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Impeachment: A era Dilma se aproxima do fim

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VAI PARA CASA MAIS CEDO Ainda falta o último ato, mas Dilma já tem consciência de que não retornará ao poder (Crédito: Reuters/Ueslei Marcelino)

Derrota no Senado por 59 a 21 no penúltimo round do impeachment prenuncia o adeus da presidente afastada. Parte da mudança, inclusive uma de suas bicicletas, já foi levada para Porto Alegre e a petista até planeja um exílio por países latino-americanos depois do afastamento definitivo

ISTOÉ

COMO DIZ A LEI O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, comanda no Senado a sessão que derrotou Dilma por 59 a 21 (Crédito:ANDRESSA ANHOLETE/AFP PHOTO)

Nos cômodos cada vez mais silentes do Palácio da Alvorada, restam poucos objetos pessoais de Dilma Rousseff. Nas últimas semanas, a presidente afastada transportou a maioria de seus pertences para sua residência em Porto Alegre. Até uma das bicicletas com a qual se habituou a fazer exercícios matinais diários já foi despachada para o Sul – provavelmente sem volta. Nada mais emblemático. Embora publicamente se esmere para transparecer valentia, Dilma, no íntimo, não acredita mais numa reviravolta capaz de mantê-la no poder. A interlocutores, admitiu um périplo por oito meses a países da América do Sul, como Chile e Uruguai, na ressaca do impeachment. Na semana passada, o cronograma da saída de Dilma do Planalto andou mais uma casa. Na madrugada de quarta-feira 10 foi dado o penúltimo passo para o seu definitivo afastamento. Num prenúncio da votação derradeira em plenário, por 59 votos a 21, Dilma virou ré por crime de responsabilidade fiscal. Era necessário um mínimo de 54 votos. Em conversa na terça-feira 9 com senadores do PT, Lula também jogou a toalha: “Não há mais tempo para salvação (de Dilma). Agora é trabalhar o pós”, afirmou.

Dilma beira a porta dos fundos da história. A tendência é pela derrota ainda mais fragorosa na sessão final, marcada para começar no próximo dia 25. Não há mais indecisos e o número de senadores favoráveis ao “Fora, Dilma” pode chegar a 62. Num último e idílico esforço não para salvar o mandato, mas para tentar preservar sua já maculada biografia, a presidente afastada pretende sacar da cartola, nesta semana, uma Carta aos Brasileiros. Trata-se de um factóide. O novo documento, mais um a se somar à coleção de manobras diversionistas de Dilma, não seduz nem o PT, a quem coube fulminá-lo no nascedouro sem qualquer cerimônia. A decisão de suprimir o termo “golpe” do texto, tomada aos 45 minutos do segundo tempo, é inodora, insípida e indolor. Falta-lhe sobretudo credibilidade para gesto de tamanha relevância política. Um plebiscito no qual os brasileiros decidiriam por antecipar ou não as eleições presidenciais de 2018 jamais poderia ser convocado por alguém rejeitado pela maioria da população. Por isso mesmo, a ideia não prosperou nem seguirá adiante.

Para tomar emprestado um bordão esportivo em tempos de Olimpíada, Dilma irá para o chuveiro mais cedo, mas quem será asseado é o País. Candidamente, a petista entoa o mantra do “não sei de nada”, “não tenho culpa de nada”, “sou vitima da mídia e das elites” celebrizado por Luiz Inácio Lula da Silva. Mais um discurso destinado a alimentar com as sementes do engodo uma plateia de convertidos – hoje estourando 30% dos brasileiros. Apesar da tentativa de terceirizar a própria culpa e de criar uma narrativa épica, mas fictícia, a petista é um pote até aqui de malfeitos. Além das pedaladas – que não foram meras maquiagens fiscais, como quer fazer crer a tropa de choque petista, mas uma estratégia política para vender ao eleitor um Brasil irreal, com único objetivo de vencer a eleição, – Dilma é acusada de incorrer em outros crimes mais graves.

Atentado à justiça
Se, como disse o procurador da República Ivan Cláudio Marx, o ex-presidente Lula foi o “chefe de organização criminosa” para obstruir a Justiça, Dilma é no mínimo co-partícipe da trama. Em maio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que a presidente afastada fosse investigada por tentativa de atrapalhar as investigações da Lava Jato. Segundo delação do ex-senador Delcídio do Amaral, antecipada por ISTOÉ, a presidente Dilma o teria usado como emissário da proposta a um candidato a ministro do STJ para trocar a indicação pela concessão de habeas corpus pedido por empreiteiros presos em Curitiba. Tudo ocorreu como combinado. Os empresários só não foram soltos porque o relatório produzido pelo ministro nomeado Marcelo Navarro foi derrubado pelos seus pares. A petista ainda corre o risco ser indiciada pela Procuradoria-Geral da República, se não por esta denúncia, mas pela nomeação desastrada de Lula para a Casa Civil, a fim de mantê-lo distante da jurisdição de Moro, concedendo-lhe foro privilegiado. Não bastassem as investidas contra o livre trabalho do Judiciário, que configuram crime de responsabilidade passível de perda de mandato tipificado no inciso 5 do Artigo 6º da Lei 1.079, as recentes propostas de delações premiadas de executivos de empreiteiras implicadas no Petrolão deixam claro que Dilma não só sabia como operou pessoalmente na arrecadação ilegal de sua campanha em 2014. Aos procuradores da Lava Jato, segundo reportagem de ISTOÉ, Marcelo Odebrecht afirmou que a mandatária exigiu R$ 12 milhões para a campanha durante encontro privado. O dinheiro seria fruto de propina desviada da Petrobras. “É para pagar”, teria ordenado ela, de acordo com a proposta de delação do empresário. Parte do recurso seria utilizada para pagar o marqueteiro João Santana. Solto na semana passada, Santana também confirmou em delação a participação direta de Dilma no manejo de recursos irregulares destinados a irrigar os cofres de sua campanha à reeleição.

Legado de Dilma: um país em crise

Crédito: ANDRESSA ANHOLETE/AFP PHOTO; DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE; Marcos Oliveira/Agência Senado)

Para completar o cenário nada edificante para quem jura inocência, a herança de Dilma é de amargar. De chorar lágrimas de esguicho. No “golpe” sem armas e tanques, alardeado pelo PT e congêneres, a vítima foi o povo. Dilma herdou de seu antecessor um País que crescia 7,5%, com baixa taxa de desemprego, inflação controlada e investidores animados. Em meio ao repique da crise e a queda nos preços das commodities, decidiu abandonar a política econômica adotada até então para implantar sua “nova matriz econômica”, baseada em crédito abundante, política fiscal frouxa e juros baixos. No vale-tudo para se reeleger, tomou decisões temerárias como segurar preços administrados e abandonar o equilíbrio fiscal. “O governo agiu como alguém que sonhou que iria ganhar na mega-sena e saiu por aí gastando o que não tem”, diz Carlos Pereira, cientista político da FGV-Rio. Com a volta da inflação, a comida sumiu do prato de muitos brasileiros. O poder de compra foi corroído. O projeto de inclusão, ancorado no consumo e traduzido pela ascensão social de milhões de pessoas, ruiu como um castelo de cartas. O aumento do desemprego e a queda nos rendimentos fizeram com que quase 4 milhões voltassem às classes D e E, de acordo com recente levantamento realizado com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios e da Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor elétrico, tido como especialidade da gerentona, entrou em colapso. O investment grade virou pó e a corrupção, já institucionalizada, se retroalimentou da tragédia político-econômica e administrativa.

Na sessão do Senado que praticamente selou o destino de Dilma, os próprios aliados da presidente afastada baixaram as armas. Enquanto uns estavam mais preocupados em checar no celular os últimos resultados da Olimpíada, integrantes da comissão de frente em defesa da petista, como a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), demonstravam resignação ante a derrota iminente. “Nós que defendemos a presidenta Dilma temos consciência. Achamos até que ela não tem condições mais de governabilidade. E não seríamos nós senadoras e senadores irresponsáveis de apenas defender a volta dela para ampliar uma crise que não é só política, mas econômica também”, disse momentos antes do início da votação.

