunidade não se encontram mais flores: “A sedinha mesmo, que é o capim-dourado, que a gente usa para tecer, agora temos que comprar por R$ 50 o quilo; antes a gente tinha de graça.”
O artesanato do capim-dourado é feito por artesãos de 11 a 76 anos, entre mulheres e homens, em um conhecimento passado de geração para geração. A tradição do fogo faz parte dos saberes ancestrais de manejo com a terra e é usada para preservar as sempre-vivas por meio de queimadas controladas, estimulando novas florações.
Entre as tradições da comunidade, estão ainda as formas de cultivo dos quintais, que são agroflorestais. Apesar da restrição de acesso ao território, que impede o cultivo nas “roças de toca”, feitas normalmente em meio à mata nativa, a produção dos quintais é abundante, garantindo soberania alimentar e permitindo a revenda do excedente.

O cultivo de ervas medicinais condensa saberes antigos; Ercy Alves Ferreira aprendeu a prática com os antepassados (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)
Saberes ancestrais
O cultivo de ervas medicinais também condensa saberes antigos, segundo Ercy Ferreira:
“Aprendi sobre as ervas com meus avós, pais e tios, só que eu dei um melhoramento na prática. Antes, a gente tratava com as folhas in natura, hoje, com a mistura do conhecimento tradicional com o moderno, consegui transformar as plantas em remédio.”
A maioria das plantas com as quais ela trabalha são nativas do Cerrado – cerca de 150 espécies, com as exóticas cultivadas em sua horta.
“Temos a prática tradicional recebida dos nossos ancestrais. Respeitamos a fase da lua, a época de rebrota, e a gente tem um jeito de tirar a raiz, para que ela rebrote na época certa, por isso a gente prioriza a lua e o tempo chuvoso”, esclareceu Ercy Ferreira.
Usando álcool de cereais, ela extrai as propriedades das plantas e produz as tinturas. Com base nos relatos das pessoas, faz as prescrições. Segundo ela, há cura ali para males diversos: sinusite, depressão, ansiedade, gastrite, refluxo, entre dezenas de outros problemas de saúde, e substâncias voltadas ao controle de triglicérides, colesterol e glicose.
“Não tratamos só nossa comunidade. Já mandamos remédio até para a Etiópia, por meio de um intercâmbio, e para a Suíça, também em função de uma parceria”, revelou Ercy Ferreira.
Um cuidado que ela mantém é em relação à segurança das informações, temendo a biopirataria: “Esse conhecimento não é meu, é coletivo, da comunidade.”

As primas Beatriz, Isabela e Sofia, em frente a uma reprodução da primeira casa da comunidade, feita de pau a pique (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)
Acervos vivos
“Hoje temos a farmácia que transforma plantas medicinais em remédio e mandamos flores e artesanato para o mundo inteiro. Nossa pauta é buscar políticas públicas para manter nossos modos de vida”, frisou Andreia Ferreira, que é doutoranda em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).
Além da demanda mais ampla de acesso a territórios, há demandas específicas, as quais foram todas repassadas para os representantes do Judiciário mineiro que estiveram na comunidade para a escuta ativa.
Entre os pedidos, estão a limpeza da comunidade; a manutenção da estrada; o transporte de saúde; o transporte escolar; a instalação de água do poço com nova rede; drenagem de área e questões relacionadas ao fornecimento de energia, entre outras. Além de relatar os problemas, a comunidade recebeu também atendimentos individuais feitos pela Justiça Federal.
Os mais antigos são o acervo vivo dos modos de vida na comunidade. A matriarca do Raiz é Maria Efigênia Perpétuo, de 89 anos, que lembrou:
“Catei muita flor, com minha avó. Enquanto aguentei andar pelo campo, andei. Tomava café, saía pra apanhar sempre-vivas e andava tudo. Quando cansava, ia embora. Quando a gente ia longe, arrumava farinha com açúcar para comer.”

A matriarca Maria Efigênia Perpétuo, de 89 anos, contou que começou a trabalhar aos 4 anos, cultivando a terra (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

O plantio sempre foi atividade à qual Maria Efigênia Perpétuo se dedicou, ao longo da vida: “Plantei a vida inteira. Comecei a trabalhar com 4 anos e trabalho até hoje. Ajudava meu pai e minha vó a plantar. Dia de semana, meu pai trabalhava de escuro a escuro para o patrão, ganhando uma mixaria que não dava para a gente comer. Não dava para comprar querosene ou arroz. A gente comia o que plantava.”
O irmão dela, José dos Santos Ferreira, de 79 anos, ainda trabalha como apanhador de flor. Ele contou que a vida sempre foi “de muito trabalho”. Dos 9 anos 15 anos, trabalhou em condições análogas à escravidão, “debaixo de chicote”:
“No dia em que meu pai levou eu e meu irmão para trabalhar no garimpo, o patrão entregou na mão desse homem R$ 200 mil.”
Os meninos começaram então a trabalhar já devendo essa quantia. “Levou tempo para pagar tudo. Quando a gente voltava para casa, ele vinha e buscava de novo. Não podia largar o serviço, porque estava devendo; se largasse ele vinha atrás e levava a gente, e pai deixava porque estava devendo”, contou José Ferreira.
Ele lembrou que não tinham lugar para dormir nem acesso a alimentação suficiente: “De roupa, a gente só tinha um calça curtinha e uma camisetinha, feita de saco de linhagem pela minha mãe. A gente trabalhava assim a semana inteira, não podia tomar banho porque não tinha outra roupa para colocar.”
José Ferriera afirmou que “foi muito judiado” e passou muito frio nessa época. Apesar das dificuldades que perduram, ele disse que, hoje, está tudo muito melhor: “Fui crescendo, as coisas foram melhorando, as meninas começaram a trabalhar, ajudando nosso pai. Hoje, a comunidade é muito unida, graças a Deus.”
No dia 27/11, a ação de cidadania recebeu representantes de nove outras comunidades tradicionais da região no Fórum de Diamantina. Veja matéria.

José dos Santos Ferreira, 79 anos, ainda trabalha como apanhador de flor; entre as espécies apanhadas, as sempre-vivas (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)
Presenças
Também participaram da iniciativa representantes, entre outras instituições, do Tribunal Regional Federal da 6ª região (TRF6); das Defensorias Públicas de Minas Gerais (DPMG) e da União (DPU); do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG); da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig); de prefeituras e câmaras municipais locais; e do Projeto Caminhando Juntos (Procaj), de Diamantina.

