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Conselho Federal de Medicina regulamenta ozonioterapia para feridas crônicas e dores musculoesqueléticas

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Decisão revoga a norma anterior, de 2018, e atende à demanda trazida pela Lei n.º 14.648/2023; Anadem participou do movimento pró-tratamento

 

A Resolução n.º 2.445/2025 estabelece regras claras para a prática da ozonioterapia em território nacional, restringindo seu uso a casos específicos e reforçando critérios de segurança e registro clínico. A norma foi publicada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) no dia 21 de agosto.

O documento prevê aplicação do tratamento em casos de feridas crônicas e dores musculoesqueléticas, como osteoartrite de joelho e lombalgia por hérnia de disco. O CFM também definiu que a realização desses tratamentos é restrita a médicos com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) nas especialidades anestesiologia, neurocirurgia, ortopedia e traumatologia, ou nas áreas de atuação de radiologia intervencionista e angiorradiologia.

Para o presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), Raul Canal, a resolução define diretrizes importantes e reforça o acesso a terapias integrativas seguras, o que é fundamental para ampliar opções de cuidado. Ele também lembra que a terapia é atualmente empregada em outros países.

“Desde a pandemia, acompanhamos o debate acerca do tema, que é importante para pacientes e para os profissionais de saúde, que devem ter sua autonomia preservada. A ozonioterapia já é utilizada em países como Portugal, Itália e China e sua regulamentação no Brasil é um avanço para a qualidade de vida dos pacientes e segurança na prática médica”, afirmou.

A Anadem, em 2023, participou do debate a favor da autorização da ozonioterapia. Uma carta aberta foi enviada ao presidente Lula; à ministra da Saúde, Nísia Trindade; ao ministro da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa; ao diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres; e aos secretários especiais para Assuntos Jurídicos e de Análise Governamental da Presidência da República, Wellington César Lima e Silva e Bruno Moretti.

O TRATAMENTO

A ozonioterapia é uma prática integrativa e complementar de baixo custo, com segurança reconhecida, que aplica uma mistura dos gases oxigênio e ozônio por diversas vias de administração, com finalidade terapêutica. Uma das propriedades mais reconhecidas do ozônio é a ação germicida.

ANADEM

A Anadem foi criada em 1998. Como entidade que luta pela categoria e pelos seus direitos, promove o debate sobre questões relacionadas ao exercício da medicina e da odontologia, além de realizar análises e propor soluções em todas as áreas de interesse dos clientes, especialmente no campo jurídico.

RSM anuncia investimento de R$ 60 milhões em 5 anos no Brasil para acelerar estratégia de IA

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O investimento terá como foco integrar a IA para melhorar o desempenho, impulsionar a inovação e apoiar a liderança contínua do mercado

A RSM, – 6ª maior empresa de Auditoria, Consultoria, Tributos e Contabilidade do mundo, com atuação local e internacional – anuncia um investimento de R$ 60 milhões em 5 anos no Brasil como parte de uma expansão significativa de sua estratégia de inteligência artificial (IA), acelerando a inovação e entregando valor transformador para clientes e profissionais.

Este investimento terá como foco a integração de plataformas de IA agênticas — sistemas inteligentes que realizam tarefas complexas de forma autônoma, juntamente com humanos — em todas as operações e serviços da RSM. Isso aumentará ainda mais a eficiência e capacitará os profissionais da RSM a entregar soluções mais rápidas, inteligentes, de maior qualidade e estratégicas — impulsionando os resultados dos clientes e, ao mesmo tempo, o compromisso da empresa com a inovação e uma força de trabalho digitalmente capacitada.

“A IA continua sendo um imperativo estratégico para a RSM, e este investimento significativo nos permite avançar decisivamente da exploração à execução, gerando resultados reais para nossos colaboradores e clientes por meio de soluções responsáveis e orientadas pelos negócios”, esclarece Laércio Soto, CEO da RSM no Brasil.

O anúncio destaca uma série de investimentos estratégicos que a RSM está realizando em inteligência artificial nos próximos anos, que chegam a US$ 1 bilhão globalmente. O investimento reforça a liderança digital da RSM, estabelecendo a empresa como líder em inovação de IA, transformando a forma como ela ajuda o middle market – empresas de médio porte constituem um segmento bastante representativo da economia brasileira – a resolver desafios complexos e aproveitar oportunidades emergentes.

Iniciativas

O foco principal inclui o desenvolvimento e investimento em ferramentas de IA especializadas no setor, bem como a busca por parcerias estratégicas para construir infraestruturas de IA escaláveis.

Integrando completamente a IA aos serviços de Auditoria, Tributos e Consultoria, a RSM visa otimizar o desempenho, aprimorar a qualidade e acelerar o crescimento dos clientes. Além disso, os investimentos visam capacitar talentos com ferramentas de IA para aumentar a produtividade e o desenvolvimento profissional, oferecendo soluções mais rápidas, inovadoras e de alta qualidade que proporcionam insights profundos e suporte personalizado ao longo do ciclo de vida do cliente, elevando sua experiência geral.

“Nosso investimento pode ser considerado pioneiro na capacitação de nossos talentos e clientes. Este compromisso com nossa estratégia de priorização do digital reflete uma jornada sustentada que continuará a evoluir muito além deste investimento inicial, à medida que impulsionamos soluções e redefinimos como o middle market navega no futuro”, analisa Soto.

“Esses fluxos de IA se integrarão perfeitamente aos fluxos de trabalho existentes, aprimorando a qualidade, a eficiência e o valor para os clientes e talentos da RSM, ao mesmo tempo, em que impulsionam melhorias mensuráveis na qualidade, no desempenho e na eficácia dos negócios”, complementa o executivo.

Receitas

Em 2024, a RSM alcançou receitas, no Brasil, de US$ 42 milhões (cerca de R$ 245 milhões). O montante representa 22% do faturamento que a firma teve na América Latina. Suas receitas regionais na América Latina para os 12 meses até dezembro de 2024, chegaram a US$ 190,1 milhões. A expectativa para 2025 é superar US$ 50 milhões em receitas na operação brasileira, resultado que será alcançado tanto de forma orgânica, pelo fechamento de novos negócios, quanto inorgânica, por aquisições e fusões.

Sobre a RSM

A RSM é o fornecedor líder de serviços profissionais para o middle market. Como a sexta maior organização mundial de firmas independentes de auditoria, fiscal e consultoria, a RSM opera em 120 países, através de 900 escritórios, com mais de 65 mil pessoas mundialmente. A receita da organização global é de US$ 10 bilhões. Como uma equipe integrada, a RSM compartilha habilidades, conhecimentos e recursos, bem como uma abordagem centrada no cliente que se baseia em um profundo conhecimento dos negócios de seus clientes. É assim que a RSM cumpre seu propósito de infundir confiança em um mundo em mudança, capacitando seus clientes e pessoas para desenvolver todo o seu potencial.

