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Morre ministro do STF Teori Zavascki em avidente de avião

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O ministro Teori Zavascki assumiu uma vaga no Supremo Tribunal Federal em novembro de 2012

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki morreu em um acidente de avião na tarde desta quinta-feira (19). As informações são do Facebook de Francisco Prehn Zavascki, filho do ministro. O avião em que voava Zavascki caiu na região de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, próximo da Ilha Rasa. Como relator da operação Lava Jato, Zavascki era responsável pela homologação de delações premiadas. Atualmente, o ministro trabalhava na análise da delação de 77 executivos da Odebrecht.

Zavascki embarcou no avião King Air prefixo PR-SOM do empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, dono da rede de hotéis Emilinano, na tarde desta quinta-feira no Campo de Marte, em São Paulo. O ministro estava acompanhado de mais três pessoas, entre elas Filgueiras,

Além dos bombeiros da cidade, homens do quartel de buscas e salvamento da Barra da Tijuca, no Rio, foram mobilizados para fazer o resgate da aeronave, que foi encontrada parcialmente submersa. As informações são de que um dos passageiros sobreviveu aos acidente. Na hora da queda, chovia forte em Paraty e a região estava em estágio de atenção.

O presidente Michel Temer, o juiz Sérgio Moro, o presidente do Senado Renan Calheiros, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, os ministros do STF José Roberto Barroso e Gilmar Mendes e outras autoridades lamentaram a morte de Zavascki. Temer decretou três dias de luto nacional em homenagem ao ministro. Houve grande repercussão na imprensa internacional e pedidos de investigação transparente e rigorosa do acidente. A Polícia Federal já abriu inquérito para investigar a queda do avião.

Futuro da Operação Lava Jato

O ministro Zavascki era relator da operação Lava Jato. Recentemente, ele tinha interrompido as férias para analisar a delação de 77 executivos da Odebrecht. Com a morte do ministro, o Artigo 38 do regimento interno do Supremo Tribunal Federal (STF) prevê que os processos deverão ser herdados pelo juiz que ocupar a vaga. Ou seja, seria necessário aguardar a escolha de um novo ministro pelo presidente da República para substituir Teori e, com isso, assumir todos os processos do magistrado, incluindo a Lava Jato.

Um outro trecho do regimento, no entanto, faz a exceção para alguns tipos de processo cujo atraso na apreciação poderia acarretar na falha de garantia de direitos, no caso de ausência ou vacância do ministro-relator. Por exemplo: habeas corpus e mandados de segurança. Nesses casos, as ações podem ser redistribuídas a pedido da parte interessada ou do Ministério Público.

Em casos excepcionais, a presidente do STF, ministra Carmén Lúcia, tem a prerrogativa de, a seu critério, ordenar a redistribuição nos demais tipos de processo, como um inquérito, por exemplo, que é o estágio em que se encontra a tramitação da Lava Jato no STF.

Quando o ministro Carlos Alberto Menezes Direito morreu, em 1º de setembro de 2009, o ministro sucessor, Dias Toffolli, herdou cerca de 11 mil processos, com exceção daqueles nos quais ele havia atuado quando ocupou o cargo de advogado-geral da União. Até a morte do ministro Teori Zavascki, Menezes Direito havia sido o único ministro a ter falecido enquanto estava no exercício do cargo desde a redemocratização do país, em 1988.

Trajetória na Lava Jato

O ministro Teori Zavascki estava no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2012, quando foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff para a vaga do ministro Cezar Peluso. Em 2014, com a deflagração da Lava Jato pela Polícia Federal e a menção de políticos com foro privilegiado por delatores, Teori passou a ser o relator na Corte da maior investigação sobre corrupção da história do país.

Em março de 2015, Teori autorizou a abertura de inquérito para investigar 47 políticos suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

O ministro negou, em maio de 2016, um recurso da Advocacia-Geral da Unão (AGU) que buscava anular o processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff.

Ao longo de sua atuação como relator da Lava jato no STF, Zavascki classificou como “lamentável” os vazamentos de termos das delações de executivos da Odebrecht antes do envio ao Supremo pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entre suas notórias decisões relativas à operação estão a determinação do arquivamento de um inquérito contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a transferência da investigação contra o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para Sérgio Moro e a ordem de prisão do então senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), em 2015. Delcídio foi o primeiro senador a ser detido no exercício do mandato. Zavascki negou, ainda, um pedido para que investigações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estão nas mãos do juiz Sérgio Moro, fossem suspensas e remetidas ao Supremo.

Além disso, em julho passado, Teori determinou a anulação da gravação de uma conversa telefônica entre Lula e a então presidenta Dilma Rousseff, que havia sido divulgada pelo juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância. Foi a primeira vez que o STF anulou uma prova da Lava Jato.

Na decisão, o ministro entendeu que a escuta deveria ser retirada do processo porque foi gravada pela Polícia Federal após a decisão de Sérgio Moro de suspender o monitoramento. Conforme o entendimento de Zavascki, Moro usurpou a competência do Supremo, ao levantar o sigilo das conversas.

No fim de 2016, Zavascki disse que trabalharia durante o recesso da Corte para analisar os 77 depoimentos da delação premiada de executivos da empreiteira Odebrecht que chegaram em dezembro ao tribunal. Sobre as críticas recorrentes de demora da Corte em analisar processos penais, Teori disse que “seu trabalho estava em dia”.

Em 17 de janeiro deste ano, Zavascki determinou as primeiras diligências nas petições que tratam da homologação dos acordos de delação premiada de executivos da Odebrecht. O conteúdo das decisões não foi divulgado em razão do segredo de Justiça imposto às investigações.

Entre os depoimentos dos delatores, figura o do empresário Marcelo Odebrecht, condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos e quatro meses de prisão por crimes de corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

Durante seu trabalho na Lava Jato, Teori chegou a criticar a imprensa. Ele disse que decisões sem o glamour da Lava Jato, operação na qual ele foi relator dos processos na Corte, muitas vezes mereceram pouca atenção da mídia. Ele também relativizou os benefícios do foro privilegiado, norma pela qual políticos e agentes públicos só podem ser julgados pelo STF.