Novo presidente do BRB é apresentado pelo governador Ibaneis Rocha ao setor produtivo

0

Empossado no fim de novembro após aprovação pela Câmara Legislativa, Nelson de Souza participou de reunião na Fecomércio-DF nesta segunda (1º), ao lado do chefe do Executivo

Por

Fernando Jordão, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira

O novo presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, foi apresentado pelo governador Ibaneis Rocha a representantes do setor produtivo, nesta segunda-feira (1º/12), durante reunião ordinária na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF).

“Vim hoje trazer uma mensagem de apoio ao setor produtivo e de continuidade dos trabalhos que a gente vem desenvolvendo. Eu tenho total confiança no Nelson e disse a ele que os meus indicados têm total credibilidade e autonomia para gerir suas partes. Então, eu estou muito confiante no trabalho do Nelson, e, falando em nome dele, eu preciso do apoio do empresariado do Distrito Federal”, afirmou o governador durante a reunião, ressaltando a importância do comércio para a economia local: “A Fecomércio tem mais de 400 mil empregos diretos no DF e outros tantos indiretos. É um dos principais, senão o principal setor de emprego e renda no Distrito Federal.”

No encontro, Nelson de Souza agradeceu “o apoio e a parceria profícua” do setor com o BRB, respondeu a questionamentos dos empresários e indicou o caminho que pretende seguir em sua gestão. “É um prazer estar aqui para dizer como nós estamos pensando em administrar o banco e já começamos, inclusive: com governança, pessoas — porque eu acredito que nada se faz sem as pessoas — e resultados — acredito que não existe liderança sem ter resultados. São esses três itens que estamos trabalhando”, apontou.

“Vim hoje trazer uma mensagem de apoio ao setor produtivo e de continuidade dos trabalhos que a gente vem desenvolvendo. Eu tenho total confiança no Nelson [Antônio de Souza] e disse a ele que os meus indicados têm total credibilidade e autonomia para gerir suas partes”, afirmou o governador Ibaneis Rocha durante a reunião | Fotos: Renato Alves/Agência Brasília

 

Já o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido da Costa Freire, lembrou ter uma parceria “muito forte” com o Governo do Distrito Federal (GDF) e colocou a instituição à disposição do novo presidente do BRB. “Aqui nós temos 26 sindicatos representados, então é muito importante o senhor entender o quanto de respeito o senhor tem nessa instituição. Essa casa está de portas abertas.”

Trajetória

Indicado pelo governador Ibaneis Rocha em 19 de novembro, Nelson de Souza passou por uma sabatina na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) antes da posse. Durante quase três horas, o executivo respondeu a perguntas dos deputados da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof). No plenário, seu nome foi aprovado por 16 votos a favor e seis contrários.

No dia seguinte, o Banco Central validou a indicação, autorizando a posse oficial no BRB, feita na quinta-feira (27) pelo presidente do Conselho de Administração do banco, Marcelo Talarico. Um dia depois, Souza foi empossado simbolicamente pelo governador Ibaneis Rocha, em reunião no Palácio do Buriti.

 

Servidor de carreira da Caixa Econômica Federal, Nelson Antônio de Souza acumula mais de 45 anos de experiência no mercado financeiro. Em 2018, presidiu a própria Caixa, após exercer cargos estratégicos, como o de vice-presidente de Habitação. Também comandou o Banco do Nordeste (BNB), a Desenvolve SP e a Brasilcap, além de ter atuado mais recentemente como vice-presidente da Elo.

No encontro, Nelson de Souza agradeceu “o apoio e a parceria profícua” do setor produtivo com o BRB, respondeu a questionamentos dos empresários e indicou o caminho que pretende seguir em sua gestão

Nascido em São Paulo e morador do DF desde 2003, Nelson é graduado em letras e psicologia, com MBAs em administração e marketing e em consultoria empresarial. Começou a carreira como menor aprendiz no Banco do Brasil e ingressou na Caixa por concurso público em 1979.

Banco que cresce

O BRB que chega a seis décadas de história é muito diferente da instituição de anos atrás. Desde 2019, o banco vive um processo consistente de modernização, ampliação de serviços e fortalecimento da governança, que o transformou em um dos principais motores financeiros do Distrito Federal. A partir desse período, o BRB expandiu presença nacional, diversificou negócios, aprimorou controles internos e passou a administrar aproximadamente 30 programas sociais do GDF, assumindo um papel importante na execução das políticas públicas implementadas pela atual gestão.

Os resultados desse ciclo são visíveis nos indicadores. Hoje, o BRB possui mais de R$ 80 bilhões em ativos e mais de R$ 60 bilhões em carteira de crédito, mantendo uma trajetória de crescimento contínuo desde 2019. A instituição também ampliou sua capacidade de atendimento, alcançando mais de 9,6 milhões de clientes em 97% do território nacional, com uma rede de 988 pontos físicos, além de plataformas digitais aprimoradas.

Já o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido da Costa Freire, lembrou ter uma parceria “muito forte” com o Governo do Distrito Federal (GDF) e colocou a instituição à disposição do novo presidente do BRB

Esse avanço possibilitou ao banco conquistar posições estratégicas no mercado, como a liderança no crédito imobiliário no Distrito Federal, com 64% de participação, e o posto de 5º maior banco do país nesse segmento, além de 2º entre as instituições públicas.

O desempenho financeiro acompanha esse ritmo de expansão: no primeiro semestre, o BRB registrou lucro líquido recorrente de R$ 518 milhões e alcançou margem financeira superior a R$ 2,3 bilhões, números que reforçam o impacto do banco no desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal.

