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Beef on Dairy será tema de palestra no 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte

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Uma estratégia que já vem transformando fazendas no mundo inteiro começa a ganhar espaço no Brasil: o Beef on Dairy, prática que utiliza sêmen de raças de corte em vacas leiteiras. O tema será apresentado no 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte, com a palestra “O Potencial do Beef on Dairy para fazendas brasileiras”, ministrada pelo doutor Brad Gilchrist, às 9h20 do dia 14 de outubro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

O Fórum integra a programação do 14º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e pela EPAGRI, que acontece nos dias 14, 15 e 16 de outubro com palestras voltadas à inovação, ciência aplicada e sustentabilidade na pecuária.

Na palestra, o especialista apresentará o potencial do Beef on Dairy para o sistema de produção brasileiro, destacando benefícios como melhoria genética, incremento de produtividade, maior rentabilidade e qualidade da carne. “A estratégia, já consolidada em países com cadeias produtivas estruturadas, pode representar uma alternativa viável para produtores nacionais que buscam otimizar recursos e diversificar sua produção”, salienta o presidente do Nucleovet, Tiago Mores.

De acordo com o presidente da comissão científica, Claiton André Zotti, com base em sua experiência internacional, Brad Gilchrist deve mostrar como a prática pode ser adaptada às condições do Brasil, explorando os desafios e as oportunidades para produtores de leite e de carne  que enxergam nesta técnica um caminho para ampliar resultados.

OLHAR GLOBAL

Gerente global de cadeia de suprimentos de carne bovina da Semex, Brad Gilchrist tem ampla experiência no desenvolvimento de estratégias voltadas ao Beef on Dairy, conduzindo ações que já se tornaram referência internacional. Formado pela Universidade de Guelph, no Canadá, com diploma de honra em Agricultura, acumula expertise em pedigrees de raças, DEPs (Diferenças Esperadas de Progênie), genômica e políticas de melhoramento genético.

Sua atuação na indústria de carne bovina é reconhecida pela abordagem prática e focada no cliente, sempre com o objetivo de auxiliar produtores a criarem gado mais lucrativo e adaptado às necessidades de cada mercado.

Além da trajetória corporativa na Semex, Gilchrist e sua família também atuam diretamente na produção pecuária. Em Ontário, no Canadá, são responsáveis pela comercialização de gado Angus de reprodução para clientes dentro e fora do país, além de gerenciarem a The Beefway, um abatedouro inspecionado que integra bovinos, suínos e ovinos, permitindo uma visão completa da cadeia de suprimentos de carne. Essa experiência confere ao especialista uma visão abrangente da pecuária de corte, do melhoramento genético até o processamento e comercialização da carne.

INSCRIÇÕES

As inscrições para participar do 14º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) estão no terceiro lote. Os investimentos são de R$ 590,00 para profissionais e de R$ 480,00 para estudantes. Com esse ingresso o participante tem acesso total ao evento – 14º SBSBL, 9ª Brasil Sul Milk Fair, 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte e 2º Simpósio Catarinense de Pecuária de Leite à Base de Pasto.                                                                                                                                 Há também a possibilidade de participar somente do 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte e da 9ª Milk Fair. Os valores para essa modalidade são de R$ 220,00.

Para participar somente da 9ª Brasil Sul Milk Fair e conferir novas tecnologias e soluções expostas por empresas do setor as inscrições podem ser feitas pelo valor de R$ 100,00. Na compra de pacotes a partir de dez inscrições para o SBSBL serão concedidos códigos-convites bonificados. Profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos de universidades têm condições diferenciadas.                                                                                                                                                         As inscrições podem ser realizadas no site: www.nucleovet.com.br. Associados do Nucleovet devem fazer a inscrição por meio da secretaria da entidade. Contato (49) 9 9806-9548 ou pelo e-mail financeiro@nucleovet.com.br.

PROGRAMAÇÃO GERAL

  • 14º SIMPÓSIO BRASIL SUL DE BOVINOCULTURA DE LEITE
  • 9º BRASIL SUL MILK FAIR
  • 4º FÓRUM BRASIL SUL DE BOVINOCULTURA DE CORTE
  • 2º SIMPÓSIO CATARINENSE DE PECUÁRIA DE LEITE À BASE DE PASTO

DIA 14/10 – TERÇA-FEIRA

8h20 – Abertura da Programação Científica 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte

 

8h30 – Premissas para programa reprodutivo eficiente de novilhas e vacas

Palestrantes: Dr. Gilson Pessoa

 

9h20 – O Potencial do Beef on Dairy para fazendas brasileiras

Palestrante: Dr. Brad Gilchrist

 

10h10 – Milk break

 

10h50 – Desafios e o esperar de resultados da suplementação a pasto

Palestrante: Dr. Mikael Neumann

 

11h40 – Mesa-redonda

 

12h10 – Encerramento

 

13h45 – Abertura da Programação Científica 14º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite

 

PAINEL BEM-ESTAR ANIMAL

14h00 – Como conciliar produção de leite e sustentabilidade?

Palestrante: Dr. Ralf Loges

 

15h00 – Pontos críticos e práticos de bem-estar animal na atividade leiteira

Palestrante: Dra. Rosângela Poletto

 

16h00 – Milk Break

 

16h30 – Do clima ao conforto: como a ambiência impacta vacas e produtividade

Palestrante: Prof. Dr. Frederico Márcio Corrêa Vieira

 

17h30 – Mesa-redonda

 

18h00 – Abertura Oficial

 

18h30 – Palestra de Abertura do SBSBL – Mais Tempo, Mais Resultados: Como a IA pode apoiar a rotina do Atendimento Técnico

Palestrante: Alexandre Weimer

 

19h40 – Coquetel de Abertura na Milk Fair

 

 

DIA 15/10 – QUARTA-FEIRA

 

PAINEL REBANHO SAUDÁVEL E PRODUTIVO

8h00 – Gestão eficiente da diarreia neonatal

Palestrante: Dra. Viviane Gomes

 

9h00 – Prevenção das doenças reprodutivas: nosso calendário sanitário está adequado aos desafios do campo?