AJUSTE NECESSÁRIO Prestes a assumir definitivamente, Temer promete acelerar medidas para disciplinar as contas públicas (Crédito:Ueslei Marcelino/REUTERS)

Não raro alinhado às teses petistas, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, atuou como manda o figurino. Exercendo papel de magistrado, limitou-se a cumprir as regras estabelecidas. Com elegância, chegou a suspender o áudio de Gleisi Hoffmann: “Senhora senadora, eu tenho que ser muito rígido com o tempo. Peço escusas à Vossa Excelência”, disse. Repetiu a dose ante os excessos de Grazziotin e Kátia Abreu (PMDB-TO). Esta última também teve o microfone cortado. Tranqüilo e sereno, o presidente do Supremo adentrou ao plenário do Senado às 9h05. “O Senado está aqui para exercer uma de suas mais graves atribuições que a Constituição lhe acomete”, sapecou. Logo na abertura dos trabalhos, Lewandowski solicitou aos senadores que só pedissem a palavra para se pronunciar sobre questões processuais. “Tendo em conta a previsão de que esta sessão poderá tornar-se um tanto quanto longa, eu peço vênia, desde logo, para ser muito rigoroso na contagem dos prazos”. Antes do início da sessão, o presidente do STF rejeitou as questões de ordem que pediam a suspensão do processo de impeachment de Dilma. Num dos recursos sem qualquer cabimento, aliados da presidente afastada pediam para que fossem aguardados os resultados de delações premiadas. Houve ainda um pedido de suspeição do relator Antonio Anastasia, pelo fato de ele ser do PSDB, assim como um dos autores da denúncia, o advogado e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior “Indefiro as questões de ordem 1 e 2 por tratarem de fatos estranhos ao presente processo. Não é possível suspender o feito com fundamento nestes argumentos”, afirmou. Ao fim, o placar de 59 a 21, e a comemoração. “Ganhamos todos com esse julgamento. Ganha o País, que tem a chance de ver resgatadas as condições políticas para dar seguimento à estabilidade econômica”, disse a senadora Lúcia Vânia (PSB-GO).

Ao tirar Dilma da frente, o Brasil começa uma nova etapa. A saída definitiva da petista fará com que o presidente em exercício Michel Temer atue com mais desprendimento para colocar em marcha as reformas necessárias ao País. Num primeiro momento, como antecipou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o governo deverá dedicar-se à implementação de medidas destinadas a disciplinar as contas públicas, fundamentais para a retomada dos investimentos e da confiança dos investidores. Há uma pauta de modernização da economia, já iniciada, com a revisão das metas fiscais para este e para o próximo ano e com a proposta de um teto para o aumento do gasto público, que poderá deslanchar a partir do impeachment. É imperativo que o Congresso a aprove. Mesmo as iniciativas mais impopulares, como alterações nas leis trabalhistas e previdenciárias. Só assim, o País poderá sair da ruína econômica legada pela desastrosa gestão petista.
O destino cumpre um roteiro nem de perto imaginado por Dilma quando tomou posse ainda para o seu primeiro mandato em 1° de janeiro de 2011. Resignada, nos dias derradeiros, Dilma acalentou um último desejo: o de não sair do Palácio do Planalto pelos fundos, como Fernando Collor, em 1992, cercado por um pequeno séquito de assessores. A cena pode até não se repetir. Na prática, porém, para a maioria dos brasileiros, o efeito é o mesmo: Dilma não deixará saudades. A partir de setembro, será apenas mais um quadro pendurado na galeria de ex-presidentes.

Moro determina que Bumlai volte à prisão

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O juiz federal Sérgio Moro determinou que o pecuarista José Carlos Bumlai volte à prisão. Em março deste ano, após ser diagnosticado com câncer na bexiga, o pecuarista ganhou o direito a recolhimento domiciliar para fazer tratamento. Ele deverá se apresentar à Polícia Federal de Curitiba no próximo dia 23.

Segundo o despacho de Moro, Bumlai obteve permissão para cumprir a prisão preventiva (quando não há prazo determinado para terminar) em regime domiciliar por questões de saúde.  Inicialmente o juiz determinou que ele ficasse nesse regime por 3 meses, mas o período foi prorrogado depois que o pecuarista precisou ser submetido a uma cirurgia cardíaca. O novo prazo concedido por Moro tem fim este mês e a defesa pediu mais uma vez a prorrogação do período, o que foi negado pelo juiz.

“No momento, após cinco meses de prisão domiciliar, a situação de saúde do acusado mostra-se estabilizada”, diz Moro, no despacho registrado na noite de ontem (10) no sistema da Justiça Federal do Paraná. O juiz diz ainda que a necessidade de realizar exames periódicos para o controle do tumor e da reabilitação cardíaca não justificam a prisão domiciliar.

“Esses exames e a reabilitação cardíaca, além do próprio recebimento de medicamentos para controle desses males, podem ser feitos, sem qualquer dificuldade, em Curitiba, no próprio Complexo Médico Penal, no qual o acusado estava previamente recolhido, ou eventualmente, se necessário, por saídas periódicas para hospitais privados em Curitiba”, diz a decisão.

Para o juiz, o pecuarista não se enquadra nas hipóteses previstas em lei para que a prisão siga sendo cumprida em regime domiciliar e determinou que o Bumlai retorne à prisão. “Deverá se apresentar à Polícia Federal em Curitiba no dia 23/08/2016”, determinou Moro.

No despacho, o juiz lembra que o pecuarista teve prisão preventiva decretada em novembro do ano passado e que foi acusado, em uma das ações penais da Operação Lava Jato, de crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e crimes financeiros. Na decisão, o juiz registra ainda que outros ilícitos relacionados ao empresário ainda estão sendo investigados.

Bumlai foi preso na Operação Passe Livre, 21ª fase da Operação Lava Jato. A prisão ocorreu no mesmo dia em que o pecuarista iria depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES, na Câmara dos Deputados, que investiga operações envolvendo o banco estatal.

ISTOÉ com Agência Brasil

Aécio Neves: TSE pede investigação em contas de campanha

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O senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014 (VEJA.com/VEJA/VEJA)

Ministra Maria Thereza de Assis Moura acatou pedido do PT, que apontou supostas irregularidades na campanha presidencial de 2014
A ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta quarta-feira que seja feita uma apuração na prestação de contas de campanha do senador Aécio Neves, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014. As contas do candidato ainda não foram julgadas porque a Justiça Eleitoral prioriza as prestações dos eleitos.

A medida foi motivada após supostas irregularidades terem sido apontadas pelo PT. De acordo com o partido, a campanha contratou empresas que não tinham capacidade para prestar os serviços. Além disso, segundo o PT, houve “alto volume” de transações bancárias e há indícios de que algumas empresas são de “fachada”, por não terem sido apresentados ao TSE os contratos de prestação de serviços. As mesmas irregularidades estão sendo investigadas com relação à campanha da presidente afastada Dilma Rousseff em 2014, também no TSE.

Em seu despacho, a ministra destacou a necessidade de “garantir a paridade de tratamento” nos processos de prestação de contas apresentados na campanha presidencial. “Entendo ser salutar a apuração efetiva de denúncia de fatos graves eventualmente trazidos para a prestação de contas, não só pelo reflexo que podem trazer no julgamento da própria prestação”, escreveu a ministra. Ela determinou que a assessoria técnica do TSE verifique informações sobre nove empresas, com auxílio da Receita Federal e do Tribunal de Contas da União.

A intenção com o procedimento é checar quantos empregados nove empresas identificadas como possíveis irregularidades possuíam em 2014, ano da eleição, e quais prestadoras de serviços foram constituídas no próprio ano do pleito. O procedimento serve para verificar a existência de possíveis empresas de fachada.

A ministra destaca ainda que a assessoria técnica do Tribunal usa o mecanismo da amostragem para apurações sobre prestação de serviços. Mas ela destacou que, diante das denúncias, é preciso ampliar a análise para “esclarecer todas as supostas irregularidades apontadas nos autos”. A coligação que elegeu Dilma impugnou as contas apresentadas por Aécio logo após a disputa eleitoral. Após análise dos técnicos e registro de ocorrências a serem esclarecidas, o tucano apresentou retificações nas prestações de contas.