 

Fórum de Diamantina recebe comunidades quilombolas

0

 

Ação da 3ª Vice, Cejusc local e parceiros permitiu a escuta ativa de povos tradicionais

Foto: A liderança do Quartel do Indaiá, Helena Maria Vieira dos Santos, contou sobre as dificuldades enfrentadas hoje por sua comunidade (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

“A gente precisa de muita ajuda. Eu já fui atacada por fazendeiro, querendo tomar nossa terra. Tudo isso foi na minha porta, pra me bater. Mas só que eu não aceitei: eu sou quilombola.”
Com essa fala forjada a resistência, a liderança Helena Maria Vieira dos Santos, conhecida como Dona Sineca, relatou aos presentes no Salão do Júri do Fórum Joaquim Felício, na Comarca de Diamantina, na quinta-feira (27/11), algumas das dificuldades enfrentadas hoje por sua comunidade, a Quartel do Indaiá.
“Um conflito que a gente tem é no território da Chapada. Tem uma cancela que tá sempre com a corrente. A gente quer que a corrente seja retirada de lá. A gente quer o nosso território livre igual era no tempo do meu pai, no tempo do meu avô, no tempo da minha avó. Era tudo liberto. Nossa identidade não pode acabar.”
A declaração é de Jovita Maria Gomes Corrêa, da Mata dos Crioulos. Ela continuou:
“Quando chegaram pra fazer o parque lá, eles tinham que consultar a comunidade. A gente tira o sustento dali, não podiam ter feito isso, dizendo que iam preservar. Eles não preservam nada, quem preserva é a gente. Eles estão ‘despreservando’ o que a gente preservou. Eles não sabem cuidar da natureza melhor que nós, que somos raiz de lá.”

Representante da comunidade Mata dos Crioulos, Jovita Maria Gomes Corrêa disse: “Nossa identidade não pode acabar” (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

As duas mulheres foram algumas das lideranças das Comunidades Quilombolas e Apanhadoras de Flores da Comarca de Diamantina que participaram da “Ação cidadania: Escuta ativa”, iniciativa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que integrou as ações do Mês da Consciência Negra no Judiciário mineiro.
A atividade foi realizada pela 3ª Vice-Presidência, por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para demandas de Direito relativos a indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais da Justiça de 1º e 2º Graus (Cejusc Povos e Comunidades Tradicionais), e pelo Cejusc da Comarca de Diamantina, com apoio de parceiros.
Essa foi a segunda escuta ativa do Judiciário mineiro em comunidades quilombolas.
A ação no Fórum de Diamantina foi precedida de uma apresentação de integrantes da Quartel do Indaiá. Veja trecho no vídeo abaixo:

Construção coletiva
“Sabemos que os povos e comunidades tradicionais possuem modos próprios de viver, de se organizar, de transmitir saberes e de resolver conflitos. E a Justiça só cumpre verdadeiramente seu papel quando reconhece essa diversidade e, principalmente, aprende com ela”, declarou a juíza Letícia Machado Vilhena Dias.
A magistrada, titular da 1ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Diamantina e coordenadora do Cejusc local, destacou a importância de se reconhecer que as comunidades quilombolas, historicamente, enfrentaram o silenciamento, o racismo e a exclusão das políticas públicas:
“Esse passado, que ainda produz efeitos no presente, não pode ser ignorado. Iniciativas como essa possuem um significado especial porque representam um compromisso com a reparação histórica, com o reconhecimento de direitos que estão garantidos na Constituição e com a abertura de espaços para que as vozes quilombolas sejam escutadas e respeitadas.”

A juíza coordenadora do Cejusc da Comarca de Diamantina, Letícia Vilhena (esq.) e o prefeito da cidade (dir.), Geferson Burgarelli, no Salão do Júri do Fórum Joaquim Felício (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

Manifestação das lideranças
Logo no início dos trabalhos, em uma inversão com forte simbolismo, as autoridades presentes, que haviam sido chamadas a compor o dispositivo de honra, foram convidadas pela juíza a se sentar na plateia para dar lugar às lideranças de cada uma das comunidades presentes. O gesto foi seguido de muitos aplausos.
Um a um, os representantes assumiram o microfone: além de Dona Sineca (Quartel do Indaiá) e de Dona Jovita (Mata dos Crioulos), foram ouvidos os relatos de lideranças das comunidades quilombolas de Braúnas; Vargem do Inhaí; Espinho; Andrequicé; Macacos; Fazenda Santa Cruz; e São João da Chapada.
“Hoje, estamos escrevendo uma nova história. Nunca imaginei que estaria nesse lugar, em um Fórum, não para ser julgada, mas para ser ouvida. Isso é um passo importantíssimo.”
A declaração é de Maria de Fátima Alves (Macacos), que integra a coordenação da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex).
Ela destacou que as comunidades estavam ali como povos que carregam histórias profundas, saberes antigos e modos de vida que atravessam gerações: “Somos apanhadores de flores sempre-vivas e quilombolas que habitam, cuidam e transformam esse território há séculos.”
Maria de Fátima pediu que suas vozes fossem compreendidas não como reclamação, mas como “afirmação de dignidade”, e que, para isso, é fundamental que o Sistema de Justiça enxergue os territórios quilombolas não apenas como “pedaços de terra”, mas como espaços de memória, trabalho, espiritualidade, cultura e vida comunitária.

Gislane Tiju observou que os quilombos do Brasil foram responsáveis por mais de 50% da captura do carbono emitido pelo Brasil (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

Proteção do planeta
Liderança da comunidade quilombola Andrequicé, Gislane Tiju observou que naquele espaço de encontro se fortaleciam “as vozes de quem historicamente protege a terra, a água, as sementes e a vida”. Ela fez coro com Imir de Jesus da Cruz Vales, de Vargem do Inhaí, que, ao se apresentar, contou: “Sou guardião das sementes crioula, guardião das águas e dos animais.”
Gislane Tiju explicou que, ao longo da 30ª Conferência do Clima (COP30) da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em novembro, no Pará, houve um marco importante: o lançamento do NDC Quilombola – Contribuição Nacionalmente Determinada, que reconhece os territórios quilombolas como espaços de resistência negra, ancestralidade e também como áreas essenciais para a proteção do planeta Terra.

