Início Site Página 2229

FestFlor Brasil terá participação de mais de 100 agricultores do DF

0

Abertura oficial da feira será no próximo dia 27 (quinta-feira), às 19h, no Pavilhão de Eventos da Embrapa Sede, no final da Asa Norte

O evento mais florido do ano será realizado entre os dias 27 e 30 de outubro. Trata-se da quinta edição do FestFlor Brasil — Feira Nacional da Cadeia de Flores e Plantas Ornamentais. O evento pretende movimentar entre dois e três milhões de reais em negócios, além de integrar produtores, fornecedores, decoradores, lojistas, técnicos e consumidores.

A abertura oficial da feira será no próximo dia 27 (quinta-feira), às 19h, no Pavilhão de Eventos da Embrapa Sede, no final da Asa Norte. Entre as atividades programadas, haverá palestras, cursos, aulas, exposições, desfile de moda com roupas customizadas com flores e mostra de decoração.

Para gerar oportunidades de negócios aos agricultores do DF, a Emater-DF estará presente com o Salão dos Produtores de Flores. Serão cerca de 110 agricultores de flores e plantas ornamentais que vão expor e comercializar seus produtos. Segundo o coordenador do programa de floricultura e gerente de desenvolvimento agropecuário da Emater-DF, Cleison Medas Duval, “será a oportunidade de integrar os produtores com outros elos da cadeia produtiva de flores, como paisagistas, decoradores e varejistas, gerando venda direta e negócios futuros”.

Mercado potencial — Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), em 2015, o cultivo no DF já se estende por cerca de 486 hectares, nos quais aproximadamente 196 produtores atuam no cultivo de flores e plantas ornamentais, com áreas de produção média entre 2 a 3 hectares. Outro dado importante, que incentiva esse tipo de produção está no último levantamento realizado pelo Sebrae Nacional, em 2014, em que Brasília aparece no ranking nacional como primeiro consumidor per capita do país. Em média, o brasiliense gasta R$ 44,23 por ano contra R$ 26,27 da média nacional, movimentando cerca de R$ 216 milhões por ano até a ponta do consumo final.

A 5ª edição da FestFlor Brasil é uma realização da Argumento Eventos e tem como parceiros institucionais a Escola de Paisagismo de Brasília (EPB), Sindicato dos Floricultores, Fruticultores e Horticultores do DF (Sindgêneros) e Sindicato dos Floricultores, Fruticultores e Horticultores do DF (Sindfhort).

O evento tem o apoio do governo de Brasília, Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF (Seagri), Emater-DF, Ceasa-DF, Sebrae no DF, Embrapa, Senar-DF, Fape-DF, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Governo Federal.

Serviço
FestFlor Brasil – Feira Nacional da Cadeira Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais
Local: Pavilhão de Eventos da Embrapa Sede.
Data: 27 a 30 de outubro.
Horário: Dias 27 e 28 – das 14h às 20h.
Dias 29 e 30 de outubro – das 10h às 21h.
Entrada franca
Programação completa: http://www.festflorbrasil.com.br/

Os segredos de Cunha: Ele tira o sono de políticos de todas as colorações partidárias

1

ELE METE MEDO: O ex-todo poderoso da Câmara foi finalmente preso na quarta-feira 19. Agora todos temem o que ele possa vir a falar

Eduardo Cunha abala as estruturas do poder e tira o sono de políticos de todas as colorações partidárias não só pelo potencial explosivo de suas possíveis revelações. O poderoso ex-presidente da Câmara, preso em Curitiba, possui um amplo acervo, com áudios, vídeos e documentos de negociatas que envolvem integrantes das cúpulas de PT e PMDB. E está disposto a entregá-lo à Justiça

Familiarizado com os segredos mais recônditos de políticos dos mais diversos matizes, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) estremece o poder. Desde que foi preso na última quarta-feira 19, ele tornou-se o novo homem-bomba da República, capaz de acelerar os batimentos cardíacos de pelo menos sete em cada 10 parlamentares do Congresso. Não por acaso, sua prisão foi comparada a uma espécie de “toque de recolher” no Legislativo. Minutos depois de sua detenção, não havia viva alma na Câmara e Senado para contar história. Pudera. Uma delação daquele que pode ser considerado o presidente da Câmara mais poderoso desde a redemocratização tem potencial explosivo só comparável ao atribuído ao depoimento de Marcelo Odebrecht, dono da maior empreiteira do País – que mantém negociações avançadas para homologar a colaboração premiada com a força-tarefa da Lava Jato. As revelações de Cunha podem atingir não apenas o PMDB, seu partido, do qual por muitos anos foi uma espécie de caixa responsável por arrecadar recursos com empresas e repassá-los a candidatos do partido País a fora. Mas incriminar também aliados de um amplo leque de legendas. Sobretudo políticos com os quais conviveu intimamente, do atual e de governos anteriores. Ou seja, ele sabe demais e é por saber demais que ele impõe medo e dissemina o pânico em Brasília.

O peemedebista é uma espécie de caixa-preta do submundo da capital federal. Conforme apurou ISTOÉ, suas contribuições devem ir além de simples relatos. Cunha guarda consigo um extenso acervo, com áudios, vídeos e documentos, de negociatas que envolvem integrantes da cúpula de PT e PMDB e cerca de 200 deputados de sua base de apoio. O material – considerado nitroglicerina pura por quem já o manuseou – contém detalhes da distribuição de recursos do Petrolão e poderá, entre outros fatos, elucidar casos de corrupção no Porto de Santos, que atinge o coração do PMDB, e no projeto do Porto Maravilha. Parte robusta desse dossiê foi armazenada graças a tecnologias instaladas nos escritórios do ex-presidente da Câmara. Segundo ISTOÉ apurou, Cunha contava com um arsenal antiespionagem. Além de câmeras e escutas ambientais para gravar reuniões, ele dispunha de um dispositivo que, quando acionado, emitia ondas eletromagnéticas capazes de cortar sinais de celulares no ambiente e impediam que o interlocutor gravasse as conversas.

Embora sempre tenha negado publicamente a possibilidade de fechar um acordo com a Justiça, há tempos Cunha discute o assunto com seus advogados. Recentemente, adicionou o defensor Marlus Arns, responsável por uma série de acordos na Operação Lava Jato, ao seu grupo de defensores. Metódico, Cunha, nos últimos meses, passou a fazer um inventário de tudo o que ouviu e acumulou.