IstoÉ, com agências

A história por trás do jatinho usado por Lula; em vídeo

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Imagens, que voltaram a viralizar nas redes, mostram o ex-presidente descendo da mesma aeronave que Odebrecht e OAS usavam para levá-lo ao exterior

Um vídeo que mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcando de um jatinho Gulfstream G200 em um hangar de Brasília voltou a viralizar nas redes sociais. Filmado e divulgado originalmente em abril de 2016, na época do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o trecho de 47 segundos foi republicado no Facebook na última sexta-feira por um homem chamado Antonio Soave e até agora acumula 735.000 visualizações, 9.172 compartilhamentos e 1.600 curtidas.

As imagens mostram Lula de paletó e calça pretos, sem gravata, descendo da aeronave da empresa Global Aviation, prefixo PR-WTR, acompanhado de uma mulher. O objetivo do ex-presidente àquela altura era negociar votos contra o impeachment na Câmara.

“O homem mais pobre do Brasil, chegando no seu jatinho, descendo dentro do Hangar para ninguém ver. Quem paga tudo isso?”, ironiza Soave em sua postagem.

O Gulfstream G200 PR-WTR pode até não ser de Lula, como acusa o internauta, mas é o “avião oficial” do petista em seus deslocamentos dentro e fora do Brasil. Esta mesma aeronave era usada pelas empreiteiras Odebrecht e OAS para transportá-lo ao exterior, onde dava suas notórias palestras.
O Instituto Lula não informa quem pagou pelo fretamento do possante jatinho.

Veja abaixo o vídeo:

Veja.com

Foto: Lúcio Távora/Ag. A Tarde/Folhapress

Taguatinga Shopping recebe circuito de Arvorismo Indoor

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Brincadeira proporciona momentos de adrenalina em tirolesa, rapel e escalada. Foto: Telmo Ximenes

Para os pequenos que curtem aventuras de tirar o fôlego, o Taguatinga Shopping traz uma super atração: o Circuito de Arvorismo Indoor, promovido pela empresa Playjump. Crianças e adultos que adoram se esbaldar nas alturas podem viver momentos de pura adrenalina, superando obstáculos, vencendo limites e ampliando também o senso de conservação do meio ambiente.  A atração funciona no mesmo horário do shopping: de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo entre 12h e 22h. A diversão é garantida para crianças a partir de 3 anos, o ingresso custa R$ 30 para tirolesa, rapel e escalada.

De 10 de janeiro até 5 de março de 2017, a Praça de Vidro, no 3º piso se transformará em uma linda floresta com divertidos desafios a serem explorados. A estrutura do circuito possui 5m de altura e cinco circuitos, além da tirolesa e o rapel para a descida no final que dá acesso à escalada. O brinquedo alia a segurança dos aventureiros com a diversão. Durante todo o percurso, os participantes estão devidamente presos às linhas de vida e fazendo uso de equipamentos de segurança, cadeirinha com 3 pontos e capacete, além de resgatar a nostalgia dos antigos parques de diversões, o espaço oferece também brincadeiras lúdicas como arco e flecha, pescaria e dardo na bola ao valor de R$ 8 por atividade.

Serviço:
Circuito de Arvorismo Indoor
Data:  de 10 de janeiro a 05 de março de 2017
Horário: de segunda a sábado de 10 às 22h, aos domingos de 12h às 22h
Local: Praça de Vidro – 3º Piso
Valores: R$ 30 (tirolesa, rapel e escalada) e R$ 8 (arco e flecha, pescaria e dardo na bola)

IMAGINA NO CARNAVAL: O movimento que vai tomar conta das ruas do coração de Brasília

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O pré-carnaval de Brasília já tem dia, hora e lugar marcados. Nos dias 21 e 28 de janeiro e 4 de fevereiro o Setor Comercial Sul receberá os principais blocos de carnaval de rua da capital para movimentar o centro da cidade. O projeto Imagina no Carnaval, idealizado pela produtora Coletivo Labirinto, vai levar todos que amam o Suvaco da Asa, Babydoll de Nylon e Aparelhinho para desfrutar da mais nova casa de eventos no coração de Brasília, o Canteiro Central. De acordo com Raphael Sebba, um dos idealizadores da Labirinto, “O Setor Comercial Sul vem se consolidando como um importante polo cultural do Distrito Federal. Por isso não poderia ficar de fora desse fenômeno que é o Carnaval de Brasília. Vamos esquentar o coração da cidade, ajudar a botar os blocos na rua e sentir o gostinho antecipado da Folia!”

O conjunto dos três eventos tem como o objetivo, além de movimentar o centro da cidade, apoiar o carnaval da cidade angariando fundos para os blocos saírem na rua. Segundo o produtor cultural Tiago Pezão, que sempre ajudou a colocar o Aparelhinho na rua, “Esse pré carnaval vai esquentar as turbinas não só do Aparelhinho, como também do Setor Comercial Sul, porque sem dúvida esse vai ser um dos principais endereços da folia em Brasília”

O Coletivo Labirinto é formado por produtores que acreditam que o Setor Comercial Sul tem potencial para ser um dos mais pulsantes polos de cultura do Distrito Federal e, consequentemente, um importante espaço para o carnaval da capital. O projeto “Imagina No Carnaval” busca trazer blocos candangos para o coração da cidade em festas que antecedem o carnaval, oferecendo opções culturais para população, a ocupação do centro da cidade e o financiamento dos blocos.

Serviço:

Imagina no Carnaval com Suvaco da Asa
Data: 21 de Janeiro
Hora: À partir das 18 hrs
Local: Canteiro Central – SCS Quadra 3 Edifício Paranoá Bloco A
Atrações: Suvaco da Asa e Calango Careta

Imagina no Carnaval com Babydoll de Nylon
Data: 28 de Janeiro
Hora: À partir das 18 hrs
Local: Canteiro Central – SCS Quadra 3 Edifício Paranoá Bloco A
Atração: Babydoll de Nylon

Imagina no Carnaval com Aparelhinho
Data: 4 de Fevereiro
Hora: À partir das 18 hrs
Local: Canteiro Central – SCS Quadra 3 Edifício Paranoá Bloco A
Atração: Aparelhinho

Ingressos na hora: R$ 20,00

Informações com Caio Dutra (61) 99976-7393 | Raphael Sebba (61) 99646-0940 | Phillipe Daher (62) 99975-1573

‘Racionamento em Brasília poupa os mais ricos’, diz especialista em gestão de águas

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Morador do DF corre para comprar caixa d’água e reduzir impacto do racionamento (Foto: TV Globo/Reprodução)

Professor ajudou mais de 40 países a superarem a crise hídrica. Para ele, corte no abastecimento é medida extrema mas, se usada, deveria afetar a cidade inteira; governo aponta ‘critério técnico’.

