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Feira de vinil, discotecagens, workshop gratuito e cervejas artesanais agitam Metropolitan Mall

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Vinilipa acontece neste sábado (5), das 10h às 17h, com entrada franca

GOIÁS – Pela terceira vez, o Metropolitan Mall recebe o Vinilipa, um evento que une feira de vinil, discotecagem analógica e cervejas artesanais. A programação acontece das 10h às 17h no polo gastronômico do complexo, localizado na Avenida Deputado Jamel Cecílio, nº 2.690, no Jardim Goiás, em Goiânia. A entrada é franca.

No local, colecionadores e entusiastas encontrarão uma variedade de discos de vinil, de novidades a grandes clássicos e até raridades. As opções abrangem diferentes épocas, estilos, valores e formatos, incluindo os bolachões de 12 polegadas e os compactos de 7 polegadas. Entre os expositores goianos confirmados estão a Lado A Discos, Monstro Discos e Discos & Afins.

Já o som ficará por conta de quatro DJs: Wash (DF), Thiago Jesus, Pacheco e Gordogroove, que também é o idealizador do evento. Durante a programação, eles tocarão sets em vinil, apresentando parte de suas coleções pessoais e explorando diferentes estilos musicais.

O Vinilipa ainda terá uma seleção de cervejas artesanais. O Armazém do Mago, novo e-commerce cervejeiro de Goiás, oferecerá quatro tipos de chope (German Pilsner, Doppelschawarpz, American IPA e Double IPA) das cervejarias Frohenfeld, Tarin e Capa Preta. A loja também venderá outras opções nacionais e internacionais em latas e garrafas.

Workshop gratuito sobre vinil e discotecagem
A edição deste ano traz uma novidade: um workshop gratuito de introdução à cultura vinil e discotecagem básica, que será ministrado das 10h às 11h30, no auditório do Metropolitan Mall. A aula será comandada pelo DJ Wash, que é cofundador da DJ School BSB, uma das principais referências no ensino da arte de ser DJ em Brasília (DF). Ele irá explorar os fundamentos da métrica musical, a operação de equipamentos de DJ, técnicas de mixagem e o básico de equalização e efeitos. As inscrições estão abertas pelo link https://bit.ly/vinilipaworkshopdj, enquanto houver vagas. O evento é aberto a todas as idades e não exige conhecimento prévio.

Sobre o Metropolitan Mall
Localizado no coração do Jardim Goiás, o Metropolitan Mall oferece diversas opções de alimentação e um variado mix de serviços, que incluem estética, beleza, papelaria criativa, turismo, desenvolvimento pessoal, gestão financeira e negócios imobiliários. Atualmente, o complexo reúne mais de 20 lojistas, proporcionando conveniência, conforto e segurança.

Seu polo gastronômico é composto por Árabe Restaurante, Óri Gastronomia Japonesa, Boali, Flow, Lifebox Burger, Rancheiro Express e Esfiharia Brasil. Já entre os serviços, o público encontra Easy Beauty – Salão & Barbearia; Espaçolaser; Face Doctor; Harmonie Sorriso & Face; Letycia Azevedo; CLÔ Paper; SJS Travel; Vox2you; Sicoob Crediadag; Aliá Investimentos; AUVP Capital; Rede Frota; Flat For You; Portfolio Imóveis; URBS Imobi e VVS Negócios Imobiliários.

Para maior comodidade, o Metropolitan Mall ainda oferece estacionamento coberto e seguro, com tarifa única de R$ 15 mediante validação do ticket pelos lojistas.

SERVIÇO
Vinilipa no Metropolitan Mall
Data:
05/07 (sábado)
Horário: 10h às 17h
Local: Metropolitan Mall – Avenida Deputado Jamel Cecílio, nº 2.690, no Jardim Goiás, em Goiânia (GO)
Mais informações: instagram @mall_metropolitan @vinilipa_
Entrada gratuita

108 vidas salvas: programa reduz óbitos e custos com pacientes crônicos

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Programa de gerenciamento de doentes crônicos do Hospital Evangélico de Londrina já salvou 108 vidas e economizou R$ 2,4 milhões que estão sendo reinvestidos em atendimento para outras especialidades

Legenda: Programa Viva Saúde, de gerenciamento de pacientes crônicos do Hospital Evangélico de Londrina, deve evitar, ao fim de 2025, 11.979 atendimentos de emergência e 108 óbitos.
Foto: Schutterstock

 

Cerca de 41% dos R$246 bilhões previstos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias para financiar ações e serviços públicos de saúde (ASPS) e garantir o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2025, é destinado para o tratamento de doenças crônicas. Este percentual de gastos com doentes crônicos é similar, tanto no sistema público quanto no sistema privado.
Para reverter este quadro, o Programa Viva Saúde, implementado dentro do Plano Hospitalar, do Hospital Evangélico de Londrina (HE Londrina), encontrou um caminho eficiente, humano e financeiramente sustentável.
Desde o início do programa, em 2023, foram economizados R$2,48 milhões (redução mensal de R$207 mil), com o tratamento de doentes crônicos, incluindo a melhoria das condições de saúde dos pacientes e, consequentemente, redução de idas ao pronto-atendimento, de exames e de consultas.
Ao todo, a economia chega a R$2.031,31 por paciente em um ano. O número de internações caiu e foram menos 11.979 atendimentos de emergência. A estimativa é que 108 óbitos tenham sido evitados apenas em 2025.
O programa – que acompanha ativamente, neste momento, 1.223 pacientes crônicos apontados como críticos por uma plataforma instalada e que dá suporte aos médicos e enfermeiros – também conseguiu reduzir 2.884 consultas eletivas e mais 23.823 exames eletivos em um ano.
Desde o início do programa Viva Saúde, 72 pacientes de alto risco foram identificados e 60 deles (83,33%), tiveram seu risco diminuído após o início de acompanhamento.
Por ser um Hospital filantrópico, o valor economizado está sendo reinvestido mensalmente em novos serviços, equipamentos de ponta e ampliação do atendimento à comunidade.
Tecnologia, prevenção e cuidado humanizado
O diferencial do programa está na combinação de tecnologia (PGS/Nagis Health), telemonitoramento, atendimento domiciliar e um cuidado contínuo, personalizado por equipes multiprofissionais. O custo médio anual por paciente crônico caiu de R$6.407,12 (antes da implantação do programa) para R$4.375,81 – mesmo já considerando o investimento no programa.
As doenças crônicas já são responsáveis por mais de 72% das mortes no Brasil. Metade da população adulta apresenta alguma condição crônica, como diabetes, hipertensão, obesidade, depressão ou doenças cardiovasculares. Mas o Viva Saúde tem mostrado que é possível reverter o agravamento desses casos e garantir mais qualidade de vida.
“A plataforma integra tecnologia, prevenção e uma equipe de cuidados que monitora cada paciente de forma contínua. Isso evita agravos, melhora a qualidade de vida e reduz os custos com tratamentos mais caros”, explica Eduardo Otoni, superintendente da Associação Evangélica Beneficente de Londrina (AEBEL). Segundo ele, estudos mostram que a sobreutilização de recursos diagnósticos e terapêuticos adiciona uma carga financeira significativa ao sistema de saúde.
Mais que economia, o Viva Saúde entrega resultado em saúde. Além dos 108 óbitos prevenidos, foram 423 internações a menos e 11.979 atendimentos de urgência e emergência prevenidos em um único ano.