EFEITO ORLOFF
Por tudo o que pode vir a revelar, o novo homem-bomba da República produz um cenário considerado inimaginável para as circunstâncias políticas recentes. É capaz de unir por conveniência próceres de PT e PMDB – solidários na dor profunda que Cunha poderá impingir a ambas as siglas. Caso se mantenha firme no propósito de implodir o status quo político para livrar mulher e filhos da cadeia, o peemedebista poderá narrar com detalhes o quanto Lula e Dilma Rousseff sabiam e se beneficiaram dos desvios da Petrobras e quais negociatas patrocinaram, direta e indiretamente. Pelo menos, um petardo no atual governo é certo. Cunha já acusou o secretário do Programa de Parcerias de Investimento do atual governo, Moreira Franco, de estar por trás de irregularidades na operação para financiar as obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Neste caso, o próprio ex-presidente da Câmara é acusado de receber R$ 52 milhões em propina. Se Cunha tiver disposto a fornecer novos detalhes das tramóias feitas durante as liberações de crédito pela Caixa, os investigadores acreditam que podem chegar a mais um ministro: Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).

Nas últimas semanas, ao mesmo tempo em que pedia ajuda, Cunha fazia questão de avisar ao governo e a antigos aliados que já estava preparado para as conseqüências da prisão. Durante um dos discursos de defesa do seu mandato na Câmara, ameaçou. “Hoje sou eu. É o efeito Orloff. Vocês, amanhã”, afirmou. Um recado digno de causar arrepio a deputados que ajudou a eleger. Um dos inquéritos abertos contra Cunha e que envolve aliados seus dá a medida do alcance de sua teia. Os atuais deputados André Moura (PSC-SE), líder do governo na Câmara, Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Altineu Côrtes (PMDB-RJ) e Manoel Junior (PMDB-PB) se tornaram investigados sob suspeita de, comandados por Cunha, terem atuado na Câmara para achacar a empresa Schahin, por conta de uma disputa comercial que ela mantinha com o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, amigo do ex-presidente da Câmara que atualmente se encontra preso por determinação do Supremo Tribunal Federal. Um dos fundamentos de sua prisão é que ele agia “subrepticiamente” por meio de terceiros para cometer crimes, dentre eles parlamentares aliados.

A relação que Cunha mantinha com Funaro abre outro flanco contra Geddel. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostraram Funaro afirmando que Geddel tem “boca de jacaré para receber” e que tentava prejudicar negócios dos quais não participava, na época em que o ministro era vice-presidente da Caixa Econômica Federal. O material está nas mãos da Procuradoria-Geral da República. Cunha mantinha influência na Caixa por meio de seu apadrinhado Fábio Cleto, que também ocupava uma vice-presidência do banco público e revelou, em delação premiada, achacar empresas a pedido de Cunha em troca de propina.

Nova rotina: A jornalista Cláudia Cruz foi visitar o marido em Curitiba na sexta-feira 21

O mundo empresarial também reúne motivos de sobra para se preocupar com uma eventual delação. O ex-deputado agia como verdadeiro lobista de grandes empresas na Câmara. Um dos grupos beneficiados pelo ex-parlamentar foi o das operadoras de planos de saúde. Elas seriam diretamente beneficiadas por uma articulação que perdoaria R$ 2 bilhões em multas do setor. Por meio de uma emenda “jabuti” à Medida Provisória 627, que tratava da tributação de empresas no exterior, o então líder do PMDB tentou agradar planos de saúde que financiaram sua campanha e a de aliados. Com sua influência, Cunha conseguiu costurar a aprovação do perdão às dívidas na Câmara e no Senado. O texto só não vigorou porque recebeu o veto da presidente Dilma Rousseff.

Outra beneficiada por uma emenda de Cunha foi o Grupo Libra. Detentor de uma dívida milionária com o governo federal, o conglomerado de logística obteve autorização para administrar uma área do Porto de Santos (SP). A brecha na lei criada por uma decisão do ex-presidente permitia a empresas em dívida com a União renovarem contratos de concessão de terminais portuários, beneficiando a empresa que doou para o PMDB em 2014.

Durante a tramitação do Marco Civil da Internet na Câmara, Cunha foi um dos principais opositores a pontos da matéria que contrariavam interesses do setor de telecomunicações. Uma das empresas da área, a Telemont, fez doação de R$ 900 mil ao peemedebista. O Ministério Público Federal revelou também a existência de pagamentos feitos por empresas da família Constantino, dona da Gol Linhas Aéreas e de companhias de ônibus, para a C3 Atividades de Internet, empresa de Cunha e sua mulher. Houve ainda repasses de uma agência de publicidade para a C3 e para a GDAV, empresa em nome dos filhos de Cunha. A agência informou aos procuradores que realizou as transferências a pedido da Gol. O total das transferências ultrapassa R$ 3 milhões. “Não há indício de que as empresas Jesus.com (da C3) e GDAV tenham prestado algum serviço efetivo de publicidade compatível com os valores depositados. Ao analisar possíveis favorecimentos de Eduardo Cunha para empresas de ônibus, consta que em 30/3/2015, o ex-deputado federal, na qualidade de presidente da Câmara dos Deputados, criou uma comissão especial para analisar a isenção de CIDE para as empresas de transporte coletivo urbano municipal e transporte coletivo urbano “alternativo”, escreveram os procuradores da força-tarefa no pedido de prisão.