A RSM é membro do Fórum de Firmas, com o objetivo compartilhado de promover padrões consistentes e de alta qualidade de práticas financeiras e de auditoria em todo o mundo. RSM é a marca utilizada por um grupo de firmas independentes de contabilidade e consultoria, cada uma das quais exerce em seu próprio direito. A RSM International Limited não presta serviços de contabilidade e consultoria. As empresas-membro são impulsionadas por uma visão comum de fornecer serviços profissionais de alta qualidade, tanto em seus mercados nacionais como ao atender às necessidades internacionais de serviços profissionais de sua base de clientes.
Para mais informações, visite .

Com foco na cidadania e cooperação, Sicredi lança programa que impacta crianças e professores em Iaciara – GO

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A iniciativa reúne de educadores a comunidade para parceria inédita no município

 

O Sicredi, por meio da Sicredi Planalto Central, deu início às atividades do Programa A União Faz a Vida (PUFV) no município de Iaciara, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento social e educacional da região. A iniciativa, considerada a principal ação de responsabilidade social da instituição financeira cooperativa, promove valores como cidadania, cooperação e protagonismo entre crianças e adolescentes.

 

A chegada do Programa foi marcada por um encontro na agência local do Sicredi, reunindo coordenadores de núcleos, gestores escolares e representantes da Secretaria Municipal de Educação. O evento simbolizou a integração entre a cooperativa, as escolas e a comunidade, dando início a uma nova etapa na educação local.

 

Em Iaciara, o PUFV está sendo implementado nas escolas municipais Professora Estella Nery de Almeida Melo e Professor Sebastião Marques de Souza. Para viabilizar a iniciativa, o Sicredi firmou parceria com o município, unindo esforços para apoiar a formação de educadores e o desenvolvimento integral dos estudantes.

 

Durante as formações pedagógicas, os professores conheceram a metodologia do Programa, que estimula a aprendizagem baseada em projetos e valoriza a construção coletiva do conhecimento. A diretora da Escola Municipal Professora Estella Nery de Almeida Melo, Marinalva Rocha, celebrou a parceria afirmando que “essa iniciativa vai trazer resultados maravilhosos para nossos alunos e professores. Com o Programa A União Faz a Vida, podemos enriquecer nossas práticas pedagógicas e tornar as aulas mais atrativas.”

 

Já a diretora da Escola Municipal Professor Sebastião Marques de Souza, Aparecida Soares, reforçou o diferencial da proposta. “O Programa nos apoia com uma metodologia diferenciada, que contribui diretamente para o desenvolvimento dos nossos alunos. É admirável ver o Sicredi tão comprometido com as comunidades.”

 

Segundo Carmo Spies, presidente da Sicredi Planalto Central, a implementação do PUFV em Iaciara reforça o propósito da cooperativa de estar próxima das pessoas e contribuir para um futuro melhor. “Essa é uma ação que só é possível graças ao nosso modelo cooperativo, que transforma vidas e fortalece comunidades. O Programa A União Faz a Vida é um legado que construímos juntos para as novas gerações.”

 

Presente em mais de 500 municípios brasileiros, o Programa já impactou mais de 2,5 milhões de crianças e adolescentes, com cerca de 250 mil educadores formados. Na área de atuação da Sicredi Planalto Central, são mais de 2.500 alunos e 200 professores envolvidos.

 

Sobre o Sicredi

 

O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa comprometida com o crescimento de seus associados e com o desenvolvimento das regiões onde atua. Possui um modelo de gestão que valoriza a participação dos mais de 9 milhões de associados, que exercem o papel de donos do negócio. Com mais de 2.900 agências, o Sicredi está presente fisicamente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, disponibilizando uma gama completa de soluções financeiras e não financeiras.

 

Mulher: a nova realidade do cooperativismo

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VANIR ZANATTA

Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

 

O cooperativismo catarinense alcançou um patamar de maturidade que se reflete na pluralidade de vozes que o compõem. Entre essas vozes, a participação feminina vem se consolidando como um dos pilares mais significativos de renovação e fortalecimento do movimento.

O ingresso das mulheres nas cooperativas deixou de ser uma novidade para se tornar uma realidade presente em todos os ramos, com impacto social, econômico e cultural. Hoje, elas ocupam posições estratégicas, participam das assembleias, integram comitês e conselhos, lideram projetos, assumem responsabilidades diretivas e, em muitas situações, já presidem cooperativas. Esse processo, que se intensifica a cada ano, não é resultado de concessões, mas da competência, da perseverança e da contribuição efetiva que as mulheres oferecem para o desenvolvimento do setor.

A Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), ciente desse protagonismo, estimula e apoia de forma permanente a presença feminina. Exemplo disso é o Encontro Estadual de Mulheres Cooperativistas, promovido anualmente pela entidade com patrocínio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Santa Catarina(SESCOOP/SC).

Em 2025, o evento completou duas décadas de trajetória e reuniu mais de 1.200 mulheres de 48 cooperativas. O tema escolhido, “Raízes fortes, asas livres”, simboliza a capacidade de manter os princípios do cooperativismo como base sólida e, ao mesmo tempo, projetar novas perspectivas, sonhos e realizações. A programação comemorativa incluiu palestras, apresentações artísticas e culturais, momentos de integração e trocas de experiências, reforçando o espírito de união e aprendizado mútuo.

Ao longo desses vinte anos, o Encontro consolidou-se como espaço de formação, diálogo e valorização. Mais do que uma agenda anual, tornou-se instrumento de transformação social, onde a mulher encontra inspiração para assumir responsabilidades e coragem para expandir horizontes. Essa trajetória é fruto da compreensão de que o cooperativismo não pode prescindir do talento e da visão feminina, pois a diversidade de ideias e práticas é essencial para o crescimento sustentável. Em cada atividade realizada, seja em cursos, treinamentos, dias de campo ou grupos de estudo, a presença feminina tem acrescentado dinamismo, objetividade e novas perspectivas, ampliando a produtividade e a eficiência das organizações.

As cooperativas, por natureza, são organismos vivos, em constante adaptação às transformações da sociedade. A inserção crescente das mulheres nesse ambiente não é apenas reflexo de mudanças culturais, mas também uma exigência do próprio tempo, no qual a participação feminina em todas as esferas da vida social e econômica tornou-se irreversível. Ao ocupar espaços antes restritos, elas trouxeram sensibilidade, pragmatismo e espírito inovador, qualidades que se somam à tradição cooperativista e elevam o nível de excelência das instituições.

O reconhecimento social dessa atuação é inequívoco. Eleva a autoestima das participantes e gera efeitos positivos nas comunidades em que vivem, pois cada conquista individual reverbera coletivamente. As mulheres cooperativistas não apenas transformaram o perfil das organizações, mas também inspiraram novas gerações a acreditar no cooperativismo como caminho para o desenvolvimento equilibrado e inclusivo. Essa contribuição, justa e necessária, fortalece a base democrática do sistema e projeta confiança em seu futuro.