“Os quilombos do Brasil foram responsáveis por mais de 50% da captura do carbono emitido pelo País. Isso revela que proteger nossos territórios é proteger a vida; é uma estratégia fundamental para o equilíbrio climático do planeta”, declarou Gislane
Demandas principais
Em suas falas, as lideranças contaram sobre as dificuldades frequentes com fornecimento de energia, principalmente nas épocas de chuva; a falta de espaço adequado para atendimentos médicos; e das estradas em mal estado, que contribuem para o isolamento e trazem dificuldades diárias.
Narraram também questões como dificuldade de se conseguir ambulância, que não chega ou chega tarde demais, em casos de emergência; da ameaça de fazendeiros, grileiros e da mineração; de pontes e passarelas destruídas; da carência de oportunidades para escoar produtos agrícolas produzidos por eles; e de promessas não cumpridas do Poder Público.
Entre outras queixas apresentadas, destaque para o ensino dentro das comunidades e da falta de oportunidades para quem retorna e a permanência dos mais jovens nas comunidades, para que se perpetuem e os conhecimentos ancestrais não se percam.
“Nossas crianças precisam aprender onde suas raízes estão fincadas. Não podem ser afastadas de sua identidade por espaços que não reconhecem suas histórias. Defendemos também a autonomia alimentar, a produção saudável, sem agrotóxicos, respeitando a terra, a saúde e a vida”, disse Gislane.
Em uma mostra de que, apesar dos desafios, há lideranças jovens despontando entre os quilombolas, a comunidade Fazenda Santa Cruz se fez representar por Jordany Kelly Silva, de 26 anos, estudante de Licenciatura em Educação do Campo na Universidade dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM):

“Peço licença aos mais velhos para estar neste lugar. Sou nova, estou no início da caminhada.”

A comunidade Fazenda Santa Cruz se fez representar por uma liderança jovem: Jordany Kelly Silva, de 26 anos (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

Acesso a direitos
Aos representantes de instituições públicas também foi dada a palavra, para que pudessem indicar possíveis soluções para cada uma das situações apresentadas. As propostas foram discutidas e constaram em ata, já com definição de prazos para o cumprimento do que foi proposto.
“Essa iniciativa é importante porque é o Sistema de Justiça, como um todo, voltando os olhos para uma população que, historicamente, sempre foi excluída, uma população que sempre encontrou barreiras para o acesso às instituições de Estado.”
A avaliação é do coordenador-adjunto do Cejusc Povos e Comunidades Tradicionais do TJMG, desembargador Enéias Xavier Gomes.
Ele observou que a ação leva cidadania para essas comunidades e contribui para que elas percebam a importância da manutenção de suas origens, suas histórias e suas terras e, até mesmo, para a reflexão sobre o que ser quilombola impacta em suas vidas.
“No Fórum e nas comunidades, o atendimento vai desde demandas individuais, como uma questão previdenciária e uma ação de família, até questões coletivas, que envolvem a delimitação da terra, o auxílio no reconhecimento da comunidade como quilombola; conseguimos evitar eventuais conflitos fundiários.”
O desembargador acrescentou que, para o Judiciário, a medida também é muito importante, porque, com ações preventivas, podem ser evitadas inúmeras demandas judiciais em casos envolvendo, por exemplo, saneamento básico, água, energia: “O ganho, portanto, é para as instituições, com a diminuição das demandas judiciais, e para as comunidades, que passam a ter, de fato, maior reconhecimento.”

O desembargador Enéias Xavier destacou a importância de o Sistema de Justiça voltar os olhos para uma população historicamente excluída (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

O juiz diretor do Foro da Comarca de Guanhães, Otávio Scaloppe Nevony, a 1ª comarca do Judiciário mineiro a realizar uma escuta ativa em comunidade quilombola, em setembro deste ano, também participou do encontro em Diamantina.
“Somos servidores públicos. Estamos cumprindo nosso dever de ofício, mas, principalmente, nosso dever como pessoas”, disse o magistrado.
Ele destacou as condições adversas e desumanizantes a que esses povos foram submetidos no Brasil, quando trazidos da África, e o fato de ainda hoje eles estarem reivindicando direitos básicos:
“Apesar disso, eles sobrevivem, e em situações que nós não sobreviveríamos. Então, a nossa sobrevivência depende da sobrevivência deles. Já temos base científica de que a maior parcela de preservação ambiental está nessas comunidades indígenas e tradicionais.”

O juiz diretor do Foro da Comarca de Guanhães, Otávio Scaloppe Nevony, também participou da ação de cidadania (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

Existir com dignidade
Durante o encontro, algumas das lideranças entregaram à juíza Letícia Vilhena cartas abertas com demandas de suas comunidades. Ecoando a força e os desejos comuns às várias vozes ouvidas durante a escuta ativa, a representante de Andrequicé resumiu:
“Seguimos em luta, com os pés na terra, a memória na ancestralidade e o olhar voltado para o bem-viver. Que nossos territórios permaneçam vivos. Que a justiça se concretize. E que nosso povo siga existindo com dignidade.”
Atenta a todas as falas das lideranças e dos representantes das instituições, estava uma das matriarcas da comunidade do Espinho, Luíza da Silva, de 93 anos: “Lá em Espinho, agora, quase que só tem só velho. Não se ouve mais um grito de criança. Tem muita casa fechada.”
Ela contou que muitas vezes “deita pra dormir”, mas o sono não chega, e então se põe a lembrar de tudo o que já passou. A casa onde ela cresceu, e que foi construída pelo bisavô, resiste ao tempo, mas é um patrimônio da comunidade que está quase caindo.
“De dia fico lá na casa velha, mas, quando começa a trovejar, a gente vai depressa pra casa nova”, explicou. Sobre Espinho, ela disse que é um lugar “muito bonito”, que tem “arvoredo e mata pra todo lado”. Mas o que ela mais admira na comunidade é a união, e algo que ela espera nunca se perder: “Tudo mundo é unido, combinado, graças a Deus.”
Na sexta-feira (28/11), a ação de cidadania foi até a comunidade quilombola Raiz. Confira a matéria.

Uma das matriarcas do Espinho, Luíza do Espinho, de 93 anos, contou que, na comunidade, hoje, predominam as pessoas idosas (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG )

Presenças
Participaram da ação de cidadania no Salão do Júri do Fórum Joaquim Felício representantes do Tribunal Regional Federal da 6ª região (TRF6); das Defensorias Públicas de Minas Gerais (DPMG) e da União (DPU); do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); da UFVJM; da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG); da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig); de Prefeituras e Câmaras Municipais locais; e do Projeto Caminhando Juntos (Procaj), de Diamantina.
Entre as diversas autoridades presentes, figuraram o juiz federal do TRF6 José Maurício Lourenço; o defensor público da União João Márcio Simões; os defensores públicos de Minas Gerais Ana Cláudia da Silva Alexandre Storch, Eric Simão Saraiva e Letícia Fonseca Cunha; o prefeito de Diamantina, Geferson Burgarelli; o prefeito de Gouveia, Alberis Oliveira; o prefeito de Presidente Kubistchek, Osvaldino Reis da Silva; o presidente da Câmara Municipal de Gouveia, vereador Cassiano Ricardo Dória de Azevedo; o supervisor do Núcleo de Políticas de Igualdade Racial da Câmara Municipal de Diamantina, Renato Wagner da Cunha; e as professoras da UFVJM Paula Cristina Silva e Josiane Moreira da Costa.
Confira outras fotos no Flickr oficial do TJMG.