Palestrante: Dr. Álvaro Menin

 

10h00 – Milk Break

 

10h40 – Da mistura à boca da vaca: qualidade da TMR sem desperdício

Palestrante: Dr. João Ricardo Pereira

 

11h40 – Mesa-redonda

 

12h10 – Almoço

 

 

PAINEL EFICIÊNCIA NO CAMPO

14h00 – Como ser eficiente na atividade leiteira?

Palestrante: Dr. Wagner Beskow

 

15h00 – Mercado de Lácteos

Palestrante: Dr. Glauco Carvalho

 

16h10 – Milk Break

 

16h40 – Maximizando o aproveitamento da proteína: da dieta à produção

Palestrante: Dra. Marina Danés

 

18h00 – Happy Hour na Milk Fair

 

 

DIA 16/10 – QUINTA-FEIRA

 

PAINEL ADITIVOS

8h00 – Além do efeito ruminal: o papel dos tamponantes e alcalinizantes

Palestrante: Dr. Marcos Neves

 

9h00 – Ionóforos e sua contribuição na dieta de vacas em lactação

Palestrante: Euler Rabelo

 

10h10 – Milk Break

 

10h40 – Uso de eubióticos na pecuária leiteira: performance e saúde animal

Palestrante: Jill Davidson

 

11h40 – Mesa-redonda

 

12h10 – Encerramento e sorteio de brindes

Reunião regional da FAESC reúne lideranças sindicais da serra para discutir estratégias de fortalecimento do agro

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A penúltima reunião regional com lideranças sindicais rurais do cronograma de 2025 foi realizada nesta quarta-feira (08), em Lages, na Serra Catarinense. O encontro, promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), reuniu presidentes e diretores de todos os Sindicatos Rurais da região para debater desafios e oportunidades do agronegócio.

As atividades foram conduzidas pelo presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, juntamente com o vice-presidente regional da Faesc e presidente do Sindicato Rural de Lages, Márcio Pamplona, anfitrião do evento. Também participaram o vice-presidente executivo da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo; o vice-presidente de secretaria, Enori Barbieri; o vice-presidente de finanças, Antônio Marcos Pagani de Souza; o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, e a supervisora regional do Senar/SC, Stephanye Fanton.

Pamplona destacou os objetivos da ExpoLages e ressaltou a satisfação em conciliar o encontro com a abertura oficial de uma das maiores feiras de negócios do Estado, que segue até 13 de outubro. Em seguida, o presidente Pedrozo reforçou a importância do trabalho desenvolvido pelos Sindicatos Rurais ao mencionar que o agronegócio representa uma fatia expressiva da economia estadual e nacional.

Pedrozo também comentou sobre a assinatura, durante a Expointer em Esteio (RS), do Termo de Cooperação Técnica para o Controle da Reserva de Domínio, em parceria com a Cidasc. O acordo garante mais segurança jurídica e sanitária nas transações realizadas nos leilões de gado em Santa Catarina. Controlada por meio do software de emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), a Reserva de Domínio protege a posse do produtor rural, assegura a sustentabilidade dos empreendimentos leiloeiros e mantém a rastreabilidade e a segurança sanitária do rebanho bovino — patrimônio do agronegócio catarinense.

“O Controle da Reserva de Domínio é fundamental por se tratar de uma ferramenta que une segurança jurídica, eficiência econômica e garantia sanitária — pilares imprescindíveis para o crescimento sustentável do agronegócio catarinense e brasileiro”, destacou Pedrozo.

Outro tema relevante foi a ampliação do Programa Saúde no Campo, em 2026, para todo o Estado. Implantada neste ano na região Meio Oeste com significativos resultados, a iniciativa oferece atenção integral à saúde dos produtores atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).

Também foram abordadas a parceria com o Icasa, o fortalecimento da ATeG, dos treinamentos de Formação Profissional Rural e Promoção Social, além do Programa Lar Legal Rural na Serra e as futuras reuniões para a definição do calendário de feiras de 2026.

Os presidentes dos Sindicatos Rurais da região serrana levantaram assuntos estratégicos, como o bom momento da produção de vinhos de altitude; a importância do Programa de Controle e Erradicação do Cancro Europeu em Pomáceas; o cenário da produção florestal e do setor madeireiro; a importante atuação da Faesc em relação aos Campos de Altitude; as exigências bancárias para acesso a crédito e custeio; a preocupação com a cultura de cebola, frente aos elevados custos de produção e os baixos preços na comercialização, entre outros pontos relevantes para o desenvolvimento do setor.

De acordo com Pedrozo, assim como nas demais reuniões, o encontro cumpriu seu papel de aproximar a Federação das lideranças locais, ouvir reivindicações, avaliar ações realizadas ao longo do ano, acompanhar a realidade do setor nas bases e transmitir informações atualizadas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Senar Nacional. “Estamos satisfeitos por reforçar o nosso compromisso de seguir trabalhando para fortalecer o setor produtivo, estimular a inovação, ampliar oportunidades e construir um ambiente cada vez mais sustentável e competitivo”, concluiu Pedrozo.

A última reunião regional do cronograma reunirá os presidentes da região Meio-Oeste catarinense.

Acesse os canais de comunicação do Sistema Faesc/Senar:

Coletivo Antônia lança LAB POPI, laboratório inédito de criação cênica para primeira infância

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Com bolsa de R$ 4 mil, iniciativa selecionará artistas de todo o Brasil para imersão criativa voltada a bebês e crianças de até 6 anos

Foto: Guilherme Nabuco

O Coletivo Antônia, referência nacional na criação artística voltada à primeira infância, lança o LAB POPI – Laboratório de Poéticas Cênicas para a Primeira Infância, um programa inédito dedicado à pesquisa, formação e desenvolvimento de projetos cênicos voltados a bebês e crianças de 0 a 6 anos.