Santa Catarina já colhe os frutos dessa evolução. Dirigentes e cooperados têm consciência de que a valorização do papel feminino não é uma concessão, mas uma condição indispensável para a vitalidade do movimento. As mulheres demonstram diariamente que o êxito nasce da dedicação, da disciplina, da capacidade de aprender e da habilidade de adaptação. Ao unir tradição e inovação, elas têm conduzido cooperativas ao desenvolvimento com segurança, equilíbrio e visão de futuro.

Distrito Federal concentra mais de 500 vagas de estágio abertas pelo CIEE

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Oportunidades contemplam áreas como Administração, Comunicação, Direito e Educação; em todo o Brasil, são mais de 6,4 mil vagas disponíveis

O Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE está com 528 vagas de estágio abertas no Distrito Federal nesta semana. As áreas com maior número de oportunidades são administrativa (157 vagas), ensino médio (64), educação (39), jurídica (32), contabilidade (29), informática (28) e comunicação (40). Também há vagas em saúde (14), marketing (11), elétrica-eletrônica (11) e técnico em administração (20).

No cenário nacional, o CIEE soma mais de 6,4 mil vagas de estágio e aprendizagem em todo o País, com destaque para São Paulo, Distrito Federal e Bahia, que lideram o número de oportunidades.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo portal www.ciee.org.br ou presencialmente na sede do CIEE/DF, localizada na EQSW 304/504, Sudoeste.

CIEE 61 anos: Imparável
Com 61 anos de atuação, o Centro de Integração Empresa-Escola, maior ONG de inclusão social e trabalho jovem da América Latina, já inseriu mais de 7 milhões de brasileiros no mundo do trabalho. Além de conectar estudantes e empresas, mantém uma série de ações socioassistenciais voltadas à capacitação e ao fortalecimento de vínculos de populações prioritárias.

Nas sombras, um ex-presidente faz carreira representando as techs

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Trajetória do ex-presidente inclui trabalhos para Google, Huawei e caso no STF relacionado à Apple e à Gradiente

Por Por Juliana Dal Piva, Luiza Souto

Nos bastidores do parlamento brasileiro, Michel Temer é frequentemente lembrado como um ótimo articulador político. Foi presidente da Câmara dos Deputados três vezes e, com isso, conquistou a aliança para ser vice de Dilma Rousseff, em 2010. Mais tarde, usando das mesmas habilidades, fez parte da articulação que o levou a sentar na cadeira da presidência da República do Brasil, a partir de 12 de maio de 2016, após o controverso processo de impeachment de Dilma Rousseff. Nas palavras dele, em seu livro “A escolha”, Temer creditou a Eduardo Cunha a retirada da petista do cargo. Já na descrição de Cunha, o ex-presidente “lutou” de todas as maneiras para tirar Dilma.

Temer só deixou a cadeira após entregar a faixa presidencial a Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019. Uma vez “desempregado”, o líder do MDB resolveu retomar uma carreira abandonada três décadas antes, a advocacia. O ex-presidente é formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), das mais tradicionais do país, e autor de importantes livros sobre Direito Constitucional. Mas passou décadas sem advogar. Após a presidência, Temer remodelou sua carreira na advocacia – mas não em qualquer setor.

O projeto A Mão Invisível das Big Techs, investigação liderada pela Agência Pública e pelo Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística (CLIP), mapeou os rastros da atuação do ex-presidente em Brasília e no Superior Tribunal Federal (STF) brasileiro. Entre tantas áreas, o ex-presidente passou a representar empresas de tecnologia com disputas na Corte. A atuação foi admitida publicamente, porém, é pouco registrada de modo formal.

Por cerca de dois meses, a reportagem fez diversos pedidos de entrevista ao ex-presidente para ouvi-lo sobre seu trabalho no setor. Foram enviadas mensagens a um de seus assessores e para sua secretária desde o dia 5 de junho. Apenas no dia 4 de agosto, ele enviou uma mensagem por meio de sua equipe de assessoria: “para finalizar seu assunto, Dr. Michel Temer informa que não trata de assuntos de interesse dos clientes com outras pessoas. Agradeço a sua compreensão”.

Quando o CLIP, membro desta aliança jornalística, procurou a equipe de Temer, foi informado que estavamos fazendo uma reportagem sobre o trabalho do ex-presidente como advogado e acompanhando sua atuação na área de tecnologia. Também foi dito ao ex-presidente, por email a sua equipe, que havia sido encontrado um processo em que ele atua para a Gradiente já que constava uma procuração, mas não era possível entender a atuação no caso. Além disso, foi dito a Temer que ele tinha sido apresentado como advogado do Google, mas não tinha sido possível localizar casos em que ele atua para a empresa no STF. Por isso, existiam vários questionamentos a serem feitos.

No fim de junho de 2023, o Google anunciou a contratação de Temer durante as negociações do PL das “Fake News”. No mês anterior, em maio de 2023, o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, pediu que a Procurador-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) investigassem a campanha do Google e do Telegram contra o projeto. Entre outras coisas, as empresas publicaram em sua plataforma textos da posição da empresa para mobilizar os usuários contra a lei que se pretendia criar. O Google, por exemplo, usou a home da busca para dizer que o PL “podia piorar a internet” e iria “aumentar a confusão entre o que é verdade e mentira no Brasil”. Mais tarde, após toda a pressão, o projeto nunca foi votado.

A reportagem apurou que a contratação de Michel Temer, porém, se deu bem antes disso. No início de maio daquele ano, os dirigentes das empresas passaram a ser investigados pela PF pela pressão contra o projeto, a pedido do então presidente da Câmara dos Deputado, Arthur Lira. Os executivos da empresa chegaram a prestar depoimentos no inquérito. Além da investigação na PF, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor também abriram apurações sobre o episódio. Segundo pessoas que acompanharam a crise e pediram anonimato, a decisão pela contratação de Temer se deu para que ele atuasse intermediando diálogos em todos esses processos.

No entanto, a representação jurídica ficou a cargo de outros advogados. Com isso, Temer também atuou, em favor da empresa, junto ao relator do projeto de lei, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB). O parlamentar, um dos poucos que concordou em conceder entrevista, relembrou a essa coalizão o episódio relatando que, naquele período, em junho de 2023, recebeu uma ligação do ex-presidente Michel Temer que pediu a ele que fosse a seu escritório em São Paulo para uma conversa.

Temer tem um escritório na rua Pedroso Alvarenga, no bairro do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, há anos. O local é utilizado por Temer para reuniões desde a época em que era deputado e também quando estava na Presidência da República. Ao chegar no local, Silva disse que Temer informou que “estava acompanhando o conflito” das empresas de tecnologia, Congresso Nacional e governo em torno do projeto de lei para a regulação e responsabilização das redes sociais. Segundo Silva, Temer informou que “queria ajudar” e perguntou se o deputado aceitaria um encontro com os dirigentes do Google.