A tecnologia utilizada, plataforma PGS/NAGIS, é reconhecida pela International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial. Ela cruza dados clínicos, classifica os pacientes por risco e recomenda ações específicas. Desde janeiro de 2023, mais de 1.700 pacientes foram incluídos no sistema e cerca de 300 já receberam alta.

Resultados acima da média mundial

Enquanto programas de referência internacional como o National Health Service (Reino Unido) e a Kaiser Permanente (EUA) alcançam reduções anuais de 14% a 17% no risco clínico, o Viva Saúde já atingiu 24,37%. Apenas entre os pacientes de alto risco, 83,33% conseguiram reverter o quadro com o acompanhamento.

Outros indicadores também se destacam:

  • 87,86% dos pacientes aderem às orientações clínicas;
  • 19,94% dos pacientes reduziram o Índice de Massa Corporal (IMC) desde o início do programa (dos 1.414 identificados, 282 reduziram IMC);
  • 20,58% dos pacientes com obesidade (IMC acima de 30) conseguiram reduzir o peso e, com isso, controlar doenças como diabetes e hipertensão. Foram 447 identificados (31,61%) e 92 deles reduziram o peso.

Histórias que mudam vidas

Dalva Regina Taniguchi, paciente com hipertensão e histórico de crises frequentes, reduziu drasticamente as idas ao pronto-socorro após entrar no programa. Eram frequentes idas semanais ou quinzenais ao hospital. “Estou muito satisfeita. Minha pressão está normalizada, não preciso mais correr para o PS. A equipe é atenciosa e o atendimento online facilita muito”, conta.

Para Wagner Marques, gestor da Nagis Health, o segredo está na personalização: “O software aprende com os dados e ajuda os profissionais de saúde a adaptar os protocolos de cuidado à realidade de cada paciente. É um cuidado inteligente, humano e de resultado”, detalha.
Um modelo para o SUS

Com resultados comprovados, baixo custo operacional e adesão significativa, o Viva Saúde tem se mostrado uma alternativa viável para o Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em cidades de médio porte. “Estamos falando de salvar vidas, evitar sofrimentos e ainda economizar recursos. O sucesso do Viva Saúde mostra que é possível fazer mais e melhor com menos”, conclui Eduardo Bistratini.

 

A camisa azul de Tarcísio e o reposicionamento da direita brasileira

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Ao trocar o amarelo pelo azul, Tarcísio sinaliza continuidade com Bolsonaro, mas aposta em tom mais moderado para ampliar seu espaço rumo a 2026

No país do futebol, os símbolos de campo invadem a política com naturalidade. Nos últimos anos, vimos a camisa amarela da Seleção Brasileira ser apropriada como um emblema político da direita, especialmente a partir da ascensão de Jair Bolsonaro. Mais do que uma escolha estética, o uniforme tornou-se um símbolo de identidade e pertencimento para uma militância que enxergava na “camisa canarinho” a materialização de valores patrióticos, conservadores e nacionalistas.

Mas, como em qualquer jogo de longo prazo, os símbolos também evoluem. Nesse contexto, chama atenção um detalhe aparentemente banal, mas carregado de significado: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e virtual presidenciável em 2026, tem aparecido sistematicamente vestindo a camisa azul da Seleção.

A camisa azul, tradicionalmente o uniforme número 2 do Brasil, o reserva, a alternativa, a substituta, pode revelar mais do que uma simples preferência pessoal. Surge, então, a pergunta central: seria essa escolha uma estratégia deliberada de diferenciação política?

Enquanto Bolsonaro permanece associado ao amarelo vibrante do bolsonarismo raiz, Tarcísio parece adotar um tom mais sóbrio e menos agressivo, ainda dentro do campo da direita. A camisa azul pode simbolizar a tentativa de se apresentar como o “número 2” pronto para assumir o posto de número 1, caso Bolsonaro, de fato, decida não disputar a eleição, algo que o próprio ex-presidente ventilou recentemente, ao admitir pela primeira vez a possibilidade de não concorrer em 2026.

A escolha pela camisa azul pode comunicar, simultaneamente, dois movimentos estratégicos:

Lealdade e continuidade: Tarcísio não rompe com o campo bolsonarista. Pelo contrário, mantém o apoio declarado de Bolsonaro e alinhamento programático, apresentando-se como uma versão menos polarizadora, mais técnica e institucional do mesmo projeto político.

Reposicionamento e expansão: Diferenciar-se visualmente pode sinalizar ao eleitorado de centro que Tarcísio representa uma direita “menos estridente”, mais palatável a setores moderados, ao mercado e a parte da elite política. É o mesmo time, mas com uma nova escalação.

Caso Bolsonaro confirme a não candidatura, Tarcísio tende a herdar o grosso da militância e da estrutura. Mas precisará ir além: ocupar um espaço que seja, ao mesmo tempo, de continuidade e renovação. Nesse sentido, o gesto simbólico de vestir a camisa azul revela que ele compreende um ponto essencial da disputa: para vencer, não basta jogar no campo certo, é preciso se apresentar como titular.

No xadrez político que se desenha para 2026, os símbolos ganham força. E se a camisa amarela carrega o peso de um passado recente de polarização, a azul pode representar a tentativa de manter a base mobilizada, mas ampliar o jogo para além dela.

 

Sobre Elias Tavares


Cientista político especializado em comunicação eleitoral e marketing político. Atua como analista em veículos nacionais, preside uma empresa pública de tecnologia e mantém o blog eliastavares.com.br, onde publica reflexões estratégicas sobre política, governo e opinião pública.

III Congresso de Gestão Jurídica do Nordeste celebra sucesso com recorde de participantes

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A terceira edição do Congresso de Gestão Jurídica do Nordeste encerrou suas atividades com um balanço altamente positivo, consolidando-se como um dos eventos mais relevantes para o setor no Brasil. O congresso, que contou com o patrocínio do Banco do Nordeste (BNB), reuniu um público expressivo e demonstrou a crescente demanda por conhecimento e inovação na advocacia.

