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Caminhada Pela Justiça e Liberdade por Nikolas Ferreira

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Após cumprir agenda oficial na cidade de Paracatu/MG, onde realizou a entrega de uma emenda parlamentar, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) decidiu transformar o retorno em um ato simbólico. O deputado iniciou uma caminhada até Brasília/DF como forma de protesto pacífico contra o que classifica como arbitrariedades que vêm ocorrendo no Brasil.

A iniciativa, batizada de “Caminhada Pela Justiça e Liberdade”, surge como um ato pacífico de protesto contra o que o parlamentar classifica como arbitrariedades recentes, incluindo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e a situação jurídica dos presos relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro, e contra escândalos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo Lula.

O trajeto começou nesta segunda-feira, 19, pela manhã e será realizado pela BR-040, totalizando aproximadamente 240 quilômetros, percorridos ao longo de sete dias de caminhada. A expectativa é que o deputado chegue à capital federal no próximo domingo, reunindo apoiadores e cidadãos ao longo do percurso.

Segundo o parlamentar, a caminhada simboliza resistência democrática e esperança: “Terminei uma agenda em Minas. Confesso para vocês, ia voltar para casa. Mas, durante muito tempo meu coração tem ficado inquieto diante das coisas que estão acontecendo. Escândalo atrás de escândalo. O brasileiro tem ficado em uma posição, quase uma manipulação psicológica, onde nada abala mais a gente. O sentimento é de impotência, diante das prisões injustas de manifestantes do dia 8 de janeiro, do próprio presidente Bolsonaro, em relação aos escândalos, do governo e do STF”, disse Nikolas.

A mobilização tem caráter pacífico e aberto, convidando a sociedade a acompanhar e participar do ato como expressão legítima de manifestação cidadã.

📍 SERVIÇO

Ação: Caminhada Pela Justiça e Liberdade
Trajeto: Paracatu (MG) → Brasília (DF)
Distância: 240 km pela BR-040
Duração: 7 dias
Chegada prevista: Domingo

Aluguel dispara no Brasil e expõe falha estrutural do mercado imobiliário, aponta especialista

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Alta dos juros, escassez de imóveis para locação e mudança no perfil dos consumidores mantêm preços pressionados mesmo com desaceleração do índice

O preço do aluguel segue em trajetória de alta no Brasil e deve continuar pressionando o orçamento das famílias em 2026. Segundo dados do índice FipeZap, embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado — de 13,5% em 2024 para 9,4% em 2025 —, a variação ainda supera mais que o dobro da inflação no período. Para especialistas, o movimento reflete um desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda no mercado imobiliário brasileiro.

De acordo com Daniel Claudino, especialista em mercado imobiliário, a raiz do problema está no modelo de produção de imóveis no país. “A construção civil no Brasil não produz para locação, ela produz para venda. O estoque de imóveis para alugar é, na prática, um subproduto do mercado: unidades que não venderam ou investidores individuais tentando rentabilizar patrimônio”, explica.

Com a taxa Selic em patamar elevado, atualmente em 15%, até mesmo esses investidores tendem a recuar. “O investidor pessoa física hesita em colocar dinheiro em imóvel para alugar quando o custo de oportunidade é tão alto. Além disso, modelos mais eficientes, como o multifamily — empreendimentos inteiros construídos exclusivamente para locação — ainda representam menos de 1% do mercado brasileiro, enquanto em países como os Estados Unidos são a base do setor. O Brasil simplesmente não abriu essa janela”, avalia Claudino.

Demanda pressionada e mudança geracional

Do lado da demanda, o cenário também contribui para a alta dos preços. A mesma taxa de juros que desestimula a produção de imóveis para locação dificulta o acesso à casa própria. “Quem mora de aluguel e pretendia comprar acaba permanecendo mais tempo no mercado locatício, aguardando condições melhores de financiamento”, afirma o especialista.

Outro fator relevante é a mudança no comportamento das novas gerações. “Há uma escolha racional acontecendo. Se com R$3 mil por mês é possível alugar um imóvel compacto e bem localizado, por que comprometer R$9 mil em um financiamento de 30 anos para ter o mesmo apartamento? Não é imediatismo, é matemática”, pontua Claudino. Segundo ele, muitos jovens ainda desejam a casa própria, mas veem o aluguel como uma estratégia temporária de sobrevivência financeira, até que a conta feche.

A combinação de oferta estagnada, demanda crescente e juros elevados cria um cenário previsível. “Enquanto não houver políticas públicas e incentivos claros para estimular a produção voltada especificamente para locação, além de mecanismos que aproximem o custo do financiamento da realidade da renda das famílias, o aluguel continuará sendo a principal válvula de escape de um mercado que não consegue atender quem quer comprar”, conclui Daniel Claudino.

Sicredi lança multicotador para seguros de condomínio

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Nova plataforma, integrada com três seguradoras, traz agilidade e tecnologia na contratação de seguros condominiais

O Sicredi, instituição financeira cooperativa com presença nacional e mais de 9,5 milhões de associados, acaba de lançar o multicotador de seguros de condomínio, uma solução inovadora que demonstra múltiplas opções de cobertura e preços simultaneamente no processo de cotação do produto. A novidade – que integra as três seguradoras líderes do mercado, Allianz, HDI e Tokio Marine – garante mais agilidade e praticidade no atendimento aos associados.

 

Entre os principais benefícios da ferramenta estão a interface única e simplificada, que apresenta as cotações das três seguradoras e minimiza falhas e duplicações no processo de inserção de dados em múltiplas plataformas. A solução permite comparar propostas rapidamente, sem a necessidade de acessar sistemas diferentes, reduzindo o tempo de cotação e aumentando a eficiência do processo comercial. Desenvolvido para suprir uma lacuna no mercado, o multicotador de seguros para condomínios também foi projetado com flexibilidade para expansão, permitindo a inclusão de novas seguradoras e funcionalidades no futuro.