“Fui ao escritório dele (Temer) e conversamos um pouco. Ele disse que estava acompanhando a discussão no Congresso e tinha capacidade de diálogo e que estava à disposição e perguntou se eu podia conversar com os dirigentes do Google”, contou Silva. Temer, em momento algum, anunciou que era advogado da empresa ou que tinha sido contratado por ela para atuar no caso.

Na sequência, segundo Silva, foi marcado um encontro novamente no escritório de Michel Temer, alguns dias depois. Na segunda conversa, além do ex-presidente estava Fábio Coelho, presidente do Google Brasil. Eles falaram sobre as ideias deles. O foco dele estava na responsabilidade. “Eles (Google) achavam que não cabia a responsabilização (das empresas). Eu repus todos os argumentos. Eles ficaram de mandar textos e mandaram sugestões, mas eram as mesmas que eles já tinham encaminhado outras vezes”, relatou Silva, ao mencionar que já mantinha contato com os dirigentes da empresa. Depois disso, o deputado disse que nunca mais tratou do assunto com Temer.

A contratação de Temer foi revelada pela jornalista Patrícia Campos Mello, no jornal Folha de S. Paulo, em junho de 2023. Na ocasião, a assessoria do Google disse que: “Assim como outras empresas e entidades, contratamos agências e consultores especializados para ajudar na mediação dos nossos esforços de diálogo com o poder público para podermos levar nossas contribuições a políticos e parlamentares, especialmente, em questões importantes e técnicas como a construção de novas legislações”. Esta coalizão apurou que a contratação de Temer durou cerca de seis meses e, depois que a situação estava “controlada”, o trabalho foi encerrado.

Procurado, o Google informou que não tinha nada a acrescentar além do que já tinha mencionado quando anunciou a contratação de Temer em 2023. Em março de 2024, a investigação da PF sobre a atuação do Google e do Telegram foi arquivada a pedido da PGR embora os policiais tivessem indicado em seu relatório final que viam abuso de poder econômico das empresas no caso. Os casos no Cade e na Secretaria de Defesa do Consumidor seguem em aberto.

Parecer para a Huawei

Antes do episódio com o Google, Temer também já tinha sido convocado em outra situação de crise. Por isso, nos bastidores do Congresso Nacional, ele é conhecido como um tipo de trabalho para “Lobby de Crises” embora negue fazer lobby quando perguntado. Em 2021, quando o governo de Jair Bolsonaro pretendia banir a chinesa Huawei da participação do leilão para disputar as concessões em torno das transmissões 5G, a empresa também recorreu a Temer para elaborar um parecer jurídico sobre a entrada da empresa no mercado brasileiro.

Em 27 de setembro de 2021, o ex-presidente Michel Temer foi questionado no programa Roda Viva sobre o caso e respondeu aos questionamentos sobre lobby. “Eu dei um parecer. Você sabe que eu sou da área jurídica e eu tenho que sobreviver. Como estou no meu escritório, eu retomei a advocacia e tenho sido procurado para pareceres. Não foi só para eles (Huawei) que eu dei não. Dei outros pareceres. Aliás, dei para uma empresa que presta serviços para a Huawei. Até se me dissessem, a Huawei está procurando seus serviços advocatícios, eu faria com muito gosto. Profissionalmente, é perfeitamente possível, mas não é isso que acontece. Evidentemente, não faço lobby. Eu me lembro que um colunista, não sei quem, falou ‘Temer foi contratado para fazer lobby’. Não faço lobby. Não tenho contato com ninguém. Dou pareceres. Disso, não há dúvida. Dei para eles, legitimamente e acho que o governo estava resistindo um pouco indevidamente e inconstitucionalmente”.

Mais tarde, no fim de 2021, a Huawei não chegou a disputar o leilão que era para operadoras dessa tecnologia. No entanto, a empresa é uma das principais fornecedoras de equipamentos para que seja possível fazer uso do 5G. A Huawei deixou de ser atacada por Bolsonaro, que atendia os interesses do primeiro governo de Donald Trump, à época. Os norte-americanos não querem deixar que os chineses controlem o mercado de equipamentos e a Huawei também é investigada por suspeitas de espionagem em diferentes locais do mundo. “Ele conseguiu mediar, conseguiu resolver o problema”, explica Rafael Zanatta, diretor da Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa. “Ele, claramente, tá orientando a carreira dele como um lobista de crise”, completou Zanatta.

Temer, como já sabemos, não fez pareceres ao Google em 2023. Mas mediou contatos entre dirigentes do Google e o deputado Orlando Silva, relator do PL das “fake news”.

Mas como definimos o que é lobby? “No nível mais abstrato, o lobby é uma defesa de uma causa perante um agente decisório e não é crime em si”, explica Zanatta, ao lembrar que no Brasil não há uma regulação de lobby. O pesquisador observa ainda que na lei americana, por exemplo, entre outros aspectos, é previsto uma defesa pública, democrática e equitativa da causa, o que não ocorre no modo como o setor atua no Brasil. “O que não é permitido é fazer um jantar em Lisboa, por exemplo, ou produzir algo só para um parlamentar. Além disso, não é permitido fazer um rascunho de texto que depois um assessor parlamentar apresenta especificamente para um projeto de lei”, finaliza Zanatta, ao mencionar vários aspectos que ocorrem no Brasil.

A entrada de Temer na representação do Google e das demais techs configura a conhecida tática de “revolving door” ou “porta giratória, uma clássica tática de lobby em que altos funcionários públicos passam a atuar no setor privado ou o contrário. No projeto A Mão Invisível das Big Techs, verificamos diversos outros casos que se assemelham.

Reportagens, à época, anunciaram encontros do ex-presidente com líderes partidários para tratar do PL das fake news. Então, para entender como atua o ex-presidente, o CLIP pediu à Câmara dos Deputados, por meio de um pedido de lei de acesso à informação, a lista de registros da presença de Temer na casa. A Câmara respondeu que não tinha nenhum registro de entrada de Temer no prédio entre janeiro de 2023 e maio de 2024. A Casa, porém, ressalvou que “a entrada de pessoas com credencial de acesso ao Congresso Nacional, congressistas e altas autoridades não são registradas”. Temer não é congressista e também não é mais Presidente. Em entrevistas com fontes que pediram anonimato, Temer foi descrito como parte da articulação que levou à derrubada do projeto que pretendia regular as empresas de tecnologia.

No STF, com a Apple

O CLIP também rastreou a atuação de Temer no STF. Nos processos que o Google move na Corte, não há qualquer registro da atuação do ex-presidente. O CLIP chegou a pedir os registros de acesso do ex-presidente na Corte, mas o STF não quis informar. No sistema da Corte, o único processo localizado na área de tecnologia com o ex-presidente entre os advogados é uma ação que a Apple move contra a empresa IGB Eletrônica S.A devido ao registro e uso da marca “Gradiente Iphone” que foi registrada no Brasil em 2008.