Em outubro, o PT alegou ao TSE que há “notícia de irregularidades graves” nas contas do tucano que necessitavam de uma análise aprofundada e questionou as retificadores apresentadas. Os advogados do PT listaram irregularidades nas contas, como depósito irregular na conta do comitê financeiro do PSDB. Em abril, o PT voltou à Justiça eleitoral e apontou nove empresas fornecedoras de serviço para a campanha de Aécio que não teriam capacidade de prestar serviços para a campanha. A sigla pediu que as informações sobre as respectivas empresas fossem encaminhadas aos mesmos órgãos de investigação para os quais o ministro Gilmar Mendes despachou trechos das contas de Dilma para apuração.

Nesta terça-feira, a ministra Maria Thereza de Assis Moura pediu ao presidente da Corte, Gilmar Mendes, que sejam abertas investigações contra o PMDB e o PP com base nas apurações em andamento no âmbito da Operação Lava Jato. Na semana passada, Gilmar solicitou apuração semelhante sobre uso de verbas públicas da Petrobras, mas com relação ao PT. Se a investigação concluir que houve uso de financiamento vedado pela legislação eleitoral, o resultado pode ser a extinção das siglas.
VEJA.COM, com Estadão Conteúdo e Agência Brasil

Brasil desencanta, goleia Dinamarca e pega a Colômbia nas quartas do futebol

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Jogadores do Brasil comemoram o gol marcado por Gabriel Jesus sobre a Dinamarca (Fernando Donasci/Reuters)

A seleção brasileira finalmente estreou de fato nos Jogos Olímpicos do Rio, nesta quarta-feira, na Arena Fonte Nova, em Salvador. Jogou excelente partida, encontrou o caminho do gol após dois empates por 0 a 0, goleou a Dinamarca por 4 a 0 e se garantiu nas quartas de final. Passou no primeiro lugar do Grupo A e neste sábado enfrenta a Colômbia, segunda colocada do Grupo B, às 22 horas, no estádio Itaquerão, em São Paulo, por uma vaga na semifinal.

Neymar, criticado nas partidas anteriores pelo individualismo e mau futebol, desta vez merece destaque especial. Foi um jogador diferente. Fez muito do que dele se espera. Movimentou-se bastante, passou boa parte da primeira etapa como atacante mais adiantado, voltou para iniciar jogadas, tentou tabelas e deu passe. Deixou o individualismo em segundo plano. Mostrou-se solidário e jogou para o time.

Renato Augusto também teve a sua noite de redenção. Muito vaiado nas partidas disputadas em Brasília, desta vez foi aplaudido com entusiasmo ao ser substituto. Mereceu, pois fez grande partida. O técnico Rogério Micale surpreendeu ao escalar Luan no lugar de Felipe Anderson e manter Gabriel Jesus no time. Mas o que esperava ser o esquema 4-2-4, com quatro atacantes, na realidade continuou no 4-3-3. Isso porque Luan se preocupava em ocupar o espaço na meia e até Neymar fazia isso.

Gabriel Jesus retribuiu a confiança de Micale fazendo um excelente primeiro tempo. Jogou bastante pelo lado esquerdo, atacou e ajudou a defesa, quando possível. Faltava fazer o gol. No meio de campo, Renato Augusto enfim atuava bem, comandando o setor. E a defesa estava segura, mesmo diante de jogadores altos e fortes. Para isso, contribuiu a boa atuação de Walace, que substituiu o suspenso Thiago Maia e deu excelente proteção à defesa.

O Brasil era um time solidário. Não era fácil, porém, ultrapassar a forte e bem postada defesa dinamarquesa. Apesar da melhora na qualidade do passe e da objetividade, as chances eram poucas. A primeira foi em uma cobrança de falta, que Rodrigo Caio não conseguiu completar para o gol. Depois, Gabriel Jesus errou o alvo na frente do grandalhão (1,95 metros) Hojberg.

Havia domínio, mas faltava o gol. Demorou, mas saiu. Aos 25 minutos, em uma jogada com participação de Neymar, Douglas Santos cruzou e Gabriel Barbosa, por trás dos zagueiros, bateu no contrapé do goleiro. A vantagem trouxe alívio e confiança. Mas o time continuou concentrado. Gabriel Jesus ainda perderia grande chance, num contra-ataque em velocidade (um dos méritos nesta quarta-feira) com a participação do outro Gabriel, de Luan e belo corta-luz de Neymar.

Mas o garoto acabaria desencantando aos 39 minutos. Cruzamento de Luan da direita e ele emendou para as redes. Gol, explosão e choro. E alegria dos companheiros. Gabriel Jesus foi abraçado por todos os jogadores e por Micale, que comemorou seu gol como se fosse a conquista da medalha. Com dedicação, espírito coletivo, solidário e um bom futebol, o Brasil conquistou a torcida e saiu aplaudidíssimo do primeiro tempo.

A vantagem parcial fez o time se soltar de vez. No segundo tempo, o domínio brasileiro foi ainda maior. E a seriedade continuou. O terceiro gol não tardou a acontecer. Apenas quatro minutos, em uma jogada que teve belo passe em profundidade de Neymar, cruzamento certeiro de Douglas Santos e toque sutil de Luan – que, diga-se, fez ótima partida.

Pode-se dizer que a etapa final foi um massacre, tantas foram as oportunidades criadas. E perdidas, é verdade. Mas nesta quarta-feira não fazia falta. Neymar deu um susto aos 26 minutos ao, depois de lançar uma bola, pisar no pé de um adversário e torcer o tornozelo. Atendido, voltou a campo normalmente.

Ainda tinha tempo para mais um gol. E Gabriel marcou de novo, aos 34 minutos, levando o Brasil à goleada e à esperança de que o time pode evoluir bastante e se habilitar de fato a lutar pela inédita medalha de ouro.

QUARTAS DE FINAL – Mesmo com a goleada sofrida, a Dinamarca conseguiu a classificação como a segunda colocada do Grupo A, com quatro pontos. Isso graças ao empate por 1 a 1 entre Iraque e África do Sul, no Itaquerão. Assim os iraquianos ficaram com três pontos e os sul-africanos, com dois.

A fase de quartas de final será toda jogada neste sábado. Às 13 horas, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, o clássico europeu entre Portugal e Alemanha. Quem passar deste confronto encara o vencedor de Nigéria e Dinamarca, que duelam às 16 horas em Salvador.

No outro lado da chave, o ganhador de Brasil e Colômbia jogará na semifinal contra quem passar de Coreia do Sul e Honduras, que jogam às 19 horas, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

FICHA TÉCNICA
DINAMARCA 0 x 4 BRASIL
DINAMARCA – Hojbjerg; Puggaard (Kasper Larsen), Gregor, Edi Gomes e Mathiasen; Borsting (Nielsen), Maxso, Jonsson e Vibe; Larsen e Brock-Madsen (Skov). Técnico: Niels Frederiksen.
BRASIL – Weverton; Zeca (William), Rodrigo Caio, Marquinhos (Luan Garcia) e Douglas Santos; Walace, Renato Augusto (Rodrigo Dourado) e Luan; Gabriel Barbosa, Gabriel Jesus e Neymar. Técnico: Rogério Micale.
GOLS – Gabriel Barbosa, aos 25, e Gabriel Jesus, aos 39 minutos do primeiro tempo; Luan, aos 4, e Gabriel Barbosa, aos 35 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Maxso (Dinamarca); Gabriel Jesus (Brasil).

