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PSDB passa PT e vai governar 34,4 milhões de eleitores

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Rosanne D’Agostino

O PSDB vai governar 34,4 milhões de eleitores a partir de 2017, segundo levantamento do G1 com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A soma equivale a 24% do total do eleitorado, de 144 milhões.

Em seguida aparecem o PMDB, com 20,6 milhões, o PSB, com 11,8 milhões, e o PSD, com 9,72 milhões de eleitores. Juntos, os quatro partidos governarão 53% do eleitorado brasileiro.

Em comparação com a eleição de 2012, houve avanço do PSDB que, naquela eleição, aparecia em terceiro lugar em número de eleitores, atrás do PT e PMDB.

O PT passou de 27 milhões para 4,36 milhões de eleitores. O PMDB continua na segunda posição, com um total de 20,6 milhões.

Já em número de habitantes, que é maior que o de eleitores, o PSDB governará 48,3 milhões de pessoas, seguido do PMDB, com 28,7 milhões, PSB, com 16,5 milhões e PSD, com 13,4 milhões.

O PT governará 6 milhões de pessoas. O partido sai como o grande derrotado nas urnas.

Bancada do DF destina mais de R$ 800 mi em emendas para 2017

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A Bancada do Distrito Federal no Congresso Nacional definiu a destinação das emendas coletivas para o Orçamento de 2017. Os oito deputados federais e os três senadores destinaram mais de R$ 800 milhões em recursos para a capital federal. Do total, mais de R$ 200 milhões vão para a Segurança Pública.

O coordenador da Bancada, deputado federal Izalci (PSDB-DF), lembra que desde 2009 os pedidos de recursos feitos pela Bancada não foram repassados pelo governo. “O GDF não conseguiu concluir os projetos e, por isso, o dinheiro não veio, mas vamos trabalhar para que os recursos sejam liberados para o próximo ano”, afirmou Izalci.

Além da Segurança, outras grandes áreas também serão contempladas com os recursos das emendas. Na parte de Mobilidade Urbana, a proposta da Bancada é um recurso de R$ 118 milhões para a construção do viaduto, na DF-001, que dá acesso ao Recanto das Emas e uma obra de duplicação do Trecho Rodoviário que liga o Paranoá ao Itapoã, na DF-250.

Na Educação a previsão das emendas, que somam mais de R$ 150 milhões, é para a construção de 10 Escolas Classes nas cidades: Brazlândia, Planaltina, Recanto das Emas, Samambaia, Santa Maria, Itapoã, Ceilândia e Taguatinga. Além, também, de melhorias nas instalações do Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB).

Para a Saúde, mais de R$ 180 milhões foram destinados para a reforma e modernização das caldeiras de 15 hospitais regionais, entre eles o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB).

Terracap vence o 6º Prêmio de Melhores Práticas de Sustentabilidade A3P

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Empresa concorreu com outros dois finalistas e ganhou com o projeto de produção de mudas nativas do cerrado, por meio da parceria com a Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso

A Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) foi vencedora da categoria “Destaque da Rede A3P”, do 6º Prêmio Melhores Práticas de Sustentabilidade, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente. A entrega ocorreu na tarde de hoje, 26, no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A entrega do prêmio ocorreu logo após o 9º Fórum da Agenda Ambiental.

O Ministério busca conhecer e divulgar as boas práticas empreendidas pela administração pública para o enfrentamento das graves questões ambientais e as reúne na chamada Agenda Ambiental da Administração Pública (A3P).

A Terracap concorreu com o projeto que fomenta a produção de mudas nativas do cerrado, em parceria com a Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap).

Mais de 44 mil mudas nativas já foram produzidas e replantadas em Área de Preservação Permanente (APP), no próprio complexo penitenciário da Papuda, que conta com 7 nascentes. Parte dessa produção também foi destinada a eventos especiais nas Regiões Administrativas do DF.

São significativos os benefícios socioambientais decorrentes do projeto. Os detentos reduzem um dia de pena a cada três dias trabalhados, são remunerados por bolsa de ressocialização e têm seu tempo ocioso preenchido de maneira positiva, favorecendo a autoestima.