A Apple pede no processo a anulação do registro que permitiu a IGB o uso do nome “Gradiente Iphone”. O pedido foi feito pela IGB Eletrônica S.A em 2000, mas só em 2008 ele foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Antes disso, em 2007, a Apple lançou o iPhone, que ganhou projeção mundial. A Apple já venceu em primeira e segunda instância. No STF, a IGB Eletrônica S.A tenta reverter as decisões.

Temer foi contratado pela IGB Eletrônica, em 14 de outubro de 2023, quando o caso já estava caminhando para a fase final de julgamento no STF. A Aliança Jornalística teve acesso ao processo e viu a procuração dele na caso. O relator é o ministro Dias Toffoli. No entanto, o único registro dele nos autos é justamente a procuração que o formalizou como representante da IGB. Ele não apresentou nenhuma petição e não há nenhum outro ato formal de Temer. Procurado, o advogado Igor Mauler Santiago, líder na defesa da IGB, não quis dar entrevista.

A reportagem conversou com fontes que participaram ativamente das negociações com Temer, que pediram anonimato, e foi informada de que ex-presidente teria produzido um parecer técnico sobre a questão da propriedade intelectual da Gradiente em relação ao nome em disputa com a Apple. Esse documento teria sido mostrado aos ministros do STF, mas não foi juntado aos autos. Além disso, a contratação de Temer teria se dado depois que ele advogou na Adin 5529, que tratou da inconstitucionalidade do dispositivo da Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996) que prorrogava a vigência de patentes no país. Ele defendia, naquele caso, uma tese que interessava à Gradiente.

O julgamento do caso começou no plenário virtual e a Gradiente estava perdendo por 5 votos (Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Cármen Lucia, Cristiano Zanin e Luiz Fux) a 3 (Dias Toffoli, Gilmar Mendes e André Mendonça) quando o ministro Toffoli decidiu levar a discussão para o plenário físico, o que reinicia a votação. Desde o fim de 2023, as partes aguardam a resolução do caso com a análise pelo plenário do STF, o que ainda não ocorreu.

Além disso, Michel Temer tem atuado em alguns outros processos de grandes empresas. No caso da Eletrobras vs Fundo de Investimento, ele representa a empresa na tentativa de evitar pagar R$ 142 milhões, após perder um processo que durou mais de 20 anos, mas o STJ negou o pedido.

Já nos processos de iluminação pública de São Paulo, trata-se de uma megalicitação de R$ 6,9 bilhões onde diferentes consórcios brigam na justiça – o STJ manteve o contrato da Iluminação Paulistana funcionando para não deixar a cidade no escuro. Temer atua pelo Consórcio Walks, que perdeu a licitação e discute a questão no Judiciário.

Já em outro caso, uma disputa na usina de Belo Monte, Temer atua como advogado da Eletrobras, o STF decidiu que a usina pode continuar operando, mas as empresas devem compensar as comunidades indígenas pelos impactos causados.

Processos criminais e investigações

Michel Temer enfrentou dois processos criminais principais. No caso da Lava Jato, ele e outros réus foram absolvidos sumariamente de acusações de organização criminosa envolvendo Petrobras, Furnas e outros órgãos públicos, com a decisão transitando em julgado em 2023.

Já no caso do “Decreto dos Portos”, Temer conseguiu uma vitória importante ao desbloquear R$ 32,6 milhões que estavam sequestrados, pois o tribunal entendeu que não havia fundamentação adequada para o bloqueio dos bens. Ele foi absolvido, mas o MPF recorreu. Segundo a acusação, Temer teria recebido propinas e vantagens por meio de empresas para editar e beneficiar empresas do setor.


Big Tech

A Mão Invisível das Big Techs é uma investigação transnacional e colaborativa liderada pela Agência Pública e o Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP), em conjunto com Crikey (Austrália), Cuestión Pública (Colômbia), Daily Maverick (África do Sul), El Diario AR (Argentina), El Surti (Paraguai), Factum (El Salvador), ICL(Brasil), Investigative Journalism Foundation – IJF (Canadá), LaBot (Chile), LightHouse Reports (Internacional), N+Focus (México), Núcleo (Brasil), Primicias (Equador), Tech Policy Press (EUA) e Tempo (Indonésia). O projeto tem o apoio da Repórteres Sem Fronteiras e da equipe jurídica El Veinte, e identidade visual da La Fábrica Memética.

Fonte: Agência Pública

Collabs: a arma secreta das marcas para dominar o mercado e por que a sua não pode ficar de fora

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Por Rodrigo Dubois – CEO da Agência Mantra

No cenário atual do marketing, onde a inovação e a diferenciação são cruciais, percebo que as colaborações entre marcas, ou “collabs”, se tornaram uma ferramenta indispensável. Longe de serem uma moda passageira, elas são um pilar estratégico que permite às marcas alcançarem resultados que seriam impossíveis sozinhas. Como especialista na área, tenho acompanhado de perto essa evolução e posso afirmar: as collabs são a chave para expandir seu alcance, fortalecer sua imagem e criar conexões mais profundas com seu público.

 

Neste artigo, vou compartilhar com vocês a importância estratégica delas, apresentar exemplos de sucesso que realmente impactaram o mercado, tanto no Brasil quanto globalmente, e oferecer dicas práticas para quem busca ou quer propor parcerias. Além disso, vou explorar as tendências que estão moldando o futuro dessas colaborações. Prepare-se para desvendar o verdadeiro poder das collabs e entender por que elas são tão irresistíveis no mercado de hoje.

A importância das collabs no cenário atual

Para mim, as collabs vão muito além de uma simples união de logotipos. Elas representam uma estratégia multifacetada que oferece uma série de benefícios tangíveis para as marcas envolvidas. Em um mundo onde os consumidores valorizam autenticidade, valor agregado e experiências únicas, as parcerias estratégicas se destacam como um caminho eficaz para atender a essas expectativas e gerar um impacto duradouro.

 

Um dos maiores atrativos das collabs é a ampliação da visibilidade e do alcance. Ao unirmos forças, conseguimos expor nossas marcas a novos públicos, acessando a base de clientes de nossos parceiros. Isso é especialmente poderoso quando as audiências são complementares, permitindo uma penetração em nichos de mercado que seriam difíceis de alcançar individualmente. Essa sinergia não só aumenta o reconhecimento da marca, mas também gera um “buzz” significativo, despertando curiosidade e engajamento em larga escala.

 

Além disso, as collabs contribuem para o reforço da credibilidade e da imagem da marca. Colaborar com uma marca de renome pode nos emprestar prestígio e confiança, especialmente quando a parceria envolve um player já consolidado e bem-visto pelo público. Essa associação estratégica eleva a percepção de valor de ambas as marcas, criando uma imagem de inovação e relevância no mercado.