O que pesa contra o ex-presidente da câmara

Propina na Suíça
Foi denunciado pelo recebimento de R$ 5 milhões em contas secretas na Suíça, que pagaram despesas no exterior

Navios-sonda
O MPF o acusa de receber propina em um contrato de navios-sonda da Petrobras

FGTS
Cunha é acusado de receber de empresas interessadas na liberação de recursos do FI-FGTS, da Caixa

Schahin
Inquérito apura se Cunha e aliados usaram mandatos para pressionar a Schahin a pagar uma dívida com Lúcio Funaro, aliado do peemedebista

Banco
Inquérito apura se Cunha aprovou MPs para beneficiar o banco BTG Pactual, de André Esteves, em troca de propina

Crimes em série
Cunha sabia, desde que teve o mandato cassado em setembro, que a qualquer momento o juiz Sergio Moro expediria sua prisão preventiva. Quando os agentes da Polícia Federal chegaram ao apartamento funcional ocupado irregularmente por Cunha em Brasília na quarta-feira 19, o ex-presidente da Câmara já estava com as malas prontas para o período indeterminado atrás das grades em Curitiba. Motivos não faltavam. O peemedebista acumula acusações de envolvimento no Petrolão e em outros desvios. Responde a três ações penais, sob acusação de receber propinas da Petrobras e do fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Sofre ainda outras investigações, como a que apura se ele usou o mandato parlamentar para achacar e favorecer grupos empresariais.
A extensa ficha corrida de Cunha lhe valeu a classificação de “criminoso em série” no despacho de Moro. O ex-presidente da Câmara solto, para o magistrado, ofereceria perigo aos trabalhos da Operação Lava Jato com ameaças a testemunhas. Poderia se valer ainda de dupla cidadania italiana e de contas no exterior desconhecidas pelas autoridades para escapar. Seu patrimônio ilegal seria até 53 vezes maior do que o informado à Receita Federal.

Apesar de já ter precificado o próprio infortúnio, ao desembarcar do jato da Polícia Federal no Paraná, Cunha visivelmente abatido nem de longe lembrava o impávido colosso de tempos atrás. Em fevereiro de 2015, ele foi eleito presidente da Câmara ainda no primeiro turno. Sagrou-se o número 1 da Casa com uma vitória acachapante contra o petista Arlindo Chinaglia, patrocinado pelo governo Dilma. Nos bastidores, cálculos mostravam que até 200 dos 513 parlamentares integravam sua tropa de choque. Com esta força, ele se firmava como um dos homens mais poderosos da política brasileira. Montava a pauta do Legislativo como queria, colocava aliados nas comissões chave e aplicava derrotas constantes à gestão petista. Deu o tiro certeiro para a cassação de Dilma Rousseff ao aceitar o processo de impeachment. Mas seu prestigio ficou abalado quando foram reveladas as contas secretas na Suíça. Perdeu apoio dos aliados para comandar a Casa e passou a ser chamado de gangster no plenário. Agora, preso, um gangster de altíssima periculosidade.

Revelação sobre contas na Suíça começaram a abalar o prestígio de
Eduardo Cunha no Congresso. Dali em diante, foi ladeira abaixo

ISTOÉ.COM

Médico do DF é preso suspeito de destruir provas em 3ª fase da Mr. Hyde

0

Polícia Civil cumprindo mandados de busca no hospital Home, na Asa Sul, na primeira fase da operação Mr. Hyde (Foto: Elielton Lopes/G1)

Prisão é preventiva; policiais também cumprem mandados no hospital Home.
Ação desarticula esquema conhecido como ‘máfia das próteses’ em hospitais.

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu na madrugada desta sexta-feira (21) um médico suspeito de destruir documentos em um desdobramento da operação Mr. Hyde, que apura um suposto esquema criminoso que lucrava com a colocação de órteses e próteses sem necessidade e superfaturados em pacientes. Os policiais também cumprem quatro mandados de busca e apreensão.

A prisão do médico Fabiano Duarte Dutra, que trabalha no hospital Home, é preventiva – sem tempo determinado. Um dos mandados de busca desta terceira fase da operação também acontece no hospital da Asa Sul, que foi alvo da primeira etapa da ação que desarticula a chamada “máfia das próteses” do DF (relembre as fases da operação mais abaixo).

O G1 não recebeu retorno do Home e não conseguiu contato com o médico até a publicação desta reportagem. Até então o hospital vem negando “qualquer envolvimento” no caso. O centro afirma não ter benefícios financeiros ou qualquer outro a partir do esquema, e eventuais ações indevidas ocorreram sem o conhecimento da direção.

As investigações são lideradas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) e pela Promotoria de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde do MP (Pró-Vida).

Outras fases
Na primeira fase da operação, iniciada no dia 1º de setembro, a polícia prendeu 13 pessoas e apreendeu mais de R$ 500 mil em cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão no Home, em três clínicas e residências de médicos envolvidos com os supostos crimes.

Segundo a polícia, estima-se que cerca de cem pacientes tenham sido lesados pelo gurpo. De acordo com as investigações, o esquema envolvendo cirurgias desnecessárias, superfaturamento de equipamentos, troca fraudulenta de próteses e uso de material vencido em pacientes é “milionário”. Na Justiça, 17 acusados de integrar a máfia já são réus.

O alvo da segunda fase foi o hospital Daher. Segundo a polícia e o Ministério Público, o dono do hospital, José Carlos Daher, tem participação ativa no esquema. O MP chegou a pedir a prisão temporária dele, por suspeita de destruição de provas, mas a solicitação foi negada pela Justiça. No entanto, o empresário de 71 anos chegou a ser detido por posse ilegal de uma pistola “ponto 45”, de uso restrito do Exército e das polícias Federal e Militar.

Ao G1, o advogado do hospital Daher negou as acusações. “Não temos dúvida de que os procedimentos do hospital são todos corretos”, disse Paulo Maurício Siqueira. A assessoria de imprensa do Daher informou que colabora “ativamente com as solicitações realizadas”.

Como funcionava
De acordo com os investigadores, o hospital lucrava ao cobrar de planos de saúde e recebia comissões por indicar um grupo de fornecedoras de próteses já determinados. Parte do lucro, que girava em torno de 15%, acabava sendo divido com os médicos. O MP informou que ainda vai calcular quanto o esquema teria movimentado. Pelo cálculo deles, era cobrado preço entre 800% e 1.000% maior do que realmente a prótese custaria no mercado.

Escutas telefônicas obtidas pela Polícia Civil do Distrito Federal e reveladas pelo Fantástico mostram a conversa entre um médico e um fornecedor de órteses e próteses sobre como continuar “enrolando” um paciente e faturar mais.

Depoimentos obtidos com exclusividade pela TV Globo apontam detalhes do suposto esquema, explicados por funcionários da empresa TM Medical. Uma das empregadas, Rosângela Souza, afirmou que o grupo criminoso colocava lacres de próteses importadas em embalagens de versões inferiores, elevando o custo aparente do produto e lesando planos de saúde e clientes.