Do R7 com Estadão conteúdo

Senado dá penúltimo passo para encerrar mandato de Dilma

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Dilma Rousseff: perspectiva sombria para resultado na votação final (Tomas Munita/The New York Times)

Por 59 a 21 Senado torna Dilma ré no impeachment
Votação na Casa determinou que a presidente afastada vá a julgamento por crime de responsabilidade. Se condenada, será afastada definitivamente

Por Carolina Farina – Veja.com

O plenário do Senado deu na madrugada desta quarta-feira mais um passo para sepultar o mandato de Dilma Rousseff – e pôr fim definitivamente à era PT no comando do país. À 1h25, o painel eletrônico da Casa anunciou: a presidente afastada tornou-se ré e será julgada por crime de responsabilidade. Fora do Planalto desde 12 de maio, Dilma terá o mandato definitivamente interrompido se condenada – e ficará inelegível por oito anos. Para tanto, são necessários dois terços dos votos do plenário do Senado, ou seja 54 dos 81 parlamentares. Os 59 votos que autorizaram o julgamento indicam, portanto, que a presidente afastada será derrotada também no último passo do processo. A derradeira fase do impeachment deve ter início no final deste mês.  É difícil encontrar em Brasília, mesmo dentro do PT, alguém que acredite na volta de Dilma ao Palácio do Planalto.

O resultado da chamada fase de pronúncia foi anunciado após 15 horas e meia de sessão – em que apoiadores da presidente afastada lançaram mão de artifícios para retardar ainda mais os trabalhos. Já sabiam que a derrota de Dilma era certa. Abusaram, como de praxe da falsa argumentação de que a presidente afastada foi vítima de um ‘golpe’. Diante da possibilidade de manobras protelatórias e do discurso a que cada um dos 81 senadores tem direito, a previsão inicial era de que a sessão desta terça se arrastasse por 30 horas. Mas integrantes da base do governo Temer tomaram medidas para acelerar os trabalhos. No PSDB, apenas o presidente da sigla, senador Aécio Neves (MG), discursou. Seguindo o exemplo da legenda, oito parlamentares retiraram o nome da lista de inscritos para discursar.

A sessão – A retirada foi articulada pelo líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), que também abriu mão de falar. Além dele, os senadores Wilder Moraes (DEM-GO), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Ciro Nogueira (PP-PI), Romero Jucá (PMDB-RR), Raimundo Lira (PMDB-PB), José Maranhão (PMDB-MA) e Zezé Perrela (PTB-MG) abdicaram do direito de discursar. Já o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) aceitou reduzir seu tempo de fala de 10 para 5 minutos. Eunício afirmou que o objetivo é evitar que o julgamento de Dilma seja concluído somente em setembro. “Estamos ganhando tempo para não postergarmos isso para o mês que vem.”
As primeiras horas da sessão foram gastas na discussão de questões de ordem. Todos os pedidos foram negados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que presidiu os trabalhos. Membros da nova oposição apresentaram oito questionamentos. Dois deles, de autoria de Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), pediam a suspensão da sessão para que se aguardem os desdobramentos da Operação Lava Jato com base nas delações de executivos da Odebrecht. “São questões estranhas ao objeto da presente sessão. Aqui se trata especificamente de analisar a pronúncia da presidente afastada”, disse Lewandowski.

Aliados de Dilma também pediram a suspeição do relator do impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). E que fossem retirados do relatório os dados sobre o Plano Safra. Houve ainda questionamentos para que a sessão fosse suspensa até a votação das contas do governo de 2015 pelo Tribunal de Contas da União e pelo Congresso. Lewandowski insistiu que questões de ordem só podem ser usadas para esclarecimentos sobre o rito, e não para mudanças que podem alterar o processo. “Não caberia ao presidente do STF de forma monocrática dizer o que deve ou não ser”, afirmou.

Após quase quinze horas de discursos, incluindo meia hora para a acusação e outra meia hora para a defesa da presidente afastada, e antes da votação do mérito do parecer de Anastasia, os questionamentos preliminares da defesa foram votados em destaques.

As reclamações a respeito da pendência do julgamento nas contas da gestão petista e a suspeição de Anastasia foram unificadas em um único debate. Os senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-PR), dois contrários e dois favoráveis à aprovação das preliminares, se revezaram em encaminhamentos de cinco minutos. Depois das explanações sobre os questionamentos da defesa, os senadores decidiram por 59 votos a 21 rejeitá-las e manter o texto do tucano.

Em seguida, Humberto Costa, Cássio Cunha Lima, Jorge Vianna (PT-AC) e Simone Tebet (PMDB-MS) se intercalaram em manifestações contrárias e favoráveis ao parecer de Anastasia. Por fim, o plenário do Senado decidiu favoravelmente ao texto do mineiro também por 59 votos favoráveis e 21 contrários  e tornou Dilma Rousseff ré por crimes de responsabilidade. O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), não votou.

Mais três votações – Depois da decisão pela continuidade do processo de impeachment contra a petista ao julgamento final, outros três destaques, que poderiam alterar a acusação contra Dilma, foram votados separadamente. As votações duraram cerca de uma hora.

O plenário do Senado apreciou, nesta ordem, os pedidos da defesa para que fossem excluídos do processo as pedaladas fiscais via Plano Safra, o decreto de 29,9 bilhões de reais assinado pela presidente afastada em junho de 2015 e o decreto de 600 milhões de reais baixado pela petista em agosto do ano passado.

Nas duas primeiras votações em separado, os senadores rejeitaram por 58 votos a 22 os questionamentos da defesa e de aliados de Dilma Rousseff. Na terceira e última, o placar foi de 59 votos a 21 pela rejeição dos pedidos. Deste modo, o texto do parecer de Antonio Anastasia foi mantido integralmente.

Dilma x PT – Apesar da grita no Senado, o Partido dos Trabalhadores já pensa no pós-Dilma – sobretudo de olho nas eleições municipais de outubro. A sempre conturbada relação da petista com o próprio partido torna-se cada vez mais fria. Na semana passada a presidente afastada defendeu uma “transformação” do PT em função das denúncias de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato e de seu próprio afastamento da Presidência. Também sugeriu que o uso de dinheiro sujo em sua campanha era um problema da sigla, não dela. Em resposta. o presidente nacional do partido, Rui Falcão, afirmou que não vê “nenhuma viabilidade” na proposta de consultar a população para a realização de novas eleições. A ideia vem sendo estudada por Dilma, que estaria preparando uma carta para defendê-la publicamente. A carta seria enviada aos senadores na tentativa de angariar votos por sua permanência. Como informa a coluna Radar, senadores que estiveram com a petista afirmam que ela está “fora da realidade” – e age como se ainda fosse possível alterar seu destino.

A nova derrota de Dilma se dá na esteira da revelação, por VEJA, de que o marqueteiro João Santana entregou ao Ministério Público na negociação de sua delação premiada um cardápio destruidor para Dilma. A principal revelação que Santana e a sua mulher, Mônica Moura, se dispuseram a comprovar é que a presidente afastada autorizou ela mesma as operações de caixa dois de sua campanha. Ou seja: não se trata de dizer que Dilma sabia do que acontecia nos bastidores clandestinos de suas finanças eleitorais, mas sim que ela própria comandava o jogo.

Votação final – Atendendo a apelos do Planalto, Renan Calheiros quer dar início à etapa final do julgamento em 25 de agosto. Mas Lewandowski só pretende fazê-lo no dia 29, o que empurraria o afastamento definitivo de Dilma para setembro. Ele também já disse ao presidente da Comissão do Impeachment, Raimundo Lira (PMDB-PB), que não pretende marcar sessões no fim de semana. O Planalto pressiona pela celeridade porque Temer quer viajar para a reunião do G20 na China. no início de setembro, já como presidente da República.

A pressa do interino também atende pelo nome de Lava Jato: reportagem de VEJA desta semana revela que diretores da Odebrecht estariam dispostos a apresentar à força-tarefa documentos que comprovariam que a empreiteira entregou 10 milhões de reais em dinheiro vivo ao PMDB para a campanha de 2014. A verba teria sido pedida a Marcelo Odebrecht, então na presidência do grupo, em jantar no Palácio do Jaburu, na presença de Michel Temer e Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil.

No domingo, o jornal Folha de S. Pauloinformou que diretores da Odebrecht também relataram que a campanha de José Serra (PSDB), hoje ministro das Relações Exteriores, à Presidência em 2010 recebeu 23 milhões de reais da empreiteira pelo caixa dois — parte do dinheiro teria sido depositada no exterior. Em dois meses de interinidade, Temer conseguiu plantar um clima de estabilidade na política e na economia que favorece sua permanência no poder. Mas a crise é profunda e a Operação Lava Jato, irrefreável – não importa quem ocupe o terceiro andar do Palácio do Planalto.