 

Os números da edição reforçam o sucesso do evento: foram 859 participantes e 666 check-ins, indicando um alto engajamento e presença nos dois dias de programação intensa. A abrangência do congresso também foi notável, atraindo profissionais de diversas partes do país. Marcaram presença representantes dos Estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins, comprovando o alcance nacional do evento.

 

A programação, focada nos pilares de pessoas, processos e tecnologia, com um olhar humanizado, ofereceu palestras, painéis e workshops que abordaram as tendências e desafios do mercado jurídico em constante evolução.

 

As organizadoras do evento, Camila Tabatinga, Thaís Timbó e Mirla Dantas, expressaram sua gratidão pelo resultado alcançado. “Estamos imensamente felizes e gratas pelo sucesso desta edição. Ver a casa cheia, com participantes de tantos estados, e contar com o apoio de parceiros como o BNB, que acreditou em nossa visão, é a maior recompensa. Isso nos motiva a continuar trabalhando para oferecer um evento cada vez mais relevante e transformador para a advocacia”, destacam.

 

O III Congresso de Gestão Jurídica do Nordeste reafirma seu papel como um espaço essencial para a atualização profissional, o networking qualificado e o debate sobre o futuro da gestão jurídica no país.

Venâncio Shopping recebe ação de multivacinação gratuita em parceria com a Secretaria de Saúde do DF

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Telmo Ximenes Fotografia

Neste sábado, 5 de julho, o Venâncio Shopping será ponto de apoio para uma importante ação de saúde pública. Em parceria com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o shopping promove uma campanha de multivacinação gratuita, das 10h às 17h, no piso térreo, com atendimento para crianças e adultos.

A iniciativa tem como objetivo facilitar o acesso da população às vacinas e reforçar a importância da imunização como ferramenta essencial para a prevenção de doenças e o cuidado coletivo. Estarão disponíveis vacinas contra Hepatite, Tétano, Covid-19, Febre Amarela e Tríplice Viral, HPV, Poliomielite entre outras. Para receber a dose, é necessário apresentar documento com foto (no caso de adultos) e, no caso de crianças a partir de 15 meses, é obrigatória a apresentação da carteira de vacinação.

 

Sobre o Venâncio Shopping  

No centro da capital do país, desde 1976, o Venâncio Shopping traz em seu DNA um conceito inovador. Além de ser uma excelente opção para compras e experiências, é também um Hub de Serviços e ponto de solução de pessoas, com sua torre business atrelada a torre de Serviços, alta gastronomia da capital como Jamie Olivier Kitchen, Cantón Peruvian & Chinese Food, Chaco, Confraria do Camarão, Outback Steakhouse, Starbucks e Scada Café. Entre os serviços oferecidos, estão opções como: cartório de registro de imóveis em Brasília, clínicas, faculdades, entre outros.

SERVIÇO:
Ação de Multivacinação Infantil e Adulto  
Data:
 05 de julho      
Horário:
 das 10h às 17h
Local: Venâncio Shopping – Piso Térreo (próximo à Cacau Show)
Entrada: Gratuita
Indicação: Livre

Venâncio Shopping      
SCS Q 8 – Asa Sul
Informações: (61) 3208-2000
Canais digitais: www.venancioshopping.com.br
Instagram: @venancioshopping

Por condução segura, JET lança projeto piloto de pontos para usuários

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www.danielestevaofotografia.com.br

O serviço de patinetes elétricos JET lança uma nova atualização que permite a cada usuário visualizar sua pontuação individual. Trata-se de um passo importante rumo à micromobilidade mais segura e responsável, em que cada participante do trânsito impacta não apenas sua própria jornada, mas também a qualidade do ambiente urbano.

A pontuação é calculada com base em diversos critérios: direção segura, respeito ao limite de velocidade, estacionamento correto e ausência de infrações. No futuro, o sistema também considerará comportamentos de risco recorrentes, como estacionamentos em locais proibidos ou uso do patinete em duplas.

Para que servirá a pontuação?

Inicialmente será uma ferramenta de autocontrole: em casos de pontuação baixa e reincidência de infrações, o acesso ao serviço poderá ser suspenso temporariamente. A proposta é criar um modo de incentivo ao uso responsável do transporte, para a segurança de todos que compartilham o espaço urbano.

No futuro, usuários com boa pontuação e condução consciente poderão receber benefícios: bônus, acesso a maior velocidade permitida e outras vantagens. No momento, a funcionalidade está em fase piloto: todos os usuários iniciam com 100 pontos. Nas próximas etapas, todas as viagens serão analisadas.

“Neste momento, os usuários não verão mudanças imediatas em sua pontuação, mas as viagens serão avaliadas futuramente e o índice será ajustado”,explica o assessor da JET, Lincoln Silva. A atualização faz parte do compromisso da JET com o uso consciente da micromobilidade. A empresa reforça o convite a todos: respeito mútuo também começa nas ruas.

Sobre a JET

Líder do segmento na América Latina, a JET é um serviço brasileiro de aluguel de patinetes elétricos, bicicletas e carregadores portáteis, em operação desde 2023. Atualmente, está presente em mais de 25 cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Salvador, Fortaleza, Aracaju e Brasília.

 

Do amianto às terras raras, cidade de Goiás vive entre passado e futuro da mineração

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Após 60 anos de exploração, Minaçu quer recomeço com minerais da transição energética disputados por China e EUA
Por Isabel Seta | Edição: Giovana Girardi

Crédito: José Cícero / Agência Pública

 

Uma pequena cidade no norte de Goiás, onde ainda funciona a única mina de amianto das Américas, vem atraindo atenção mundial por abrigar a primeira operação fora da Ásia a produzir em escala comercial as principais terras raras – um conjunto de minérios fundamental para a transição energética e que está no centro da disputa comercial entre China e Estados Unidos.

A expectativa em torno da incipiente produção brasileira de terras raras se dá em um momento de preocupação global com a cadeia produtiva desses minérios – depois que a China, principal produtora desses minérios no mundo, restringiu suas exportações em resposta ao tarifaço promovido por Donald Trump.

Sozinha, a China domina a separação das terras raras e responde por mais de 90% da fabricação de superímãs, produtos feitos com esses elementos que são essenciais em motores de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares, como caças e mísseis.

Com a segunda maior reserva desses minérios no mundo, o Brasil tem potencial para alterar esse quadro, na opinião de Constantine Karayannopoulos, pioneiro do setor. “Eu venho avaliando [esse mercado] ao redor do mundo há anos e acho que o Brasil tem, de longe, os melhores depósitos de terras raras”, disse à Agência Pública. Cofundador de uma das maiores empresas da indústria de terras raras, a Neo Performance Materials, ele esteve recentemente no Brasil para conhecer operações em Goiás e Minas Gerais.