Na mesma categoria, em segundo lugar, ficou a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social do Rio de Janeiro (Dataprev-RJ), com o programa “Jovem aprendiz como instrumento de inclusão social”. A prefeitura municipal de Pompéu (MG) conquistou a terceira posição, com o projeto “Políticas públicas sustentáveis, a inserção da energia fotovoltaica na administração pública municipal”.

Outros três projetos saíram vitoriosos do evento. Na categoria Gestão de Resíduos, a Caixa Econômica Federal no DF foi a vencedora, com o projeto “Lixo eletrônico e responsabilidade socioambiental”. Furnas Centrais Elétricas S.A. (RJ) venceu na categoria Inovação na Gestão Pública, com o trabalho de “Desenvolvimento e testes de ônibus urbanos com tração elétrica”. E o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal ficou em 1º lugar na categoria “Uso/Manejo Sustentável dos Recursos Naturais”, com o projeto “Uso do Sistema de espuma por ar comprimido no combate a incêndios Classe A e B”.

Muy amigo: R$ 23 milhões para Lula

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PF investiga se o ex-presidente teria embolsado mais R$ 15 milhões

Na última semana, o empresário Marcelo Odebrecht e mais de 50 executivos da empresa acertaram os últimos detalhes do acordo de delação premiada com potencial para ser o mais arrasador da Operação Lava Jato. Nele estarão descritas operações que beneficiaram políticos de diversos matizes do governo à oposição – mas, em especial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Documentos em poder da PF já acrescentam uma preocupação ao petista sobre as revelações de dirigentes da maior empreiteira do País. Relatório da Polícia Federal que indiciou o ex-ministro Antonio Palocci apontou a suspeita de que a Odebrecht pagou R$ 8 milhões de propina a Lula, identificado pelo codinome “amigo” nos memorandos internos da Odebrecht. O montante repassado a Lula, no entanto, seria muito maior. As planilhas às quais ISTOÉ teve acesso mostram que o saldo a receber do “amigo” totalizaria R$ 23 milhões. Agora, a PF investiga se, além dos R$ 8 milhões, Lula também teria sido agraciado com os R$ 15 milhões restantes e a troco de quê.

Os valores detalhados na planilha apreendida pela PF sugerem que a empreiteira tinha uma conta corrente da propina com o Partido dos Trabalhadores. Um dos operadores da transação ilegal seria o ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff Antonio Palocci, que está preso. Os documentos o identificam como “italiano”. Segundo o delegado Filipe Pace, autor do relatório, há “respaldo probatório e coerência investigativa em se considerar que o amigo das planilhas faça referência a Luiz Inácio Lula da Silva”.

Segundo as investigações preliminares da Lava Jato, Lula também teria sido recompensado pela empreiteira com, pelo menos, mais R$ 12,4 milhões. Conforme menciona o relatório policial, a Odebrecht pagou esse valor por um terreno na Rua Doutor Haberbeck Brandão, 178, em São Paulo, onde funcionaria o Instituto Lula. Embora a construção não tenha ocorrido lá, o negócio intermediado pela D.A.G Construtora foi celebrado. O pagamento do terreno consta na planilha sob a rubrica “Prédio (IL)”.

Nomes precedidos por alcunhas
A construção do instituto foi tratada diretamente por Marcelo Odebrecht com o ex-ministro Antônio Palocci em 2010, quando Lula ainda era presidente do País, segundo a PF. De acordo com planilhas de pagamentos destinados ao codinome “Amigo”, o crédito total de R$ 23 milhões de Lula remonta a 2012. Uma planilha referente ao fim de 2013 mostra que o saldo com a empreiteira teria diminuído para R$ 15 milhões, indicando que parte teria sido quitada. Ao que tudo indica, os R$ 8 milhões repassados por Palocci. Não há ainda confirmação de que ele tenha feito uso do crédito nos anos que se seguiram à data.