Com a experiência de quem ajudou a resolver a crise hídrica em mais de 40 países, o especialista em gestão de água José Galizia Tundisi afirma que o governo do Distrito Federal erra ao submeter apenas parte da população ao racionamento. Segundo ele, o modelo adotado acaba poupando os mais ricos e não divide os impactos da crise por igual. O governo aponta “critérios técnicos”, e diz que levou em conta o estado de cada reservatório de água.

“O plano do racionamento em Brasília acaba poupando os mais ricos. O recomendado seria fazer o racionamento para toda a cidade.”

Em vigor desde segunda-feira (16), o racionamento do DF atinge apenas as regiões abastecidas pela bacia do Descoberto. A estimativa é de que o corte afete 1,7 milhão de pessoas – 57% da população total medida pela Codeplan, de 2,9 milhões. Dos moradores afetados, a maior parte mora em regiões carentes da capital.

Já as regiões abastecidas pelo reservatório de Santa Maria não foram incluídas. Entre elas, as áreas com baixo índice de desenvolvimento são minoria. Além da região central do DF, que inclui o Plano Piloto, a Esplanada dos Ministérios, o Congresso e o Palácio do Planalto, foram poupados o Lago Sul e o Lago Norte.

O governo do Distrito Federal afirmou que o critério adotado para o racionamento é “puramente técnico” e que “a questão econômica das regiões não foi considerada”. Em nota, disse que as regiões abastecidas pelo reservatório de Santa Maria terão redução da pressão da água a partir de 30 de janeiro.
‘Política perversa’

Tundisi é professor aposentado das universidades de São Carlos (UFSCar) e São Paulo (USP), e pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia. O especialista acompanhou de perto a crise hídrica de São Paulo entre 2014 e 2015. Antes, em 2007, ajudou a Espanha a enfrentar a maior seca dos últimos cem anos.

Na Europa, o professor conseguiu emplacar uma política de restrição de litros de água por família a todos os moradores, com multa para os que extrapolavam. A limitação garantiu à Espanha atravessar a estiagem sem grandes traumas. Já na capital do Brasil, de acordo com o especialista, a história é outra.

“O mais grave é que o corte vale mais para a periferia, o que pode ter uma conotação política perversa.”

“Eu, particularmente, acho que toda a população deveria participar. Para equilibrar, [o governo] deveria pressionar toda a cidade para todo mundo compreender a dimensão de uma crise”, afirmou o professor.

Fora do racionamento, Lago Sul e Lago Norte reúnem índices econômicos e de desenvolvimento humano comparáveis aos da Noruega, os mais altos do mundo. Pesquisa feita cruzando dados da Codeplan e do IBGE apontou que as duas regiões são vice-colocadas nacionais na proporção de piscinas por habitante – uma para cada 2.790 moradores. Nesse quesito, as região do Lago só perdem para São José do Rio Preto (SP).

“Quando se sobrevoa a região, você observa [a quantidade de piscinas]. Uma pessoa nestas condições gasta 400 litros de água por dia. Enquanto alguém na periferia vai gastar entre 10 e 12 litros, o índice mínimo recomendado pelas Nações Unidas. Esse desequilíbrio precisa ser considerado”, ponderou.

Transposição
A cada dez moradores do DF, seis são atendidos pelo Descoberto, três pelo Santa Maria e um por pequenos rios locais. Segundo o governo, a baixa recorde na primeira bacia, de 18,9% da capacidade, justifica os cortes. Já o reservatório de Santa Maria está com mais de 40% da capacidade.

“Quando há um desequilíbrio entre a capacidade dos reservatórios, o esperado é fazer a transposição de bacias. É preciso retirar água da bacia mais cheia e levar para a mais vazia e manter a segurança hídrica da população”, explicou o professor Tundisi.

Barragem do Descoberto reduz o volume para menos de 20% pela primeira vez, em imagem de novembro (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Uma obra de transposição custa caro e demora para ficar pronta. Em São Paulo, o reforço ao sistema Cantareira foi anunciado meses antes do agravamento da crise hídrica. Orçada em R$ 555 milhões, a empreitada é tida como essencial para recuperar o principal manancial do estado, mas a primeira parte só deve ficar pronta neste ano.

De acordo com a Caesb, companhia responsável pelos recursos hídricos do DF, “essa não é a solução mais viável, pois exige um volume de obra muito grande e de alto custo”. Em nota, o órgão disse estar construindo novas captações nos sistemas Corumbá e Bananal, mas não informa quando estas obras, classificadas como “solução melhor”, ficarão prontas.

Gestão em alerta
Para Tundisi, os gestores públicos precisam prestar atenção nos cientistas e se planejar melhor. “Eles não estão ouvindo os climatologistas. Relatórios de 2001 anunciavam uma crise séria a partir de 2011. É preciso integrar os padrões climatológicos no processo de gestão”, afirmou.

Na avaliação do especialista, se medidas tivessem sido adotadas na época dos primeiros relatórios sobre o tema, políticas consideradas extremas, como o racionamento, poderiam ter sido evitadas tanto em São Paulo quanto em Brasília. “O problema é que falta transparência na gestão de crises”, declarou.

O professor observa uma tendência no Brasil de não informar à população a situação real das crises, e demorar para adotar as medidas necessárias. “Isso é feito para evitar alarde à população. Dizem que isso pode trazer trauma. A meu ver, não contar pode causar um trauma ainda pior”, defendeu.

Este é o primeiro racionamento da história do DF. A capital federal é a terceira maior do país, atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro. Segundo o governo do Rio, a cidade nunca enfrentou política de corte no fornecimento de água. Embora admita o desabastecimento sistemático de moradores no auge da crise de 2014 e 2015, o governo paulista afirma que nunca implementou política de racionamento na capital do estado.