De outubro a dezembro de 2025, o laboratório reunirá artistas de diferentes regiões do Brasil em uma jornada híbrida (virtual e presencial), com oficinas, tutoriais, encontros formativos e intercâmbios com profissionais convidados do Brasil e do exterior. Ao todo, até quatro artistas, grupos ou projetos serão selecionados por edital, e cada um receberá uma bolsa de pesquisa no valor total de R$ 4.000.

Um espaço para a arte e a infância

O LAB POPI propõe a implementação de um programa de valorização da pesquisa e criação artística destinadas à primeira infância. A iniciativa foi concebida para fomentar processos criativos colaborativos, incentivar a produção coletiva de conhecimento e promover diálogos entre artistas nacionais e internacionais.

Para Cirila Targhetta, atriz integrante do Coletivo Antônia e uma das idealizadoras do projeto, o LAB POPI ajuda no desenvolvimento cognitivo e expressivo das crianças, pois propõe atividades artísticas para o público da primeira infância, fase em que se formam sensibilidades, criatividades e as capacidades críticas do ser humano.  

“Mais do que um espaço de formação, o laboratório reconhece a criança como sujeito capaz de influenciar os cenários sociais, políticos e econômicos da sociedade. Nosso objetivo é fornecer  apoio e financiamento a artistas que se dedicam às artes cênicas para bebês e crianças, contribuindo não apenas com o fortalecimento do setor artístico, mas também com a ampliação do acesso cultural desde os primeiros anos de vida”, destaca a artista.

Estrutura e formação

Organizado em três eixos principais — Dramaturgia, Corpo e Direção de Arte — o LAB POPI oferece um percurso formativo que combina experimentação, teoria e prática. Os participantes terão a oportunidade de aprofundar suas investigações, compartilhar processos e estreitar vínculos com outras iniciativas voltadas à infância, ampliando redes de colaboração e visibilidade.

Ao final do programa, os trabalhos desenvolvidos serão compartilhados com o público em ações presenciais voltadas a bebês e crianças, como desdobramento público das pesquisas realizadas.

Processo de Seleção e Cronograma:

Para participar do LAB POPI, os interessados deverão enviar uma proposta de projeto de criação a ser desenvolvida durante o programa, além da documentação necessária.

As inscrições seguem abertas de 8 a 19 de outubro por meio do formulário de seleção. A divulgação das/os selecionadas/os será no dia 20 de outubro. A previsão é que o programa inicie no final de outubro e siga as atividades até dezembro deste ano, finalizando com o compartilhamento público dos resultados finais.

O edital com critérios de participação, prazos e detalhes do processo seletivo estará disponível no site https://www.coletivoantonia.com/.

SERVIÇO

LAB POPI – Laboratório de Poéticas Cênicas para os Primeiros Anos
Período: Outubro a Dezembro de 2025
Formato: Híbrido (virtual e presencial)
Público-alvo: Artistas e criadores com propostas voltadas a bebês e crianças de 0 a 6 anos
Bolsa de pesquisa: R$ 4.000 por artista/projeto selecionado
Edital disponível em: coletivoantonia.com

Redes: @coletivoantonia

Inscrições: https://docs.google.com/forms

IgesDF realiza mais de 100 mil atendimentos pediátricos em 2025

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Do Hospital de Base ao de Santa Maria, passando pelas UPAs, o cuidado com as crianças é marcado por acolhimento, afeto e dedicação
 
Por Giovanna Inoue e Talita Motta
Fotos: Alberto Ruy/IgesDF
No Dia das Crianças, o cuidado também ganha voz. Em 2025, mais de 100 mil atendimentos foram realizados a pequenos brasilienses nas unidades do Instituto Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Histórias de coragem, afeto e superação que merecem ser contadas.
“Eu sou corajoso e forte. Não tenho medo de injeção”, afirma Luan Emanuel Ramos Veloso, de 4 anos. Ele ficou duas semanas internado no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) por uma gripe que evoluiu para sinusite.

Francisca da Conceição Ramos Marinho, mãe de Luan, conta que gosta de levá-lo à brinquedoteca do hospital, onde fez amizade com outras crianças. “No início ele chorava um pouco para tomar as medicações, mas agora já se acostumou”, explica.

Luan é apenas uma das centenas de crianças recebidas todos os dias nas unidades do IgesDF desde o início do ano. Para se ter uma ideia do volume de atendimentos, foram quase 30 mil, em 2025, apenas no HRSM. Além de Santa Maria, há pediatria nas UPAs de Sobradinho, São Sebastião, Ceilândia I e Recanto das Emas, e na UTI Pediátrica do Hospital de Base do DF (HBDF).

O Hospital de Base é o único do IgesDF a contar com UTI Pediátrica. De janeiro a setembro, 723 pacientes receberam atendimento intensivo. Entre abril e julho, uma unidade temporária foi aberta para doenças respiratórias, ampliando a oferta de leitos durante os meses de maior demanda.

Do total, 477 crianças foram internadas por problemas respiratórios, principalmente bronquiolite aguda viral, representando 64% dos casos da UTI.

Cuidado humanizado transforma a rotina da pediatria
Para o pediatra do HRSM, Tiago Moisés, trabalhar com crianças exige atenção especial. “Como elas não conseguem descrever claramente o que sentem, os pais ou responsáveis passam a ser a voz da criança. Eles nos informam sintomas e pontos de estresse”, explica.

A médica Loren Nobre, que atua com crianças há nove anos, reforça que o acompanhamento a longo prazo é gratificante. “Ver um bebê se transformar em uma criança saudável e cheia de personalidade é fazer parte da história daquela família”, conta.

Tiago destaca a espontaneidade das crianças como um dos pontos positivos do trabalho. “O consultório se enche de gargalhadas e histórias inesperadas. Isso torna a rotina muito mais leve e prazerosa”.

“Um sorriso, um abraço ou um desenho no consultório já fazem meu dia valer a pena. Trabalhar com crianças é receber diariamente uma dose de leveza, carinho e aprendizado,” ressalta Loren.