Próteses e órteses
Próteses são dispositivos usados para substituir total ou parcialmente um membro, órgão ou tecido. Órteses são utilizadas para auxiliar as funções de um membro, órgão ou tecido do corpo. De uso temporário ou permanente, as órteses evitam deformidades ou o avanço de uma deficiência médica. Um marca-passo, por exemplo, é considerado uma órtese implantada.

Mara Puljiz, Rita Yoshimine e Gabriel Luiz – Da TV Globo, em Brasília, e do G1 DF

Patrimônio de Eduardo Cunha é 53 vezes maior que declarado, diz Lava Jato

0

Ao listar os indícios de que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teria dedicado toda sua vida pública a “obter vantagens indevidas com a finalidade de possibilitar uma vida de gastos vultuosos” para si e sua família, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba aponta que o peemedebista pode ter um patrimônio até 53 vezes maior do que o declarado e que também pode ter outras contas ainda não descobertas nos Estados Unidos.

As suspeitas dos procuradores da República se baseiam nas informações obtidas por meio da cooperação internacional com o Ministério Público da Suíça, que identificou quatro contas, sendo três vinculadas ao peemedebista e uma a sua mulher Cláudia Cruz, que já renderam denúncias na Lava Jato.

No documento de abertura de uma destas contas, a Triumph, no Banco Suíço Julius Baer, em 2007, o peemedebista declarou possuir um patrimônio de US$ 20 milhões.

Naquele mesmo ano, o patrimônio do peemedebista declarado ao Imposto de Renda foi de R$ 1,2 milhão.

Em 2008, cunha abriu outra conta, a Orion SP, no Banco Merril Lynch na Suíça (atual Julius Baer) e a própria instituição financeira avaliou seu patrimônio em US$ 16 milhões “proveniente de investimento no mercado imobiliário e na bolsa de valores”. Naquela ocasião, o ex-parlamentar declarou que o patrimônio seria de US$ 11 milhões.

Além das disparidades em relação ao patrimônio de Cunha, a documentação das contas estrangeiras também levantou suspeitas da Lava Jato sobre a possibilidade de novas contas do peemedebista no exterior ainda não reveladas. No mesmo documento de abertura da conta Orion, a gerente do Merril Lynch na época afirmou que o ex-deputado possuía outra conta na instituição financeira em Nova York.

“Ademais, há informação da gerente da conta de que o conhece (Eduardo Cunha) há 6 anos, de que é cliente do Merril Lynch por 20 anos, bem como também proprietário das contas Orion, Triunph, Netherton e Kopek (todas estas já identificadas na Lava Jato)”, assinalam os procuradores da República.

Para a força-tarefa, as informações reforçam ainda mais as suspeitas sobre a existência de um alentado patrimônio ainda oculto do peemedebista, considerando que, até agora, só teria sido bloqueado o valor de cerca de US$ 3 milhões em uma das contas do deputado cassado no exterior.

“As demais contas suíças foram fechadas pelo ex-deputado federal, sendo que permanece oculto um patrimônio de aproximadamente USD 13 milhões. Também não se tem conhecimento da localização das possíveis contas existentes em nome de Eduardo Cunha nos Estados Unidos, constando dos documentos suíços que a conta no Merril Lynch em Nova Iorque teria sido fechada no ano de 2008”, segue a força-tarefa.

IstoÉ com Estadão Conteúdo

Moro destaca ‘habilidade’ de Cunha ‘em ocultar e dissimular propinas’

0

O juiz federal Sérgio Moro alertou para a “habilidade” do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em “ocultar e dissimular propinas”. O peemedebista foi preso nesta quarta-feira, 19, em Brasília, na Operação Lava Jato.

No longo despacho de 26 páginas em que fundamenta o decreto de prisão do peemedebista, o juiz da Lava Jato destacou “a habilidade do acusado em ocultar e dissimular propinas, com contas secretas no exterior, parte não totalmente identificada nem sequestrada, permanece incólume”.

Moro destacou que “não foi ainda possível identificar toda a dimensão das atividades delitivas do ex-deputado federal Eduardo Cosentino da Cunha, nem a localização do produto dos crimes em toda a sua extensão”.

Eduardo Cunha foi preso sob acusação de receber US$ 5 milhões em propina no contrato da Petrobras para exploração do campo de Benin, na África, em 2011.

Segundo o juiz, amparado em informações da Procuradoria da República, “parte do produto do crime teria sido ocultado e dissimulado em contas secretas no exterior”.

Moro advertiu para o risco de fuga do mais novo prisioneiro da Lava Jato. “Enquanto não houver rastreamento completo do dinheiro e a total identificação de sua localização atual, há um risco de dissipação do produto do crime, o que inviabilizará a sua recuperação. Enquanto não afastado o risco de dissipação do produto do crime, presente igualmente um risco maior de fuga ao exterior, uma vez que o acusado poderia se valer de recursos ilícitos ali mantidos para facilitar fuga e refúgio no exterior.”

IstoÉ com Estadão Conteúdo

Sérgio Moro determina prisão de Eduardo Cunha

0

Presidente cassado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi preso nesta quarta-feira, 19, em Brasília. O ex-deputado foi capturado preventivamente perto do prédio dele na capital por ordem do juiz federal Sérgio Moro. A prisão foi decretada no âmbito da Operação Lava Jato, informou a Polícia Federal.

A investigação contra Eduardo Cunha sobre contas na Suíça abastecidas por propinas na Petrobras estava sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). Cassado pela Câmara, o peemedebista perdeu o foro privilegiado perante a Corte máxima.

Os autos foram deslocados, então, para a 13ª Vara de Curitiba, base da Lava Jato. Na segunda-feira, 17, Moro intimou Eduardo Cunha para apresentar sua defesa prévia em ação penal que atribui ao ex-deputado US$ 5 milhões nas contas secretas que ele mantinha na Suíça.

A mulher de Eduardo Cunha, Cláudia, também é acusada na Lava Jato. Mais de US$ 1 milhão da propina que o peemedebista teria recebido sobre contrato da Petrobras no campo petrolífero de Benin, na África, foram gastos por ela em compras de luxo na Europa, segundo os investigadores. Cláudia adquiriu sapatos, bolsas e roupas de grife na França, Itália e em outros países europeus.