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Por Gustavo Aguiar, G1 DF

Governo entra na Justiça para sustar decreto legislativo que suspende reajuste de passagens

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No entendimento da Procuradoria-Geral do DF, a Câmara Legislativa extrapolou suas atribuições ao aprovar medida de competência exclusiva do Poder Executivo

O governo de Brasília protocolou, nesta segunda-feira (16), ação direta de inconstitucionalidade (Adin) para anular os efeitos do decreto legislativo que suspendeu o reajuste nas tarifas do transporte público do Distrito Federal. No documento apresentado ao Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT), a Procuradoria-Geral do DF argumenta que a Câmara Legislativa extrapolou sua competência ao aprovar a medida, tema de atribuição exclusiva do Poder Executivo.

O relator do processo será o desembargador Getúlio Moraes de Oliveira. “No nosso entendimento, o decreto legislativo é inconstitucional porque representa uma intromissão numa questão que só diz respeito ao Executivo. Tal medida feriu o artigo 2º da Constituição Federal”, explicou René Rocha Filho, consultor jurídico do Distrito Federal.

Esse dispositivo trata da independência entre os poderes. Os deputados distritais aprovaram o projeto em sessão extraordinária realizada na quinta-feira (12).

Mobilidade ajusta o sistema
O decreto legislativo foi recebido pelo governo nesta segunda-feira (16) e a Secretaria de Mobilidade iniciou uma operação para readequar todo o sistema de transporte, de modo a retornar os validadores dos 3,4 mil ônibus e do metrô aos preços antigos.

Para garantir a segurança do sistema de bilhetagem, a readequação pode levar até 72 horas.

SAULO ARAÚJO, DA AGÊNCIA BRASÍLIA
EDIÇÃO: VANNILDO MENDES

FOTO: RENATO ARAÚJO

Temer determina construção de cinco presídios federais em um ano

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Conforme prevê Plano Nacional de Segurança, cada região do país deve receber uma cadeia. Rio Grande do Sul é único contemplado confirmado até agora

Em uma tentativa de abrandar a atual crise no sistema carcerário, o presidente Michel Temer determinou ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que a pasta conclua a construção de cinco presídios federais em até um ano. O governo não havia determinado, até agora, um prazo para a construção dos presídios, previstos no Plano Nacional de Segurança anunciado por Temer no último dia 5.

De acordo com o presidente, a ideia é investir entre 40 milhões de reais a 45 milhões de reais por unidade, que deverão ser divididas nas cinco regiões do país. Até o momento, apenas o Rio Grande do Sul teve a confirmação de que será um dos Estados contemplados.

De acordo com auxiliares palacianos, para dar celeridade na construção dos presídios, Temer solicitou ao Ministério da Justiça que siga o modelo adotado pelo governo do Espírito Santo, em que as edificações são feitas por módulos. O governador do Estado, Paulo Hartung, conversou com Temer nos últimos dias sobre os benefícios desse tipo de construção. Na conversa, foi lembrado que o levantamento de um presídio, de forma tradicional, pode levar até cinco anos. Ao agilizar a construção de novos centros de detenção, o Executivo também espera que os governos estaduais tomem providências no mesmo sentido.

Um encontro entre Temer e os governadores dos 26 Estados e do Distrito Federal está previsto para ocorrer nesta quarta-feira no Palácio do Planalto. Na ocasião, os chefes dos executivos estaduais deverão assinar os compromissos estabelecidos no Plano Nacional de Segurança Pública.

O gesto é considerado apenas como político e simbólico, uma vez que, na véspera, o ministro Alexandre de Moraes deve fechar o texto final em reunião com os secretários de seguranças estaduais.

Entre as medidas que devem ser assinadas amanhã está um acordo de integração entre o governo federal e os estaduais no sentido de facilitar a troca de informações sobre a realidade prisional e criminal em cada uma das localidades. Na análise de integrantes do governo envolvidos nas discussões, a falta de dados é um dos principais complicadores para tirar do papel ações de médio e longo prazo na área de segurança.

Em razão disso, o Executivo espera, a partir da assinatura do documento, começar a implementar os Núcleos de Inteligência Policial (Nipo), que deverão ter a participação conjunta dos setores de inteligência das Policias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar e do sistema penitenciário.

(Veja.com, com Estadão Conteúdo. Foto: Adriano Machado/Reuters)

O que ele vai fazer com o Mundo?

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E AGORA? Donald Trump, que promete anunciar grandes notícias nas próximas semanas: o medo é que ele faça o que prometeu

Às vésperas de assumir a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump protagoniza uma série de confusões envolvendo de Hollywood à China. Com o mesmo tom agressivo usado na campanha, ele chegou a comparar os tempos atuais à Alemanha nazista

O 45º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assume o cargo mais cobiçado da política internacional na próxima sexta-feira 20. Ele ainda nem chegou ao Salão Oval da Casa Branca e suas medidas populistas e reações exacerbadas já assustam o mundo. Nas semanas que antecederam a cerimônia da posse, Trump se meteu em várias confusões: brigou com a imprensa por conta de um suposto dossiê relatando negócios escusos e orgias com prostitutas; xingou a atriz Meryl Streep pelas críticas endereçadas a ele durante um discurso na cerimônia de entrega do prêmio Globo de Ouro; se contradisse a respeito de ataques feitos por hackers russos à campanha eleitoral adversária e, se não bastasse, começou um incidente diplomático com China e Taiwan. Tudo isso, repetindo, antes de ocupar a cadeira presidencial.

Sob intenso bombardeio daqueles contrários às suas posturas, Trump comparou os tempos atuais com a Alemanha nazista. Nessa farsa, os cínicos diriam, quem faz o papel de Adolf Hitler é o próprio Trump. Devido à sua xenofobia e ao seu discurso inflamado – e com a apreensão de quem sabe que muito mais está por vir – líderes globais e cidadãos comuns se perguntam: e agora? “Grandes, grandes notícias vão ser anunciadas nas próximas semanas”, afirmou Trump, com seu linguajar característico, durante entrevista coletiva para jornalistas na quarta-feira 11. “Na inauguração, vamos fazer um belo evento. Temos grande talento, tremendo talento.”