Dia Mundial da Visão alerta para o câncer ocular mais comum em crianças

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Retinoblastoma afeta principalmente menores de 5 anos, mas detecção precoce garante mais de 90% de chance de cura
Com pouco mais de um mês de vida, Pedro Henrique teve uma alteração no teste do olhinho, exame simples e obrigatório que pode revelar grandes problemas de visão. A suspeita inicial era de catarata congênita, mas os exames realizados no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) confirmaram um diagnóstico mais grave: retinoblastoma, o tipo de câncer ocular mais comum na infância. No mundo, a doença ocorre em cerca de 1 a cada 15 a 20 mil crianças.
Graças à detecção precoce, as chances de cura podem superar 95%, segundo a American Cancer Society e dados da literatura médica internacional. E é justamente essa importância do diagnóstico antecipado que o Dia Mundial da Visão, celebrado na segunda quinta-feira de outubro, busca reforçar. Para o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), cuidar da saúde ocular das crianças é um compromisso que deve durar o ano inteiro.
O retinoblastoma afeta principalmente crianças menores de 5 anos, sendo metade dos casos diagnosticados antes dos 2 anos. Embora raro, a detecção rápida é determinante tanto para a cura quanto para a preservação da visão.
O câncer ocular pode ocorrer de forma esporádica ou hereditária. Crianças com histórico familiar devem ser acompanhadas desde o nascimento, para garantir que qualquer alteração ocular seja detectada rapidamente.
O caso de Pedro Henrique
Hoje com 4 meses, Pedro Henrique está em São Paulo com a mãe, onde passou por cirurgia e aguarda o resultado da biópsia para definir os próximos passos do tratamento. “É muito importante manter a calma e ter fé. Buscar o tratamento faz toda a diferença na vida da criança”, reforça Luiz Henrique, pai do bebê.
O oftalmologista Fábio Luis Bosso, especialista em retina do Hospital de Base, explica que exames detalhados foram essenciais para identificar o tumor em fase inicial. “Um exame anterior não mostrou o tumor, mas a tomografia realizada no Base permitiu o diagnóstico precoce”.
Tratamento e chances de cura
O tratamento do retinoblastoma pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou terapias focais, como laser e crioterapia (técnica minimamente invasiva que utiliza frio extremo para destruir células tumorais), dependendo do estágio da doença. Quanto mais cedo a detecção, maior a chance de preservar a visão.
Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que surjam cerca de 400 novos casos da doença por ano no Brasil. Reconhecer os sinais precoces pode salvar vidas.
Sinais de alerta e onde buscar atendimento
Cuidar da visão desde cedo pode transformar o futuro de uma criança, e a atenção dos pais é o primeiro passo. Os sinais de alerta incluem reflexo branco ou opaco na pupila (“olho de gato”), geralmente percebido em fotos com flash, estrabismo, inchaço ou dor nos olhos e redução da visão.
O Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) é referência nesse tipo de atendimento, assim como os Hospitais Regionais da Asa Norte (HRAN) e do Gama (HRG). Em situações de urgência, o Hospital de Base do DF oferece pronto-socorro oftalmológico 24 horas.

MFG atinge a marca de 3,5 milhões de bovinos abatidos

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Líder pelo terceiro ano consecutivo no ranking nacional dos maiores confinamentos do Brasil, da Revista DBO, especializada em pecuária de corte, a MFG Agropecuária também comemora outro marco importante: 3,5 milhões de bovinos abatidos desde a fundação, há 18 anos.

O recorde é uma resposta direta ao amadurecimento da atividade no país. “O que antes era visto apenas como uma forma de salvar o boi em épocas de seca ou de entressafra tornou-se uma estratégia planejada e fundamental à pecuária nacional”, analisa Vagner Lopes, gerente corporativo de Confinamento da MFG Agropecuária.
Lopes refere-se ao novo papel do confinamento, pois a própria MFG se tornou uma engrenagem no sistema produtivo dos parceiros. “Os pecuaristas entenderam que poderiam focar mais na cria e recria e deixar a engorda conosco, reduzindo o ciclo de produção”, aponta o gerente.
Foi assim que muitos criadores aumentaram de cinco a dez vezes a capacidade de abate, algo impensável em 1960, quando a prática ainda engatinhava no Brasil, ou no início dos anos 2000.  “Em 2007, não havia a profissionalização que vemos hoje. Uso de tecnologia, sistema de trato e manejo eram mais restritos; as dietas, mais volumosas e menos adensadas; os estoques, controlados em planilhas de Excel; e a rastreabilidade provocava dúvida”, lembra.
Já em 2025, dieta adensada, identificação eletrônica, pesagem por câmeras 3D, softwares de última geração, gestão a partir de “KPIs”, automação, drones, controle sanitário, bem-estar animal e nutricional são realidade no grupo formado por oito unidades instaladas em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia.
Serviços sob medida e bem-estar nutricional
O primeiro salto tecnológico da MFG, e porta de entrada às demais tecnologias, foi a rastreabilidade, em 2009. Dezesseis anos depois, culminou no trato totalmente automatizado, abrindo caminho para o fornecimento de serviços sob medida.  “A nutrição de precisão é uma marca dos grandes confinamentos e junto com ela técnicas de manejo e tecnologias de ponta nos permitiram o controle total da dieta”, ressalta Adriano Umezaki, gerente técnico de Nutrição da MFG Agropecuária.
Umezaki soma as inovações à estratégia de aquisição de insumos de qualidade e ao departamento técnico qualificado, que associados a suplementos naturais validados, proporcionaram à MFG ser a precursora em adotar protocolos sem o uso de ionóforos como promotores de crescimento, reduzir o estresse térmico dos animais, mitigar a emissão de metano entérico e inaugurar o conceito de bem-estar nutricional.
Bem-estar animal no confinamento
A MFG Agropecuária também é uma das primeiras propriedades do setor a fazer aclimatação de bovinos, processo indispensável para adaptá-los à alimentação no cocho, além de ser pioneira em banir a marca fogo na identificação animal. Utiliza o manejo “nada nas mãos”, submete a boiada a um rigoroso controle sanitário até o embarque para o frigorífico e possui indicadores próprios de bem-estar animal (BEA).
“Um grande diferencial é nossa equipe formada por médicos-veterinários e supervisores de sanidade e bem-estar animal. Além disso, estruturamos as duas áreas com rotinas de inspeção e assistência contínua. Esse acompanhamento integral fez com que reduzíssemos de forma significativa a taxa de mortalidade da companhia”, resume Maryele Rodrigues, gerente de Sanidade e Bem-estar Animal da MFG Agropecuária.
A meta de longo prazo é padronizar a infraestrutura com recepção sombreada e enfermarias personalizadas. “Nos próximos dois anos, o objetivo é a certificação de bem-estar animal em todas as propriedades do grupo e dos fornecedores de insumos sanitários”, almeja Maryele. No início de 2025, a unidade de Tangará da Serra (MT) recebeu o selo Fair Food, primeiro passo para conquistar o reconhecimento internacional em práticas de bem-estar animal.
Originação, o início de tudo
Apesar do verdadeiro boom dos boitéis ter ocorrido em 2021, impulsionado pela valorização do boi gordo e pela forte demanda chinesa por carne bovina, foi a originação que abriu caminho para uma nova era na pecuária. O processo se aperfeiçoou e evolui em sintonia com o mercado.
“O tempo, a adoção de técnicas inovadoras e o contínuo investimento em treinamentos moldaram uma originação moderna na MFG, mostrando aos pecuaristas como a parceria de engorda pode ser utilizada de forma estratégica no negócio deles”, reforça Vanderlei Finger, gerente geral de Compra de Gado da MFG.