 

“O multicotador é muito mais do que uma ferramenta tecnológica. Ele representa um avanço na forma como oferecemos soluções aos nossos associados. Com essa plataforma, as cooperativas do nosso Sistema podem atender às necessidades dos condomínios com mais agilidade e simplicidade, oferecendo variedade de coberturas e a segurança de operar com três das maiores seguradoras do mercado. Estamos confiantes de que essa inovação vai fortalecer nossa presença no segmento”, afirma Thiago Rossoni, diretor de Produtos e Serviços do Sicredi.

 

No Brasil, existem aproximadamente 520 mil condomínios ativos, entre residenciais, comerciais ou mistos, segundo o Instituto Nacional de Condôminos (INCC). No Sicredi, são mais de 40 mil associados ativos com CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) Condomínio.

 

Atualmente, o artigo 1.346 do Código Civil estabelece a obrigatoriedade de contratação de seguro para edificações residenciais, comerciais ou mistas. Além disso, muitas convenções condominiais exigem a apresentação de três cotações antes da contratação, reforçando a importância da ferramenta para garantir transparência e melhor escolha.

 

Sobre o Sicredi

 

O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento de seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. Possui um modelo de gestão que valoriza a participação dos mais de 9,5 milhões de associados, que exercem o papel de donos do negócio. Com mais de 3 mil agências, o Sicredi está presente fisicamente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, disponibilizando uma gama completa de soluções financeiras e não financeiras.

 

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Mesmo com projeções cautelosas para 2026, setor do aço aposta em estratégia, eficiência e inovação para manter crescimento

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Indústria se prepara para um ano desafiador com foco em planejamento, diversificação e fortalecimento de parcerias

Créditos: Freepik

 As projeções para 2026 indicam um cenário de atenção para a indústria do aço. Dados apresentados pela entidade que representa o setor, a Aço Brasil, apontam a possibilidade de nova queda na produção, reflexo de fatores como desaceleração econômica global, oscilações no consumo interno, concorrência internacional e custos elevados de produção. No segmento de tubos de aço, as expectativas também são de um mercado mais seletivo, exigindo adaptação e visão estratégica por parte das empresas.

Apesar do cenário desafiador, especialistas e líderes do setor reforçam que momentos de retração não significam estagnação. Pelo contrário, períodos de baixa costumam acelerar transformações, estimular ganhos de eficiência e abrir espaço para empresas mais preparadas se consolidarem no mercado.

Para Janine Brito, CEO da Pinheiro Ferragens, o ano de 2026 deve ser encarado como um momento de ajustes inteligentes, e não de retração completa. “O setor do aço já atravessou diversos ciclos econômicos e sempre foi mais forte quando houve planejamento e capacidade de adaptação. Cenários mais conservadores exigem decisões estratégicas, mas também criam oportunidades para quem investe em eficiência, relacionamento e diversificação”, afirma.

Entre as principais estratégias para atravessar períodos de menor crescimento estão o controle rigoroso de custos, a otimização de estoques, o fortalecimento da cadeia de suprimentos e a ampliação do portfólio de produtos. No caso do aço, soluções com maior valor agregado, como materiais galvanizados, produtos sob medida e aplicações voltadas à durabilidade e sustentabilidade, tendem a ganhar espaço.

Janine destaca ainda a importância de manter o olhar voltado para o cliente e para as demandas reais do mercado. “Em tempos mais desafiadores, ouvir o cliente e oferecer soluções que tragam economia, durabilidade e segurança se torna ainda mais essencial. Não se trata apenas de vender aço, mas de entregar confiança e parceria para que os projetos sigam em frente”, pontua.

Outro fator considerado decisivo para 2026 é o investimento em gestão, tecnologia e pessoas. Processos mais eficientes, uso de dados para tomada de decisão e equipes capacitadas ajudam a reduzir desperdícios e aumentar a competitividade, mesmo em um ambiente econômico menos favorável.

Embora as previsões indiquem cautela, a expectativa do setor é de que áreas como infraestrutura, manutenção industrial, retrofit de edificações e obras de médio porte continuem movimentando a demanda por aço no Brasil. Para empresas bem estruturadas, o momento pode representar não apenas resistência, mas também consolidação e crescimento sustentável.

Sobre a Pinheiro Ferragens – Fundada em 1960, a empresa nasceu com o objetivo de comercializar aço para a construção civil. De base familiar e pioneira na capital, foi responsável por oferecer grande parte dos materiais para a construção de Brasília. Atualmente, a empresa trabalha com um mix de mais de dois mil produtos comercializados e industrializados. Localizada no Setor de Indústrias de Brasília e Taguatinga, a loja possui moderna estrutura e serviços diferenciados.

Reajuste das tabelas do tabaco será debatido em reuniões nesta semana

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A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) anunciou que a definição do reajuste das tabelas de preço mínimo deve ocorrer em reuniões marcadas para estas segunda e terça-feira, dias 19 e 20 de janeiro. As definições ocorrem por empresa, no âmbito das Cadecs (Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração).

De acordo com a Afubra, a safra de tabaco 2025/2026 ultrapassou 50% do total colhido já na primeira semana de janeiro e a comercialização começa a ganhar ritmo de forma gradual nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) faz parte das entidades que compõem a comissão representativa dos produtores de tabaco.  O vice-presidente regional da Faesc e presidente do Sindicato Rural de Irineópolis, Francisco Eraldo Konkol, participa anualmente de todas as etapas das negociações. Ele destaca que as expectativas são positivas e que as negociações devem ocorrer de forma tranquila.