CHANTAGEM

No mesmo dia em que Barack Obama se despedia da presidência após cumprir dois mandatos (leia no quadro), Trump realizou uma audiência para apresentar o governo e se defender de acusações que haviam sido publicadas na véspera. De acordo com a imprensa americana, um relatório atribuído a um ex-espião do serviço secreto britânico diz que a Rússia juntou dados comprometedores sobre Trump com o objetivo de chantagear o empresário. Cópias circularam em Washington durante a campanha do ano passado, e, ainda segundo a mídia local, um resumo de duas páginas do dossiê foi dada ao magnata e a Obama. O documento afirma que o presidente eleito aparece em um vídeo de sexo com prostitutas russas em um hotel de Moscou. Relata ainda que sua empresa fechou contratos na China e em países emergentes por meio de pagamento de propinas. Como as informações não foram confirmadas, sua publicação causou controvérsia nos meios de comunicação dos Estados Unidos. A rede CNN e o site Buzzfeed, que divulgaram a notícia, foram ameaçados de banimento da cobertura da Casa Branca e classificados como “monte de lixo” durante a coletiva. “As agências de inteligência nunca deveriam ter deixado essas notícias falsas vazarem”, disse Trump horas antes, em seu Twitter. “Estamos vivendo na Alemanha nazista?”

A difusão do conteúdo, verdadeiro ou não, reviveu velhas desconfianças sobre a relação entre Trump e a Rússia. Semanas atrás, as principais agências de inteligência dos Estados Unidos, como a CIA, o FBI e a NSA (National Security Agency), certificam que hackers russos invadiram o comitê de campanha dos democratas e liberaram informações comprometedoras da rival, Hillary Clinton. Trump passou todo esse tempo negando que o ataque havia acontecido, mas mudou de tática na entrevista coletiva, quando admitiu “achar” que a Rússia interferiu no pleito, sem dar mais detalhes nem reconhecer que a manobra o beneficiou diretamente. Com a posse de Trump, o diálogo entre os países, que não ia bem com Obama e não mudaria com Hillary, realmente será outro. A mudança afetará principalmente o futuro do conflito na Síria (do qual os russos participam ativamente) e a expansão do poder do Kremlin sobre seus vizinhos, em regiões como a Ucrânia e a Crimeia. “Se Putin gosta de Donald Trump”, se gabou o americano na entrevista, “vejam só, pessoal, isso é uma vantagem, não uma desvantagem.”

“Deve ser levado em conta que há apenas uma China, e Taiwan é parte inalienável da China” Geng Shuang, porta-voz do presidente chinês Xi Jinping (foto), repreendendo Trump por dialogar com a líder de Taiwan

Dias antes dessas declarações, o estilo boquirroto do presidente eleito ajudou a armar uma briga com um dos maiores responsáveis pela influência cultural dos Estados Unidos no mundo: Hollywood. Em seu discurso no Globo de Ouro, a atriz Meryl Streep disse que a indústria do cinema é construída com base na diversidade e criticou a imitação vexatória que Trump fez de um jornalista com deficiência, comparando-o com um valentão de escola que humilha aqueles sem condições de revide. Como líder da nação mais poderosa do mundo, esse é o tipo de opinião contrária com a qual o empresário deveria saber lidar. Sua resposta, porém, além de ser o oposto do que se espera de um chefe de estado, acaba referendando a posição de Meryl Streep. Ele chamou a intérprete de “superestimada” e alegou que ela seria “amante” de Hillary Clinton. A comunidade do cinema e da TV ficou em polvorosa e as redes sociais ficaram repletas de críticas a Trump. Nada dá a entender que seu estilo vá mudar, nem que ele deixará de espalhar ódio pelo Twitter, como tem feito até hoje. Pelo contrário, seus apoiadores aplaudem o político que fala o que pensa e que não está amarrado pelo politicamente correto. “Como muitos populistas, Trump enxerga críticas como ofensas pessoais”, afirma Oliver Stuenkel, membro do Instituto Global de Políticas Públicas, em Berlim. “A discussão é o que torna as decisões de um governo melhores, e ele está se privando disso.” Esse temperamento agressivo pode prejudicar sua própria administração.

“Se Putin gosta de Donald Trump, vejam só, pessoal, isso é uma vantagem, não uma desvantagem” Donald Trump, presidente eleito dos EUA

Além de causar estrago no âmbito doméstico, as afirmações intempestivas de Trump podem queimar relações dos Estados Unidos com países aliados. E até fazer com que o mandatário seja manipulado por adversários que conhecem seu comportamento. O presidente venezuelano Nicolás Maduro, por exemplo, tem tudo a ganhar com ataques vindos de Trump, através dos quais poderá fortalecer a narrativa de que seus problemas são culpa dos “yankees”, como sustentava Hugo Chavez. Uma prévia do que pode estar por vir na era Trump foi o incidente diplomático iniciado com os chineses depois que o presidente eleito dos EUA atendeu à ligação da mandatária de Taiwan. O regime comunista da China não aceita que outras nações reconheçam a soberania da ilha. Por isso, o contato de quase todo o mundo com o território se dá de maneira não oficial. No entanto, o empresário confessou que foi parabenizado por telefone pela taiwanesa, o que despertou a ira de Pequim.

O Ministério do Exterior da China emitiu nota de protesto depois de a conversa vir à tona. “Deve ser levado em conta que há apenas uma China, e Taiwan é parte inalienável da China”, escreveu o porta-voz Geng Shuang. “O governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa a China.”

CONFLITO DE INTERESSES Rex Tillerson, indicado por para o cargo de secretário de Estado: ele tem negócios na Rússia

FANFARRONICE

O episódio pode ser tanto fruto da ingenuidade como um cálculo político de Trump. Isso porque, ao lado do México, os chineses são pintados pelo presidente como os grandes vilões da economia dos Estados Unidos. Em sua campanha, ele prometeu combater sem descanso as importações dos dois países para gerar mais empregos em solo americano. O magnata pode ter criado o imbróglio justamente para disfarçar o fato de que a maior parte de suas declarações não passa de fanfarronice. Em primeiro lugar, porque a maior beneficiária da promessa de Trump de sair do Acordo Transpacífico é justamente a China, que estará livre para expandir sua influência no leste asiático. O mesmo vale para o isolacionismo do presidente eleito em relação à África e América Latina, territórios para onde os chineses poderão crescer. Em segundo lugar, porque as economias das duas nações são profundamente conectadas. Se, por um lado, Washington importa toneladas e toneladas de componentes chineses, por outro, Pequim é o maior portador de títulos da dívida pública americana. Um embate entre as duas potências afetaria drasticamente o mundo, mas os grandes prejudicados seriam justamente os principais envolvidos. “Temos que ver se essa briga vai ou não existir”, diz Ricardo Mendes, responsável pelo escritório em Miami da consultoria internacional Prospectiva. “Os chineses são muito pragmáticos, aguentam essa retórica. E os maiores perdedores disso seria os próprios americanos.”