O material apreendido sugere que a propina paga pela Odebrecht ao PT era quase ilimitada. Os valores eram sempre precedidos por alcunhas. Para Palocci, o “italiano”, Marcelo reservou um aporte de R$ 6 milhões. Na mesma prova, havia um outro adjetivo que pode ser referência ao ex-ministro da fazenda Guido Mantega: “Pós-Itália”. A ele foi reservado o direito de fazer o que bem entendesse com R$ 50 milhões. Mas por que envolver o ministro da Fazenda no esquema criminoso de pagamento de propina orquestrado por Palocci? Porque seria de Mantega a autoria de uma medida provisória que impactaria de forma positiva nos cofres da empreiteira, segundo a PF.

A “gentileza” do empresário Marcelo Odebrecht tinha um custo. E, mais uma vez, essa conta seria paga pelos cofres públicos. Cabia ao então ministro Antônio Palocci a missão de reparar o prejuízo causado pela “derrota” imposta pelo Supremo Tribunal Federal à Odebrecht, que negou eventuais benefícios fiscais ao grupo empresarial gerido por Marcelo. Por orientação de Palocci, Marcelo determinou a seus executivos que buscassem opções de compensação pela ausência de ganhos fiscais do grupo. A dica de Marcelo para seus funcionários foi a de que deveriam disponibilizar opções de possíveis benefícios tributários ou obras da Petrobras. No despacho da PF, veio a constatação: “Esta mensagem, em síntese, traz ainda mais robustez à conclusão alcançada pela Operação Lava Jato de que a Petrobras era utilizada de maneira criminosa”.

Em delação, Odebrecht revelou como efetuou repasses milionários
à campanha de Serra em 2010 numa conta secreta na Suíça

O tucano José Serra, ministro das Relações Exteriores do governo Temer, também caiu na malha da Lava Jato. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, executivos da Odebrecht que negociam delação premiada contaram na última semana como a empreiteira depositou R$ 23 milhões para a campanha do tucano à Presidência da República em 2010. Os repassem teriam sido realizados por meio de contas bancárias na Suíça. Corrigido, o valor é superior a R$ 34 milhões. Ele nega. O dinheiro seria de caixa dois. Nos depoimentos de dois executivos da empreiteira, o ministro é identificado como “Vizinho” ou “Careca”.

Roberto Carlos, Ana Carolina, Lulu Santos: a estrelada lista de shows bancados por desvios da Lei Rouanet

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A segunda fase da Operação Boca Livre, deflagrada nesta quinta-feira, mira patrocinadoras de eventos que, aliadas à notoriamente encrencada Bellini Cultural, saquearam dinheiro da Lei Rouanet. Entre os 29 alvos da operação de hoje, a Boca Livre S/A, estão o banco Bradesco, as montadoras Volkswagen e Volvo, além da Arno e da Perdigão. Segundo a Polícia Federal, estas empresas destinaram recursos incentivados pela lei para bancar convescotes, sempre restritos a seus convidados. Os desvios, segundo a investigação, podem chegar a 25 milhões de reais.

Entre os animadores da boca livre nestas “festas da firma” listados pela PF estão nada mais nada menos que nomes ilustres e consagrados da música brasileira, como Roberto Carlos, Toquinho, Ana Carolina, Zizi Possi, Lulu Santos, João Bosco, Ed Motta, Adriana Calcanhoto e o maestro João Carlos Martins, entre outros.

Cármen Lúcia marca para 3 de novembro julgamento que pode ameaçar cargo de Renan

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A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, marcou para a quinta-feira, 3 de novembro, o julgamento de uma ação que pode ameaçar o cargo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os dois entraram em rota de colisão após as declarações de Renan contra uma operação de busca e apreensão na sede da Polícia Legislativa no Congresso Nacional na sexta-feira, 21.

O presidente do Senado chamou de “juizeco” o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, que autorizou, na sexta-feira passada, a prisão de quatro policiais legislativos. Na terça-feira, 25, Cármen rebateu as críticas de Renan e disse que “onde um juiz for destratado, eu também sou”.