O epicentro dessas operações hoje no país é a pequena Minaçu, a 382 quilômetros de Brasília, onde, desde o início de 2024, uma mineradora multinacional controlada por um fundo privado americano escava uma imensa área na serra que rodeia a cidade para extrair terras raras destinadas à exportação – justamente para a China.

Para a cidade e seus 27 mil habitantes, a nova exploração mineral é a promessa de um recomeço. Fundada por causa da extração de amianto, usado por décadas na construção civil, Minaçu viu o que considerava sua vocação econômica ameaçada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em 2017, baniu toda a produção e comércio de amianto no país pelos problemas de saúde causados pela exposição ao minério. Hoje, mais de 65 países proíbem ou restringem a exploração e o uso do amianto.

A cidade, porém, conseguiu retomar a produção, ainda que em menor escala, depois de uma lei estadual de 2019 autorizar a mineração apenas para exportação. A legislação é questionada e está em julgamento no STF há seis anos (em março, o ministro Kássio Nunes pediu vistas), colocando o futuro da economia de Minaçu em um limbo. Até a descoberta de terras raras.

E a COP30 com isso?

  • Os países que vão participar da COP30, maior conferência sobre mudanças climáticas da ONU, precisam apresentar metas para reduzir a queima de combustíveis fósseis, que causam o aquecimento global. O principal instrumento para se obter essa redução é acelerar a transição energética: substituir os fósseis por fontes mais limpas, como as energias solar e eólica;
  • A demanda por minerais críticos, como as terras raras, usados na fabricação de turbinas eólicas, painéis solares e veículos elétricos, deve triplicar até 2040, aumentando a pressão por cidades como Minaçu, o que eleva o risco de piorar as desigualdades sociais. Daí a reivindicação da sociedade civil para que a transição energética justa seja discutida na COP.

Entre os moradores da cidade, a chegada de uma nova mineradora – a Serra Verde – foi recebida com um misto de alívio e euforia. Em 2017, a primeira audiência pública na cidade sobre a mineração de terras raras reuniu mais de cinco mil pessoas em um templo da Assembleia de Deus.

“Foi em um dia útil, mas parecia feriado, porque as ruas estavam vazias e tudo fechado, já que estava todo mundo na audiência – representantes das empresas, do poder local. Tinha moradores com o currículo já em mãos”, conta o antropólogo Arthur Pires do Amaral, que vivia em Minaçu na época estudando a relação da população com a exploração de amianto.

Em Minaçu, a Serra Verde Pesquisa e Mineração, fundada e administrada pelo Denham Capital, um fundo americano privado de investimentos, pretende ser a primeira operação fora da Ásia a produzir um concentrado com os elementos de terras raras usados na fabricação de superímãs.

Esse concentrado, que depois precisa ser separado, é produzido a partir da extração em um dos maiores depósitos de argila iônica encontrados fora do sudeste asiático. Outros países, como Estados Unidos e Austrália, possuem terras raras em depósitos conhecidos como “pedra dura”, muito mais complicados e caros de explorar.

Terras raras são fundamentais para transição energética

Terras raras é o nome dado a um conjunto de 17 minerais com propriedades de enorme interesse econômico, como o alto magnetismo e a capacidade de absorver luz, o que os torna úteis para várias aplicações tecnológicas – dos superímãs de carros elétricos a discos rígidos de computadores e telas de celular. São chamados de “raros” porque costumam ser encontrados em baixas concentrações e misturados a outros elementos, o que dificulta a extração e, principalmente, a separação.

Cada elemento é usado para uma aplicação diferente. Mas a maior demanda global é por neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, fundamentais para superímãs potentes usados nos motores elétricos e turbinas de geração eólica.

Hoje, praticamente toda a separação desses elementos é feita na China, que descobriu jazidas de argilas iônicas ricas em terras raras nos anos 1990, revolucionando a indústria desses minerais. Desde então, o país apostou em uma estratégia industrial de investimento pesado em toda a cadeia, da extração à fabricação do produto final, principalmente os carros elétricos – ampliando e, ao mesmo tempo, alimentando a demanda por terras raras, que dobrou globalmente entre 2015 e 2023.

Quando uma “mãe” se aposenta, surge outra

A licença de instalação da Serra Verde foi concedida pelo governo estadual em 2019, pouco depois da mineradora de amianto, a Sama (empresa de origem francesa, hoje parte da brasileira Eternit SA) ter sido notificada judicialmente e forçada a interromper suas atividades – após 50 anos de uma produção constante que deu origem a própria cidade.

“Quando [a Sama] fechou, foi um baque”, lembra o minaçuense Hivan Soares, 39 anos.

“Mas aí tinha aquela expectativa: a Serra Verde vai chegar. Só que era só uma expectativa. Aí passou um tempo e a Sama pôde reabrir, mas não com o mesmo impacto de antes. Até 2019, a Sama foi uma mãe para a cidade em todos os aspectos.”

Soares, que trabalhou quase três anos na mineração de amianto, não é o único a se referir à mineradora como “mãe”. O apelido, repetido por toda a cidade, revela a relação de dependência da empresa. Antes da Sama, não havia Minaçu – cujo nome, em tupi-guarani, significa literalmente “mina grande”.

Até a descoberta da jazida de amianto de Cana Brava, em 1962, a região de cerrado, próxima à Chapada dos Veadeiros, era habitada por indígenas Ava-Canoeiro e por alguns garimpeiros. Para viabilizar a exploração do minério, a empresa construiu as primeiras casas, asfaltou (com amianto) as primeiras ruas e instalou hospital, delegacia e escola.

A partir da vila operária, Minaçu cresceu literalmente colada à mina de amianto. Os moradores mais antigos ainda se lembram de quando “nevava” na cidade: nas décadas de 1970 e 1980, as casas, carros e árvores costumavam amanhecer cobertos pelo pó branco dos rejeitos da exploração.

Ainda hoje, a primeira coisa que é possível avistar ao horizonte por quem chega a Minaçu é a pilha de rejeitos, que forma uma montanha artificial com as camadas antigas cobertas por grama e as mais recentes ainda de coloração cinza esbranquiçada. Para além do monte de rejeitos, o amianto marca toda a paisagem de Minaçu, dando nome a ruas, hotéis e comércios. Na frente do fórum municipal, há uma enorme pedra do minério.

Pedra de amianto na entrada do Fórum de Minaçu [Crédito: José Cícero / Agência Pública]

 

Dita Godinho do quintal de casa observa a área de exploração de Amianto da mineradora SAMA [Crédito: José Cícero / Agência Pública]

 

“A Sama é a grande parteira da cidade. Todos dependiam da empresa, e isso criou uma relação umbilical. É uma cidade produzida por e para o capital minerário”, resume o geógrafo Fábio Macedo Barbosa, professor da Universidade Estadual de Goiás que pesquisou a história de Minaçu em seu doutorado.