No âmbito doméstico, o risco é maior para a população mais vulnerável. “Quem vai sofrer mais são os mais pobres”, afirma Geraldo Zahran, professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para ele, o cenário que se desenha é de “estudantes endividados, minorias perseguidas e imigrantes deportados”. Um dos exemplos de como o novo governo pode piorar a vida dos mais humildes está personificada no Procurador-Geral de Trump, Jeff Sessions. Ele enfrentou diversas acusações de racismo no passado, e sua sabatina no Senado contou até com manifestantes contrários vestidos de membros do grupo supremacista branco Ku Klux Klan. Em 1986, Sessions foi recusado para uma vaga de juiz federal sob a justificativa de que era muito retrógrado para os valores americanos. Em 2017, ele será provavelmente aceito pela maioria dos senadores, majoritariamente republicanos aliados. O Senado também referendará a nomeação de Rex Tillerson, presidente da companhia petrolífera ExxonMobil, para o cargo de secretário de Estado, responsável pelas relações exteriores dos Estados Unidos. Apesar de o empresário ter negócios na Rússia, o que implica em conflito de interesses, ele é dado como certo no cargo. A única nomeação que corre algum risco de ser barrada é a de Jared Kushner, genro do presidente eleito e escolhido como assessor sênior da Casa Branca. Sua aprovação não passa pelo Congresso, mas pode ser vetada pela lei contra o nepotismo. Mesmo assim, a jurisprudência americana dá brechas para que ele seja efetivado. No fim das contas, Trump levará com ele essas e outras figuras ligadas ao que há de mais obscurantista nos Estados Unidos. São eles que vão definir as pequenas e grandes questões da política americana daqui para frente.

DESPEDIDA Barack Obama, com Michelle e a filha Malia: no último discurso como presidente, ele disse que é preciso combater a discriminação

ISOLAMENTO

Ao menos o muro separando Estados Unidos do México, promessa mais emblemática de Trump, não deverá ser erguido. Apesar de o presidente eleito ter confirmado na coletiva de imprensa da quarta-feira 11 que a construção está de pé e que pretende enviar a conta para os mexicanos, os custos superiores a US$ 25 bilhões e as dificuldades operacionais de um projeto desse porte inviabilizam a obra. Para não desagradar seus eleitores, no entanto, o empresário deve recorrer a uma barreira policial, ao invés de física, com endurecimento de leis de imigração e aumento do aparato de segurança das fronteiras. O mesmo se dá em relação à reforma de saúde do Obamacare. A promessa inicial era acabar com o projeto, mas as 20 milhões de pessoas atendidas pela medida inviabilizam sua dissolução. Trump prometeu substituir o programa, mas não explicou exatamente pelo quê. “Em relação ao muro, em relação ao Obamacare, em relação à política internacional, a retórica de Trump é sempre mais forte do que a prática”, diz Ricardo Mendes, da Prospectiva.

Como homem mais poderoso do mundo, o presidente dos Estados Unidos serve de exemplo para os líderes de outros países. Como empresário que é, vê o comando de uma nação como um balcão de negócios em que se deve buscar o acordo mais vantajoso. Por esse lado, o magnata possui uma visão reducionista, porém legítima, das responsabilidades do cargo que conquistou. “De grão em grão, ele vai buscar vantagens pontuais. Mas não possui um grande plano de mudanças”, afirma Zahran, da PUC-SP. No entanto, seu desprezo pelos valores e pelas normas de conduta da democracia é um perigo não só para os americanos, mas para todas as nações do mundo. Uma onda de populistas, oportunistas e aventureiros vem conquistando espaço nos quatro cantos do mundo, inclusive no Brasil. Eles já alcançaram vitórias eleitorais expressivas, como a saída do Reino Unido da União Europeia. Em 2017, podem se elevar à posição mais alta de países importantes como a França. “Os Estados Unidos são uma referência cultural. Quando a coisa vai mal por lá, isso é ruim para todas as democracias”, diz Stuenkel, do Instituto Global de Política Pública. O problema é Trump, mas não só ele. O problema é também o que vem pela frente justamente por causa dele.

As últimas DE TRUMP

As confusões que o novo presidente já arranjou

Dossiê secreto
A imprensa americana publicou um suposto relatório de espionagem informando que a Rússia possui informações sobre negócios escusos do presidente eleito e vídeos de orgias dele com prostitutas. O conteúdo, porém, não foi confirmado

Briga com Hollywood
Criticado pela atriz Meryl Streep por conta de sua política para imigrantes e de sua imitação vexatória de um jornalista com deficiência, Trump referiu-se a ela como superestimada e disse que era amante da candidata derrotada
Hillary Clinton

Espionagem da Rússia
Mesmo com as principais agências de inteligência americana confirmando que hackers russos atacaram a campanha oposicionista do Partido Democrata, o presidente eleito segue negando que a gestão de Vladimir Putin o tenha beneficiado

Gafe com a China
O magnata recebeu uma ligação da presidente de Taiwan e abriu uma crise diplomática com os chineses. O regime comunista considera o país como parte de seu território e não tem relações com quem reconheça o governo oficialmente

Nomeações suspeitas
Trump apontou o genro como assessor sênior da Casa Branca, mas ato pode ser barrado pela lei contra o nepotismo. Indicações incluem também empresário com conflito de interesses com a Rússia e procurador-geral acusado de racismo

Herança dúbia

Barack Obama deixa posto com aprovação pública, mas também lega poderes perigosos para Trump

Ao deixar a presidência dos Estados Unidos, Barack Obama não precisará se preocupar com desemprego. O serviço de reprodução de música via internet Spotify ofereceu ao americano a vaga de “presidente de playlists” após o mandatário brincar que gostaria de um cargo na empresa. Num anúncio fictício publicado online, a companhia escreveu que a experiência necessária era de pelo menos oito anos no comando de uma nação importante e um prêmio Nobel da Paz. Desde 2015, Obama compartilha no Spotify listas de suas músicas preferidas, que incluem artistas como Bob Marley, Coldplay e Justin Timberlake. Em seu discurso de despedida, na quarta-feira 11, o presidente afirmou que a democracia está ameaçada e fez críticas veladas a políticas de Donald Trump , dizendo que é preciso combater a discriminação. Na fala, Obama também chorou ao falar de sua família. Com esses sinais, ele sai do posto com avaliação positiva e fama de líder “gente boa”, mas a expansão que promoveu da autoridade do Executivo também beneficiará seu rival e sucessor. Hoje, presidentes podem começar guerras sem a aprovação do Congresso, ordenar ataques de drones no exterior sem acusação formal e coletar informações de e-mails e telefonemas privados quase livremente. Esse poder todo agora está nas mãos de Trump.