  • Para conhecer as modalidades de parceria da MFG, entre em contato pelo WhatsApp do “Alô Pecuarista”: (65) 2193-8765.

Brasil amplia em 279km a malha hidroviária economicamente navegável

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Com R$ 30 bilhões previstos até 2026, MPor aposta no transporte hidroviário como alternativa sustentável e eficiente para o escoamento de cargas

Brasil amplia em 279km a malha hidroviária economicamente navegável – Foto: Divulgação/MPor

 

Em dois anos, o Brasil ampliou em 279 quilômetros a extensão total de suas vias hidroviárias economicamente navegáveis. O número passou de 20,1 mil quilômetros, em 2022, para 20,4 mil quilômetros, em 2024, um crescimento de 1,39%. Os dados fazem parte do Estudo de Vias Aquaviárias Interiores Economicamente Navegáveis (VEN), produzido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a cada dois anos, e aprovado nesta quinta-feira (9) durante Reunião Ordinária de Diretoria (ROD).

Entre 2023 e 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) prevê R$ 30 bilhões em investimentos em concessões no setor portuário e hidroviário, fortalecendo a infraestrutura logística nacional e ampliando a participação do transporte aquaviário na economia brasileira. “Os investimentos em infraestrutura hidroviária são fundamentais para tornar o transporte mais eficiente, reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade, fortalecendo toda a cadeia econômica e produtiva do país”, destacou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

O levantamento da Antaq sobre a matriz de transporte hidroviário de cargas e passageiros, com base em dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), traz um panorama detalhado por região hidrográfica, confirmando o protagonismo do Norte, que apresentou o maior crescimento da malha, com 3,56% de acréscimo.

Com a atualização a proporção entre a malha hidroviária economicamente navegável (20,4 mil km) e a prevista no Plano Nacional de Viação (PNV), de 41,7 mil km, passou para quase 49%, revelando o grande potencial ainda a ser explorado. Estudos apontam que o Brasil possui mais de 42 mil quilômetros de rios navegáveis, enquanto apenas cerca de 20 mil quilômetros estão em uso.

O modal é considerado um dos mais sustentáveis, pois emite até cinco vezes menos poluentes que o transporte rodoviário e 1,5 vez menos carbono que o ferroviário. Além de reduzir custos de operação e implementação, as hidrovias também aumentam a segurança logística, com menor índice de acidentes e roubos de carga.

A expectativa é de que, com a expansão das concessões, a movimentação de cargas alcance entre 25 e 30 milhões de toneladas por ano até 2030. O transporte hidroviário tem se mostrado uma alternativa competitiva e ambientalmente vantajosa para o escoamento de grãos, minérios e outros produtos destinados à exportação.

Hidrovia do Paraguai
O Plano Geral de Outorgas (PGO 2023), elaborado pela Antaq e aprovado pelo MPor, definiu seis hidrovias como prioritárias para concessão: rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além de Barra Norte (Hidrovia Verde) e Lagoa Mirim (RS).

A Hidrovia do Paraguai será a primeira a ter edital publicado, previsto para o primeiro semestre de 2026. Com cerca de 600 quilômetros de extensão em território brasileiro, a hidrovia é estratégica para o escoamento de cargas no Centro-Oeste. A concessão compreende o Tramo Sul, o Canal do Tamengo e as infraestruturas associadas, abrangendo o trecho entre Corumbá (MS) e a foz do Rio Apa.

Com a futura concessão, o espaço contará com calado operacional de 3 metros em períodos de cheia e de 2 metros na estiagem, garantindo trafegabilidade durante a maior parte do ano. A próxima etapa será a consolidação dos estudos finais, que serão submetidos ao Tribunal de Contas da União (TCU). Após a aprovação do órgão de controle, o edital será publicado e o leilão poderá ser realizado.