PF deflagra operação contra ataques cibernéticos a deputados federais do PL

0

Na manhã desta terça-feira (2), a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Intolerans, que investiga ataques cibernéticos realizados contra deputados federais que foram a favor do projeto de lei que iguala aborto a homicídio.

Segundo a corporação, diversos sites de parlamentares foram afetados com as invasões de hackers.

A PF cumpre mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Curitiba. A operação também conta com o apoio de entidades estrangeiras por meio de cooperação jurídica internacional.

As deputadas Bia Kicis (PL-DF), Júlia Zanatta (PL-SC), Greyce Elias (Avante-MG) e os deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro  (PL-SP) e Paulo Bilynskyj (PL-SP) foram alguns dos alvos dos ataques.

 

 

 

 

Fonte: donnysilva.com.br

84% dos jovens creem que conhecimento sobre a IA é importante para conseguir emprego

0
Levantamento mostra também que, quando se avalia a utilização das ferramentas de IA, 69% dos jovens acham que elas podem ajudar no processo de aprendizagem

A inteligência artificial (IA) vem se tornando cada vez mais presente na vida das pessoas. Seja profissionalmente ou na rotina pessoal, a utilização do recurso parece um caminho sem volta. Pesquisa da Demà e da Nexus atesta a representatividade da IA: Oito em cada 10 jovens entre 14 e 29 anos (84%) acreditam que o conhecimento sobre Inteligência Artificial (IA) é um fator impactante para conseguir emprego. O levantamento mostra também que 11% avaliam que não faz diferença, 3% acham que seja até prejudicial e 2% não souberam responder.

Quando se avalia a utilização das ferramentas de IA, 69% dos jovens acham que elas podem ajudar no processo de aprendizagem, enquanto 24% avaliam que podem prejudicar e 7% não sabem ou não souberam responder.

93% dos jovens brasileiros entre 14 e 18 anos já ouviram falar de IA

A pesquisa da Demà e da Nexus aponta também que quanto mais jovem maior a taxa defamiliaridade com a tecnologia. O contato com as ferramentas de IA é maior entre 14 e 18 anos, em que 93% têm algum conhecimento e apenas 7% não possuem. As demais faixas etárias (19 a 24 anos e 25 a 29 anos) têm familiaridade com a tecnologia de 89% e 88%, respectivamente.

Além disso, mais de 80% desses jovens percebem o uso da IA em múltiplas aplicações, especialmente nas assistentes de voz dos smartphones, como Siri e Alexa (92%), e em pesquisas do Google (89%). Mas o recurso também é notado nas sugestões de vídeos em plataformas como YouTube e Tiktok (85%), carros que dirigem sozinhos (81%), robôs de limpeza (80%) e filtros de foto em aplicativos como o Instagram (80%).

Para 86% dos jovens, a IA pode ajudar em tarefas e atividades cotidianas, sejam nos estudos ou no trabalho. Apenas 12% discordam dessa visão, enquanto 2% não sabem ou não souberam responder.

Curiosamente, o significado da tecnologia não é tão coeso assim: 36% não sabem responder para que de fato ela serve. Enquanto 13% dizem que o sentido é de tecnologia inteligente e 12% acreditam que ela ajuda em estudos, pesquisa ou no trabalho.

71% dos jovens acreditam que o recurso ajuda no dever de casa

Tanta familiaridade faz da IA o “Google da nova geração”, por sua utilização em pesquisas e no auxílio a estudos e trabalhos. Isso porque 83% dos entrevistados admitem utilizar a ferramenta para fazer pesquisas gerais ou acadêmicas. Outros 71% acreditam que o recurso ajuda no dever de casa, em trabalhos e estudos para provas de escolas, das faculdades, universidades ou do ensino técnico. Já 70% utilizam para traduzir textos, enquanto 67% optam para resumir ou corrigir publicações.

Dois terços (66%) utilizam a IA para gerar novas ideias para alguma atividade, outros 63% criam imagens e 62% usam para escrever novos textos. Por fim, 52% usam para preparar apresentações ou relatórios.

“É muito representativo que, pelo menos, metade dos entrevistados confirmem que usam IA de alguma forma. Sem dúvidas, a Inteligência Artificial éum agente facilitador das nossas demandas diárias um aliado da eficiência e produtividade. São percepções claramente refletidas nesta pesquisa, que mostra, por exemplo, que a grande maioria dos adolescentes utiliza para ajudar no dever de casa. IA veio para ficar e transformar as nossas jornadas, principalmente, as de aprendizado”, analisa Juan Carlos Moreno, Diretor da Demà.

7 em cada 10 entrevistados têm contato quase diário com IA

A percepção da IA se faz também no cotidiano da juventude. Sete em cada dez entrevistados têm contato quase diário com a tecnologia, enquanto outros 13% se envolvem com a ferramenta algumas vezes por semana e 3% têm alguma relação mensal. Por sua vez, 8% têm contato raro, e apenas 5% nunca utilizam a tecnologia – 2% não souberam ou não responderam.

Nessa estatística, chama a atenção a distinção por escolaridade. Enquanto 85% dos estudantes de nível superior têm contato quase diário com a IA, no ensino médio, essa relação cai para 71%, e no fundamental é de 57%.

METODOLOGIA

A Nexus entrevistou 2.016 cidadãos com idade entre 14 e 29 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre 14 e 20 de julho. A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

SOBRE A DEMÀ
A Demà está presente em todo o Brasil, fomentando a educação e a inovação, impulsionando a distribuição de renda e o protagonismo de jovens. Há mais de 30 anos em atividade, a instituição é sinônimo de transformação social na vida de jovens, empresas e de toda a sociedade e desde 2023, é parceira do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Fundación SES (Argentina), e líder, no Brasil, das ações de promoção dos valores olímpicos aplicados ao mundo do trabalho educativo por meio do módulo Educação, Esporte e Meios de Vida.