IstoÉ

A nova safra de delações

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Um segundo tempo de delações é esperado. A perspectiva de depoimentos de Leo Pinheiro (OAS), Antonio Palocci (ex-ministro) e Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara), assombram o ex-presidente Lula

EDUARDO CUNHA NAVIOS SONDA O ex-deputado Eduardo Cunha pode detalhar o que fez com os US$ 5 milhões que ganhou na compra de navios-sonda pela Petrobras; LÉO PINHEIRO TRÍPLEX NO GUARUJÁ Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, pode contar como foi o negócio que fez com Lula no caso do triplex do Guarujá; OTÁVIO MARQUES DE AZEVEDO O RECALL DA ANDRADE O ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, pode explicar como foram as propinas de obras no Rodoanel; ANTONIO PALOCCI O CAIXA O ex-ministro Antonio Palocci pode falar sobre a contabilidade do dinheiro que recebia da Odebrecht e repassava para o PT e especialmente para Lula

O Supremo Tribunal Federal (STF) já está se preparando para receber uma nova leva de delações premiadas. O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, o ex-ministro Antonio Palocci, e o ex-deputado Eduardo Cunha devem fazer delações e apavoram o ex-presidente Lula, que já é réu em cinco ações penais. Léo Pinheiro deve dar mais detalhes de como financiou bens privados de Lula, como o triplex do Guarujá. Já o ex-ministro Palocci deve contar sobre como ajudou a transferir para o ex-presidente dinheiro de propina que lhe foi repassado pela Odebrecht.

O ex-deputado Eduardo Cunha também assusta Lula, porque foi durante o governo petista que ele atuou em negócios com a Petrobras que lhe renderam milhões de reais em propinas, como na compra na Coréia de navios-sondas da Samsung. Nesses negócios, em 2008, Cunha ganhou mais de US$ 5 milhões em propinas, que acabaram depositadas na Suíça. Mas Cunha pode encrencar também seus amigos do PMDB, sobretudo ministros do governo Michel Temer, como o Moreira Franco (da secretaria de privatizações) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Além dessas explosivas delações, há também o recall que a delação dos 77 executivos da Odebrecht deve provocar. Juízes da equipe do ministro do STF, Teori Zawascki, que analisam os depoimentos de executivos da Odebrecht, constataram que será necessário que alguns delatores de outras empreiteiras, como da Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, voltem a prestar novos depoimentos, para esclarecer fatos que vieram à público agora. Houve executivo que mentiu ou omitiu coisas agora reveladas pela Odebrecht.

OMISSÕES

Com a assinatura do acordo de delação premiada da Odebrecht e sua provável homologação pelo STF após a volta do recesso do Judiciário, os investigadores da Lava Jato vão se deparar com uma demanda reprimida de antigas e novas delações. No primeiro caso, delatores que não revelaram tudo que sabiam vão ter que prestar novos esclarecimentos sobre fatos omitidos em seus depoimentos e que podem lhe render problemas perante a Justiça. Em tese, essa omissão poderia significar o rompimento da delação, provocando a perda dos benefícios do acordo. Além desses, novos colaboradores em negociação com o Ministério Público Federal devem ajudar a desvendar as peças do quebra-cabeças de corrupção sistêmica que se apossou da Petrobras e outros órgãos públicos durante a gestão petista.

A expectativa dentro da Lava Jato é que executivos de duas empreiteiras, a Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, façam os chamados “recall” em suas delações, porque os investigadores descobriram indícios de crimes que seus executivos não haviam contado anteriormente. Isso aconteceu principalmente por meio de novas delações premiadas. No caso da Andrade, o ex-presidente da empresa, Otávio Marques de Azevedo, deve prestar novo depoimento. Os procuradores querem saber detalhes de irregularidades em obras da gestão tucana de Minas Gerais, enquanto a Camargo deve contar fatos relacionados à construção do Rodoanel em São Paulo. Esses depoimentos ainda estão sob negociação com os procuradores, que querem uma justificativa factível para a omissão desses fatos, para definir se romperão os acordos ou se podem mantê-los.

SEGUNDA ONDA O ministro do STF, Teori Zawascki, comanda em fevereiro nova fase de delações que assombram os políticos

Também o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que foi preso pela Lava Jato em novembro de 2015 e pouco tempo depois assinou uma delação, deve ser colocado contra a parede para esclarecer fatos que não revelou. Isso porque a delação da Odebrecht trouxe a público relatos de pagamentos de propina a Delcídio em troca da obtenção de sua ajuda na aprovação de medidas no Congresso Nacional que eram de interesse da empreiteira. Nada disso havia sido contado por Delcídio em sua delação, o que pode complicar a sua situação, já que o ex-senador só deixou a prisão depois de ter assinado o acordo. Hoje, ele vive uma espécie de retiro em sua fazenda, no interior do Mato Grosso do Sul.

AS OMISSÕES DOS DELATORES

O que os procuradores querem saber no recall das delações

Otávio Marques de Azevedo
O que já contou
– Pagou propina ao PT e PMDB por meio de doações oficiais por causa de obras do governo

O que falta contar
– Irregularidades em obras do governo de Minas Gerais, como a cidade administrativa

Gustavo da Costa Marques
O que já contou
– Ex-diretor da Camargo Corrêia admitiu participação em cartel na Petrobras e pagamento de propina para obter contratos

O que falta contar
– Irregularidades em obras do governo de São Paulo

Delcídio do Amaral
O que já contou
– Participou de trama para tentar obstruir a Lava Jato

O que falta contar
– Pagamentos de propina da Odebrecht para obter benefícios em medidas discutidas no Congresso

Aguirre Talento – IstoÉ

Caesb anuncia rodízio no fornecimento de água

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As regiões administrativas abastecidas pela Barragem do Descoberto passarão por rodízio no fornecimento de água a partir de segunda-feira (16). As primeiras serão Ceilândia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II. O nível do reservatório abaixo de 20% e o índice pluviométrico menor do que o esperado em dezembro e janeiro levaram a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa-DF) e a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) a adotar a medida para assegurar capacidade hídrica para o próximo período de seca na cidade. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (12), em entrevista coletiva.