IgesDF apresenta resultados em audiência pública na CLDF

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Prestação de contas do 1º quadrimestre de 2025 evidencia avanços em controle interno, execução orçamentária e transparência na gestão da saúde pública do DF
por Pollyana Cabral
Fotos por Alberto Ruy/IgesDF
Nesta sexta-feira (10/10), o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) apresentou, durante audiência pública na Câmara Legislativa do DF (CLDF), o Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA), referente ao 1º quadrimestre de 2025. A sessão foi proposta pela deputada Dayse Amarílio, presidente da Comissão de Saúde, e reuniu autoridades e representantes do Instituto para acompanhar a prestação de contas da instituição.
A mesa de abertura contou com a presença da deputada Dayse Amarílio, do presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, do promotor de Justiça Clayton Germano, da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), e do presidente do Conselho de Saúde do DF, Domingos de Brito Filho.
Durante sua fala, o presidente do IgesDF destacou o compromisso da instituição com a governança e o controle interno. “Temos uma controladoria dentro do IgesDF exatamente para verificar todas as contas e assegurar que cada recurso público seja aplicado de forma correta e transparente”, afirma Cleber Monteiro.
Na primeira apresentação da manhã, o superintendente de Contabilidade, Finanças, Custos e Orçamento, Fabiano Batista, apresentou o panorama das despesas do período, incluindo gastos com pessoal, material de consumo, serviços de terceiros e investimentos. Os dados demonstram equilíbrio na execução orçamentária e avanços na regularização de contratos e pagamentos.
O promotor Clayton Germano elogiou as iniciativas de transparência do Instituto, especialmente o Painel da Transparência, plataforma que permite à população acompanhar em tempo real a aplicação dos recursos. “É importante que a sociedade tenha acesso a essas informações. A transparência é um pilar fundamental para fortalecer a confiança na gestão pública”, ressalta.
Ele também parabenizou o IgesDF pela clareza na prestação de contas referentes às obras das novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Na sequência, a superintendente de Contratos do IgesDF, Lorraynne Ribeiro Pinheiro, apresentou o panorama dos contratos firmados pelo Instituto, reforçando os avanços nos processos de fiscalização e compliance.
A programação da audiência segue à tarde, com a exposição dos resultados da área de Gestão de Pessoas e o acompanhamento das metas assistenciais das unidades administradas pelo IgesDF, incluindo o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), o Hospital Cidade do Sol (HSol) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
O encontro reforçou a importância da prestação de contas como instrumento de transparência e diálogo entre o poder público e a sociedade. “Nosso objetivo é garantir uma saúde pública de qualidade, com responsabilidade na gestão e compromisso com cada cidadão do Distrito Federal”, enfatiza Cleber Monteiro.

Nature: Petroleiras contribuem com apenas 1,4% dos projetos renováveis

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Apesar dos anúncios, Petrobras não tem nenhuma usina renovável em operação

A indústria de combustíveis fósseis está muito longe de sua promessa de “liderar a transição energética”, de acordo com nova pesquisa do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambientais da Universidade Autônoma de Barcelona (ICTA-UAB). O estudo mostra que as maiores empresas de petróleo e gás do mundo são responsáveis por apenas 1,42% dos projetos de energia renovável em escala global.

 

A pesquisa, recém-publicada na revista Nature Sustainability, desafia a narrativa dominante promovida pela indústria fóssil, que se apresenta agora como uma protagonista da luta contra a mudança climática por meio de projetos “verdes”.

 

Com base em dados do Global Energy Monitor, o estudo analisa as 250 maiores produtoras de petróleo e gás do mundo — responsáveis por 88% da produção global de hidrocarbonetos — e identifica 3.166 projetos únicos de energia eólica, solar, hídrica e geotérmica nos quais essas empresas possuem participação, seja direta, por meio de subsidiárias, ou via aquisições.

 

Os resultados mostram que apenas 20% dessas empresas possuem algum projeto de energia renovável em operação, e que as renováveis representam apenas 0,1% de sua produção primária de energia.

“As empresas de petróleo e gás simplesmente não estão investindo em renováveis como prometeram. Afirmar o contrário é puro greenwashing”, destaca Kasandra O’Malia, gerente do Global Solar Power Tracker do Global Energy Monitor.

 

No Brasil, empresas de combustíveis fósseis detêm atualmente 2,82 GW de capacidade renovável, o que representa apenas 1,3% da capacidade total de energia renovável do país. Esses ativos em operação são majoritariamente controlados pela Equinor (32%), Mitsui (27%) e TotalEnergies (24%).

 

“A Petrobras afirma que está investindo em energia renovável, mas ainda não construiu nenhuma usina renovável. Mesmo que construa todas as usinas que anunciou, apenas uma fração minúscula (0,7%) de sua energia viria de fontes renováveis”, segundo Marcel Llavero‑Pasquina, pesquisador do ICTA‑UAB e autor principal do estudo. “Na prática, a Petrobras está investindo bilhões de dólares no desenvolvimento de novas reservas de combustíveis fósseis”.

 

As usinas anunciadas fariam parte da parceria com a Equinor para desenvolver três unidades offshore (Aracatu, Atobá e Mangará) com capacidade combinada de 8,34 GW, nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Maranhão. Essas usinas ainda estão em fase de licenciamento e não há garantia de que serão construídas. Mesmo que saiam do papel, sua contribuição para a geração de energia da Petrobras seria em torno de 0,7%.

Empresas como Shell, TotalEnergies, Equinor e Petrobras planejam 48 GW de usinas eólicas offshore no Brasil, entre anunciadas e em licenciamento — para efeito de comparação, há cerca de 83 GW de energia eólica offshore operando no mundo atualmente.

 

“A atuação das empresas de petróleo e gás nas energias renováveis é meramente anedótica. Sua contribuição para o enfrentamento da crise climática deve ser avaliada exclusivamente pela quantidade de combustíveis fósseis que deixam de extrair do solo”, pontuou Llavero‑Pasquina.

Essa falha de investimento em fontes limpas contrasta fortemente com as repetidas declarações da indústria sobre seu papel central na redução das emissões. Entre as 100 maiores empresas, quase um quarto estabeleceu metas de redução de emissões até 2030, com um compromisso médio de redução de 43% nas suas próprias operações, segundo a Zero Carbon Analytics.

“Este estudo mostra que as empresas de combustíveis fósseis praticamente não fizeram nada para construir um futuro baseado em energia renovável. Seu histórico de atrasos e décadas de enganação deixam claro: as empresas fósseis são a maior causa da crise climática, e seu poder político é o maior obstáculo para resolvê-la”, afirma Kelly Trout, diretora de pesquisa da Oil Change International.