Com o início do julgamento sobre o amianto no STF, em 2012, a relação estremeceu e a capacidade empregadora da empresa passou a diminuir. A partir de 2014, ano em que a Sama bateu recordes de exploração mineral, a mineradora começou a demitir mais do que abrir novas vagas. O saldo se manteve negativo até 2019, com exceção do ano de 2018, segundo levantamento da pesquisadora Agnes Serrano para o doutorado que fez na Universidade de Brasília.

Dados mais recentes, do Cadastro Geral de Empregos (Caged), mostram que, em Minaçu, o setor de extração de minerais não-metálicos (caso do amianto) teve saldo positivo de empregos formais nos últimos 5 anos. Ainda assim, os moradores dizem que a mineradora não emprega na quantidade do passado – nem com os mesmos benefícios.

Agora, a expectativa local é que a Serra Verde ocupe esse lugar, oferecendo empregos formais e contribuindo com o orçamento municipal pelo pagamento de impostos, os chamados royalties da mineração. O prefeito de Minaçu, Carlos Alberto Lereia (PSDB), reverbera a empolgação: “Vai dar uma riqueza enorme para a cidade. Eles estão prevendo produzir 25 mil toneladas em 2027, e aí eu tenho certeza que a receita será grande”, disse à Pública.

O prefeito de Minaçu, Carlos Alberto Lereia (PSDB), em entrevista à Pública [Crédito: José Cícero / Agência Pública]

 

Nada disso, porém, vem acontecendo na velocidade que se esperava devido a atrasos na implementação da mineradora e dificuldades operacionais. A expectativa era começar a produção em 2022, mas a operação comercial só teve início em janeiro do ano passado.

Em setembro, uma primeira remessa de 60 toneladas foi exportada para a China, conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A mais recente, de fevereiro, foi de 419 toneladas – ainda muito distante da expectativa de produção da empresa de chegar a pelo menos 5 mil toneladas por ano.

Em outubro, a mineradora recebeu US$ 150 milhões em investimentos de outros dois fundos estrangeiros, o britânico Vision Blue e o The Energy & Minerals Group, com sede no Texas. A Serra Verde também foi incluída na “Minerals Security Partnership”, uma colaboração entre a União Europeia e 14 países, entre eles os Estados Unidos e a Índia, para aumentar investimentos públicos e privados na cadeia global de minerais críticos.
Ainda assim, em Minaçu, foram registradas mais demissões do que admissões formais no setor de minerais metálicos (caso das terras raras) todos os meses desde outubro até março (último mês com dados disponíveis pelo Caged) – pelo menos 165 pessoas foram desligadas.

Para Luiza Cerioli, pesquisadora sênior da Universidade de Kassel, na Alemanha, isso se deve a uma característica comum de economias baseadas na extração de riquezas naturais, como os minérios: elas produzem “cidades enclaves” – apartadas do restante da economia.

“Essa característica de enclave significa que são poucos empregos, que há poucas conexões na cadeia produtiva com outros setores industriais e comerciais. Por mais que exista essa ideia de que o extrativismo produz muito emprego, a realidade mostra outra coisa”, diz ela.

Preocupação com impactos ambientais da extração de terras raras

Institucionalmente, a Serra Verde se promove como o produtor de terras raras “mais sustentável globalmente” por realizar a retirada de minério em buracos considerados rasos, de até 6 metros de profundidade, sem a necessidade de explosões ou britagem, e por usar apenas água e sal para produzir o concentrado destinado à exportação. Muito diferente da exploração de amianto, cujas explosões sacudiam as casas da cidade e deixaram três cavas gigantescas abertas nas montanhas.

A operação no Brasil quer se diferenciar das realizadas na Ásia, onde já foram identificados impactos ambientais na extração de terras raras. Anos atrás, o governo chinês se viu obrigado a fechar várias minas de argila iônica no sul do país, por causa do impacto ambiental das operações.

Boa parte da extração, então, migrou para Mianmar, onde também há denúncias de danos ambientais associados à contaminação do solo e de rios por sulfato e nitrato de amônio – usados pelas mineradoras para produzir o concentrado de terras raras – o que acabou virando um problema para empresas preocupadas com os indicadores ESG (Ambiental, Social e de Governança, na sigla em inglês), que não querem estar associadas ao país.

“Hoje, todas as terras raras pesadas que são refinadas na China vêm de minas de argila iônica em Mianmar. Clientes de grande porte já me perguntaram quanto tempo vai ser necessário para eliminar Mianmar da cadeia produtiva de terras raras”, conta Karayannopoulos.

A Serra Verde usa sal – em vez de sulfato e nitrato de amônio – e afirma reciclar toda a água utilizada para lavar a argila iônica e produzir o concentrado. “Nosso processo é quase uma extração ‘natureba’ de terras raras. Sem resíduo radioativo, buscando proteger cursos d’água e nascentes”, disse o então vice-presidente da mineradora, Luciano Borges, em uma reunião realizada com funcionários em 2022.

Ainda assim, moradores da comunidade mais próxima à mina se preocupam com os impactos da atividade. À Pública, duas famílias relataram que desde que a mineradora começou a operar, dois riachos que nascem na área da Serra Verde ficaram sujos com uma espécie de gordura que confere à água, antes transparente, um aspecto avermelhado.

No fim do ano passado, o pequeno agricultor Ronaldo Ribeiro Coelho contou pelo menos seis casos de abortos em sequência entre suas vacas, que bebem água nos riachos. Ele diz que nunca tinha visto nada parecido. Segundo as famílias, representantes da empresa foram alertados e já foram às propriedades coletar amostras da água, mas, até agora, não deram resposta aos moradores.

A reportagem pediu esclarecimentos à Serra Verde. Por meio de nota, a empresa não respondeu às perguntas específicas sobre as demissões nos últimos meses e sobre a situação dos córregos, limitando-se a afirmar: “A herança e tradição minerária da região continuam sendo fundamentais para o nosso sucesso, e a Serra Verde mantém um forte relacionamento com as comunidades anfitriãs em Minaçu”.

A empresa disse ainda que tem “potencial de crescimento a longo prazo e flexibilidade para alinhar a produção com as tendências globais de demanda em evolução em diversos setores críticos” e que “está em uma posição sem precedentes como a única produtora em escala, fora da Ásia, dos quatro elementos de terras raras essenciais para a fabricação de ímãs permanentes”. Por fim, declarou: “Nossas comunidades, o Brasil e o restante do mundo se beneficiarão das ações que estamos tomando hoje para criar cadeias de suprimento diversificadas”.