Denúncias

A primeira denúncia contra Cunha veio em agosto de 2015, e acusa o parlamentar de corrupção e lavagem de dinheiro por ter recebido ao menos US$ 5 milhões em propinas referentes a dois contratos de construção de navios-sonda da Petrobras.

Por unanimidade, o Supremo aceitou a acusação em março deste ano e tornou Cunha o primeiro político réu na Lava Jato. Nesta denúncia ele responde por corrupção e lavagem de dinheiro.

No mesmo mês, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou a segunda denúncia contra o peemedebista, desta vez por manter contas não declaradas no exterior utilizadas para receber propina, também no esquema de corrupção na Petrobras. A denúncia teve origem na investigação da Suíça que, graças a um acordo de cooperação internacional, foi encaminhada ao Brasil para que o político pudesse ser processado no País.

Mais uma vez por unanimidade, o Supremo aceitou a acusação contra o parlamentar, que passou a responder novamente por corrupção, lavagem e, pela primeira vez, por evasão de divisas.

Em 10 de junho deste ano, Janot apresentou a terceira denúncia contra o peemedebista, desta vez por suspeita de desviar dinheiro do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS) nas aplicações que o fundo fazia em obras. A acusação tem como base a delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto e descreve em detalhes o suposto esquema ilegal instalado no banco público.

Conforme o procurador-geral, Cunha solicitava propina de grandes empresas para que Cleto viabilizasse a liberação de recursos do FGTS. O caso está sob sigilo na Corte e aguarda uma decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal que não decidiu ainda se aceita a denúncia.

IstoÉ com Estadão Conteúdo

Mulher de Cunha prestará depoimento a Moro em novembro

0

O juiz federal Sérgio Moro marcou para dia 16 de novembro o interrogatório de Cláudia Cruz, mulher do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cláudia será interrogada na ação penal em que responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ela é acusada de ser beneficiária das contas atribuídas ao deputado na Suíça.
Em junho, Moro recebeu denúncia apresentada pela força-tarefa de procuradores da Operação Lava Jato contra Cláudia Cruz e outros investigados que viraram réus. A denúncia é vinculada à ação penal a que Cunha responde por não ter declarado contas no exterior.
Na semana passada, Moro decidiu dar prosseguimento à ação. Eduardo Cunha virou réu quando a ação ainda estava no Supremo Tribunal Federal. Com a perda do mandato, Cunha deixou de ter foro privilegiado e o processo foi enviado à Justiça Federal em Curitiba. O ex-deputado também responde pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

IstoÉ com Agência Brasil

Lobão detona: “Lula é um psicopata, criminoso e deve ser preso”, dispara cantor

0

Lobão fez 59 anos na terça-feira 11, véspera do Dia da Criança. “Vai ter muita língua de sogra”, avisou o músico, dias antes, afiado na ironia. Há tempos o cantor solta a língua em declarações implacáveis contra o PT. Após as eleições municipais, não foi diferente. O músico não votou, mas fez campanha para João Doria Jr. (PSDB) em São Paulo nas redes sociais. “Moro em São Paulo há sete anos, mas meu título está no Rio. Sequer pensei em mover meu bumbum para votar lá por falta de opção”, diz. Na metralhadora giratória do autor de “Vida Bandida”, poucos são poupados. Ele só elogia Sérgio Moro. Não escapam Lula, Dilma Rousseff, Gilberto Gil e até Chico Buarque. “É assustador ver o Chico Buarque declarando ‘vamos fazer uma nova junção da esquerda’. Esse cara come capim.” Lobão contou ter sido convidado por Janaína Paschoal, co-autora do pedido de impeachment, para assistir ao julgamento da ex-presidente, tal como Chico que acompanhou Lula. “Meu gatinho estava morrendo e não ia sair de perto dele por nada”, diz ele, que lançou este ano o disco “O Rigor e a Misericórdia”. “É o disco mais bem gravado da minha vida.”

Como avalia o Brasil pós impeachment e pós-eleições?
As urnas foram muito eloquentes. Houve uma rejeição total ao PT, ao mito Lula, a Dilma. E deu ainda um recado: golpe não cola.  No caso mais específico da eleição do João Doria em primeiro turno, em São Paulo, houve um discurso duro, mas ao mesmo tempo educado, conciliador, amortecendo essa onda de ódio. O discurso da privatização também me chamou a atenção. Era um tabu falar em privatização e virou um trunfo eleitoral. A derrota do PT foi acachapante. Em São Paulo, perdeu em redutos petistas. O PT passou de maior partido do Brasil a um partido nanico. Talvez a esquerda não leve em consideração, mas o Brasil é um país conservador. Há um segmento sectário da esquerda que quer impor uma suposta vanguarda política que é um retrocesso e sempre uma figura de lamentação.

Por que o sr. diz que Lula é um grande enganador?
Toda a narrativa de esquerda é mentirosa. Lula é um psicopata. Psicopata é sedutor, simpático,  causa empatia. Há um livro, “Ponerologia”, de Andrzej Lobaczewski, um psiquiatra polonês. Ele escreveu esse livro no campo de concentração. Ele mostra fabulosamente como acontece a fabricação do poder, do populismo, tanto nazismo quanto socialismo, e ele é feito de duas camadas diferenciadas: o alto da pirâmide é sempre ocupada por psicopatas e a base por histéricos. Os líderes são psicopatas, e a militância é histérica. É um livro básico para entender a coisa da simpatia e da malandragem, do homem do povo, dos líderes carismáticos. Veja Fidel Castro, famosíssimo, fazia  um espagueti violento, charmoso. O livro mostra como uma sociedade adoece nesse sentido. E eu acredito que nós estamos nesse momento. E se o Lula é psicopata, a Dilma está mais para oligofrênica.

Parece ser uma pessoa com alguma dislexia, não sabe se expressar. Perto dela, o Lula parece um cara inteligente, dentro da sua ignorância crassa. Dilma é opaca, não tem carisma, é furibunda por haver provavelmente entraves cognitivos no cerebelo dela. Talvez, no Rio, o Marcelo Freixo possa chamá-la para ser secretaria de alguma coisa, caso seja eleito. Mas acho que ela não se cria mais em lugar nenhum.