Lei Paulo Gustavo fomenta projetos que democratizam o acesso à música no DF

0

 

São iniciativas que levam música para escolas públicas e periferias do DF, com acessibilidade e garantia de direitos

 

Em novembro é celebrado o Dia Nacional do Músico, uma homenagem a todos os profissionais da música, como instrumentistas, cantores, compositores e técnicos. No DF, projetos que envolvem música também são contemplados pela Lei Paulo Gustavo (LPG) — o maior investimento em cultura da história.

 

O Violão nas Escolas é uma dessas iniciativas incentivadas pela legislação. O projeto nasceu em 2018 com o intuito de levar educação musical para as escolas da rede pública do DF, o que é previsto em lei desde 2008. O proponente Leonardo Monteiro explica que a escolha do violão se deve ao fato do instrumento ter os três elementos musicais: ritmo, harmonia e melodia.

 

“A LPG foi importantíssima, porque faz a gente poder, de fato, levar música para as escolas. Os violões usados nas aulas foram doados para as instituições”, conta Monteiro, que revela que o próximo passo é fazer com que a doação dos instrumentos também seja feita diretamente para os alunos que mais se destacaram, para que continuem praticando em casa. O Violão nas Escolas ainda conta com um canal no YouTube, com mais de 7 mil inscritos.

 

Sinestesia

 

O Sinestesia entre Imagem e Som chegou a sua segunda edição com incentivo da Lei Paulo Gustavo. A iniciativa é pensada para democratizar o acesso à arte e à música no Distrito Federal, pensando também em visualidade, abraçando as comunidades surda e cega. A proponente Gisele Rocha explica que músicos locais gravam composições inéditas em estúdio. As canções têm clipes gravados em uma instalação produzida por um artista visual. “Cada um dos clipes recebe uma segunda versão, com ator ou atriz com deficiência auditiva interpretando a música em Língua Brasileira de Sinais (Libras), trabalho feito em conjunto com um intérprete”, detalha.

 

A edição fomentada pela LPG rendeu 12 clipes já lançados no YouTube. As instalações ou fragmentos delas foram expostas na galeria A Pilastra, onde podiam ser vistas e/ou sentidas pelo público, com visitação mediada.  “Não é tão simples captar para um projeto como esse e a LPG tornou isso possível.  A legislação tem todo o processo burocrático facilitado, o que amplia o acesso e facilita o trabalho dos fazedores de cultura”, observa Gisele.

 

Hip Hop

 

Em novembro também é celebrado o Dia Mundial do Hip Hop, gênero que nasceu em comunidades periféricas, que usam da arte para expressar dores, alegrias e o seu cotidiano. O Brasil Super Battle realizou um festival de sucesso em setembro, em Ceilândia. O evento também incluiu quatro  workshops, batalhas de rimas e breaking, performances de DJ’s e produção de 10 obras de grafite. O projeto também foi fomentado pela Lei Paulo Gustavo no Distrito Federal.

 

LPG

A Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022) é o maior investimento já feito no setor cultural do Brasil, somando mais de R$ 3,8 bilhões de reais destinados a projetos culturais. Os recursos da lei são disponibilizados por meio de editais e outras formas de seleção pública. Artistas e trabalhadores da cultura podem se inscrever para receber parte desse financiamento, que é gerenciado pelos governos estaduais, municipais e do Distrito Federal.

Na capital, já foram R$ 48,1 milhões repassados para o setor cultural. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) é quem administra os recursos recebidos.

Serviço – LPG/DF

Instagram: @leipaulogustavodf

Site: www.leipaulogustavodf.com.br

Tel: (62) 99612-6143

 e-mail: editais@leipaulogustavodf.com.br

Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

0

 

Samuel Hanan*

 

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja. O problema é que, na hora de escolher o futuro presidente, o eleitor é bombardeado por uma avalanche de publicidade governamental e de promessas no horário eleitoral gratuito e, sem condições de fazer uma análise técnica da situação do país, acaba envolvido em narrativas e retóricas que, sabidamente, não refletem a realidade e, na maioria das vezes, não se realizarão. Esse cenário remete ao filósofo Sigmund Freud, segundo o qual “as massas nunca tiveram sede da verdade, elas querem ilusão e não vivem sem elas”.

 

Agora, a um ano do pleito, uma análise mais profunda da situação nacional revela que nas últimas décadas o país enveredou por um caminho muito perigoso. É inadmissível que os governos nacionais continuem querendo amenizar o fracasso de gestões transferindo a culpa a governos anteriores. Lembremos que desde 2000, o Brasil foi governado por diferentes gestores de ideologias diversas (2 anos de PSBD, 16,4 anos de PT, 2,3 anos de PMDB, e 4 anos de PL), e que seguem postulando o mesmo cargo nas próximas eleições.

 

O fato de o Brasil estar entre as 10 maiores economias do planeta não esconde que ainda enfrenta problemas gravíssimos, em especial o empobrecimento da maioria da população. Segundo o Banco Mundial, em 2010, a renda anual per capita do brasileiro era de US$ 11.391. Em 2024, fechou em US$ 10.234, perda de 10,15% em 14 anos. Nesse mesmo período o PIB mundial cresceu 64%, mostrando que o Brasil ficou para trás.

 

Pior ainda foi o resultado primário. Em 2022, o país registrou superávit primário de R$ 55 bilhões, o correspondente a 0,60% do PIB. Depois disso, a situação se inverteu. A partir de 2023, em todos os anos se registrou déficit primário: de R$ 229 bilhões naquele ano, ou 2,10% do PIB; de R$ 11 bilhões (0,10% do PIB) em 2024, e para 2025 a previsão é de déficit de R$ 75 bilhões (0,60% do PIB), sem contar as exclusões não recomendadas pela TCU, estimadas em outros R$90bilhões.

 

Sem controle de gastos, a dúvida pública da União só aumenta. Em 2022 (governo anterior), era de R$ 5,95 trilhões (59,8% do PIB) e agora deverá atingir o recorde de R$ 8,00 trilhões em 2025, equivalente a 65,0% do PIB, segundo as previsões.

 

Com a dívida pública da União crescendo à razão de R$ 1,0 trilhão/ano, o custo para a nação também se eleva muito em razão da consequente alta da taxa de juros. Os juros da dívida pública que consumiram R$ 700 bilhões em 2022, graças à taxa Selic de 11,75% de acordo com as estimativas, devem atingir R$ 1,12 trilhão em 2025, com a taxa Selic em 15,00% devido ao descontrole gerncial e teimosia em não cortar gastos. A conta sobra para o contribuinte. Nesses últimos três anos, a carga tributária passou de 30,3% do PIB em 2022, devendo fechar 2025 com algo próximo entre 34,0% e 34,5%, ou seja, elevação assustadora de 3,2 pontos percentuais. E querem mais.