 

Os resultados levantam sérias dúvidas sobre instituições que continuam a envolver essas empresas no debate climático sob a premissa de que são atores centrais da transição energética. “Depois de décadas de promessas vazias, chegou a hora de governos, universidades e instituições públicas reconhecerem que a indústria fóssil sempre fará parte do problema, e não da solução da crise climática. Empresas de petróleo e gás não deveriam ter assento nas mesas onde se decide o futuro das políticas climáticas e energéticas”, alerta Llavero‑Pasquina

Dave Jones, analista-chefe do think tank de energia Ember, lembra que o investimento em energia limpa no ano passado já chegou a US$ 2 trilhões, o dobro do montante aplicado em combustíveis fósseis, e, como resultado, mais de 40% da eletricidade global hoje vem de fontes limpas. “As grandes empresas de petróleo e gás têm potencial para agregar valor às tecnologias limpas, mas poucas elevaram o nível de ambição e escala que se esperaria de uma grande companhia internacional de energia”.

 

Estudos recentes propõem rota para descarbonizar a Petrobras

Dois estudos divulgados em 16 de setembro mapeiam caminhos para que a Petrobras possa deixar de depender exclusivamente do petróleo e se reposicionar como uma gigante da transição energética.

O primeiro documento, “Questões-Chave e Alternativas para a Descarbonização do Portfólio de Investimentos da Petrobras”, foi produzido pelos economistas Carlos Eduardo Young e Helder Queiroz, da UFRJ. Ele dá subsídios ao segundo, “A Petrobras de que Precisamos”, produzido pelas 30 organizações do Grupo de Trabalho em Energia do Observatório do Clima. Ambos buscam iniciar um debate sobre transição energética justa que o governo brasileiro tenta postergar.

“A surpresa seria se os investimentos numa verdadeira transição fossem significativos. Isso mostra que não se pode dizer que elas estão se adequando às políticas fósseis do governo americano”, disse Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do Instituto ClimaInfo e um dos autores do segundo estudo. “Longe disso, declarações cheias de sustentabilidade servem apenas para escamotear a intenção de perpetuar a extração e comércio de combustíveis fósseis”.

 

Entre as propostas dos pesquisadores estão: ampliação de investimentos em biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono; retomada da atuação em distribuição e terminação de recarga elétrica; priorização de energias limpas (SAF, hidrogênio verde); realocação de recursos de novas refinarias e congelamento da expansão em fronteiras como a Foz do Amazonas.

Vítimas de nudes com IA sofrem em limbo digital enquanto sites lucram: “Me senti abusada”

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Mulheres são principais vítimas de deep nudes; Lei 15.123/25 endurece pena, mas criadores de fakes contam com impunidade

Por Guilherme Cavalcanti | Edição: Ed Wanderley

“Ruivinha”, “Novinha”, “Safada”. As tags buscadas por Rafaela Bomfim em um site internacional, para seu desespero, revelavam ela mesma, mas sem roupas. Nos comentários, usuários discutiam sua identidade e faziam discursos que a deixaram em estado de paranoia por semanas. As imagens, falsas, foram recriadas com auxílio de inteligência artificial (IA) a partir de suas publicações pessoais no Instagram.

“E a minha paranoia é: e se dessa [numa próxima] vez ninguém ver? E se ficar por aí? Eu entrei no perfil do cara que postou e tinha milhares de meninas. Muitas provavelmente nem sonham que isso está sendo feito com elas”, contou a estudante de design de 21 anos que vive em Brasília. A criação de deep nudes, imagens falsas que usam o rosto de pessoas reais em corpos criados com IA, já é alvo de uma lei específica deste ano que eleva a punição de violência psicológica com o uso de tecnologia, mas que, segundo especialistas ouvidas pela Agência Pública, não acompanham a dimensão e velocidade do problema.

Por que isso importa?

  • Especialistas ouvidos pela Pública apontam que não falta legislação para a violência digital à intimidade de mulheres, mas falta prevenção e responsabilização dos sites que lucram com a produção de imagens abusivas.

O problema é mais recorrente do que se pensa. Em junho deste ano, estudantes de uma escola de Belo Horizonte venderam montagens pornográficas de alunas, entre 12 e 17 anos, em aplicativos de mensagens, como mostrou O Tempo. Dois anos antes, em 2023, jovens de um colégio da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, também usaram IA para criar imagens íntimas falsas de mais de 20 colegas, como reportou a CNN.

A líder de projetos em inteligência artificial no Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (Ip.Rec), Clarissa Mendes, explica que a violência dos deep nudes não se reduz ao caráter “irreal” das imagens. “Existe a tendência de achar que porque não é verdade, porque não são imagens reais, não há consequências práticas. Só que o que a gente encontra de pesquisa em relação aos efeitos diz o contrário: vítimas de abuso digital têm danos duradouros, complexos e abrangentes”, explica a pesquisadora.

Impactos na saúde mental de mulheres de todas as idades vítimas desse tipo de crime foram relatados na tese de doutorado da socióloga Laís Patrocínio, professora da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Depressão, automutilação, transtornos alimentares, ideações suicidas e dificuldades de convívio social estão entre as sequelas e a pesquisadora destaca que a culpa se torna central em “qualquer tipo de violência de gênero”: “Culpa e vergonha. A culpa é uma grande vilã, porque se você [acha] que é a culpada, por que você pediria ajuda?”, diz Patrocínio.

“Talvez, no fim das contas, faça muito pouca diferença se aquela bunda é daquela mulher ou não, porque o rosto dela tá ali. Por mais que seja falso, a pessoa está exposta de uma forma íntima, descontextualizada”, destaca Patrocínio. “A exposição, em si, uma hora passa, porque as pessoas esquecem. Mas os danos para vida pessoal e profissional são muito mais difíceis de reverter”, completou.