No dia 3 de novembro, o plenário do STF analisará uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) apresentada pelo partido Rede Sustentabilidade, que argumenta que o Presidente da República não pode, no exercício das suas funções, responder a ações penais por crimes comuns.

A ação foi ajuizada pelo partido em maio deste ano, quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estava na linha sucessória da Presidência da República e já era réu em ação penal perante o STF.

Naquele mês, o STF decidiu por unanimidade suspender o mandato e afastar Cunha da presidência da Câmara. À época, o ministro Teori Zavascki afirmou que Cunha “não se qualifica” para assumir eventualmente a Presidência da República, por ser réu de ação penal.

Renan é alvo de ao menos 11 inquéritos que tramitam no STF. No dia 4 de outubro, o ministro do STF Edson Fachin liberou para julgamento uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente do Senado.

Na denúncia oferecida ao STF, a PGR considerou que Renan recebeu propina pela construtora Mendes Júnior para apresentar emendas que beneficiariam a empreiteira. Em troca, o peemedebista teria as despesas pessoais da jornalista Monica Veloso, com quem mantinha relacionamento extraconjugal, pagas pela empresa. A data da análise da denúncia pelo plenário do STF também será definida pela ministra Cármen Lúcia, que é responsável por definir a pauta de julgamento de cada sessão.

Caso o plenário do STF aceite a denúncia da PGR, Renan Calheiros se tornará réu e responderá a uma ação penal por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.

Atribuição
Na ação proposta pelo Rede Sustentabilidade, o STF definirá se é viável que parlamentar que responde a processo criminal perante a Corte ocupe cargo que, por especial designação constitucional, lhe confere a atribuição de ser substituto eventual do Presidente da República – o que é o caso de Renan Calheiros, que assumiria o Palácio do Planalto, que está na linha sucessória de Michel Temer depois do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Para a Rede Sustentabilidade, o exercício da Presidência é incompatível com a condição de réu.

“A permanência do Presidente da Câmara dos Deputados em situação incompatível com a ordem constitucional caracteriza inequívoca violação aos referidos preceitos fundamentais. E ainda existe o risco real e concreto de que o mesmo fenômeno venha a ocorrer com o Presidente do Senado Federal, caso o STF admita denúncia já formulada ou que venha a ser formulada nos inquéritos em tramitação contra S. Exa., e não haja o seu imediato afastamento da função ocupada”, diz a peça da Rede Sustentabilidade.

Para o partido, se alguém não se encontra apto a exercer tais funções em plenitude, “é essa pessoa que deve deixar o cargo, e não o cargo e a Casa Legislativa que devem perder uma das suas atribuições constitucionais mais relevantes”.

A Rede Sustentabilidade argumenta que o afastamento do presidente da Câmara ou do Senado dos seus cargos, por força do recebimento de denúncia criminal, “não equivale à imposição de uma sanção, mas tão somente ao reconhecimento de impedimento temporário para o exercício de cargo particularmente elevado e diferenciado”.

IstoÉ com Estadão Conteúdo

Foto: Lula Marques – Agência PT

Câmara aprova em segundo turno a PEC do teto, que vai ao Senado

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Manobra da oposição obstruir a votação atrasou a decisão dos deputados em oito horas

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira, em segundo turno, a Proposta de Emenda Constitucional 241, também chamada de PEC do teto dos gastos, que proíbe o governo de gastar mais do que a variação da inflação do ano anterior. A proposta recebeu 359 votas favoráveis e 116 contrários, com 2 abstenções.

Por ser uma proposta de adendo à constituição, a PEC do teto precisava ser votada em dois turnos na Câmara, com aprovação de pelo menos 60% dos parlamentares. A votação em primeiro turno ocorreu no último dia 10. Vencidas as duas etapas, a proposta segue agora para o Senado.