 

Paradoxalmente, o brasileiro vem pagando mais impostos, porém não vê sua vida melhorar. As desigualdades permanecem. Mais de um terço da população (35,60%) tem renda bruta mensal de até um salário-mínimo (R$ 1.518,00), enquanto outros 21,60% dos brasileiros vivem com renda entre 1 e 2 salários-mínimos (de R$ 1.518,00 até R$ 3.036,00). E 22,80% da população ganham entre 2 e 2,3 salários-mínimos por mês, ou seja, entre R$ 3.036,00 e R$ 3.500,00.  Em resumo, 90% dos brasileiros vivem com renda mensal bruta de até R$ 3.500,00.

 

Há ainda outros indicadores sociais mostrando que o Brasil não garante qualidade de vida de seu povo. Em 2022, o país ocupava a 73ª posição no mundo em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e caiu para a 84ª colocação em 2024. No coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de renda, está em 53º lugar entre 58 países. No Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), que analisa a relação entre a carga tributária e o retorno em qualidade de vida à população, o Brasil é o último colocado entre as 30 nações que compõem o ranking. Também é pífio o desempenho brasileiro na educação, a nível mundial. O Pisa, mostra que ficamos em 53º lugar em leitura; 65º em matemática, e 53º em ciências. No Índice de Percepção da Corrupção, o país ocupa hoje sua pior colocação na história: caiu 35 posições e está na 107ª posição. Quando o assunto é violência urbana, somos campeões mundiais em número absoluto de homicídios intencionais, um título vergonhoso.

 

A máquina pública é gigante e ineficiente. Consome anualmente cerca de R$ 1,7 trilhão por ano ou quase 13,5% do PIB (Estadão 07.09.25), mais do que a média (9,3%) dos 38 países da OCDE, mesmo possuindo quase metade do número de servidores. Esse paradoxo encontra explicação nos privilégios e penduricalhos nos salários. A remuneração média dos ocupantes do topo da pirâmide do funcionalismo do governo federal é 67% maior que a média paga pelo setor privado. E mesmo entre os poderes há diferenças: se comparado com o Executivo, o Poder Legislativo paga 63% a mais, e o Judiciário tem remuneração média 263% maior.

 

Para 2026, o orçamento da União prevê gastos de R$ 219,80 bilhões em programas sociais, incluindo Bolsa Família, BPC, Pé de Meia, auxílio-gás, farmácia popular e FIES. São programas importantes e necessários, porém sem porta de saída. Consomem 1,64% do PIB, mais do que a União investirá em educação (1,02% do PIB), em segurança pública (0,03%) e em habitação (0,04% do PIB). Para essas áreas essenciais, o Orçamento 2026 garantirá R$ 391,60 bilhões, ou 6,00% do total, ante 3,37% dos programas sociais.

 

Os investimentos poderiam ser bem maiores se o país não tivesse de pagar R$ 1,12 trilhão de juros sobre as dívidas públicas (7,76% do PIB), além de R$ 455 bilhões (3,40% do PIB) em déficits previdenciários. Nessa conta entram mais de R$ 600 bilhões (cerca de 5,00% do PIB) em gastos tributários da União – renúncias fiscais – , dinheiro que o governo deixa de arrecadar (muitas das vezes sem prazo de vigência nem decrescente ao longo do tempo). Por tudo isso, o valor para investimento previsto será de pífios R$ 83 bilhões, ou 0,62% do PIB. Pouco demais para um país que precisa de muito investimento em infraestrutura para atender minimamente sua população de 213,4 milhões de pessoas.

 

Embora venha aumentando a carga tributária e com previsão de arrecadação recorde em 2026 e 2027, amarga o maior déficit nominal e a mais alta dívida pública. Esses resultados reprovam todos os governos das últimas décadas, revelando que o país se ressente de um plano de metas e de maior controle dos privilégios e da corrupção, exigindo mais verdades e menos narrativas, e reclamando urgentemente maior austeridade fiscal.

 

A história registra, infelizmente, que, desde 1990, dos seis presidentes da República eleitos ou que depois assumiram o cargo, apenas dois (Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso) encerraram seus mandatos sem nenhum arranhão na esfera penal. Outros dois sofreram impeachment e os demais enfrentaram problemas na Justiça. No mesmo período, quatro ex-presidentes da Câmara dos Deputados foram presos, situação que mostra bem a deterioração ética dos políticos brasileiros.

 

O diagnóstico da situação nacional não é bom, face gestão inadequada e inexistência de plano de metas ou plano de governo. Há, porém, caminhos para que essa situação seja revertida e o país reencontre o rumo do desenvolvimento com justiça social. Para isso será necessário que o presidente cumpra as obrigações contidas no arcabouço fiscal já aprovado, especialmente a de acabar com o déficit e gerar superávit primário, o que facilitaria a redução da inflação – hoje entre 4,8% e 5,1% -, levando-a para perto do centro da meta de 3% ao ano.

 

Outro exemplo: se o governo reduzir em apenas 1,5 ponto percentual as despesas primárias, que já foram de 14,7% do PIB no governo de FHC e hoje ultrapassam 19% do PIB, o déficit primário de 0,60% do PIB passará a superávit de 0,90% do PIB. Atrelado à redução de privilégios, penduricalhos e desperdícios, isso contribuiria para a redução das despesas acima de R$ 180 bilhões/ano, sem traumas e sinalizando a investidores, analistas, instituições financeiras, empresários e à mídia, a disposição política de inaugurar uma nova era, a era da austeridade fiscal.

 

É possível economizar ainda mais. Basta o Executivo enviar ao Congresso Nacional um programa de redução dos gastos tributários da União, em cumprimento ao já determinado pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021, que estabeleceu o teto de gastos em 2% do PIB, hoje cerca de R$ 250 bilhões/ano. Esse teto é ignorado e hoje gasta-se mais de 5,5% do PIB. Se houvesse a redução de apenas metade do estabelecido pela EC nº 109, o país economizaria mais R$ 220 bilhões por ano.