Konkol também faz parte da Comissão para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadec Tabaco da Faesc), representa a CNA/Faesc no Fórum Nacional de Integração do Tabaco (Foniagro) e é membro da CNA/Faesc na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco no MAPA. “Em todas essas instâncias trabalhamos intensamente para fortalecer essa cadeia produtiva tão importante para o sustento de inúmeras famílias do campo”.

O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, reconhece o expressivo trabalho desenvolvido em prol do setor e destaca que as ações realizadas ao longo do ano reforçam o compromisso com o produtor rural. Segundo ele, o empenho conjunto entre federação, Sindicatos Rurais e parceiros estratégicos tem sido essencial para fortalecer o setor em Santa Catarina e em todo o País.

SOBRE A AGENDA DE NEGOCIAÇÃO

O presidente da Afubra, Marcilio Drescher, explica que a agenda de negociação foi marcada para a segunda quinzena de janeiro devido a um atraso excepcional no fechamento do levantamento de custos de produção, especialmente na etapa relacionada à mão de obra. Segundo ele, a equipe de campo concentrou esforços no atendimento aos associados com lavouras atingidas pela alta incidência de granizo, o que também contribuiu para o atraso do processo.

O dirigente também reforça que o produtor que comercializar o tabaco antes da definição do preço médio da safra não tem prejuízo, pois o valor será complementado posteriormente, conforme o índice de correção acordado entre a representação dos produtores e as empresas fumageiras.

QUALIDADE DO TABACO

Sobre a qualidade do tabaco, a Afubra observa impactos climáticos pontuais em algumas regiões, associados ao período de plantio, com pequena redução de produtividade e reflexos na qualidade — variando conforme a localidade nos três estados. Outro ponto de atenção é a escassez de mão de obra no campo, especialmente na colheita, o que pressiona o custo de produção. Drescher alerta que esse aumento — “seja por empreitada ou de qualquer forma” — impacta diretamente o custo do produtor, exigindo planejamento e avaliação de viabilidade, inclusive sobre dimensionar a área plantada e o uso de mão de obra familiar.

A comissão representativa dos produtores de tabaco é formada pela Afubra e pelas Federações da Agricultura (Farsul, Faesc e Faep) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e do Paraná.

Acesse os canais de comunicação do Sistema Faesc/Senar:

Focus: Queda da inflação é insuficiente e a política fiscal segue no centro das decisões do mercado

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“A inflação melhora marginalmente, mas segue acima da meta, o crescimento continua fraco e os juros só caem de forma lenta, o que indica que o mercado não confia totalmente na dinâmica fiscal nem na desinflação de longo prazo”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“O Boletim Focus desta semana desenha um Brasil de crescimento contido e custo de capital ainda relevante, com PIB projetado em 1,80% em 2026, inflação em 4,02% e Selic em 12,25% ao fim do ano, além de câmbio em R$ 5,50. Para o mercado, é um roteiro de seletividade, não de euforia, juros cedem mais adiante, mas a travessia segue cara para quem depende de funding. Em venture capital, isso tende a reforçar duas reações: investidores cobram governança, eficiência e previsibilidade de receita, e founders aceleram disciplina de caixa, unit economics e rota clara para lucratividade. O sinal para a economia é de desaceleração organizada, com inflação cedendo na margem, mas ainda acima do centro da meta, e com risco fiscal e externo no radar, como o déficit em conta corrente em US$ 67,90 bilhões. Em ciclos assim, as melhores startups são as que transformam restrição em produtividade, automatizam processos, reduzem custo do cliente e provam crescimento com margem”, João Kepler, CEO da Equity Group.

“A curva de juros longa segue pressionada e o câmbio permanece sem alívio consistente, refletindo um ambiente de cautela do investidor. O Boletim Focus mostra um cenário ainda apertado: a inflação melhora marginalmente, mas segue acima da meta, o crescimento continua fraco e os juros só caem de forma lenta, o que indica que o mercado não confia totalmente na dinâmica fiscal nem na desinflação de longo prazo; na prática, isso tende a manter o mercado financeiro defensivo, com juros longos pressionados, câmbio sem grande alívio e investidores mais seletivos em risco, privilegiando eficiência, caixa e previsibilidade. O sinal para a economia é claro: o país anda, mas manca; cresce pouco, carrega um fiscal pesado e depende de credibilidade para destravar investimento. Enquanto isso não muda, o impacto no mercado é um ambiente de cautela, crédito caro e tomada de decisão muito mais conservadora”, André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“O Focus aponta para uma economia em desaceleração, mas de maneira controlada. A inflação permanece em ritmo de queda, abrindo espaço para queda de juros. Ainda assim, a atividade segue relativamente firme, serviços e mercado de trabalho mostram resiliência, enquanto a indústria permanece fraca e o consumo dependente de crédito ainda é pressionado pelos juros elevados. A divulgação do IBC-Br acima do esperado não alterou a expectativa de PIB, como mostra o Boletim Focus. Parte da alta em novembro veio do varejo impulsionado pela Black Friday, um movimento pontual que dificilmente se repetirá nos próximos meses. O mercado segue aguardando a redução da Selic, mas isso depende da consolidação da tendência de desaceleração da inflação e de sinais mais claros da atividade, especialmente do PIB e do mercado de trabalho. Esses serão os fatores que devem determinar o ritmo do ciclo de cortes. Por isso, a redução da Selic tende a ocorrer de forma gradual e cuidadosa. Outro ponto relevante é a curva futura. O mercado, que antes projetava queda dos juros em 2027 e 2028, já começa a precificar uma possível alta em 2028. A combinação de PIB, inflação e atividade explica essa mudança, e o Focus mostra que o otimismo com um ciclo contínuo de cortes perdeu força”, Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike.