 

A inovação e a diversificação de produtos são outros pilares cruciais das collabs. A combinação de forças e conhecimentos únicos de cada empresa pode resultar em produtos mais criativos e soluções que dificilmente seriam desenvolvidas de forma isolada. Essa cocriação impulsiona a originalidade e nos permite oferecer algo verdadeiramente novo e exclusivo aos consumidores.

 

Do ponto de vista financeiro, as collabs também são extremamente vantajosas. O marketing compartilhado e a redução de custos são benefícios diretos, pois podemos dividir os investimentos em campanhas e promoções. Isso otimiza o orçamento e potencializa o retorno sobre o investimento, tornando a estratégia mais acessível e eficiente.

 

Por fim, as colaborações são um motor para o aumento do engajamento e da fidelização. A sensação de exclusividade gerada por uma collab intensifica o interesse e a conexão dos consumidores com as marcas. Uma parceria bem-sucedida tem o poder de atrair um público fiel, fortalecendo a lealdade à marca e criando um vínculo emocional duradouro.

Exemplos de collabs de sucesso que chocaram o mercado

As collabs têm se manifestado em uma infinidade de formatos e setores, gerando resultados impressionantes. Selecionei alguns cases notáveis que, na minha opinião, ilustram perfeitamente o poder e a versatilidade dessas parcerias:

Cases de clientes da Mantra

  • Açaí da Barra e Nestlé: Uma parceria de Páscoa que surpreendeu o mercado, onde os consumidores podiam trocar o tradicional pote de sorvete por uma casca de ovo de Páscoa. Essa ação trouxe um ar de novidade e surpresa, unindo duas marcas fortes em uma data super importante do calendário. Além de uma exposição interessante na mídia, a campanha aumentou significativamente o volume de consumidores nas lojas, mostrando o poder da inovação em datas sazonais.

 

  • Açaí da Barra e Turma do Chaves: Uma collab inusitada que provou que a criatividade não tem limites. O Açaí da Barra ofereceu a seus consumidores a oportunidade de adquirir personagens da Turma do Chaves. Essa parceria já gerou a venda de mais de 40 mil personagens, criando uma receita de oportunidade interessante para a marca, especialmente em Julho e Agosto, meses de baixo consumo devido às baixas temperaturas. Um exemplo brilhante de como uma parceria bem-humorada pode impulsionar vendas e engajamento.

 

  • Hydratta e Espaçolaser: Uma colaboração estratégica focada em cuidados com a pele. A Hydratta uniu forças com a Espaçolaser, especialista em depilação a laser, para liderar uma campanha conjunta. Ambas as marcas disponibilizaram seus canais de comunicação e impactaram seus consumidores com uma promoção de produtos e pacotes de tratamento. O resultado foi uma ótima adesão e repercussão no mercado, demonstrando como marcas complementares podem se unir para oferecer soluções completas aos consumidores.

 

Dicas para buscar ou propor colaborações

Para que uma collab seja verdadeiramente bem-sucedida, é fundamental que haja um planejamento estratégico e um alinhamento de valores entre as marcas envolvidas. Não se trata apenas de unir forças, mas de criar uma sinergia que beneficie a todos os participantes.

 

Aqui estão algumas dicas essenciais para buscar ou propor colaborações, baseadas na minha experiência:

 

  1. Defina seus objetivos: Antes de iniciar a busca por um parceiro, tenha clareza sobre o que você deseja alcançar com a collab. Seja aumentar as vendas, expandir a carteira de clientes, melhorar o posicionamento da marca, entrar em novos mercados ou inovar em produtos, ter objetivos bem definidos guiará todo o processo. Sem um objetivo claro, a parceria pode se perder.

 

  1. Conheça seu público-alvo e o do potencial parceiro: Um erro comum é focar apenas nos próprios problemas e não no público. Analise o perfil da audiência da outra marca para verificar se há afinidade com o seu público. A complementaridade das audiências é crucial para o sucesso da parceria, garantindo que a mensagem da collab ressoe com ambos os grupos e que o impacto seja maximizado.

 

  1. Alinhamento de valores e imagem: A escolha do parceiro ideal exige um alinhamento cuidadoso em termos de valores, imagem e posicionamento de mercado. Uma collab desalinhada pode gerar confusão e até danos à reputação de ambas as marcas. Verifique o histórico de colaborações passadas do potencial parceiro e considere se os produtos ou campanhas desenvolvidos juntos podem agregar valor sem diluir a identidade de cada um. A autenticidade é fundamental.

 

  1. Inovação e criatividade: O sucesso de uma collab está atrelado à inovação. Busque parceiros que, à primeira vista, possam parecer incompatíveis, mas que vejam oportunidades em comum. A criatividade é o ponto central de uma colaboração bem-sucedida, desde a escolha do parceiro até o desenvolvimento do produto e a campanha de comunicação. Pense fora da caixa!

 

  1. Comunicação clara e detalhada: Antes do início do projeto, promova discussões detalhadas para definir uma visão comum e abordar possíveis pontos de conflito. A comunicação transparente e o estabelecimento de metas claras são essenciais para garantir que todos os envolvidos estejam cientes do que está sendo realizado e do porquê. A clareza evita mal-entendidos e garante o sucesso da execução.

 

  1. Foco na experiência do consumidor: As collabs devem visar a criação de experiências únicas e memoráveis para o consumidor. Pense em como a parceria pode oferecer algo novo, divertido e engajador, que vá além da simples transação comercial. O consumidor deve ser o centro de toda a estratégia.

Tendências e o futuro das collabs: o que vem por aí

O cenário das colaborações entre marcas está em constante evolução, impulsionado pelas mudanças nas necessidades e comportamentos dos consumidores. Em um mundo de policrise, onde a incerteza é a norma, os consumidores buscam “pequenas doses de alegria” e priorizam “gastos com experiências” em detrimento de bens materiais. Essa busca por diversão e entretenimento moldará o futuro das collabs, tornando-as ainda mais focadas em experiências e emoções. Como vejo o futuro, algumas das principais tendências que se destacam para os próximos anos incluem:

 

  • Colaborações intersetoriais: A união entre diferentes setores, como alimentação, música, esportes e outros, está pronta para uma expansão significativa. Essas parcerias criam sinergias que impulsionam ambos os setores, permitindo que as marcas alcancem um novo patamar no mercado. A capacidade de criar pontes entre segmentos distintos e estimular novas conversas será crucial para o sucesso.

 

  • Foco em emoções e nostalgia: O sucesso de filmes e séries nostálgicas tem incentivado as marcas a incorporar essas emoções em suas campanhas. Collabs que evocam sentimentos de nostalgia e alegria, conectando-se com o passado dos consumidores, tendem a gerar um forte engajamento e identificação. É a emoção que conecta.