21º Troféu Câmara Legislativa

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CLDF divulga filmes selecionados para a Mostra Brasília
A presidente da Câmara Legislativa do DF (CLDF), deputada Celina Leão, divulgou, nesta segunda-feira (8), os 12 filmes selecionados para a Mostra Brasília que irão concorrer ao 21º Troféu Câmara Legislativa – Edição 2016, entre os 57 inscritos. “É uma honra para nós dar continuidade a esse projeto”, comentou a parlamentar destacando as novidades. “Fizemos diferente do ano passado. Já anunciamos os vídeos e os filmes da Mostra Brasília que também serão exibidos aqui, na Câmara. Muitas vezes a estrutura do Cine Brasília não comporta o número de pessoas que quer assistir a mostra. Vamos abrir espaço para escolas e à população que quiser conhecer os selecionados e manifestar sua opinião sobre as obras”, explicou Celina.
A Mostra Brasília faz parte do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que será realizado de 20 a 27 de setembro, no Cine Brasília. A exibição paralela na CLDF será nos dias 26 e 27 de setembro, com sessões às 10h, 14h e 16h. A solenidade de premiação será no dia 27 de setembro, no Cine Brasília.
A novidade desta edição é que a CLDF dobrou a premiação para Melhor Direção de R$ 6 mil para R$ 12 mil. Este ano, o Troféu Câmara comemora 20 anos. Nesse período 80 filmes já foram premiados e mais de R$ 2 milhões destinados aos filmes de Brasília pelo Troféu Câmara.

Em razão destas duas décadas, a Câmara Legislativa vai realizar sessão solene em homenagem aos cineastas de Brasília e fazer uma Mostra Retrospectiva com os filmes premiados ao longo desses anos, com sessões até dezembro de 2016 para divulgar o cinema candango aos moradores e, especialmente, aos estudantes do DF. “Vamos agendar escolas e convidar cineastas para apresentar os filmes”, destacou Celina.

A comissão de seleção foi formada por Fernando Adolfo, produtor cultural, coordenador de várias edições do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e responsável por várias programações do Cine Brasília por mais de 20 anos; Liane Muhlenberg, jornalista, produtora de cinema, teatro, dança, circo e gestora de projetos culturais; Lucas Rafael, membro do Colegiado Setorial de Arte e Tecnologia do DF, cineasta, produtor de programas de TV, curtas e oficinas de audiovisual em escolas públicas; Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro (Bita Carneiro), historiadora, pesquisadora, fotógrafa, professora titular da Universidade Federal de Uberlândia, responsável pela programação do Cine Brasília e membro da equipe de produção do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro por vários anos; Ulisses de Freitas, jornalista especialista em cinema, crítico, curador e divulgador de mostras e festivais de cinema e membro de várias comissões.

De acordo com a presidente da Casa é grande a importância dos filmes que vão integrar a Mostra Brasília, no sentido de incentivar a cultura local. “Queremos prestigiar os artistas locais. Querendo ou não, os produtores locais muitas vezes trabalham sem ajuda alguma, sem suporte, sem orientação. Conseguem fazer cultura do nada. Numa situação como essa, vem o Poder Legislativo e dá suporte e aporte financeiro, daí eles conseguem colocar seus trabalhos numa vitrine, para serem vistos, lembrados e reconhecidos. É uma oportunidade para eles”, avalia.

Segundo Celina, essa oportunidade que a mostra dá atende não só aos cineastas locais, como ao público. “Temos uma cidade criativa, trazendo o que há de melhor e oportunizar. Tenho documentários que são qualitativos de informação. Será muito bom trazer cultura para dentro da CLDF, discutir e prestigiar o que sai de bom da arte do DF”, sublinha Celina Leão.

Confira os filmes selecionados para a Mostra Brasília do 21º Troféu Câmara Legislativa

Filmes de Longa Metragem

1 – Era Dos Gigantes, de Maurício Costa, 122min, documentário, livre, 2016

2 – A repartição do tempo, de Santiago Dellape, 100min, ficção, 14 anos, 2016

3 – Catadores de história, de Tania Quaresma, 75min, documentário, livre, 2016

4 – Cícero Dias, o compadre de Picasso, de Vladimir Carvalho, 79min, documentário, livre, 2016

5 – Cora Coralina – todas as vidas, de Renato Barbieri, 74min, documentário, livre, 2015

6 – Estrutural, de Webson Dias, 80min, documentário, 14 anos, 2016

Filmes de Curta Metragem

1 – A festa dos encantados, de Masaroni Ohashy, 15min, animação, livre, 2016

2 – Das raízes às pontas, de Flora Egécia, 20min, documentário, livre, 2015

3 – Juraçu, do Coletivo Brôa-de- Milho, 12min, documentário/ficção, 14 anos, 2016

4 – O luto, de João Gabriel Caffarelli e Saulo Santos, 2min, ficção, livre, 2015

5 – Rosinha, de Gui Campos, 14min, ficção, 14 anos, 2016

6 – Vesti la Giubba, de Johil Carvalho, 14min, ficção, 12 anos, 2016

Prêmios do Júri Oficial

a) melhor longa-metragem: R$80.000,00 (oitenta mil reais);

b) melhor curta-metragem: R$30.000,00 (trinta mil reais);

c) melhor direção: R$12.000,00 (doze mil reais);

d) melhor ator: R$6.000,00 (seis mil reais);

e) melhor atriz: R$6.000,00 (seis mil reais);

f) melhor roteiro: R$6.000,00 (seis mil reais);

g) melhor fotografia: R$6.000,00 (seis mil reais);

h) melhor montagem: R$6.000,00 (seis mil reais);

i) melhor direção de arte: R$6.000,00 (seis mil reais);

j) melhor edição de som: R$6.000,00 (seis mil reais);

k) melhor trilha sonora: R$6.000,00 (seis mil reais);

Prêmios do Júri Popular:

a) melhor longa-metragem: R$20.000,00 (vinte mil reais);

b) melhor curta-metragem: R$10.000,00 (dez mil reais).

Premiação adicional:

Prêmios adicionais concedidos pela CiaRio Brasília – Centro de Infraestrutura Audiovisual

– Prêmio CiaRio ao Melhor Longa-Metragem (escolhido pelo Júri Oficial): R$16 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da empresa Moviecenter.

– Prêmio CiaRio ao melhor Curta-Metragem (escolhido pelo Júri Oficial): R$ 8 mil em locação de equipamentos de Iluminação, acessórios e maquinaria da empresa Naymar.

Impeachment: Senado analisa hoje o processo de Dilma

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Senado: Fase de pronúncia decidirá se Dilma vai a julgamento final
Roberto Stuckert Filho/26.05.2016/PR

Sessão deve durar 30 horas; parecer precisa de maioria simples para abrir fase de julgamento

Do R7, com Agência Brasil

O plenário do Senado começa a analisar nesta terça-feira (9) o parecer aprovado pela comissão especial de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff. Após os discursos dos senadores em sessão prevista para 30 horas, haverá uma votação que encerra a chamada fase de pronúncia — a segunda de todo o .

Se a maioria simples dos senadores aceitarem o relatório, Dilma vai a julgamento por crime de responsabilidade no caso das “pedaladas fiscais”. As regras foram definidas entre senadores e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Ricardo Lewandowski, que vai presidir a sessão.

É necessária a presença de pelo menos 41 senadores em plenário para que aconteça a votação. A sessão vai começar às 9h e, a cada quatro horas, haverá intervalo de uma hora. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), abrirá a sessão e passará o comando a Lewandowski.

No primeiro momento, o ministro responderá às questões de ordem que deverão ser apresentadas em até 5 minutos apenas por senadores. Os parlamentares contrários à questão de ordem também terão cinco minutos para se manifestar. Feito isso, Lewandowski decidirá sobre as demandas apresentadas, sem possibilidade de contestação dos senadores.

O passo seguinte é a leitura de um resumo do parecer elaborado pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), o mesmo aprovado na Comissão Especial do Impeachment na última quinta-feira (4). Ele terá 30 minutos para isso.