“As projeções mais recentes do Focus mostram que o ambiente de crédito seguirá exigente ao longo de 2026, mesmo com a inflação mostrando sinais de acomodação. A mediana aponta Selic de 12,25% e IPCA em 4,02%, com PIB projetado em 1,80%. Para o mercado de FIDCs, isso costuma produzir um movimento duplo: mais demanda por estruturas que entreguem retorno real com lastro e mais rigor na originação e no acompanhamento de risco. O investidor tende a reagir buscando prêmio por complexidade e proteção, enquanto as empresas procuram capital fora do banco tradicional para equilibrar fluxo de caixa e manter operação. O recado para a economia é claro: crescimento moderado e juros ainda restritivos favorecem quem consegue transformar recebíveis em liquidez com governança, covenants e monitoramento”, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

“Hoje, o Boletim Focus reforça a leitura de desinflação gradual, com nova redução da projeção de IPCA para 2026. As expectativas para o PIB permanecem estáveis, sinalizando uma economia que cresce de forma moderada e ainda condicionada por um ambiente financeiro restritivo. No campo monetário, o mercado manteve as projeções de Selic elevada ao longo de 2026 e 2027, com pequenos ajustes no horizonte mais longo, o que sugere percepção de que o ciclo de flexibilização tende a ser lento e cauteloso, diante de riscos fiscais e da necessidade de preservação da credibilidade do Banco Central. Para os mercados, esse conjunto de dados tende a reforçar uma postura defensiva, com valorização de estratégias focadas em carrego, qualidade de crédito e menor volatilidade, enquanto a estabilidade das projeções de câmbio indica ausência de estresse no curto prazo e um cenário ainda favorável para planejamento e precificação de ativos no mercado de crédito”, Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.

“O investidor entra em 2026 mais atento a prazo, custo e previsibilidade. O Focus mais recente reforça que 2026 tende a ser um ano de decisões mais racionais e menos impulsivas. Com Selic em 12,25%, inflação projetada em 4,02%, PIB em 1,80% e dólar em R$ 5,50, o mercado passa a valorizar previsibilidade, prazo e estratégia. A reação natural dos investidores é buscar estruturas que organizem fluxo de caixa e reduzam a dependência de crédito caro. Para a economia, o sinal é de desaceleração controlada, o que favorece modelos patrimoniais baseados em disciplina e planejamento de longo prazo. Em ambientes assim, ativos reais bem estruturados tendem a ganhar relevância por oferecerem estabilidade e previsibilidade em meio a juros ainda elevados”, Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

“O ambiente de investimento em 2026 segue marcado por estabilidade e juros elevados. As projeções do Boletim Focus ajudam a organizar expectativas para 2026 ao indicar um ambiente de estabilidade relativa, com inflação em 4,02%, Selic em 12,25%, crescimento de 1,80% e câmbio em R$ 5,50. Para o mercado, esse conjunto de dados reforça uma postura mais racional, em que decisões de investimento tendem a ser guiadas por planejamento e diversificação, e não por movimentos bruscos. No universo dos ETFs, esse cenário favorece estratégias de longo prazo, alocação balanceada entre classes de ativos e disciplina no rebalanceamento. Do ponto de vista econômico, a mensagem é de continuidade, o que valoriza educação financeira, constância e construção gradual de patrimônio como principais aliados do investidor”, Fabio Murad, CEO da Spacemoney Investimentos. 

“O retrato desenhado pelo Focus para 2026 aponta para um ciclo em que previsibilidade e estrutura ganham protagonismo. Com Selic em 12,25%, inflação em 4,02% e PIB projetado em 1,80%, o mercado tende a valorizar soluções financeiras bem organizadas e alinhadas ao fluxo real das empresas. A reação natural dos investidores é buscar instrumentos que combinem retorno consistente e proteção, enquanto as companhias reforçam a gestão do capital de giro. Nesse contexto, os FIDCs se destacam como uma ponte eficiente entre investidores e empresas, ao transformar recebíveis em liquidez e dar sustentação ao crescimento, mesmo em um ambiente macroeconômico mais exigente”, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

“Os dados mais recentes do Focus indicam uma economia que segue avançando com equilíbrio em 2026, apoiada em inflação em 4,02%, Selic em 12,25% e crescimento de 1,80%. Para o mercado de crédito, esse cenário reforça a importância de governança, tecnologia e eficiência operacional. Empresas passam a priorizar organização financeira e previsibilidade de caixa como parte central da estratégia, enquanto investidores buscam maior visibilidade sobre risco e retorno. Plataformas que integram dados, estruturação e acompanhamento contínuo tendem a ganhar espaço por oferecer soluções mais transparentes e alinhadas às necessidades da economia real”, Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue.

 “As projeções do Boletim Focus para 2026 reforçam um ambiente em que planejamento financeiro e soluções personalizadas fazem diferença. Com Selic em 12,25%, inflação em 4,02%, crescimento de 1,80% e câmbio em R$ 5,50, o mercado passa a valorizar estruturas de crédito bem desenhadas e aderentes à realidade de cada empresa. A reação dos investidores é direcionar recursos para operações com melhor leitura de risco, enquanto as companhias buscam alternativas que equilibrem prazo, custo e garantias. Nesse cenário, o crédito estruturado se consolida como ferramenta estratégica para sustentar expansão e dar previsibilidade ao fluxo de caixa”, Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX.

 “O cenário apresentado pelo Focus para 2026 reforça uma fase de maturidade no ecossistema de negócios. Com inflação em 4,02%, Selic em 12,25% e PIB projetado em 1,80%, o mercado passa a premiar modelos eficientes, escaláveis e bem governados. No venture capital, isso se traduz em maior foco em produtividade, execução e inovação aplicada a problemas reais. Para a economia, o crescimento tende a vir cada vez mais de ganhos de eficiência e uso inteligente de tecnologia. Startups que conseguem transformar inovação em melhoria concreta de margens e processos ganham relevância, fortalecendo o ecossistema como um todo, Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest.