 

  • Experiências imersivas e entretenimento: A diversão e o entretenimento serão características essenciais para qualquer estratégia de collab. As marcas buscarão criar experiências imersivas que vão além do produto em si, transformando o consumo em um momento de lazer e interação. O futuro é sobre viver a marca, não apenas comprá-la.

 

  • Parcerias com propósito: Cada vez mais, os consumidores valorizam marcas que demonstram responsabilidade social e ambiental. Collabs que abordam causas importantes, como sustentabilidade ou inclusão, tendem a gerar maior engajamento e construir uma imagem positiva para as marcas envolvidas. O propósito é um diferencial poderoso.

 

  • Personalização e exclusividade: A busca por produtos e experiências únicas continuará a impulsionar as collabs. Parcerias que oferecem edições limitadas, produtos personalizados ou acesso exclusivo a eventos e conteúdos tendem a atrair e fidelizar os consumidores. A exclusividade cria desejo.

 

  • Tecnologia e inovação: A integração de tecnologias emergentes, como realidade aumentada, inteligência artificial e blockchain, abrirá novas possibilidades para as collabs. Essas tecnologias podem ser utilizadas para criar experiências mais interativas, personalizadas e seguras, elevando o nível das parcerias. A inovação tecnológica é um campo vasto para as collabs.

O futuro é colaborativo

Para mim, as colaborações entre marcas são, sem dúvida, uma das estratégias mais dinâmicas e eficazes no cenário de marketing contemporâneo. Elas oferecem um caminho claro para a inovação, a expansão de mercado e o fortalecimento da conexão com o consumidor. Ao unirmos forças, não apenas ampliamos nosso alcance e visibilidade, mas também construímos credibilidade, diversificamos nossos produtos e geramos um engajamento sem precedentes.

 

Os exemplos de sucesso que apresentei, tanto nacionais quanto internacionais, demonstram a versatilidade e o potencial transformador das collabs. No entanto, para que essas parcerias prosperem, é crucial um planejamento cuidadoso, alinhamento de valores e foco na criação de valor genuíno para o consumidor. Olhando para o futuro, as tendências apontam para colaborações cada vez mais criativas, intersetoriais e focadas em proporcionar experiências memoráveis e emocionalmente envolventes.

 

Em suma, as collabs não são apenas uma tática de marketing, mas uma filosofia de negócios que reconhece o poder da união e da sinergia. Ao abraçar essa abordagem, as marcas podem não apenas sobreviver, mas prosperar no competitivo mercado atual, construindo relacionamentos mais fortes com seus públicos e deixando um legado de inovação e impacto positivo. O futuro é colaborativo, e sua marca não pode ficar de fora dessa revolução!

 

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Rodrigo Dubois é CEO da Agência Mantra, onde lidera projetos que unem criatividade e estratégia para impulsionar marcas no ambiente digital. Com mais de uma década de experiência em marketing e desenvolvimento de negócios, ajuda empresas a alcançarem seus objetivos através de soluções personalizadas e inovadoras.

Unimed Chapecó realiza 11ª Jornada de Terapia Nutricional e reafirma a ciência como aliada da vida

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O evento destaca avanços científicos e práticas aplicáveis no cuidado de pacientes

 

SANTA CATARINA – O dia 30 de agosto marcou mais uma edição da Jornada de Terapia Nutricional da Unimed Chapecó, realizada no Salão Nobre do Centro Recreativo Chapecoense (CRC). Em sua 11ª edição, o evento gratuito reuniu médicos, nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos e acadêmicos da área da saúde em torno do tema “Nutrição transforma a vida”. Promovida pela Unimed Chapecó, por meio do Centro de Educação Continuada, a Jornada ocorre a cada dois anos, desde 2003, e se consolidou como um dos principais eventos do Sul do Brasil para atualização em nutrição clínica.

A programação trouxe palestras com especialistas de renome, que compartilharam conteúdos práticos e aplicáveis ao cuidado do paciente em ambiente hospitalar. A médica nutróloga, Dra. Melina Castro, destacou avanços no uso da nutrição parenteral e o papel da glutamina em pacientes críticos, com base em evidências que demonstram a melhora na recuperação e a redução de complicações. O médico intensivista, Dr. Thiago Gonzalez Barbosa e Silva, apresentou protocolos clínico-nutricionais voltados à terapia intensiva, reforçou estratégias para prevenir riscos, acelerar desfechos positivos e reduzir o tempo de internação.

Já a nutricionista Rafaela Tartari acrescentou a perspectiva do manejo da sarcopenia, condição que compromete a massa e a função muscular, que afeta diretamente a recuperação funcional dos pacientes hospitalizados. Na mesma linha de contribuições práticas, a enfermeira Claudia Satiko apresentou protocolos de segurança em nutrição enteral, fundamentais para evitar eventos adversos e garantir qualidade na assistência.

Entre os destaques da Jornada esteve a participação da nutricionista Camila Prim, que veio de Brasília (DF), para compartilhar sua experiência de duas décadas na área. Para ela, estar em Chapecó reunida com profissionais de diferentes regiões foi uma oportunidade de troca e aprendizado. Em sua apresentação, abordou a importância da realimentação precoce no pós-operatório e desmistificou a prática de longos períodos de jejum após cirurgias. Também, mostrou soluções inovadoras, como o uso de goma de mascar para estimular o retorno do movimento intestinal e a necessidade de continuidade no cuidado após a alta hospitalar, para reduzir riscos de complicações e readmissões.

Camila afirmou, ainda, que o grande valor de uma jornada científica está em transformar conhecimento em prática clínica acessível. Em sua avaliação, aproximar a experiência de grandes centros urbanos das realidades locais é o que garante que avanços cheguem de forma concreta ao paciente. A profissional defende a educação continuada como ferramenta indispensável para melhorar a assistência hospitalar. “Esse tipo de Jornada é essencial porque une ciência e prática. É aqui que transformamos conhecimento em ações que mudam o destino dos pacientes”, ressaltou.

NOVAS ABORDAGENS

À frente da organização, o coordenador e médico especialista em várias áreas da atuação cirúrgica, Dr. João Baroncello, lembrou que, quando a Unimed Chapecó estruturou sua equipe multidisciplinar de terapia nutricional em 2003, quase metade dos pacientes hospitalizados já apresentava algum grau de desnutrição. Segundo ele, o cenário ainda é desafiador, mas houve avanços significativos, resultado do diagnóstico precoce e da atuação integrada das equipes. Atualmente, as intervenções são mais eficientes e humanizadas, com impacto direto na progressão das doenças e no estado geral dos pacientes, pois a triagem é mais rápida, com uma melhora significativa na evolução do paciente.

“Na década de 90 surgiu a portaria 272, que é da nutrição parenteral e, logo depois, a resolução 63, que é da nutrição enteral, que regem aos princípios mínimos para o funcionamento de uma Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN), que obrigou todos os hospitais a terem uma equipe que se dedica a fazer diagnóstico e atuar frente a todas as deficiências. O cenário continua semelhante, porém, mudou a abordagem e, por consequência, o resultado final que é a melhora do paciente”, explicou.