Imagem aérea mostra a planta da mineradora Serra Verde [Crédito: Serra Verde Pesquisa e Mineração]

 

Mineração não conseguiu reduzir a pobreza
Além da preocupação ambiental, a aposta na dependência da mineração corre o risco de repetir padrões do passado, quando a produção de amianto, mesmo no auge, não reduziu a pobreza em Minaçu nem levou a investimentos na diversificação da economia local. A cidade se firmou apenas como um local de extração.

“No auge do amianto, o Brasil tinha 14 indústrias de fibrocimento, usado para fazer telha e caixa d’água. Se tivessem feito [uma dessas fábricas] lá atrás aqui, a história da cidade era outra”, disse o prefeito em entrevista à Pública. Segundo Lereia, isso não aconteceu por dificuldades logísticas, como a distância de Minaçu de grandes centros urbanos, mas também por falta de força política.

Assim, o poder econômico ficou todo concentrado na Sama, que sempre teve muito mais dinheiro do que a prefeitura de Minaçu. Entre 2010 e 2021, a receita das operações da empresa foi 4 vezes maior do que a receita líquida do município, conforme dados levantados pela geógrafa Agnes Serrano.

Entrada da antiga vila operária da Sama, que hoje é um bairro da cidade [Crédito: José Cícero / Agência Pública]

 

Em sua pesquisa de doutorado, Serrano também analisou dados de pagamento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (a CFEM, mais conhecida como royalties da mineração), que, nesse período, correspondeu em média a 5% do orçamento municipal, e a quantidade de famílias inscritas no CadÚnico, plataforma do governo federal que registra pessoas de baixa renda.

Ela observou que entre 2014 e 2020, o pagamento dos royalties à prefeitura não levou a uma menor dependência dos programas de distribuição de renda.

“Os anos de 2014 e 2015, por exemplo, em que houve o recebimento das maiores cota-partes do recurso oriundo da renda mineral no município também correspondem aos anos em que se registrou o maior número de munícipes cadastrados no sistema do governo”, afirma ela. Nesses anos, cerca de metade da população estava no CadÚnico.

O geógrafo Ricardo Gonçalves, professor da Universidade Estadual de Goiás, também analisou a quantidade de pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza em Minaçu entre 2015 e 2022 e chegou à mesma conclusão. “A permanência de mais de 20% da população na condição de vulnerabilidade social explicita que os lucros da mineração de amianto não resultam em qualidade de vida para a população local.”

Atualmente, 30% das famílias de Minaçu estão em situação de pobreza, conforme dados de junho do CadÚnico.

 

“[A empresa] é poderosa, mas é poderosa só para os franceses [e belgas] lá. Porque eles pagavam em real, mas recebiam em dólar”, resume Raimundo Ferreira de Lima, de 75 anos, que chegou a Minaçu dois anos após a inauguração da mina de amianto e testemunhou a longa história da cidade com a Sama, para quem ele trabalhou por cerca de 8 anos prestando diferentes serviços. Para ele, o futuro com a Serra Verde não deve ser diferente: “Essa terra rara agora é a mesma coisa”.
A opinião dele, no entanto, é minoritária em uma cidade em que a maioria da população vê a Sama como o grande motor do desenvolvimento local. Não à toa, a mineradora ainda contou e continua contando com amplo apoio.
“Eu mesmo acompanhei, voluntariamente, uma caravana que foi à Brasília para lutar em prol do não fechamento do amianto. Fomos em 20 ônibus”, conta Hivan Soares, lembrando o início do julgamento no STF. “Eu nem tinha trabalhado na Sama ainda, fui pelo município, porque quem mora aqui sabe o quanto é importante para uma empresa desse nível permanecer aberta.”
Ainda assim, os moradores sabem que é apenas uma questão de tempo para a “mãe” ter que se aposentar. Em agosto do ano passado, se adiantando à uma eventual definição pelo STF, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou uma lei que estabelece um prazo de cinco anos para o encerramento das atividades de extração e beneficiamento do amianto.
“Minaçu é um território com mineração a céu aberto há mais de 50 anos. Em todo esse período, se manteve uma relação econômica desigual da mineradora com o município, a população e o governo local. A mineradora não controla só o território para o uso econômico, mas também o discurso sobre o emprego e o desenvolvimento na cidade”, define o geógrafo Ricardo Gonçalves, da Universidade Estadual de Goiás.

Imagem aérea mostra as cavas abertas pela extração de amianto. Ao fundo, está a cidade de Minaçu [Crédito: José Cícero / Agência Pública]

 

População faz “pacto de silêncio” sobre efeitos do amianto

O domínio da empresa na cidade leva a um “pacto de silêncio” sobre os efeitos do amianto para a saúde dos trabalhadores, segundo Fernanda Giannasi, ex-fiscal do Ministério do Trabalho e fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto.

Abundante, fácil de extrair, flexível e resistente ao calor e ao fogo, o amianto foi muito usado em materiais de construção, como telhas e caixas d’água – o que ainda acontece em países como Índia, Bangladesh, Indonésia e Tailândia, principais compradores do minério extraído em Minaçu. Já os Estados Unidos também importa o amianto de Minaçu para uso na indústria petrolífera. A inalação das fibras do minério, no entanto, está associada a doenças graves, como asbestose (uma fibrose pulmonar), placas pleurais (espessamento dos tecidos do pulmão), câncer de pulmão e mesotelioma (forma rara de câncer).

Segundo dados da OMS, mais de 200 mil mortes já foram causadas no mundo pela exposição ao amianto no ambiente de trabalho – 70% das mortes relacionadas a casos ocupacionais de cânceres. Por isso, ao longo das últimas décadas, mais de 65 países proibiram a produção ou comercialização do minério.

No Brasil, uma pesquisa contabilizou 3.057 mortes por doenças relacionadas ao amianto entre 1996 e 2017. É provável, porém, que esse número seja subnotificado. “Vários fatores contribuem para a invisibilidade dos adoecidos por amianto”, explica Giannasi. “Como o período de latência, que pode ser de décadas entre a primeira exposição até o diagnóstico. E a falta de conhecimento de muitos médicos, que nem sempre perguntam se, no passado, os pacientes tiveram contato com amianto.”

A Pública falou com quatro pesquisadores que estiveram em Minaçu e eles foram unânimes em relação à dificuldade de conversar sobre casos de adoecimento com moradores. Poucos são críticos como Raimundo de Lima, que contou ter conhecido muitos ex-trabalhadores da mineradora que morreram por problemas pulmonares. “Aqui, antigamente, tinha entupimento de minério. Tal pessoa morreu entupida, a gente falava assim”, conta.