A estudante universitária Rafaela Bomfim foi vítima de deep nude criada com Inteligência Artificial

“Você vê que tem uma foto sua, nua, no banheiro da sua casa”

Era um dia frio e Rafaela Bomfim estava em uma viagem na Europa quando recebeu a ligação do então namorado. “Ele me ligou e falou: ‘eu preciso te contar uma coisa, mas eu preciso que você fique calma’”, relembra. Do outro lado da linha, veio a notícia: fotos suas, publicadas recentemente no feed e stories do Instagram, haviam sido transformadas em pornografia exposta em um site adulto e já somava milhares de visualizações.

A plataforma atendia a pedidos de usuários para criar nudes com uso de IA. As fotos originais, lembra a estudante, eram imagens despretensiosas, tirada de costas, fazendo pose, até serem adulteradas. “Minha reação foi ficar muito assustada […] A sensação que me deixou foi que eu fui abusada. A partir do momento que parece muito [real], sabe? Era uma foto no cenário que eu tinha tirado. Era no banheiro da minha casa. E você bate o olho naquilo e você vê que tem uma foto sua, nua, no banheiro da sua casa…”, contou, emocionada.

“O pior de tudo isso é o sentimento de você como mulher, de saber que tem gente por ai que se sente titular do seu corpo”, afirmou Bomfim. O medo então não foi apenas da exposição, mas da insegurança constante que se instalou. Em um dos comentários, um usuário perguntou quem era a mulher da imagem; outro sugeriu chamá-lo na DM, insinuando saber sua identidade. Então, a estudante passou a desconfiar de colegas de faculdade, desfez conexões nas redes e passou a viver em estado de alerta.

Ao se deparar com sua imagem circulando na internet, Rafaela se sentiu violada. “A sensação que me deixou foi que eu fui abusada”.

“Criei uma paranoia muito grande. Eu pensava: ‘todo dia eu pego o mesmo ônibus, vejo pessoas que não conheço, e se alguém ali sabe da minha rotina?’ […] Poderia ser alguém que estudou comigo, alguém próximo ou um desconhecido que sabe da minha rotina. Se uma pessoa tem a capacidade de fazer algo assim, o que ela não faria comigo na vida real?”, lembrou.

“Eu me arrependo, tipo, se eu tivesse corrido atrás dessa parada […] tivesse contratado alguém que sabe rastrear IP [identificação digital do criador das imagens]. […] Mas essa oportunidade eu perdi. E isso que faz a gente se sentir culpado, porque foi um momento muito difícil e eu não tava com a cabeça no lugar pra correr atrás”, confessa.

Segundo Rafaela, após acionar a plataforma, a remoção das imagens foi rápida – a postagem foi excluída no mesmo dia. Se livrar do impacto da experiência, no entanto, não ocorreu na mesma velocidade, o que ela descreve como uma sensação de trauma e “muito humilhante”: “Como é que a gente se protege disso? Você se isola do resto da sociedade? Para de postar foto sua? Não existe isso”.

Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realizou uma audiência pública para discutir os impactos da tecnologia na violência de gênero, em setembro
Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realizou uma audiência pública para discutir os impactos da tecnologia na violência de gênero, em setembro

Muito além da lei: o desafio de prevenir a violência

Desde abril, está em vigor no Brasil a Lei 15.123/25, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que aumenta a pena de violência psicológica contra a mulher quando praticada com o uso de IA. Nesses casos, a punição, que varia de seis meses a dois anos de prisão, é agravada em 50%. Apesar do avanço, especialistas ouvidos pela Pública apontam que a legislação não acompanha a rapidez das novas formas de agressão.

A advogada e pesquisadora Lucimara Plaza Tena explica que as vítimas podem recorrer a instrumentos já previstos no ordenamento jurídico, como o Código Penal e o Marco Civil da Internet. Ainda assim, há lacunas importantes, como a ausência de responsabilização efetiva das plataformas que lucram com esse conteúdo e a dificuldade de identificar os autores.

“Não existe uma regulamentação hoje suficiente que responsabiliza o provedor […] Ele monetiza por conta disso. Então, ele tem que ter alguma responsabilidade também”, afirma Tena, que pesquisa as conexões entre direito e IA.

Foi nesse cenário que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realizou uma audiência pública para discutir os impactos da tecnologia na violência de gênero, em setembro. “A que não estão sujeitas as crianças e os adolescentes navegando nas redes sociais sem nenhum tipo de controle, de fiscalização e de legislação específica que nos proteja?”, questionou a deputada Erika Hilton (Psol – SP), que presidiu o início da sessão.

Diretora de pesquisa do InternetLab, Clarisse Tavares
Diretora de pesquisa do InternetLab, Clarisse Tavares

Entre as participantes, estava a diretora de pesquisa do InternetLab, Clarisse Tavares, que destacou a insuficiência do arcabouço legal e a necessidade de novas formas de regulação. Para ela, o debate brasileiro ainda está excessivamente focado na criminalização. “Quando a gente pensa no uso do direito penal para esses casos, a gente está falando de uma resposta que vem depois que a violência já aconteceu. Não existe uma camada preventiva”, disse Tavares à Pública.

De acordo com a SaferNet, canais no Telegram têm sido usados para comercializar conteúdos ilícitos, inclusive mídias artificiais de celebridades brasileiras em contextos sexuais, com transações feitas via PIX. Além disso, o relatório aponta que, entre janeiro e julho de 2025, 64% das denúncias recebidas pelo Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos envolveram abuso sexual de crianças e adolescentes, número que inclui casos de imagens manipuladas e deepfakes gerados por inteligência artificial.

Já uma pesquisa do Instituto de Internet de Oxford (Oxford Internet Institute, em inglês), em 2024, identificou cerca de 35 mil modelos de deepfake públicos, baixados 15 milhões de vezes ao redor do mundo — 96% deles voltados para retratar mulheres.

Outro desafio, segundo Tavares, é enfrentar um problema que não se resume a indivíduos isolados, mas a um sistema inteiro que lucra e se organiza em torno da misoginia digital. “Essas plataformas, as redes masculinistas que se criam com essas novas tecnologias, é algo que se fortalece, que vão criando cada vez mais novos capítulos, ferramentas e aprofundamentos da misoginia, de formas de violência contra a mulher”, conclui.

 

Fonte: Agência Pública