Em seguida, cada um dos 81 senadores poderá, em até dez minutos, discutir o relatório. A ordem será definida de acordo com a lista de inscrição que foi aberta 24h antes, ou seja, na segunda-feira (8).

Encerrada essa etapa, já na madrugada de quarta-feira (10), os autores da denúncia contra Dilma Rousseff terão até 30 minutos para reforçar seus argumentos.

Em seguida, pelo mesmo tempo, será a vez de o advogado de defesa, José Eduardo Cardozo, subir à tribuna do Senado para fazer as suas alegações.

Votação

A partir daí, os senadores começarão a se organizar para a votação. Já é dado como certo que haverá pedido das bancadas que apoiam Dilma Rousseff para que a votação da fase de pronúncia seja destacada.

Assim, o painel de votação poderá ser aberto cinco vezes, uma para um dos quatro decretos que ampliaram a previsão de gastos no Orçamento sem a autorização do Congresso Nacional e outra pelas chamadas pedaladas fiscais no Plano Safra, programa de empréstimo a agricultores executado pelo Banco do Brasil.

Na prática, a presidente afastada só se salvaria de um julgamento final e teria o processo arquivado, podendo retomar o mandato, se fosse absolvida de todas as acusações. Se fosse considerada inocente em um ou outro ponto, o julgamento final seria realizado em clima mais leve e defensores da petista acreditam que assim poderiam conseguir mais votos a favor dela.

Antes da votação de cada um dos crimes dos quais Dilma é acusada, será concedida a palavra, por até cinco minutos, na fase de encaminhamento, para a manifestação de, no máximo, dois oradores favoráveis e dois contrários às conclusões do parecer do relator.

Na manhã de quarta-feira, ao final dos encaminhamentos, os senadores poderão votar, por meio do painel eletrônico. Para tornar Dilma Rousseff ré e levá-la a julgamento são necessários votos de metade mais um dos senadores presentes à sessão (maioria simples). Desde que o processo chegou ao Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros, disse que não pretende votar.

Julgamento final

Caso o parecer não atinja o mínimo de votos necessários, o processo é arquivado e a presidente afastada retoma o mandato. Mas, se tiver apoio da maioria simples dos votos, a denúncia segue para julgamento final. A acusação terá até 48 horas para apresentar o chamado “libelo acusatório” e um rol de seis testemunhas. Na prática, o documento consolida as acusações e provas produzidas.

Os autores da denúncia, os juristas Miguel Reale Júnior, Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, já adiantaram que entregarão o libelo acusatório em 24 horas.

A defesa terá  então 48 horas para apresentar uma resposta, a contrariedade ao libelo, e também sua  lista com seis testemunhas. José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma, já disse que usará todo o prazo.

Todo o processo será encaminhado ao presidente do Supremo que, respeitando um prazo mínimo de dez dias, poderá marcar a data para o julgamento e intimar as partes e as testemunhas.

O presidente do Senado defende o início da fase final no dia 25 de agosto e que o julgamento, que pode durar até uma semana, não seja interrompido nem no fim de semana. A data será fixada por Ricardo Lewandowski, somente após a fase de pronúncia, se for o caso. Embora não tenha se manifestado oficialmente sobre o assunto, a previsão do ministro é de que o julgamento comece no dia 29.

Por enquanto, o magistrado já disse ao presidente da Comissão do Impeachment, Raimundo Lira (PMDB-PB), que não pretende marcar sessões no fim de semana.

Taguatinga Shopping entra em campo com opções de lazer para a família toda

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Centro de compras garante verdadeiras doses de diversão

Em clima de torcida, durante o mês de agosto, o Taguatinga Shopping se transforma num super complexo de diversão, dividido em três grandes arenas de atrações! Na primeira delas, a Kids Games Eventos reservou uma área para os fãs de esportes viverem uma experiência de competição por meio de vídeo games na Arena Mário & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games ™. Ainda com tema desportivo, a criançada pode aproveitar a Arena Ciranda Kids, para brincar como se fossem atletas e participarem de muitas brincadeiras, oficinas e divertidas disputas. Para quem quer boas doses de emoção, a Arena Megadiversão é o lugar ideal! Nela, os clientes podem se aventurar na Megapista de Patinação no Gelo, garantir deliciosas brincadeiras no Parque Magic Games, mergulhar na Megapiscina de Bolinhas ou desvendar enigmas no misterioso e desafiador Escape Game.

Arena Mário & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games ™

A experiência de uma competição pode ser sentida na pele na Arena Mário & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games ™, localizada na Praça Central, 1º piso. Com entrada gratuita e sem limite de idade, os participantes podem testar suas habilidades por meio do console Nintendo Wii U. Também podem escolher atuam em modalidades que estão alta, como atletismo, natação, futebol, vôlei, rubgy e salto triplo, entre outras. O espaço comporta até 16 jogadores, que podem jogar partidas individuais ou em dupla.

Arena Ciranda Kids

Os pequenos que querem se aventurar pelo universo dos esportes também têm local reservado. A Arena Ciranda Kids está equipada e preparada para receber os pequenos esportistas. O espaço conta com uma pista de atletismo, campinho de futebol com tiro a gol, arquearia com arco e flecha e cesta de basquete. A criançada que quiser colocar a mão na massa, pode se divertir a valer na oficina de fitas para ginástica rítmica e até mesmo fazer um elemento simbólico dos jogos para levar toda a alegria do clima esportivo pra casa.

Arena Megadiversão

Para deixar as férias ainda mais irresistíveis, o Taguatinga Shopping segue com as atrações da Megadiversão, agora, porém, com roupagem em clima de torcida. Seu já famoso combo de lazer traz a famosa Pista de Patinação no Gelo – a maior do Brasil – com 440m² livres para patinar e comportar, simultaneamente, até 100 pessoas. A Megapiscina de Bolinhas voltou nessas férias ainda maior: com mais de 500 mil bolinhas e um “Magic Super House Slide”, estrutura que possui quatro escorregadores de cada lado e o Dragão, um impactante brinquedo inflável. O Parque da Magic Games está recheado de atrações para os pequenos, como o brinquedo Labamba, Red Baron, aviõezinhos que giram; pular amarelinha, e dar voltas no trenzinho. O castelo de espuma, quebra cabeça e a árvore pedagógica também fazem parte da programação do parque. Para aqueles que adoram decifrar enigmas, o Escape Game é o jogo certo! Em salas temáticas, os grupos têm 30 minutos para trabalhar em equipe, montar dispositivos, encontrar passagens secretas e escapar do local. Inteligência e criatividade são essenciais para o desafio. Cada grupo será composto por três a seis pessoas, ao custo de R$ 29,90 por jogador.

FOTOS: TELMO XIMENES

SERVIÇO:

1) Arena Mário & Sonic at the Rio 2016 Olympic Games ™

Realização Kids Games Eventos

Data: até 21 de agosto de 2016.

Horário: das 14h às 20h.

Local: 1º piso, Praça Central.

Entrada gratuita.

Classificação livre.

2) Arena Ciranda Kids

Data: Até 28 de agosto de 2016.

Horário: De segunda à sexta, das 10h às 22h; aos domingos, das 12h às 22h.

Local: Praça de Vidro, 3º Piso.

Valor: R$ 15 (durante 30 minutos).

Recomendado para crianças de 3 a 12 anos.

3) Arena Megadiversão Taguatinga Shopping

Data: até 28 de agosto de 2016.

Horário: domingo a sexta-feira, de 12h às 22h; e aos sábados das 10h às 22h.

Local: Estacionamento H.

Idades variam em cada atração.

 

• Megapista de Patinação no Gelo

Valores: De segunda a quinta-feira: R$ 30 para 30 minutos; R$ 50 para 1 hora e R$ 30 para 15 minutos no carrinho, exclusivo para crianças entre 2 e 4 anos. Sextas-feiras, domingos e feriados: R$ 35 para 30 minutos; R$ 60 para 1 hora; e R$ 35 para 15 minutos no carrinho.