Há tempos o sr. tece críticas duras ao ex-presidente.

Lula tem o que merece, assim como a Dilma. Lula é um criminoso e o PT é uma organização criminosa. Ele deve ser preso por vários motivos. O que está sendo imputado, muito embora seja pena suficiente para ele pegar 30 anos de cadeia, é a ponta de um iceberg. Al Capone foi preso pelo imposto de renda. O que está em jogo é algo muito mais barra pesada do que falar sobre o roubo do ladrão de galinha do sítio de Atibaia.

“Dilma é opaca, não tem carisma. É furibunda por haver provavelmente entraves cognitivos no cerebelo dela” (Crédito:Foto: Ueslei Marcelino/REUTERS)

Pode ser específico?

O caso mais grave do PT não é a corrupção em si. É a conduta ideológica criminosa de querer se perpetuar no poder por meio de uma doutrina altamente questionável que já deu errado e estão regurgitando: querer reeditar a cortina de ferro que a União Soviética perdeu no Leste Europeu. A Lava Jato mostra que Lula foi longe, mas é cedo para cantar vitória, apesar dessa derrocada da esquerda e da dita onda conservadora.Eles ainda detém poder. Essa resiliência do Lula e do PT reside na área cultural. É assustador ver Chico Buarque declarando “vamos fazer uma nova junção da esquerda”. Esse cara come capim.  Isso atenta contra a inteligência dele. A minha revolta advém de um exame de consciência. Eu já apoiei isso.

Como era o tempo em que apoiava o partido?

Fiz campanha para o PT por 11 anos.  Em 1989, no dia da eleição do Collor, cantei Lula-lá ao vivo no Faustão. O Faustão falava na minha orelha: “A  Globo vai sair do ar”. Já pedi desculpas ao Faustão por isso. Eu fiz aquilo com a mesma cara e coragem que hoje digo o contrário. Eu me sinto otário. Nunca cobrei um tostão para fazer campanha para o PT. Na metástase de corrupção que invadia os partidos, eu via uma chance do PT mudar o poder público. Ingenuidade. No início de 2000 eu fui ao Capão Redondo (SP) com um vereador do PT, o Albertão. E, então, na rádio comunitária onde estávamos, chega uma figura suspeitíssima. Depois, vim a saber que era um colombiano das Farc, com uma mala de 50 mil dólares para a campanha desse vereador petista. Eu entrei no núcleo duro do partido. Eu tinha uma relação com Lula.

Como era essa relação?

Com Lula, tive um encontro, no diretório do PT em São Paulo. Encontrei-me com Lula, Genoino, José Dirceu, Mercadante, Marisa. Eu já tinha visto Lula duas ou três vezes. Uma coisa emblemática aconteceu. O Ale Yousseff (produtor cultural) chamou o Lula para me cumprimentar.  Quando Lula apertou minha mão, e disse “Oi companheiro”, acabou a luz! Ficamos uns 10 minutos no escuro. Aquela falta de assunto.

Por que achou emblemático?

Foi quase cenográfico. Parecia que a luz tinha acabado como fruto de nosso choque eletromagnético. Além dessa circunstância jocosa, fui lá para cobrar investimento em educação. Lula respondeu: “Companheiro, isso é a nossa prioridade”.

E ocorreram outros encontros?

Isso foi em 2002. Fiquei com o telefone do Lula. E meu único telefonema para ele foi para alertá-lo para ter cuidado com Gilberto Gil, porque ele era um braço da Warner Brothers e era um cara que estava impossibilitando tanto a numeração de CDs, uma luta histórica na classe, como inviabilizando a lei contra o jabá (pagamento às rádios por música tocada), e que depois, como ministro, acabou sacramentando.  Eu liguei e disse: “Lula, cuidado com o Gil e com a Paula Lavigne, que é assessora do  José Serra”. Lula foi solícito: “Muito obrigado companheiro. Vamos monitorar o caso.” Me pareceu atento ao que eu dizia. Quando Gil virou ministro, fiquei perplexo. Pensei: ele está botando a raposa no galinheiro. Quando Gil assumiu o ministério, e eu cheguei a achar que, com sua ascensão, mal ou bem ele fosse abraçar uma briga histórica da classe. No ano seguinte, ele dá uma entrevista praticamente falando que o jabá era uma prática que não adiantava ir contra, tornando-o quase aconchegante culturalmente.

O sr. declarou que ser de direita é um xingamento e ser de esquerda é um elogio.

No Brasil, a esquerda é a detentora da benevolência. É patológico. Se você estudar Stalin, Mao Tse Tung, Fidel Castro, eles foram assassinos, psicopatas, causaram mortandade, fome, totalitarismo, miséria. A esquerda brasileira se melindra com os militares quando a esquerda é endemicamente militarista. Quem gosta de parada, míssil, farda verde oliva é a esquerda. Hitler era de esquerda em seu partido estatista, trabalhista e autoritário.  Ele tinha o manifesto comunista como livro de cabeceira. Essas figuras estão dentro desse oráculo. Um universo basicamente estatista. Quando se fala do fascismo das privatizações, eles tem que entender que o fascismo é totalmente estatista. É fundamental para a democracia tirar o sex appeal da esquerda. Isso tem que ser feito com alta cultura. Você vê os artistas, todos comunistas, é uma vergonha. Esquerda é cafona, clichê, retardada.

“É assustador ver Chico Buarque declarando ‘vamos fazer uma nova junção da esquerda’. Esse cara come capim” (Crédito:Foto: Igo Estrela/Getty Images)

O sr. é chamado de roqueiro de extrema direita. Como se sente?

Me chamar de roqueiro é como chamar surfista de paneleiro. Uso o rock como concepção de música. A adjetivação “de Direita”, no Brasil, é contaminada. Mas, se ser de direita é lutar pela propriedade privada, pelo livre comércio, pela liberdade de expressão, então sou um cara de direita. O conceito de direita deve ser revisto. Quem conduz a recessão social, o ódio, a indulgência tem sido a esquerda.

Do que o sr. gosta?