O rodízio ocorrerá em um ciclo de um dia sem abastecimento (a partir das 8 horas), dois dias para religar e estabilizar o sistema e três de situação normalizada. As áreas afetadas são Águas Claras, Candangolândia, Ceilândia, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Park Way, Recanto das Emas, Riacho Fundo I, Riacho Fundo II, Santa Maria, Samambaia, Taguatinga e Vicente Pires (veja lista abaixo). Cerca de 1,8 milhão de pessoas serão atingidas pela medida.

Não é de agora que se estuda a alternância no fornecimento de água. A possibilidade já havia sido ventilada em novembro de 2016, quando o nível da água do Descoberto esteve abaixo dos 20% pela primeira vez e a Adasa publicou a Resolução nº 20, para estabelecer o regime de racionamento. Foi uma das oito publicadas pela agência reguladora desde a percepção da escassez hídrica.

Na ocasião, optou-se por esperar as chuvas, mas não foi suficiente. Na manhã desta quinta-feira (12), o volume na Bacia do Descoberto estava em 18,94%. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média histórica do índice pluviométrico no DF em janeiro é de 225 milímetros (mm). Em 2017, a marca dos dez primeiros dias do ano é de 19 mm, ou seja, menos de 10% do registrado ao longo dos anos. Em visita ao Inmet na quarta-feira (11), o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, ouviu a explicação sobre o bloqueio atmosférico que impede que as precipitações cheguem ao DF.


Regiões abastecidas pelo Santa Maria terão pressão da água reduzida
Assim como ocorreu com as regiões abastecidas pelo Descoberto em novembro, as que têm abastecimento hídrico pelo reservatório de Santa Maria terão a pressão da água reduzida. A medida começa em 30 de janeiro. Como o reservatório está em torno de 40% (41,22% na manhã de hoje), ainda não será feito rodízio de fornecimento de água.

“Reduzimos a captação de 5,1 mil litros por segundo para 4,4 mil litros por segundo com a redução de pressão. Com o rodízio de fornecimento, o objetivo é diminuir em mais 10%, para garantirmos a preservação dos níveis da Barragem do Descoberto no período de seca”, explicou o presidente da Caesb, Maurício Luduvice.

As medidas seguem um conjunto de ações para amenizar a crise hídrica, a exemplo da cobrança de tarifa de contingência sobre a conta de consumo, a restrição no horário para captação por caminhões-pipa e a orientação para estabelecimentos como lava a jato.

Construções de outros sistemas captadores de água
Em novembro, o governo de Brasília deu início às obras da represa do Bananal. A novidade vai custar aos cofres públicos cerca de R$ 20 milhões e deve ficar pronta em um ano. O Bananal levará água para moradores do Plano Piloto, do Cruzeiro e do Lago Norte — 170 mil ao todo. Com capacidade de vazão de 726 litros por segundo, a bacia desafogará o reservatório de Santa Maria, responsável pelo abastecimento dessas três regiões administrativas. É a primeira grande obra para melhorar o abastecimento no DF em 16 anos.

Além do subsistema do Bananal, outra obra em curso para dar mais tranquilidade ao abastecimento de Brasília é a construção de sistema de captação e distribuição de água na barragem de Corumbá IV, próximo a Luziânia (GO), que conta com investimentos do DF, de Goiás e do governo federal. A previsão é que o aquífero fique pronto em 2018. A água captada nele servirá a brasilienses e goianos.

A Caesb ainda tem um projeto para captar, armazenar, tratar e distribuir água do Lago Paranoá, que está licitado, mas aguarda a liberação de recursos da União para o início das obras. Quando ficar pronto, o Sistema Paranoá atenderá cerca de 600 mil moradores do Paranoá, de São Sebastião, do Lago Norte, de Sobradinho, de Sobradinho II, dos condomínios do Grande Colorado e de Planaltina.

Primeiro ciclo do rodízio no fornecimento de água

16 de janeiro (segunda-feira)
Interrupção: Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

17 de janeiro (terça-feira)
Interrupção: Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK e Residencial Santa Maria
Religação e estabilização: Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

18 de janeiro (quarta-feira)
Interrupção: Gama
Religação e estabilização: Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK, Residencial Santa Maria, Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II

19 de janeiro (quinta-feira)
Interrupção: Águas Claras (zona baixa), Park Way, Núcleo Bandeirante, C.A. IAPI, Candangolândia, Setor de Postos e Motéis e Metropolitana, Vila Cauhy, Vargem Bonita, Ceilândia Leste e Samambaia
Religação e estabilização: Gama, Vicente Pires, Colônia Agrícola Samambaia, Vila São José, Jóquei, Santa Maria, DVO, Sítio do Gama, Polo JK e Residencial Santa Maria

20 de janeiro (sexta-feira)
Interrupção: Guará I e II, Polo de Modas, CABS, Lúcio Costa, SQB, CAAC, Taguatinga Sul, Arniqueiras, Areal e Riacho Fundo I
Religação e estabilização: Águas Claras (zona baixa), Park Way, Núcleo Bandeirante, C.A. IAPI, Candangolândia, Setor de Postos e Motéis e Metropolitana, Vila Cauhy, Vargem Bonita, Ceilândia Leste, Samambaia e Gama

21 de janeiro (sábado)
Interrupção: Águas Claras (zona alta), Concessionárias e Taguatinga Norte
Religação e estabilização: Guará I e II, Polo de Modas, CABS, Lúcio Costa, SQB, CAAC, Taguatinga Sul, Arniqueiras, Areal, Riacho Fundo I, Águas Claras (zona baixa), Park Way, Núcleo Bandeirante, C.A. IAPI, Candangolândia, Setor de Postos e Motéis e Metropolitana, Vila Cauhy, Vargem Bonita, Ceilândia Leste e Samambaia

22 de janeiro (domingo)
Interrupção: Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II
Religação e estabilização: Águas Claras (zona alta), Concessionárias, Taguatinga Norte, Guará I e II, Polo de Modas, CABS, Lúcio Costa, SQB, CAAC, Taguatinga Sul, Arniqueiras, Areal e Riacho Fundo I