 

Renata D’Aguiar atua preocupada com o cuidado integral com a mulher

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Reciclando o Futuro, instituto fundado por ela, oferece implante gratuito de DIU para pessoas em situação de vulnerabilidade

O Instituto Reciclando O Futuro está com 40 vagas abertas para mulheres interessadas na colocação do Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre como método contraceptivo. A iniciativa é voltada a quem não possui condições financeiras de arcar com o procedimento. As inscrições devem ser feitas pelo site www.reciclandoofuturo.com.br.

Após o cadastro, as candidatas passam por uma entrevista com profissionais da área da saúde, etapa necessária para verificar se atendem aos pré-requisitos para a implantação do dispositivo. A ação integra o projeto DIU Social, desenvolvido em uma clínica localizada em Taguatinga Sul, no Distrito Federal, que já realizou mais de 500 atendimentos no último ano.

De acordo com a fundadora do instituto, Renata D’Aguiar, a iniciativa busca ampliar o acesso ao método contraceptivo e garantir mais agilidade no atendimento. “O objetivo é atender com mais celeridade mulheres que precisam do DIU, mas não têm condições financeiras para pagar pelo procedimento. Assim, elas podem realizar um planejamento familiar mais duradouro e consciente”, afirma.

As mulheres selecionadas passam por uma consulta inicial e realizam um teste para confirmar que não estão grávidas antes da colocação do DIU, procedimento que é feito sob anestesia. A clínica também oferece a possibilidade de implantação gratuita de outros tipos de DIU, desde que o dispositivo seja adquirido pela própria paciente.

Segundo a enfermeira responsável, Ana Luiza Vicente da Silva, o primeiro atendimento inclui orientações detalhadas sobre o procedimento. “Nesse primeiro encontro, além de uma conversa aprofundada sobre o método e os cuidados necessários, realizamos o teste Beta HCG para descartar qualquer gestação”, explica.

Jornalistas libertados na Venezuela estão proibidos de falar

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Agência Pública

jornalistas recém-liberados ainda respondem a processos e não podem exercer a profissão

Por Natalia Viana | Colaboração: Danna Urdaneta | Edição: Bruno Fonseca

Nas últimas semanas, o governo venezuelano libertou 84 presos políticos – de acordo dados da organização Foro Penal – “para consolidar um novo momento político que permita a convivência, o reconhecimento e o respeito entre os venezuelanos, com cumprimento da lei”, nas palavras oficiais da presidente em exercício, Delcy Rodriguez. Dentre eles, estavam 19 jornalistas.

Segundo dados do Sindicato Nacional de Jornalistas, ainda há 5 jornalistas encarcerados por exercer a profissão. A Agência Pública conversou com repórteres, diretores de veículos e familiares de presos para entender como tem sido a rotina daqueles que insistem em comunicar o que acontece dentro do país.

Após anos de endurecimento do regime, fechamento e repressão a meios, além de leis que igualam informar com “incitação ao ódio”, os profissionais ouvidos pela reportagem relatam um misto de expectativa, ceticismo e uma “esperança que tem que ser mastigada”, nas palavras de um deles.

Mesmo aqueles que foram liberados da prisão não estão livres. Seguem respondendo criminalmente na Justiça venezuelana. Não podem dar declarações, usar redes sociais e têm de se apresentar a cada 30 dias à polícia. Também estão proibidos de deixar o país.

“Eles estão na rua, mas com um tapa-bocas”, resume Vladimir Villegas, ex-congressista e jornalista que, durante muito tempo, foi identificado com o chavismo – chegou a ser presidente da TV Venezolana de Televisión durante o governo de Hugo Chávez – e hoje trabalha para dois meios de comunicação e tem um canal no YouTube.

Por que isso importa?

  • O regime chavista impede a liberdade de imprensa com a perseguição e prisão de jornalistas.
  • A libertação de jornalistas é vista como um sinal de esperança para os profissionais venezuelanos.

“A Venezuela é hoje um dos países mais difíceis para se exercer o jornalismo no continente”, explica Artur Romeu, diretor para América Latina da organização Repórteres Sem Fronteiras. “O cenário é de atrofia profunda do ecossistema midiático, resultado de mais de 15 anos de práticas repressivas: asfixia econômica dos meios independentes, leis abusivas, agressões, detenções arbitrárias, exílio de jornalistas e uma precarização generalizada da profissão”.

Ele lembra que existem 497 jornalistas venezuelanos em exílio, o maior número da região. “Uma parte significativa deixou o país por perseguição direta: esses jornalistas eram alvos frequentes de ataques nas redes sociais, ameaças públicas feitas por autoridades, vigilância e campanhas de estigmatização”.

Para ele, “a agressão ilegal dos Estados Unidos e o sequestro de Nicolás Maduro ampliaram ainda mais o cenário de incerteza para a atuação jornalística no país”, uma vez que há incerteza sobre o futuro político e um estado de exceção decretado pelo governo no mesmo dia 3 de janeiro.

Yanela, presa por reportar sobre roubos em Caracas

Dias antes de rever sua filha, havia apenas um fio de esperança na casa de Francis Ramos, que se define como “uma mulher batalhadora”. Ela falou à Agência Pública depois de colocar a neta de 6 anos para dormir.

Sua filha, Yanela Nakary Ramos Mena, ficou presa durante nove meses no Instituto Nacional de Orientação Feminina, em Los Teques, a 30 quilômetros de Caracas, onde vive. Seu marido, Gianni Ángelo González Díaz, foi enviado para a prisão de Rodeo II.