• Parque Magic Games

Valor: R$ 15 por 30 minutos (vigência mínima – R$0,50 por minuto excedente). A entrada para crianças menores de 2 anos é grátis, desde que estejam acompanhadas por responsável pagante maior de 18 anos.

• Escape Game

Valor: R$ 29,90 por pessoa, a cada 30 minutos.

 

Serviço do Taguatinga Shopping

Site: www.taguatingashopping.com.br

Twitter: @Taguashopping

Informações: 3451-6000

O imóvel suspeito da protegida de Lula

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Nova investigação do MP indica que Rosemary Noronha, a protegida de Lula, obteve um imóvel da Bancoop sem tirar um centavo do bolso, num desdobramento do esquema que beneficiou o ex-presidente com o tríplex no Guarujá. Outros personagens ligados ao petista também foram contemplados

Pedro Marcondes de Moura – ISTOÉ

Em março deste ano, o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Lula pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no caso do tríplex do Guarujá. Agora, se descobre que o esquema do imóvel ocultado pela família Lula da Silva tem mais capilaridade do que se imagina e não se limitou a beneficiar o petista. Privilegiou também outros personagens ligados a Lula, à cúpula do PT e à Central Única dos Trabalhadores. É o que demonstra o Ministério Público de São Paulo em nova fase da investigação, batizada de Operação Alcateia. Mais de sete volumes de documentos colhidos pelos promotores até agora dão segurança para eles afirmarem que a amiga de Lula, Rosemary Noronha, recebeu um apartamento da falida Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) sem tirar um centavo do bolso. Rose, como era conhecida no governo quando, a pedido de Lula, ocupou a chefia de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, teria sido favorecida com um duplex de cerca de 150 metros quadrados no Condomínio Residencial Ilhas D’ Itália, numa área nobre do bairro paulistano da Mooca.

“Rosemary Noronha não conseguiu provar que pagou o imóvel”, afirmou à ISTOÉ o promotor Cássio Conserino. “Ela, assim como outros personagens ligados a Lula, não apresentou um mísero comprovante bancário de pagamento de uma parcela”, complementa. Os outros personagens íntimos de Lula a que Conserino se refere são o presidente da CUT, Vagner Freitas, e a própria Central Única dos Trabalhadores. O lado mais sórdido disso tudo é a consequência desta e de outras fraudes da Bancoop. Com a falência da cooperativa, mais de sete mil famílias perderam as economias de uma vida e o sonho da casa própria ao investirem na entidade ligada ao sindicato dos bancários. Enquanto cooperados de boa-fé foram lesados em suas poupanças, Lula e amigos, de acordo com a investigação, acabaram contemplados com imóveis sem precisar mexer no bolso.

A nova fase da investigação, filhote daquela que chegou ao tríplex de Lula, está prestes a ser concluída. O nome Alcateia foi escolhido pela semelhança entre a cadeia hierárquica existente entre os investigados e a adotada pelos lobos. Em ambos os casos, acreditam os promotores, há um líder central que designa o papel e garante a sobrevivência dos outros integrantes do bando. Neste caso, o chefe seria o ex-presidente Lula, como mostram documentos e depoimentos. Em um deles, uma testemunha narra ter presenciado João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT preso na Lava Jato e então presidente da Bancoop, afirmar, aos risos, que em breve a cooperativa iria quebrar. Mas a bancarrota, segundo Vaccari, pouparia o tríplex do chefe no Guarujá e apartamentos de pessoas íntimas dele. Os promotores já sabem que Vaccari não blefou. O que o ex-tesoureiro do PT implicado na Lava Jato não revelou, naquela ocasião, é que muitos desses imóveis sequer seriam pagos pelos futuros proprietários. O MP chegou a essa conclusão ao enviar para Rosemary Noronha e outras doze pessoas próximas ao “chefe” uma lista de questionamentos. Perguntaram quais imóveis eles teriam adquirido da Bancoop e pediram que comprovassem o pagamento das parcelas.

A protegida

De acordo com o MP, Rose possui dois apartamentos da Bancoop. Ambos localizados no bairro paulistano da Mooca. Em relação ao mais valioso deles, um duplex de 150 metros quadrados no Condomínio Residencial Ilhas D’ Itália, a amiga de Lula não apresentou um documento sequer que atestasse o pagamento. “Rosemary não apresentou um comprovante e ainda omitiu que era dona deste imóvel em sua resposta”, afirmou o promotor Cássio Conserino.

Algumas das respostas chamaram a atenção do Ministério Público. Em documento enviado em junho, Rose passou com louvor na prestação de contas de um outro imóvel construído pela Bancoop também na Mooca. Juntou uma série de comprovantes que mostram o pagamento do apartamento no Condomínio Torres da Mooca. Não falou, no entanto, uma palavra sobre um imóvel mais valioso localizado na mesma rua: o duplex de 150 metros quadrados, que está em nome de sua filha Mirelle. Às autoridades, a própria Mirelle confirmou que quem comprou o duplex da Bancoop, avaliado em R$ 1,5 milhão, foi sua mãe. Em janeiro de 2014, o apartamento teria sido repassado para a filha. “A partir deste momento, passei a arcar com os pagamentos do imóvel”, disse Mirelle em documento enviado para as autoridades paulistas.

Amigos de Lula

Ocorre que Mirelle também não conseguiu comprovar o pagamento de uma parcela sequer. Apresentou uma planilha da empreiteira OAS, que assumiu o empreendimento da Bancoop, e uma declaração de quitação em que não aparecem nem o valor total pago nem a forma como se deu o pagamento. “Além dos documentos apresentados não terem validade, é estranho que ela não tenha feito nenhuma referência ao pagamento da taxa de migração para a OAS que todos os cooperados tinham de arcar. Há cada vez mais indícios de que os suspeitos receberam um tratamento diferenciado”, complementa Cássio Conserino. Para os promotores, está claro que o apartamento não foi pago. Foi doado pela Bancoop em uma das muitas fraudes que levaram a cooperativa à falência. “Quaisquer vantagens obtidas ocorreram em detrimento das famílias lesadas”, lamentou o promotor.

No meio político, Rosemary Noronha ganhou notoriedade pela proximidade com o ex-presidente. A relação dos dois remonta a 1988, quando ela trabalhava como caixa da agência bancária onde o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC detinha conta corrente em São Bernardo do Campo. A amizade levou Rose a administrar as contas pessoais de Lula, que depois a convidou para ser secretária da sede do PT em São Paulo. Lá, ela trabalhou por 12 anos. Quando ascendeu à Presidência, Lula nomeou Rosemary como assessora do gabinete em São Paulo. Depois, como chefe de gabinete do escritório da presidência da República, também na capital paulista. Em diversas viagens de Lula ao exterior, ela esteve presente na comitiva. Nos bastidores, o poder alcançado por Rose incomodava a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Em dezembro de 2012, Rosemary deixou o governo após ser um dos alvos da Operação Porto Seguro. A protegida de Lula foi acusada de envolvimento com uma organização criminosa que fazia tráfico de influência em órgãos públicos.

As informações colhidas até agora pelo Ministério Público complicam outro aliado do ex-presidente. O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, não conseguiu demonstrar ter pago à Bancoop por um apartamento registrado em seu nome no condomínio Altos do Butantã. Apresentou apenas uma explicação fajuta de que teria comprado a unidade na capital paulista a partir da soma de valores de cotas que teria adquirido de dois apartamentos. “É estranho que ele tenha investido em duas unidades e não tenha mostrado comprovantes de nenhuma”, diz Conserino. Segundo o Ministério Público, a matrícula registrada em cartório não comprova que Vagner Freitas quitou o imóvel. “A questão é se ele pagou. Isso ele não conseguiu mostrar”, afirma o promotor.