O silenciamento geral se explica, em parte, por ações da própria empresa. O antropólogo Arthur Pires do Amaral levantou casos em que uma junta médica, contratada pela Sama, não reconheceu que trabalhadores tivessem adoecido por doenças relacionadas ao amianto. Mas quando esses trabalhadores procuraram médicos e clínicas independentes, diferentes dos indicados pela empresa, as doenças foram identificadas.

Foi o que aconteceu com o pai de Jéssica*, que trabalhou por 12 anos na mineradora, nas décadas de 1980 e 1990. Ele já estava aposentado, em meados dos anos 2000, quando passou a sentir fortes dores nas costas e no peito. Mas como fazia um acompanhamento anual, que incluía tomografia, com médicos indicados pela empresa, não imaginava que pudesse ter um problema pulmonar.

A empresa, no entanto, não costumava entregar o resultado dos exames em mãos aos pacientes, apenas informava o laudo. Como as dores não passavam, ele procurou um cardiologista, que indicou uma nova tomografia. O exame revelou um tumor no pulmão que, segundo os médicos, já estava lá havia pelo menos cinco anos – sem que nada tivesse sido diagnosticado nas avaliações periódicas da empresa.

“Quando ele soube, ficou totalmente decepcionado, porque meu pai confiava na empresa”, contou Jéssica. O pai dela foi atrás de outros casos e eles tentaram denunciar a situação na cidade, mas não encontraram apoio. A família lutou por 16 anos na Justiça contra a empresa para receber uma indenização por danos morais pelos gastos com o tratamento. Não houve acordo. O pai de Jéssica morreu de câncer no pulmão e, até hoje, ela se emociona ao lembrar dele. “Meu maior desânimo é não poder falar que a justiça foi feita.”

Questionada sobre o caso, a Eternit, controladora da Sama, não respondeu até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para atualização.

Já o prefeito Carlos Alberto Lereia afirma que não há um problema de saúde pública em Minaçu e que a cidade não tem incidência de câncer maior do que outras no país. Para ele, a proibição do minério é exagerada. “Eu acho um absurdo, o Brasil com uma reserva grande dessas aqui”, diz, citando o “custo enorme” para o município que o fechamento da Sama vai acarretar. “Se eu estiver no cargo quando acontecer, vou pedir uma indenização para o município ao governo federal.”

Questionado pela reportagem se a administração municipal vem se preparando para o encerramento das atividades da mineradora e fazendo um planejamento para a absorção da mão de obra, ele diz que, em um primeiro momento, a empresa precisará contratar uma série de serviços para o fechamento da mina. Sobre um plano para os trabalhadores que serão dispensados, alega ser complicado. “Se tiver mercado, vão precisar buscar emprego local. O poder público não tem como [absorver]”, afirma.

O único plano, por ora, parece mesmo ser confiar que a produção de terras raras vai deslanchar.

“Eu vejo muito futuro, porque a nossa reserva aqui está prospectada e é muito grande. Algo assim abre um futuro enorme para a cidade”, diz Lereia.

Placa indica mina de terras raras operada pela Serra Verde, em Minaçu [Crédito: José Cícero / Agência Pública]

 

Brasil ainda investe muito na extração e pouco na cadeia de terras raras
A expectativa inicial da Serra Verde é uma exploração de 25 anos, mas a empresa já disse que pretende estender as atividades por mais tempo.

“O futuro do mercado global de terras raras tem, depois da China, a Serra Verde como alternativa número 1”, disse à Pública Luciano Borges, ex-vice-presidente da empresa, que deixou o projeto no final do ano passado, após concluir a implementação da mineradora.

Para ele, como por enquanto só a mineradora em Minaçu tem esse tipo de depósito em produção, o futuro do próprio segmento de terras raras no Ocidente vai depender do desempenho da empresa no Brasil.

A dúvida é se a aposta local continuará apenas na extração do minério – e o que será feito com a receita proveniente dessa exploração.

“No Brasil, o discurso muito dominante é de que exportar essa nossa riqueza mineral traz riqueza para nós. A questão é realmente se essa riqueza vai ser reinvestida, porque normalmente ela não é”, opina a pesquisadora Luiza Cerioli.

Em janeiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram uma chamada pública de R$ 5 bilhões para fomentar planos de negócios que desenvolvam a cadeia de minerais estratégicos, como as terras raras.

Em junho, as instituições divulgaram os primeiros selecionados para a próxima fase da seleção. São 56 planos de negócios para diferentes minerais – 10 deles, o maior número, são voltados para terras raras. A Serra Verde está entre os selecionados.

Segundo especialistas ouvidos pela Pública, para maior participação do Brasil na cadeia produtiva de terras raras é necessária uma estratégia industrial completa, que invista não só na extração, mas também em refinarias de separação das terras raras, mão de obra especializada, identificação de clientes fora da China e o fortalecimento da própria demanda interna por superímãs e veículos elétricos.

Por enquanto, estamos muito longe de tudo isso. Além da Serra Verde, outras quatro iniciativas para extrair terras raras estão em estágios iniciais. Enquanto isso, outros países também estão interessados em ampliar suas produções – caso dos Estados Unidos, cujo governo se preocupa, especialmente, com as aplicações militares desses minerais.

No início do mandato, o presidente Donald Trump expediu uma ordem federal para que o governo priorize e acelere a produção de minerais críticos, citando especificamente sua dependência pelas terras raras da China. Mais recentemente, o país também fechou um acordo de recursos naturais com a Ucrânia para aumentar investimentos na mineração. Em 2018, depois de anos fechada, uma mina na Califórnia voltou a produzir concentrado de terras raras e, em 2022, a empresa inaugurou uma fábrica de ímãs.

A Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA, uma agência de fomento do governo americano, também está analisando a possibilidade de apoiar a Serra Verde.

“Um carro elétrico usa 2 kg de ímãs, sendo que um terço do ímã é terras raras. Hoje a demanda mundial é de 15 mil toneladas de terras raras, mais ou menos. A demanda vai crescer num certo ritmo e já existem pelo menos três iniciativas nos Estados Unidos, cada uma falando em cinco mil toneladas por ano de terras raras. Onde estão as fábricas de ímãs para absorver tudo isso?”, questiona Fernando Landgraf, professor de engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e coordenador do programa de Terras Raras do Instituto de Ciência e Tecnologia.

Até agora, em Minaçu, o passado de extração mineral e a aposta na continuação desse modelo para o futuro trouxe mais promessas do que desenvolvimento de fato. “As mineradoras argumentam que precisam extrair mais minérios para a transição energética e o enfrentamento das mudanças climáticas. Minaçu está nessa rota global”, diz Gonçalves.
“Ficarão os poucos royalties e os impactos ambientais.”