Seu crime? Em abril do ano passado, eles fizeram uma reportagem em vídeo sobre o aumento de casos de roubos de rua em Caracas para o canal de YouTube Impacto Venezuela. Gianno era a câmera e Yanela, a apresentadora. Era um vídeo noticioso, sem nada que chamasse atenção: havia depoimentos de cidadãos que foram assaltados e de um advogado. No final, os jornalistas incluíram uma fala do ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, acusando quem dizia que existiam roubos de estar mentindo.

A reportagem foi acusada de fazer parte de uma “campanha” por portais relacionados ao governo. Pouco depois, o casal foi apreendido pela polícia científica e nunca mais retornou para casa. Foram acusados pelo Ministério Público de “incitação ao ódio” e “difusão de notícias falsas” pela Lei contra os Delitos de Ódio, de 2017.

Durante nove meses, Francis teve que buscar transmitir tranquilidade para a filha do casal: “eu sou o amor do pai e da mãe para ela”, disse. Além de ter que fazer a viagem quinzenal para ver a filha, teve, ainda, que enfrentar um labirinto burocrático kafkiano, cruel de tão sem sentido.

“Às vezes eu nem tenho tempo de chorar. Isso mudou a minha vida. Neste momento, eu digo: eu não sou eu. Eu vivo agora para dar o melhor a Nakary”, disse à Pública.

Francis contou que, durante todos esses nove meses, a filha não conseguiu ter uma audiência sobre seu caso, embora o tribunal tenha agendado três datas distintas. Assim, sua prisão foi se prolongando. “Na primeira vez, não houve ‘expediente’, na outra, estavam em ‘auditoria’. E na última, havia outra coisa que também não resultou em audiência”, conta.

Durante o tempo encarcerada, ela teve uma piora na sua dor nas costas e necessitava atendimento médico devido a uma cirurgia de escoliose, pela qual ela possui parafusos de titânio. Quando foi libertada, explicou a mãe, “agora ela só quer descansar”.

Uma garrafa de champagne para Carlos Julio Rojas

Quando Carlos Julio Rojas saiu da prisão, havia uma garrafa de champagne na geladeira esperando por ele. Na sua última visita à prisão de Helicoide, em Caracas, onde ele ficou encarcerado por mais de um ano e meio, a esposa viu o estado de ânimo do jornalista, que mal continha a alegria. “Ele me agradeceu por tudo isso, porque ele mesmo está surpreso com o que eu pude fazer por ele. Passei por tudo nesses 20 meses: medo, sustos, lágrimas, risos. Houve de tudo”, diz Francy Rojas.

“Hoje ele me diz: ‘Você conseguiu minha liberdade’. Eu digo ‘não, não fui eu’ e ele diz: ‘Você, com sua voz, foi você quem conseguiu, mesmo que você não acredite, foi você.’”

Carlos Julio é um jornalista que sempre incomodou o regime chavista. Apesar de ser especializado em cobrir esportes, ele era membro da direção do a associação laboral Colégio de Jornalistas de Caracas e usava as redes sociais para fazer denúncias contra casos de corrupção envolvendo membros do governo. Carlos acusou os colectivos – grupos de civis armados que respondem à estrutura de segurança pública chavista – de invadirem prédios privados, que depois passavam às mãos de funcionários do Estado.

“Ele é um defensor ferrenho da propriedade privada”, explica a esposa. Por conta dessa denúncia, diz ela, Carlos Júlio foi detido em 15 de abril de 2024, por “homens vestidos completamente de preto, com os rostos tapados”. Foi acusado por terrorismo, conspiração, instigação e associação para cometer crimes, além de tentativa de assassinato de um líder chavista. A Anistia Internacional o reconheceu como prisioneiro de consciência.

Francy Fernandez ficou conhecida no país quando decidiu usar sua voz para ajudar o marido. Quando suspenderam a leitura na prisão, ela organizou uma coletiva de imprensa para denunciar o caso. “Naquela coletiva de imprensa eu disse: ‘Hugo Chávez Frías teve direito a ler um livro [quando esteve preso], porque Carlos Julio Rojas não?’” Sua fala teve tanta repercussão que Rojas recebeu a permissão para ler livros.

Apesar do esposo estar proibido de falar, Francy diz que sente que fez o que tinha de ser feito. “Me vejo há 20 meses atrás e era uma Francy que estava triste, que chorava, que se sentia sozinha. E bom, agora estou 20 meses depois, sou uma Francy que passou de ser a companheira de Carlos Julio a ser a defensora de Carlos Julio”.

“Sinto que fiz o que tinha que fazer”, suspira. “Foi uma experiência tão difícil que tive que lutar até o último minuto”, disse ela à Pública, emocionada, na noite em que seu marido foi libertado da prisão.

Entre a esperança e o medo

A esperança é um sentimento novo para os jornalistas que trabalham na Venezuela, segundo diversos dos entrevistados pela Pública.

Apenas dez dias atrás, no dia 5 de janeiro, quando Delcy Rodriguez tomava posse como presidente, 16 jornalistas foram presos diante do palácio onde ocorria a cerimônia.Frente à promessa de uma mudança de regime depois do sequestro de Nicolás Maduro, foi um balde de água fria para a classe jornalística, uma das profissões que mais sofre a repressão do regime venezuelano. À noite, todos foram soltos.

“Embora tenha se intensificado na administração Maduro, o padrão de repressão também se manteve nos últimos dias”, diz Ana Rodríguez Brazón, jornalista venezuelana e correspondente do jornal colombiano El Tiempo em Caracas.

“O bombardeio [dos norte-americanos] não mudou a estrutura do governo. É a mesma atuação do governo, com muito mais pressão, claro, porque ele tem que evitar qualquer foco de protesto que possa derivar em um maior descontentamento das pessoas”, avalia ela.