As provas reunidas até agora pelo Ministério Público demonstram também que a Central Única dos Trabalhadores, fundada por Lula e braço sindical do PT, também teria sido aquinhoada com imóveis da Bancoop de maneira irregular. Questionado pelos promotores, Vagner Freitas se limitou a dizer que as unidades, sem mencionar quais, foram negociadas diretamente com a Bancoop e que não ocorreram repasses para a OAS. Não demonstrou um comprovante bancário, transferência ou boleto atestando que a CUT realmente pagou alguma parcela das duas unidades que possui em um empreendimento construído pela Bancoop no bairro paulistano do Tatuapé. Com três quartos, cada apartamento está avaliando em cerca de R$ 400 mil. “Há uma simbiose grande entre a CUT e Bancoop, cooperativa do sindicato dos bancários. Inclusive, há, atualmente, integrantes da CUT que participam do alto escalão da cooperativa”, complementa o promotor Cássio Conserino.

Rosemary, assim como outros, não apresentou um mísero comprovante bancário de pagamento do imóvel” – Cássio Conserino, promotor de Justiça de São Paulo

Houve, entre os investigados pela Operação Alcateia, quem conseguisse comprovar que desembolsou pelos imóveis. Carlos Gabas, ex-ministro de Dilma Rousseff, forneceu comprovantes suficientes para lotar uma pasta. Freud Godoy, ex-segurança de Lula, e a esposa dele também enviaram uma série de registros de pagamentos dos apartamentos que compraram da Bancoop. No entanto, nessa nova fase da investigação, os promotores ainda vão periciar os documentos. Em pelo menos um caso, mantido em sigilo, constam recibos pela metade ou boletos sem autenticação bancária. O Ministério Público ainda pretende cruzar as informações de pagamento dos investigados com os dados fiscais da Bancoop, obtidos em outra denúncia sobre fraudes na cooperativa.

Uma cooperativa de fraudes

Na lista de suspeitos do Ministério Público aparecem ainda conhecidos da Operação Lava Jato. São os casos do ex-tesoureiro do PT e ex-presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, e da cunhada dele, Marice Corrêa de Lima. Ambos foram presos por envolvimento no Petrolão. Ao responder aos promotores, Marice disse que as escrituras dos apartamentos que teria adquirido da Bancoop já estavam com a força-tarefa do Petrolão. Enviou apenas uma planilha da Bancoop. Nela, estão as somas das parcelas pagas. Para os promotores, o documento por si só não serve para afastar as suspeitas que recaem sobre eles.

“Não há como levar a sério uma planilha referendada pela cooperativa se os acusados são dirigentes ou pessoas próximas a ela”, afirma o promotor do MP-SP. Em um despacho sobre Marice, o próprio juiz Sergio Moro disse que “enquanto vários foram prejudicados pela gestão da BANCOOP”, “a investigada aparenta ter lucrado em decorrência de aparente generosidade da OAS”. A cunhada de Vaccari recebeu da empreiteira envolvida no Petrolão mais de duas vezes o valor que pagou ao devolver um apartamento no prédio em que está o tríplex atribuído à família Lula. O mesmo imóvel foi vendido, em seguida, pela construtora por um valor abaixo do pago a Marice.

A situação de Vaccari é ainda mais grave. O ex-tesoureiro do PT se tornou um personagem onipresente nas investigações da Bancoop. Sua passagem pela presidência da cooperativa, entre 2004 e 2008, foi marcante. Cooperados reclamam de assembleias fraudadas e cobranças de taxas irregulares. Foi pelas mãos dele que a Bancoop foi à bancarrota e iniciou as controversas transferências de empreendimentos inacabados. Desde 2010, ele é réu de uma ação por lavagem de dinheiro, estelionato e formação de organização criminosa. Recentemente, teve a sua prisão pedida no caso do tríplex do Guarujá, apesar de já estar detido, desde abril de 2015, por envolvimento na Operação Lava Jato.

Operação Alcatéia

Promotores paulistas estão prestes a concluir a segunda fase da investigação do tríplex de Lula. Suspeitas chegam à Rosemary Noronha, amiga do ex-presidente. Confira:

> A investigação é a segunda etapa da que pediu a prisão do ex-presidente. Ela recebeu o nome de Operação Alcatéia pela semelhança entre a hierarquia existente entre os investigados e a dos lobos. Em ambos os casos, há um líder central que designa o papel e garante a sobrevivência dos outros integrantes do bando. Neste caso, seria o ex-presidente Lula

> Com base em mais de sete volumes repletos de documentos, os promotores suspeitam que personagens ligados a Lula, ao PT e à CUT receberam vantagens da Bancoop. Há fortes indícios de que alguns chegaram a ganhar apartamentos sem pagar nada. Rosemary Noronha, amiga de Lula, não conseguiu comprovar o pagamento de um duplex na capital paulista.

Jornalista justifica ausência à CPI da Saúde

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Após ter o nome aprovado para que comparecesse à Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde da Câmara Legislativa, o jornalista Caio Barbieri apresentou justificativa para não depor para o colegiado nesta sexta-feira (5). Barbieri foi assessor da Casa Civil quando relatou ter sido procurado pela presidente do SindSaude, Marli Rodrigues, que relatou a ele supostas irregularidades dentro de órgãos do Governo de Brasília.

Caio Barbieri foi exonerado quando o governador soube que o ex-assessor teria levado as denúncias, além da Casa Civil, para o Ministério Público.

O jornalista afirma que está fora de Brasília e que deixou a cidade antes mesmo de ser notificado sobre seu depoimento.

Segundo ele, “ao tomar conhecimento dos fatos objetos de apuração, os comuniquei aos que à época eram meus superiores hierárquicos e o fiz de forma documentada”, frisa.

Barbieri finaliza o texto reforçando que as informações, não protegidas pelo sigilo de fonte, foram prestadas, antes do afastamento dele da Capital Federal, ao Ministério Público, “em longo, exaustivo e esclarecedor depoimento”. E sugere que a CPI requisite o conteúdo do depoimento diretamente aos promotores e procuradores responsáveis.

Leia a íntegra do documento:

Excelentíssimo Senhor Deputado Distrital
Presidente da CPI da Saúde
WELLINGTON LUIZ

Por meio dos veículos de comunicação social do Distrito Federal, tomei conhecimento de que fui convocado para prestar depoimento junto à digna Comissão Parlamentar de Inquérito que apura a situação da saúde pública do Distrito Federal.

Esclareço, Vossa Excelência, que por não mais exercer qualquer cargo público, a convocação não se mostra o instrumento jurídico adequado. Apenas poderia ser convidado. É o que se depreende do artigo 60, inciso XIV e artigo 68, § 2o, Inciso III, da LODF.

O convite, como é de conhecimento de Vossa Excelência, não é de aceitação obrigatória. Todavia, em respeito à Comissão Parlamentar de Inquérito e à honrada Casa Legislativa do Distrito Federal, por estar fora do Distrito Federal, em atenção à compromissos pessoais, prestarei as informações, por escrito, que julgo possam contribuir para os trabalhos que são desenvolvidos por Vossa Excelência.

Primeiro, não sou testemunha presencial de nenhum ilícito e não pratiquei nenhum ilícito civil, administrativo ou penal.

Segundo, ao tomar conhecimento dos fatos objetos de apuração, os comuniquei aos que à época eram meus superiores hierárquicos e o fiz de forma documentada.

Terceiro, as gravações ambientais, realizadas pela Presidente do SINDSAÚDE, já se tornaram públicas e apenas posso testificar que, de fato, os diálogos existiram. Todavia, as gravações ambientais já provam, por óbvio, a ocorrência do próprio diálogo.

Quarto, quanto ao conteúdo dos mencionados diálogos, nada tenho a acrescer.

Quinto, eventuais informações a que tenha tido acesso, em razão da minha profissão de jornalista, estão protegidas pelo sigilo de fonte. Por óbvio, Vossa excelência, sendo um democrata, não pretende ver violado o sigilo deferido constitucionalmente às informações jornalísticas.

Sexto, as informações, não protegidas pelo sigilo de fonte, foram prestadas, antes do meu afastamento da Capital Federal, ao Ministério Público, em longo, exaustivo e esclarecedor depoimento. Vossa Excelência pode requisitar o conteúdo do depoimento diretamente ao Ministério Público.

Com tais informações, formalmente, declino do convite de comparecimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, ressalvando, no entanto, que, em outro momento, posso reconsiderar acerca do declínio do convite.

Sem mais, reiterando o apreço pela Casa Legislativa, subscrevo.