Ao longo do dia, a oposição trabalhou para tentar obstruir a votação, o que atrasou seu início em oito horas. A chamada ordem do dia para analisar a proposta iniciou-se pouco depois das 12h, mas, com a ação de PT, PCdoB, PDT, Psol e Rede, a votação do texto só começou de fato pouco antes das 20h. E ainda será preciso votar os seis destaques apresentados.

Os deputados oposicionistas argumentam que a proposta vai congelar investimentos em saúde e educação. Eles também criticaram a prazo de validade sugerido para a regra, de vinte anos.

Por volta de 20h40, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), determinou à polícia legislativa que retirasse um grupo de manifestantes da tribuna da casa, que gritava “fora Temer” e palavras de ordem contra a PEC. Maia deu sinais de que pode fechar as tribunas na votação da reforma da Previdência caso uma nova manifestação ameace a sessão de ser interrompida.

Licitação do Centro de Convenções é suspensa por sobrepreço e outras irregularidades

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Na sessão ordinária desta terça-feira, dia 25 de outubro de 2016, o Tribunal de Contas do Distrito Federal decidiu, por unanimidade, ratificar o despacho singular do Conselheiro Márcio Michel, que suspendeu a licitação para a concessão de outorga do Centro de Convenções Ulysses Guimarães (CCUG). O Governo do DF considerou um pagamento anual de R$ 1,5 milhão a ser feito pela empresa vencedora em troca do direito de explorar o local. Mas, ao fazer o cálculo do fluxo de caixa, o corpo técnico do TCDF apontou que o valor a ser pago pelo parceiro privado deveria ser de, no mínimo, R$ 3.276.585,14 por ano. Isso representa mais que o dobro do valor estimado.

No modelo de negócio proposto pelo GDF, além do pagamento pelo direito de exploração, o parceiro privado tem de investir em reforma e modernização das instalações. Em troca, pode lucrar com as receitas advindas da operação do CCUG. O problema é que, apesar de ter optado pelo instituto da Concessão de Obra Pública, as obras ficaram em segundo plano. Isso porque a vencedora deverá investir apenas R$ 2.388.810,14 em manutenção e somente R$ 1.601.278,95 na revitalização da Praça dos Namorados, ao longo de duas décadas de concessão. O entendimento do corpo técnico do TCDF é que esse desequilíbrio resulta em irregularidades sob os aspectos jurídico, técnico e econômico.

Os auditores do TCDF também verificaram que os valores estimados no edital estavam bem acima dos praticados pelo mercado em diversos itens. Um exemplo é o possível sobrepreço de 28% em equipamentos e serviços de Tecnologia da Informação, além de falta de justificativa para as quantidades previstas. Nas obras de reforma, foi apontado indício de sobrepreço de 21,7%. O orçamento da revitalização da Praça dos Namorados também ficou 51,8% mais caro do que deveria.

Foram encontradas, ainda, várias outras falhas, como: ausência de projetos e de croquis que indicassem os locais de realização dos serviços; falta de detalhamento dos preços unitários; custos de mão de obra duplicados; não apresentação das pesquisas de mercado utilizadas e superestimativa de produtos e serviços. A partir da análise realizada, o corpo técnico do TCDF concluiu que há graves deficiências no planejamento, na concepção do projeto e na elaboração do instrumento convocatório, o que levou a Corte a suspender o processo.

Em relação ao Sistema de Mensuração de Desempenho proposto, o corpo técnico apontou carência de qualidade e de detalhamento nos indicadores previstos e falta de metodologia para medi-los. Além disso, não há penalização para a má administração do complexo. Se o parceiro privado cumprir os requisitos mínimos, terá desconto de 25%. Mas, se apresentar um desempenho muito abaixo do esperado, ficará obrigado apenas a pagar o valor da outorga constante da sua proposta comercial. Ou seja: por esses termos, não há estímulo para a empresa vencedora da concessão gerir o CCUG com excelência.