Essa estrutura, explica Villegas, está cristalizada em uma variedade de leis que são rotineiramente usadas para criminalizar jornalistas. “A lei contra o ódio, a lei de responsabilidade social em rádio e televisão, reformas do código penal, também a lei antiterrorista. Isto é, há um conjunto de legislações na Venezuela que deveriam ser revogadas porque são inconstitucionais, porque partem da presunção de culpa”, diz ele. “Assuntos de segurança do Estado, conspiração, imagine, associação para delinquir, promoção do terrorismo – são as tipologias de acusações que são feitas contra os jornalistas. E isso gera, claro, muito medo”.

Segundo Edgar Cárdenas, diretor da associação Colégio Nacional de Jornalistas, apenas em 2025 já se contam 111 agressões a jornalistas no país. O Colégio, ao lado de organizações que defendem a liberdade de expressão, faz uma campanha pela libertação imediata dos jornalistas que ainda estão presos, e pelo fim de todos os processos criminais. Segundo ele, há elementos comuns na perseguição aos jornalistas na Venezuela: “as detenções arbitrárias sem ordem judicial, os casos de isolamento e, claro, o próprio atraso no devido processo, incluindo a nomeação dos advogados defensores privados”.

Neirlay Andrade, militante do Partido Comunista da Venezuela e diretora do jornal do partido, Tribuna Popular, diz que não havia nada que justificasse a detenção dos colegas, exceto estarem na rua, exercendo o jornalismo. “Também não estava acompanhada de uma ordem judicial, e sim funcionários, em muitos casos não identificados, os capturaram de uma maneira arbitrária e ilegal. Nossos colegas não têm um advogado de confiança, como indica a lei. Nossos colegas não têm comunicação, às vezes por vários meses, com seus próprios familiares.”

Segundo ela, a repressão do regime é pior no caso de comunicadores populares. “Aqueles que estão vinculados à comunicação popular sofrem assédio direto dos centros de poder para que não documentem nem denunciem as lutas populares”. Segundo ela, “se há um protesto de professores reivindicando salários e nós cobrimos no Tribuna Popular, o governo diz que se trata de terroristas e de fascistas”. Outro exemplo é o acosso contra rádios populares, que podem ter suas licenças revogadas pelo governo.

Para garantir a segurança pessoal, os repórteres foram desenvolvendo maneiras de se protegerem uns aos outros. Desde o dia 3 de janeiro, diz Ana Rodríguez Brazón, há um aumento de presença de civis armados – dos colectivos – nas ruas. “Isso te deixa em uma situação de vulnerabilidade”, diz ela, em especial em casos de jornalistas mulheres.

“O tema da segurança pessoal parece não estar tão garantido neste momento, por isso recorremos sempre a redes de apoio. Os anos nos levaram a estender essas redes de comunicação entre todos os jornalistas. Sobretudo, nós mulheres estamos muito atentas umas às outras”.

A jornalista Gabriela Buada Blondell, do site de Caleidoscópio Humano, lembra que no caso das mulheres as ameaças digitais são também mais violentas. “O assédio digital, ameaças em redes sociais, as campanhas de difamação, e os riscos que isso tudo representam para a integridade física e emocional”.

Cobrindo a invasão americana

No meio disso, os jornalistas venezuelanos precisam seguir fazendo seu trabalho. No dia 3 de janeiro, quando as forças militares dos EUA invadiram Caracas e bombardearam três estados e atingiram bases militares, o aeroporto de Higuerote, o porto de La Guaira e o Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica, além de casas de civis, matando mais de 100 pessoas – metade delas, da equipe de segurança de Maduro, alguns deles foram despertados pelos estrondos – e muitos, por dezenas de ligações de conhecidos tentando entender o que estava acontecendo.

Ana Rodríguez Brazón foi despertada pelo barulho das bombas.

“Acordei com a primeira bomba, mas pensei que eram fogos de artifício, porque ainda estávamos em celebrações natalinas. Mas já no segundo impacto, a onda foi muito mais forte e o som… para quem nunca tinha ouvido uma bomba, foi bastante chocante. O que está acontecendo? Onde vai cair a próxima? E realmente, é indescritível, porque o som te penetra, é exatamente como um filme de terror”.

Ela avisou imediatamente ao jornal El Tiempo, na Colômbia – eram quase duas da madrugada – e se pôs a apurar o que estava acontecendo. Para sua segurança, evitou sair à rua naquele momento. “Começaram a tocar os celulares, os vizinhos começaram a acordar, os grupos de WhatsApp começaram a tocar, no prédio se ouvia como os telefones tocavam, as pessoas perguntando… Ouvi algum grito de alguma varanda de pessoas que não sabiam o que estava acontecendo, de alguns que celebravam, outros que gritavam de medo”.

“Esse dia foi um dos dias, acredito eu, em que o sol demorou mais para nascer”, lembra ela.

Ela saiu à rua apenas à tarde, para entender o que estava acontecendo. O que viu a surpreendeu: silêncio. Ana esperava ver uma comoção pública, como ocorreu em 2002, quando Hugo Chávez sofreu um golpe de Estado, que acabou sendo revertido.

“Eu esperava ver um chavismo forte, um chavismo de base replicando o legado de Hugo Chávez”. O que ela viu foram menos de trezentas pessoas em frente ao palácio presidencial de Miraflores. “Muito poucas, de fato, num palanque, sem nenhuma condução de algum líder do chavismo. A realidade dava a entender que os venezuelanos não votaram em Nicolás Maduro, porque se não estariam lá pedindo por seu presidente”, analisa.

Ela conclui que “o silêncio foi muito claro, o silêncio falou e continua falando até hoje”.