Gosto de literatura portuguesa. Eça de Queiroz. Mas literatura brasileira…? Tento gostar de Machado de Assis desde que minha mãe me deu a coleção para escrever bem. Leio, mas odeio. A narrativa me irrita. Sensorialmente, quando leio Machado me sinto na antessala da delegacia do Catete. Não é nada aconchegante. Tenho sensação similar quando entro no Facebook. Acho chato Guimarães Rosa. E Graciliano Ramos, são três delegacias do Catete. É um purgatório intelectual. Na música, sou conservador e amo a música brasileira até os anos 50. Gosto do Roberto Carlos da Jovem Guarda, antes dele se tornar um motel ambulante, daqueles com cheiro de desinfetante sexual. Quando estava começando a ouvir Rolling Stones e Beatles, vejo um panaca de 20 anos cantando. Era Chico Buarque, que parecia ter pressão baixa: “Estava à toa na vida…” Pensei: que coisa reacionária. Minha mãe adorava. Ela não sabia distinguir a beleza dos olhos azuis de Chico da beleza dos olhos azuis de Médici. Chico era o noivinho da senhora de classe média. A Tropicália, por mais que fosse cínica e ambígua, era mais subversiva em sua linguagem. O Brasil não saiu da Semana de Arte Moderna de 1922. Ela é onipresente e onipotente até hoje. Lula é a coroação do Macunaíma. Lula é um herói sem nenhum caráter. A máxima que sintetiza a Semana de 22 é que nós nos nutrimos dos nossos piores defeitos.

Nesse contexto, como vê Sergio Moro?

Em virtude dessa condição macunaímica, Sérgio Moro é alçado a herói. Não tenho erudição jurídica para comentar a tecnicidade das questões da Lava Jato, me aparenta que estão bem respaldadas. É engraçado, o PT rouba 100 vezes mais do que o Paulo Maluf e as pessoas ficam com peninha? Moro é um exemplo para a conduta moral do brasileiro mudar 180 graus o rumo dessa malandragem. Ele deve se tornar um paladino dessa mudança. Aqui pega bem ser malandro e pagar propina para vaga de carro. Para a gente ser um país adulto, temos que começar por ai.

Como avalia o governo Temer?

O momento é saia justa para o Temer. Ele é de um partido de raposa que vem da coalizão com o PT e deve estar com mil problemas de rabo sujo. Ele nomeia um ministro e o ministro é réu no STF. Nomear um réu como Marx Beltrão não torna o governo simpático. O resultado das eleições municipais vão dar mais legitimidade a ele como presidente. Mas eu espero que Temer seja mais incisivo nas suas decisões e que tenha menos receio de ter que agradar a todos. Mas Temer quer privatizar, demitiu todo o poder de fogo da mídia do PT, blogs, isso foi sensacional.

Gisele Vitória – IstoÉ

Receita devassa patrimônio de políticos e aplica multas milionárias em Cunha e Dirceu

0

Dez políticos envolvidos na Lava Jato são autuados por apresentarem movimentações financeiras incompatíveis. Só o ex-deputado do PT André Vargas foi multado em R$ 4,2 milhões. Eduardo Cunha e José Dirceu integram a lista

 

Depois que surgiram as denúncias de que dezenas de parlamentares recebiam propina desviada dos cofres da Petrobras, o alerta vermelho da Receita Federal foi aceso. Primeiro, os auditores fizeram um pente-fino em casos específicos, a pedido do Ministério Público Federal. Em seguida, teve início uma grande investigação sobre o patrimônio dos políticos alvos da Operação Lava Jato, que continua a ser ampliada e aprofundada. ISTOÉ obteve dados inéditos da devassa em curso: de uma lista inicial com 44 investigados, a Receita já abriu autos de infração para multar dez políticos. O Instituto Lula, que teve a isenção tributária cancelada na quinta-feira 13 por desvio de finalidade, também integra esse rol. Sobre os políticos, em sete casos foi confirmada na primeira instância administrativa a aplicação de multa. Os parlamentares recorrem ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) para tentar anular a punição. Nos outros casos, o processo ainda está aberto para defesa em primeira instância.

O alvo pioneiro foi André Vargas, flagrado em relações pessoais e de negócios com o doleiro Alberto Youssef. Ao analisar o imposto de renda de Vargas, a Receita encontrou dados impressionantes: omissão de rendimentos milionários por meio de empresas de fachada e indícios de crime contra a ordem tributária. A gravidade se refletiu na punição: a Receita está cobrando R$ 4,2 milhões do ex-deputado. De acordo com o auto de infração obtido com exclusividade por ISTOÉ, duas empresas ligadas a Vargas, a Limiar e a LSI, receberam pagamentos de propina da agência de publicidade Borghi Lowe em troca da ajuda para obter contratos no governo. Para os auditores, os recursos recebidos pelas duas empresas, em um total de R$ 4,3 milhões entre 2010 e 2014, deveriam ter sido declarados por André Vargas e tributados como rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Também foi considerado como omissão de rendimentos um pagamento de R$ 1,5 milhão em espécie que teria sido feito pelo doleiro Alberto Youssef em 2014. “Diante da cristalina presença do elemento subjetivo do dolo, não restando dúvidas quanto à intenção do contribuinte em omitir rendimentos, empregando subterfúgios para ocultar a origem dos mesmos, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta e/ou redução do pagamento dos tributos devidos, foi aplicada à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício a multa de ofício qualificada de 150%”, diz o relatório do auto de infração. Vargas recorreu ao Carf e tenta anular ou diminuir a punição, sob argumento de que não há provas de ter omitido rendimentos.

A lista de políticos que já respondem a autos de infração inclui, além de Vargas, Aníbal Gomes (deputado federal pelo PMDB-CE), Arthur Lira (deputado federal pelo PP-AL), Dilceu Sperafico (deputado federal pelo PP-PR), Eduardo Cunha (deputado cassado, do PMDB-RJ), José Otávio Germano (deputado federal pelo PP-RS), Lázaro Botelho (deputado federal pelo PP-TO), Mário Negromonte (ex-ministro, à época pelo PP-BA), Roberto Britto (deputado federal pelo PP-BA) e José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil no governo Lula). Todos negam as acusações e tentam reverter a autuação da Receita.