Lista dos erros apontados na instrução técnica (Processo 17013/2016)

1) Exigências do caderno de encargos (anexo III do edital) não guarda conformidade com o instituto jurídico selecionado, concessão de obra pública;
2) não houve definição quanto à necessidade de observância dos valores definidos no Anexo I do Decreto nº 36.173/14, relativos à locação dos espaços do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, por parte dos licitantes quando da formulação de suas propostas;
3) incompatibilidade entre as disposições do edital relativas à entrega das propostas constantes do preâmbulo, itens 12.6 e 17.1, ocasionando insegurança aos licitantes e impedindo o controle objetivo sobre a entrega dos envelopes;
4) não foram estabelecidas regras a respeito do responsável pela condução da fase de lances, bem como não foi definido o critério a ser observado para o encerramento da referida fase;
5) exigência de que o consórcio não vencedor mantenha responsabilidade solidária até 30 (trinta) dias após a assinatura do contrato;
6) o item 12.7.2 permite a ausência de documentos relativos à habilitação nos casos em que o órgão ou entidade responsável por sua emissão esteja em greve. Em tais situações, a referida documentação deverá ser apresentada “imediatamente após o término da greve”, essa última expressão é vaga, dando margem a interpretações diversas;
7) exigência de declaração de instituição financeira atestando ter examinado o edital e seus anexos, bem como a proposta da licitante e verificado que há viabilidade econômica e que essa condição torna viável a concessão de financiamentos necessários ao cumprimento das obrigações contratuais da proponente, item 15.8 do edital;
8) necessidade de maiores esclarecimentos da jurisdicionada acerca das razões que motivaram a exigência da certidão constante do item 16.3.1.a, in fine;
9) ausência de justificativas para a inclusão de número mínimo de profissionais com a experiência descrita no item 16.5.1.c do edital;
10) a exigência de comprovação de quantitativos mínimos relativos à captação de eventos não é critério de habilitação adequado ao instituto jurídico eleito;
11) ausência de cláusulas obrigatórias na minuta contratual;
12) existência de falhas formais que podem comprometer a correta interpretação das disposições editalícias;
13) inconsistência do Sistema de Mensuração de Desempenho – SMD;
14) inadequação do mecanismo de pagamentos para garantir a eficiência/eficácia da concessão: privilegia o interesse do particular e dá azo ao descumprimento de dispositivos do edital que estipulam um valor mínimo anual a ser pago pela outorga;
15) existência de cláusulas genéricas tratando da alocação de riscos à concessionária;
16) existência de falhas formais que podem comprometer a correta interpretação dos dispositivos contratuais no tocante ao equilíbrio econômico-financeiro do ajuste;
17) sobrepreço e ausência de dimensionamento que justifique os quantitativos de equipamentos de TIC, conforme Nota Técnica nº 61/2016 – NFTI;
18) sobrepreço de 21,7% nas obras de reforma do CCUG, bem como ausência dos projetos;
19) sobrepreço e superestimativa de quantitativos que onerou o orçamento da Revitalização da Praça dos Namorados em 51,8%;
20) orçamento de mão de obra com uso de encargos sociais no percentual de 85,9%, quando o Sinapi utiliza 72,72% para o DF;
21) custo da mão de obra de serventes de limpeza, encarregado e vigilantes em valores acima dos de referência do Sine, bem como diferenças de custo diurno/noturno se apresentaram invertidos na planilha;
22) inconsistência no fluxo de caixa apresentado, com outorga mínima anual inferior em 50% do valor obtido pelo Corpo Técnico do TCDF.

Comissão Mista que analisa MP do Ensino Médio define plano de trabalho

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A Comissão Mista, que analisa a Medida Provisória que reformula o Ensino Médio no Brasil, presidida pelo deputado federal Izalci Lucas (PSDB/DF), definiu, nesta terça-feira (25), o plano de trabalho para as próximas semanas e preestabeleceu a data de 30 de novembro para encerramento dos trabalhos.