Para Neirlay Andrade, o silêncio ecoa também o decreto de estado de exceção, decretado pelo governo interino no mesmo dia 3. “O artigo número 5 fala da possibilidade de responsabilidade penal para aquelas pessoas que celebrem, que exaltem, promovam, ou que estejam de acordo com os bombardeios e com o sequestro de Nicolás Maduro e Cilia Flores”. Por isso, diz ela, “o silêncio “ensurdecedor” tem a ver com medo de ser criminalizado.

Vladimir Villegas dormiu pouco, pois ligou à meia noite para parabenizar o filho pelo aniversário, naquele mesmo dia 3 de janeiro. Ouviu os estrondos quando se encaminhava para a rádio onde trabalha, mas voltou para casa e passou a reportar o que acontecia através das redes sociais.

“Nos coube então enfrentar, primeiro, mais do que a incerteza, a comoção. O impacto de ver que seu país foi bombardeado. Ainda que se trate de focos muito localizados, muito precisos, mas é seu país, é a Venezuela, é a pátria de Bolívar”, relembra. “É como se o cristal da República tivesse se estilhaçado em pedaços”.

Ele concorda que, em seguida, depois daquele dia caótico, se fez o silêncio. “Não vimos uma sociedade nem celebrando o ocorrido, nem tampouco protestando massivamente”. Para ele, “ainda não despertamos, ou seja, estamos num três de janeiro prolongado, numa letargia.”

O que muda agora?

Agora que muitos dos presos políticos voltaram às ruas, alguns jornalistas acreditam que eles podem ser a chave para uma transição de regime. É o que espera José Gregorio Yépez, diretor do site Contrapunto. “Os presos políticos podem ajudar a conseguir um espaço de encontro, mesmo que apenas por razões humanitárias, para abrir a possibilidade de um diálogo com algum resultado, dentro da conflitividade e da crise multidimensional que o país atravessa”.

Por mais que o regime chavista já tenha passado por muitas fases, Edgar Cárdenas acredita que é fundamental manter a esperança. “Sobretudo acreditar em um futuro que implique prosperidade, que implique o direito à informação. À medida em que continuem existindo jornalistas dispostos a continuar informando, se não for através de um veículo, através das redes sociais, através de um cartaz, de qualquer forma, então a liberdade de expressão continua viva”.

Para José Gregório Yépez, há um longo trabalho a ser feito, e o caminho futuro é claro para os que praticam a profissão. “O que você diria a um cantor, que ele fizesse para ajudar a paz? Poxa, que cante e que cante à paz e que não cante o rancor, não é?”, pergunta.

“Como jornalistas, o que temos que oferecer é o nosso ofício, o que devemos fazer é jornalismo sério e rigoroso. Não podemos fazer outra coisa”.

Banco do Nordeste integra o Top 5 do Boletim Focus

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Fortaleza (CE) –  O Banco do Nordeste (BNB) passou a integrar, em menos de um ano após sua entrada no Sistema de Expectativas de Mercado do Banco Central, o grupo Top 5 do Boletim Focus, que reúne as instituições com maior precisão nas projeções econômicas.

O Banco ficou entre as instituições com melhor desempenho na estimativa da taxa Selic para o final de 2025. O resultado decorre das análises produzidas pela equipe macroeconômica do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene).

Para o economista-chefe do BNB, Rogério Sobreira, o reconhecimento decorre do trabalho desenvolvido pela área econômica da instituição. Segundo ele, integrar o Top 5 indica que “as projeções enviadas ao Banco Central apresentam precisão consistente, baseada nos métodos adotados e na atuação da equipe do Etene”.

Sobreira destaca que o desempenho também reflete a contribuição do Banco do Nordeste ao debate macroeconômico nacional. “As análises partem da realidade regional e dialogam com os indicadores do país, ampliando a diversidade das expectativas de mercado”, afirmou o economista.

A presença no Top 5 decorre unicamente do histórico de acertos das projeções, critério utilizado pelo Banco Central para compor a lista. O economista-chefe avalia que o resultado reforça o trabalho técnico da instituição.

Boletim Focus

O Boletim Focus é uma publicação semanal do Banco Central do Brasil que reúne projeções de instituições financeiras, consultorias, empresas e centros de pesquisa sobre variáveis como inflação, juros, câmbio e crescimento econômico. As informações subsidiam decisões de política monetária, investimentos e planejamento econômico.

Economista-chefe do Banco do Nordeste, Rogério Sobreira

Crédito da imagem: Fernando Cavalcante

Detran-DF retira de circulação veículos com 112 infrações durante a Operação Torre Forte

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Ação removeu dois carros com licenciamentos vencidos, condutores em situação irregular e R$ 72 mil em débitos
Gabriella Tardocchi Lerback
A Operação Torre Forte, realizada pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) nesta quinta-feira (15),  retirou de circulação dois veículos com histórico recorrente de infrações e mais de R$ 72 mil em dívidas acumuladas. A ação ocorreu na via EPTG e teve como foco a preservação da segurança viária.
Os automóveis abordados estavam com os licenciamentos vencidos desde 2017 e 2020 e circulavam em desacordo com a legislação de trânsito. Somados, os veículos acumulavam 112 infrações registradas, a maioria relacionada ao excesso de velocidade, acima do limite permitido em até 50%. Também foram identificadas infrações por avanço de sinal vermelho, circulação em acostamentos e uso indevido de faixas exclusivas.
Durante a abordagem, foi constatado ainda que um dos condutores não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A operação contou com o apoio do helicóptero Sentinela 01 e com o suporte do Centro de Controle Operacional (CCO) do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF). Com o uso de tecnologia e planejamento estratégico, a Unidade de Operações Aéreas (UOPA) do Detran-DF atua na identificação e retirada de circulação de veículos que representam perigo à coletividade.