 

Além disso, com superávit de 4,0% a 4,5% do PIB (de R$ 500 a R$ 560 bilhões/ano), seria possível trazer a inflação para o centro da meta (3% ao ano) e, com isso, estabilizar a dívida pública da União (hoje de 70% do PIB) e do governo geral, de 80% do PIB, criando-se as condições para a redução da taxa real Selic de 9,5% a.a. para 6% a.a. descontada a inflação de 3% ou 3,5% (nominal de 15% para 11%). O resultado seria redução dos juros e economia de cerca de R$ 300 bilhões anuais. Com todas essas medidas, seria facilmente possível economizar mais de R$ 800 bilhões/ano. Não é pouca coisa.

 

Permitiria ampliar em 50% todos os programas sociais existentes, reforçar o SUS e ainda implantar o ensino obrigatório em tempo integral, capacitar e remunerar melhor os professores, melhorar a vigilância das fronteiras, portos e aeroportos para evitar a entrada de armas e drogas que alimentam as facções criminosas, e ainda realizar grandes investimentos em infraestrutura. Seria um passo fundamental para reduzir o custo Brasil e gerar valor adicionado em nossa pauta de comércio exterior.

 

É urgente o governo entender que praticar Austeridade Fiscal é o maior Programa Social em benefício da população, a maior e melhor fonte de recurso já disponível para manutenção e ampliação dos tão necessários Programas Sociais para correção das inaceitáveis e injustas desigualdades sociais e regionais do país, tudo sem nenhum aumento de tributo e sem culpar ninguém. Sem dar concretude a essas duas palavras, nunca atingiremos as outras duas que são o lema da nação: ordem e progresso.

 

 

*Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”. Site: https://samuelhanan.com.br

 

CERIMÔNIA DE ENTREGA DO PRÊMIO MARIMBÁS NO ENCERRAMENTO DO FESTIVAL DE DIREITOS HUMANOS

0

 

* festival estreia o Prêmio Marimbás, que passa a ser entregue a grandes personalidades – nesta edição, recebem o troféu Sebastião Salgado (in memoriam) e Zezé Motta

* cerimônia acontece em 2/12, terça-feira, às 19h00, no Espaço Petrobras de Cinema

* realizado pelo Instituto Vladimir Herzog e Criatura Audiovisual, evento tem patrocínio da Petrobras, via Lei Rouanet, e da CAIXA

 

 

Em 2025, o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos promove – pela primeira vez – a entrega do Prêmio Marimbás, que reconhece grandes nomes da arte e da cultura cujas trajetórias se entrelaçam com os direitos humanos.

 

Em 2 de dezembro, terça-feira, às 20h00, no Espaço Petrobras de Cinema, recebem a premiação familiares do fotógrafo Sebastião Salgado (1944-2025), homenageado pelo festival em 2023, e a cantora, atriz e ativista Zezé Motta, premiada neste ano. Após a cerimônia, Zezé apresenta um pocket show.

 

O troféu do Prêmio Marimbás, criado pela cartunista Laerte, faz referência ao título do documentário “Marimbás”, único filme dirigido pelo jornalista Vladimir Herzog (1937-1975).

 

Com o Prêmio Marimbás, o festival passa a reconhecer anualmente grandes vultos da arte e da cultura relacionados aos direitos humanos. Em 2024, o homenageado foi o escritor e xamã Davi Kopenawa.

 

Com o tema “Memória, Terra e Liberdade”, o DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos reúne exibições de filmes, apresentações musicais, peça de teatro e encontros e debates. Uma realização do Instituto Vladimir Herzog e da Criatura Audiovisual, o festival tem patrocínio da Petrobras, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, e da CAIXA.

 

imagens para divulgação

Link 

 

serviço

5º DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos

cerimônia de entrega do Prêmio Marimbás

2/12, terça-feira, às 19h00

Espaço Petrobras de Cinema – rua Augusta 1475, Consolação – São Paulo

gratuito

Renda extra e qualificação: Cursos gratuitos de culinária natalina em Paraisópolis

0

A Carreta do Cozinhalimento chega a Paraisópolis para uma agenda especial de três semanas dedicada à qualificação profissional e ao estímulo à renda extra no período natalino. De 2 a 19 de dezembro, moradores da região poderão participar gratuitamente de cursos de panetones e ceias de Natal, oferecidos pelo Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), em parceria com o G10 Favelas.

 

As capacitações serão no Pavilhão G10 e terão inscrições online e presencial. Os cursos foram estruturados para atender microempreendedores, trabalhadores informais e famílias que buscam ampliar sua renda no fim do ano. Cada participante receberá treinamento completo para produção de panetones e pratos de ceia, aprendendo técnicas que podem ser imediatamente transformadas em oportunidade de negócio.

 

Nova estrutura itinerante amplia alcance do Cozinhalimento

 

Lançada em novembro, a Carreta do Cozinhalimento tem 20 metros e conta com uma cozinha profissional com capacidade para 30 pessoas. Os cursos contam com partes teóricas e práticas sobre nutrição e segurança alimentar. Este ano, os cursos natalinos já passaram por Cajamar, Franco da Rocha e Caieiras. Serão cerca de 500 pessoas beneficiadas apenas neste ciclo inicial.

 

A unidade itinerante recebeu investimento de R$ 3,3 milhões e tem como meta capacitar mais de 5 mil pessoas até dezembro de 2026.

 

O objetivo da versão itinerante é levar qualificação gratuita a regiões que ainda não possuem unidades físicas do Cozinhalimento. Desde sua criação, o programa já inaugurou 258 cozinhas em todo o Estado, totalizando R$ 25,5 milhões em investimentos.

 

Sobre o Cozinhalimento

Cozinhalimento é um programa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento que instala cozinhas-piloto em municípios paulistas para capacitação profissional e promoção da segurança alimentar. O objetivo é qualificar pessoas para o preparo de alimentos mais saudáveis, combater o desperdício e o desperdício de alimentos, além de incentivar o empreendedorismo e a geração de renda através da culinária.

 

Serviço – Carreta do Cozinhalimento em Paraisópolis
Datas: 2 a 5 de dezembro; 8 a 12 de dezembro; 15 a 19 de dezembro

Horário: 9h até 16h
Local: G10 Favelas – Rua Itamotinga, 100, Paraisópolis
Inscrições: Online pelo link do G10 Favelas ou presenciais no Pavilhão do G10