Neste prazo, cerca de 40 convidados da área de Educação deverão ser ouvidos nas audiências, que, a princípio, serão semanais, e já estão agendadas para os dias 1º, 9, 16 e 23 de novembro. O presidente da Comissão, Izalci Lucas, concorda com a data e o plano de trabalho que foi estabelecido pelo relator, senador Pedro Chaves (PSC/MS), e afirmou que caso este tempo não seja suficiente para ouvir a todos – que serão divididos em 8 convidadados por audiência, este prazo será reavaliado. “Não temos dificuldade alguma em estender o prazo caso haja necessidade. Se preciso for, faremos audiências de segunda a domingo, mas este assunto é urgente e não pode mais esperar”, completou o deputado.

Izalci destaca que é importante que o texto seja aperfeiçoado na comissão, mas lembra que o tema já foi debatido por pelo menos 4 anos no parlamento antes de vir a ser uma Medida Provisória. “O texto da MP 746 é bastante semelhante ao de projeto de lei que tramitou durante anos na Câmara, com o apoio de praticamente todos os partidos e relatado pelo PT. As críticas da oposição não fazem sentido, já que eram a favor do projeto”, disse.

Sobre as duras críticas que vêm sofrendo sobre o assunto da reformulação ser analisado por meio de uma Medida Provisória, o tucano afirma que a forma de debate é o que menos importa. “Criticam o meio pelo qual a reforma está sendo feita, por MP. Mas isso é o de menos. O importante é fazer as mudanças tão necessárias para salvar o ensino médio”, finalizou.

Entenda a MP 746
Instalada em 19 de outubro, a Medida Provisória 746/16 propõe a reformulação do Ensino Médio no Brasil. A Comissão Mista é presidida pelo deputado federal Izalci Lucas (PSDB/DF) e o relator é o senador Pedro Chaves (PSC/MS). A MP altera regras curriculares e de funcionamento do ensino médio, cria a Política de Fomento à Implantação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral e eleva a carga horária mínima anual, progressivamente, das atuais 800 horas para 1.400 horas.

Renan chama ministro de “chefete de polícia” e juiz de “juizeco”

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Renan Calheiros fala com jornalistas sobre operação da Polícia Federal no Senado, na última sexta-feiraFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse hoje (24) que vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a ação da Polícia Federal que resultou na prisão de quatro policiais legislativos, na última semana. Segundo Renan, a ação feriu o princípio da separação de Poderes.

“A ação vai ser no sentido de fixarmos claramente a competência dos Poderes, Um juizeco de primeira instância não pode a qualquer momento atentar contra um Poder. Busca e apreensão no Senado somente com a decisão do STF e não por um juiz de primeira instância”, disse o presidente do Senado.

Na última sexta-feira (21), foram presos o chefe da polícia do Senado, Pedro Ricardo Carvalho, e mais três policiais legislativos, suspeitos de prestar serviço de contrainteligência para ajudar senadores investigados na Lava Jato e em outras operações.

Em entrevista coletiva para anunciar a ação no STF, Renan subiu o tom nas críticas ao juiz que autorizou as prisões, Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal, e até ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que criticou a Polícia Legislativa pela suposta obstrução da Lava Jato. Renan chamou o juiz de “juizeco” e disse que Moraes se comporta, “no máximo”, como um “chefete de polícia”.

“O ministro da Justiça não tem se portado como ministro de Estado. No máximo, tem se portado como um chefete de polícia”, criticou.

Renan Calheiros disse que reclamou com o presidente da República, Michel Temer, sobre o comportamento de Alexandre de Moraes e que vai reiterar o que classificou como “agressões” e “extrapolação do ministro”. Segundo Renan, a ação da PF teve por objetivo intimidar o Senado. “Eu não me elegi presidente do Senado para ter medo, medo não ajuda em nada e nesse momento ele deturpa a democracia, a separação dos Poderes e não é esse o meu papel”, disse.

Varreduras
Durante a entrevista, Renan voltou a defender a legalidade das varreduras da Polícia Legislativa para localizar grampos ilegais pela polícia, que classificou como rotineiras. Segundo ele, entre 2013 e 2016 o procedimento foi realizado 17 vezes e a própria PF chegou a pedir emprestado o equipamento de varredura usado pelos policiais legislativos.