O rigor do trabalho tem impressionado os investigados. Os auditores estão pedindo justificativas até mesmo para gastos em valores inferiores a R$ 1.000 e, principalmente, questionando a origem de depósitos em suas contas, mesmo quando são em valores baixos. Em geral, os auditores detectaram gastos incompatíveis com os rendimentos ou entrada de valores com origem desconhecida ou suspeita. Isso ocorreu, por exemplo, em operações de venda de gado sem documentos comprobatórios e depósitos em dinheiro sem origem identificada.

Os trabalhos tiveram como ponto de partida os relatos da Lava Jato e foram ampliados sob o ponto de vista contábil. Da lista dos procuradores, outro alvo foi Eduardo Cunha, quando ainda era deputado federal. A pedido de Janot, os auditores passaram a fazer uma devassa nas contas de Cunha, seus familiares e suas empresas. Pelo ano de 2010, Cunha já foi multado em cerca de R$ 100 mil, sob acusação de ter feito despesas de cerca de R$ 40 mil incompatíveis com seus rendimentos. Sua defesa recorreu ao Carf e tenta reverter a punição. “O auto de infração deixou de considerar receitas e créditos no fluxo de caixa mensal dele”, argumentou o advogado Leonardo Pimentel Bueno. Estão em andamento as investigações relativas aos demais anos. Um despacho enviado pela Receita Federal à Procuradoria-Geral da República aponta indícios relacionados a Cunha de “variação patrimonial a descoberto” (mais gastos sem amparo nos rendimentos) entre 2011 e 2014. Na última quinta-feira 13, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, aceitou a denúncia contra o peemedebista sob acusação de receber propina em contas na Suíça. O caso estava no Supremo Tribunal Federal, mas foi enviado a Curitiba depois que ele foi cassado, no mês passado.

Movimentação incompatível
Já as suspeitas contra Dirceu remontam ao início do ano passado, quando o juiz Sérgio Moro determinou a quebra de seus sigilos. Na mesma época, uma análise da Receita apontou movimentação financeira incompatível referente a 2012, quando o petista declarou ter pago R$ 400 mil na compra de uma casa, embora os recursos não tenham passado por sua conta bancária. Após aprofundar as investigações, a Receita decidiu abrir um auto de infração contra o ex-ministro.

O Instituto Lula chamou a atenção dos auditores pelo volume de recursos que movimentou. O processo aberto na Receita contra a entidade é de “suspensão de isenção e auto de infração”. Na última quinta-feira 13, a Receita oficializou a perda de isenção tributária do instituto, relativa ao ano de 2011. Agora, o processo vai se dedicar a avaliar a aplicação de multa, valor que ainda não está definido mas que deve ser superior a R$ 1 milhão. Foram detectadas despesas feitas pelo instituto que fogem das finalidades de uma entidade sem fins lucrativos e uma confusão dos interesses pessoais de Lula com o da instituição, segundo informações da Receita. Agora, os trabalhos se concentram na Delegacia Especial de Maiores Contribuintes de Belo Horizonte (Demac), com jurisdição para investigar os casos de pessoas físicas em todo o Brasil. Até o fim deste ano, os auditores preparam um novo pacote de autos de infração contra os políticos, com base no ano-calendário de 2011, que prescreveria em 31 de dezembro. O Leão, como a Receita é conhecida, ruge alto.


Aguirre Talento – IstoÉ

Lula se torna réu em mais uma ação penal. Juiz do DF aceitou denúncia integralmente

1

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em Brasília, aceitou integralmente nesta quinta-feira, 13, denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Taiguara Rodrigues dos Santos, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e mais oito pessoas. Com isso, os envolvidos se tornam réus e passam a responder a ação penal. Ao petista, são imputados os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

Esta é a terceira ação penal aberta contra Lula, em pouco mais de dois meses, envolvendo casos de corrupção. Na mesma vara em Brasília, o ex-presidente responde por suposta tentativa de obstruir a Operação Lava Jato. Em Curitiba, é réu por corrupção e lavagem de dinheiro em ação que aponta recebimento de R$ 3,7 milhões em vantagens indevidas da OAS, referentes ao esquema de corrupção na Petrobras. Os valores incluem a reforma de um tríplex no Guarujá e o pagamento de contêineres para o armazenamento de objetos.

Na decisão desta quinta-feira, o juiz justifica que a peça acusatória atende aos requisitos formais previstos no Código de Processo Penal, descrevendo “de forma clara as condutas típicas praticadas, atribuindo-as a acusado devidamente qualificado, com todas as circunstâncias que permitem o exercício da ampla defesa”.

“Me convenço da presença de todas as condições de procedibilidade para que seja aceita a ação penal pública incondicionada em face de todos os réus antes nominados. Essas considerações e outras específicas constantes da denúncia levam-me a crer que se trata de denúncia plenamente apta, não se incorrendo em qualquer vício ou hipótese que leve à rejeição, até por descrever de modo claro e objetivo os fatos imputados aos denunciados, individualmente considerados, em organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção”, escreveu Oliveira.

O magistrado fixou dez dias de prazo, a partir da citação, para que os agora réus apresentem defesa. A partir daí, o juiz passará a analisar não só os requisitos formais da denúncia, mas o mérito das acusações imputadas a Lula e aos demais implicados.
A Procuradoria da República em Brasília enviou a denúncia à Justiça na última segunda-feira, 10. Sustenta que, entre 2008 e 2015, Lula atuou junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros órgãos sediados em Brasília com o propósito de liberar financiamentos do banco público para obras de engenharia da Odebrecht em Angola. Em contrapartida, o ex-presidente teria recebido vantagens indiretas, na forma de repasses de recursos a seus parentes, e diretas, na forma de pagamentos à sua empresa de palestras.

Conforme a procuradoria, os acusados teriam obtido, de forma dissimulada, valores que, atualizados, passam de R$ 30 milhões. Uma empresa de Taiguara foi subcontratada pela empreiteira em Angola para receber parte dos recursos. No entanto, os serviços pactuados não teriam sido prestados.

No caso de Lula, a denúncia separa a atuação em duas fases: a primeira, entre 2008 e 2010, quando o petista ainda ocupava a Presidência da República e, na condição de agente público, teria praticado corrupção passiva; a segunda, entre 2011 e 2015, como ex-mandatário, momento em que teria cometido tráfico de influência internacional em benefício dos investigados.
A defesa do ex-presidente classifica a denúncia como genérica, frágil e superficial.

IstoÉ com Estadão Conteúdo