 

 

*Nome trocado a pedido da entrevistada, que prefere não se identificar.
Esta reportagem foi feita em parceria entre a Agência Pública e The Guardian. A reportagem em inglês pode ser lida aqui.

Atualização às 13:00 de 01/07/2025: Anteriormente, afirmamos que a Sama era “uma subsidiária da multinacional belga Eternit”. A informação correta é que a Sama é uma empresa de origem francesa, hoje incorporada à brasileira Eternit S.A.

 

 

Reportagem originalmente publicada na Agência Pública.

 

Governo de SP anuncia medidas para fortalecer o cooperativismo em evento na capital

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Cerimônia destacou o Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado anualmente no primeiro sábado de julho. 2025 é Ano Internacional das Cooperativas, por determinação da ONU.

 

O Governo do Estado de São Paulo anunciou na segunda-feira (30) uma série de medidas voltadas ao fortalecimento do cooperativismo no estado. Entre os anúncios, destacam-se os novos convênios firmados com cooperativas de crédito, Sicredi, Sicoob e Cresol, para operação do programa FEAP Pró-Trator, permitindo que essas instituições realizem a análise, a liberação de recursos e a aplicação direta do subsídio sobre o saldo devedor das operações. Outra iniciativa relevante foi a criação da Diretoria do Cooperativismo e Associativismo dentro da estrutura da Secretaria, voltada à execução de projetos, apoio técnico, capacitação e fomento à organização cooperativa no campo.

 

Também foi mencionado o mutirão de emissão de DCOMP, realizado em parceria com a Comevap, no Vale do Paraíba, como parte das ações de reestruturação da cadeia leiteira e adesão ao Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). Além disso, o secretário destacou o avanço do Projeto Microbacias III – Agro Paulista Mais Verde, que prevê investimentos de US$ 200 milhões, com financiamento do Banco Mundial, voltados à adoção de tecnologias sustentáveis, aumento da produtividade e geração de renda para mais de 120 mil produtores familiares, comunidades tradicionais, com destaque para as cooperativas paulistas.

 

Medalha do Mérito Cooperativista

 

Durante o evento, o governo também anunciou o relançamento da Medalha do Mérito Cooperativista, criada em 1970, como forma de reconhecer e valorizar pessoas e instituições que contribuem para o desenvolvimento do cooperativismo paulista.

 

Cooperativismo em números

 

Atualmente, segundo a Ocesp, o estado de São Paulo conta com 181 cooperativas agropecuárias e cerca de 165 mil produtores cooperados. O modelo é reconhecido por promover o acesso a insumos e tecnologias, assistência técnica, comercialização mais eficiente e fortalecimento das comunidades rurais.

 

A cerimônia contou com a presença de autoridades estaduais e municipais, como o presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande, o embaixador da COP30, Roberto Rodrigues, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, além de parlamentares e lideranças do setor cooperativista.

 

Governo precisa resolver com urgência crise fiscal, diz Oriovisto

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“Não apenas os investimentos públicos, mas os privados também estão parados. Ninguém investe no país com juros de 15% ao ano”, disse o senador Oriovisto Guimarães (PSDB/PR), na sessão plenária desta terça-feira(1/7).

O senador alertou para o risco que a economia do país corre com o cenário de  pouco crescimento, fuga de investidores e dívida pública crescente: “Um governo central que não controla gastos, não tem uma boa gestão fiscal e não paga juros da dívida – só acumula – contribui para a explosão das taxas de juros”.

Só os juros da dívida já ultrapassam, segundo Oriovisto, R$ 1 trilhão ao ano: “O governo deve muito e todos nós acabamos por financiar essa dívida. E a dúvida sobre a capacidade de pagamento faz com que o Banco Central aumente os juros. A paralisia é total e é preciso resolver isso, com urgência e responsabilidade, para tirar o país do atraso”.

O candidato conservador para as eleições de 2026 no Brasil

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O ex-presidente Michel Temer pretende criar uma candidatura moderada e conservadora, que ele define como de centro-direita, para a eleição presidencial de 2026. Com esse objetivo, está conversando com os nomes que vêm sendo lembrados no momento: os governadores Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Junior (Paraná), Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

 

 

O ex-presidente Temer busca, desse modo, consolidar um pacto de não-agressão entre esses nomes durante a campanha eleitoral ou ter um candidato único escolhido para enfrentar o presidente Lula ou seu indicado, considerando sua idade avançada. Esse esforço de Temer é, de fato, muito interessante.

 

 

Acrescento a essa busca por um candidato, um pacto de não-agressão, pois é relevante que o Brasil comece a discutir ideias e não ideologias.

 

 

Ainda sobre a eleição, concordo com a decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que admitiu a eliminação da reeleição.

 

 

Entendo, pois, que a reeleição é um elemento negativo, pois o político que a almeja, já no segundo ano de mandato começa a governar visando ser reeleito. Isso significa que ele passa a tomar medidas muitas vezes mais populistas do que as realmente necessárias para a nação.

 

 

A ideia aprovada na CCJ é aumentar o prazo do mandato, o que também considero muito bom. Quatro anos é pouco para concretizar o que foi planejado, sendo, portanto, adequado estender o mandato, mas, evidentemente, sem permitir a reeleição. Aquele que for eleito saberá que, ao fim do mandato, terá de deixar o cargo, como era no Brasil antes de o ex-presidente Fernando Henrique ter conseguido a reeleição.

 

 

A aprovação na CCJ representa uma vitória dos moderados no Congresso Nacional e deveria ter o apoio da população.

 

 

Reafirmo: as duas medidas pretendidas são muito importantes.Primeiramente, destaco a iniciativa do ex-presidente Michel Temer, a qual apoio integralmente: é fundamental que tenhamos um candidato conservador, moderado, de centro-direita para se opor à atual radicalização. Isso impediria que o Brasil se desfigurasse perante as nações e nas relações internacionais, eis que prefere, o presidente atual, ditaduras, participando, por exemplo, de desfile de armas que matam ucranianospara atender os anseios de Putin de conquista territorial para a Rússia.

 

 

Por outro lado, se a não reeleição for aprovada, teremos sempre a tranquilidade de que o presidente no cargo fará de tudo, até o último minuto, para deixar uma gestão de sucesso, um mandato produtivo. Isso inclui a tomada de medidas duras, que, em geral, um candidato à reeleição não tem coragem de tomar para não desagradar seus eleitores.

 

 

É preciso ter sempre a postura dos grandes líderes e estadistas do mundo, principalmente nos momentos difíceis em que há necessidade de colocar a casa em ordem, resolvendo problemas e pendências. Churchill, Charles de Gaulle e Konrad Adenauer são os melhores modelos.

 

Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).