O peemedebista negou que as varreduras tivessem como objetivo obstruir as investigações da Operação Lava Jato. “Foram dezenas de pedidos de senadores para a detecção de grampos ilegais. Estou entregando todos os pedidos formalizados. Os documentos irão provar que, na maioria dos casos, os pedidos são de senadores que sequer são investigados, nem nesta [Lava Jato], nem em outras investigações, portanto esta interpretação seletiva de pretender embaçar a investigação é uma fantasia com a qual nós não podemos concordar”, disse.

Perguntado sobre as varreduras que ocorreram nas casas dos senadores Gleisi Hoffman (PT-PR), Fernando Collor (PTC-AL) e Edison Lobão (PMDB-MA), após ações da PF nos locais, Renan justificou a medida dizendo que os senadores se sentiram ameaçados na “sua intimidade”.

“A varredura não tem nada a ver com a Lava Jato, a Lava Jato não faz escuta ilegal, portanto não tem nada a ver. Os senadores, cujas as varreduras coincidiram com a busca e apreensão temiam que estivessem sendo devassados em sua intimidade e de suas famílias. Temos casos de filhinhas de senador que foram acordadas na manhã truculentamente e como o presidente do Senado vai se opor a isso?”

Renan, no entanto, não respondeu a questionamentos sobre as varreduras na casa do ex-presidente da República e ex-senador José Sarney, realizadas em julho de 2015. Sobre a varredura na casa do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Renan disse que “não teria como recusar uma varredura na residência oficial de uma das casas do Legislativo”, apesar de, segundo ele, nunca ter tido “as melhores relações com Cunha.

O presidente do Senado disse que poderia ter resolvido as suspeitas sobre a legalidade das varreduras se a PF tivesse avisado a presidência da Casa.

Excessos da Lava Jato
Mesmo sendo alvo das investigações da Lava Jato, Renan disse que manterá as críticas à operação sempre que considerar que houver excessos. “A Lava Jato é sagrada, ela significará sempre avanços para o país, mas não significa dizer que nós não podemos comentar os seus excessos”, disse.

“Comentar excessos da Lava Jato ou de qualquer outra operação não significa conspiração. Em português claro, é dever funcional do presidente do Congresso Nacional. Se a cada dia um juiz de primeira instância comete uma medida excepcional nós estaremos nos avizinhando do Estado de exceção. Não podemos chegar a isso.”

Perguntado se não estaria agindo em benefício próprio, uma vez que é investigado na operação, Renan Calheiros disse que está exercendo o seu papel institucional e que muitas investigações da operação se baseiam em especulações “O fato de estar sendo investigado por ouvir dizer não significa que eu não deva cumprir o meu papel institucional como presidente do Senado.”

Lei de abuso de autoridade
Calheiros voltou a defender a atualização da Lei de Abuso de Autoridade, mas disse que não tem data para colocar a proposta em votação. “Vamos votar, não sei se esse ano. Jamais eu a votaria como consequência do que aconteceu na sexta-feira aqui no Senado Federal. Eu não sou um arreganho, tenho ódio e nojo desses métodos fascistas que aconteceram no Senado Federal”, criticou.

Associação de juízes
O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Roberto Carvalho Veloso, repudiou as declarações de Renan Calheiros sobre integrantes do Judiciário. Segundo Veloso, as discordâncias sobre a decisão do juiz Vallisney Oliveira podem ser discutidas por meio de recursos e não por “ofensa lamentável perpetrada pelo presidente do Senado Federal, depreciativa de todo o Poder Judiciário”.

“Esse comportamento, aliás, típico daqueles que pensam que se encontram acima da lei, só leva à certeza que merece reforma a figura do foro privilegiado, assim como a rejeição completa do projeto de lei que trata do abuso de autoridade, amplamente defendido pelo senador Renan Calheiros, cujo nítido propósito é o de enfraquecer todas as ações de combate à corrupção e outros desvios em andamento no país”, disse Veloso em nota.

IstoÉ com Agência Brasil. Colaborou André Richter