Dr. João também apontou o paralelo entre os benefícios clínicos e econômicos. Cada real investido em terapia nutricional, destacou, pode resultar em até quatro reais de economia pela redução de complicações, infecções, tempo de internação e mortalidade. “Nutrição é investimento que salva vidas e reduz custos”, resumiu. Para ele, a Jornada não apenas atualiza profissionais, mas reforça a missão de transformar conhecimento científico em prática de impacto. “Nosso objetivo é que cada participante volte para sua instituição mais preparado para diagnosticar cedo, intervir melhor e oferecer ao paciente uma recuperação mais rápida, segura e com qualidade de vida”, completou.

CONHECIMENTO QUE SALVA VIDAS

O otorrinolaringologista e diretor médico da Unimed Chapecó, Dr. Rodrigo Armani Lino de Souza, reforçou a importância da educação continuada para toda a comunidade. “Promover uma Jornada com mais de 300 inscritos mostra nosso compromisso com os cooperados e toda a sociedade. Investimos em atualização permanente porque cada conhecimento levado ao hospital representa vidas salvas, qualidade assistencial e futuro mais sustentável”.

A relevância do evento também foi percebida por profissionais que viajaram de outras cidades e Estados. A nutricionista Lígia Batista, coordenadora da equipe de Terapia Nutricional do Hospital Santo Antônio, em Blumenau (SC), ressaltou que o evento foi decisivo para fortalecer práticas em todo o país. Para ela, as palestras com temas atuais e especialistas de renome são fundamentais para melhorar a recuperação, a cicatrização e até a imunoterapia dos pacientes.

Lígia contou que leva o conhecimento adquirido para repassar à sua equipe e aplicá-lo diretamente no atendimento. Além disso, reforçou a importância do evento ser gratuito, o que democratiza o acesso, promove a troca de experiências e aproxima profissionais em formação das discussões mais atuais da nutrição clínica. “Encontros como este são primordiais para preparar novas gerações e consolidar o papel da terapia nutricional como eixo central do cuidado hospitalar”, resumiu.

A 11ª Jornada de Terapia Nutricional da Unimed Chapecó reafirmou a centralidade da nutrição na recuperação de pacientes hospitalizados. Ao estimular o diálogo interdisciplinar, apresentar evidências aplicáveis e valorizar a troca de experiências, o evento deixou clara a mensagem de que investir em nutrição é investir em qualidade de vida, sustentabilidade hospitalar e dignidade para os pacientes. Com essa síntese entre conhecimento, prática clínica e compromisso social, Chapecó se consolida cada vez mais como polo de referência em debates sobre nutrição clínica no Brasil.

Sindipetro PR/SC questiona Petrobras e MME sobre venda da Six para a canadense Questerre

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A operação foi marcada pela falta de transparência

 

Rio de Janeiro  – O Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), protocolou pedido de acesso à informação à Petrobras e ao Ministério de Minas e Energia (MME), a fim de esclarecer pontos relevantes sobre a privatização da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), localizada em São Mateus do Sul (PR).

A unidade, vendida pela Petrobras, em 2022, à canadense F&M Resources (subsidiária da Forbes & Manhattan), foi agora adquirida pelo grupo Questerre, também do Canadá, numa operação realizada sem transparência, cujo valor não foi divulgado e que se dará por meio da cessão de ações entre as companhias.

Segundo o advogado Rodrigo Salgado, da Advocacia Garcez, que representa os petroleiros na ação, o processo de alienação da Six foi marcado, desde o início, por controvérsias e ações judiciais, quando, para viabilizar a venda, a empresa foi transformada em subsidiária da Petrobrás, sob a denominação Paraná Xisto S.A. (PX Energy S.A.), e comprada pela F&M Resources, por US$ 41,6 milhões – preço considerado muito baixo na ocasião, equivalente ao lucro de um ano da empresa, então sob o controle da Petrobras.

 

A SIX tem papel estratégico no desenvolvimento tecnológico e na produção de óleo combustível e derivados a partir do xisto no Brasil. A Petrobras continua com atividades no complexo do xisto, desembolsando cerca de R$ 6 milhões por ano em aluguel para utilização do CENPES/NESIX (Núcleo Experimental da Superintendência de Industrialização do Xisto), que concentra pesquisas sobre o aproveitamento do xisto.

A Petrobras anunciou recentemente investimento de R$ 4 milhões em novas instalações para o NESIX. Entretanto, a prestação dos serviços de suporte à pesquisa – atualmente realizada pela PX Energy, ao custo aproximado de R$ 250 mil mensais – tem se mostrado insuficiente, comprometendo a qualidade necessária às análises demandadas pela companhia.

No questionamento à Petrobras e ao MME, que reforça a necessidade de transparência e de prestação de contas à sociedade, o Sindipetro PR/SC busca respostas relativas a investimentos realizados pela Petrobras na SIX desde 2023; aos impactos da venda da PX Energy à Questerre sobre contratos estratégicos; ao futuro das áreas rurais de mineração vinculadas à unidade; e à responsabilidade da Petrobras em relação a passivos ambientais, trabalhistas e tributários decorrentes dessas operações.

O Brasil não tem marcas globais. E talvez isso diga mais sobre nós do que imaginamos

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Juliana Pazetti*

 

O Brasil é a nona maior economia do mundo. Exportamos carne, café, aviões, cosméticos e criatividade. Temos produtos competitivos, uma cultura vibrante e uma capacidade inata de criar. Mas quando se observa os rankings das marcas mais valiosas do planeta, o país simplesmente não aparece. Nenhuma marca brasileira figura entre as cem mais reconhecidas globalmente. Nenhuma entre as duzentas. Em alguns rankings, nem entre as quinhentas.

 

A ausência não é apenas estatística — é simbólica. E talvez o problema não esteja no produto, no preço ou na logística. Talvez esteja na forma como o Brasil se comunica com o mundo.

 

Durante décadas, internacionalizar foi sinônimo de exportar. Para muitas empresas brasileiras, estar em outro país significava apenas enviar produtos com o mesmo rótulo, a mesma campanha e a mesma lógica de comunicação. Mas o mundo mudou. Hoje, internacionalizar é construir significado. É ser compreendido, respeitado e desejado — não apenas disponível. Marcas globais não são aquelas que vendem em vários países, mas aquelas que fazem sentido em diferentes contextos culturais. E isso exige mais do que logística: exige estratégia, adaptação e sensibilidade.

 

No entanto, o marketing brasileiro ainda fala só português. A lógica predominante nas empresas é a da padronização. Campanhas são replicadas com mínimas alterações, ignorando nuances culturais, linguísticas e simbólicas. Essa abordagem compromete a eficácia da comunicação e revela uma visão limitada sobre o papel do marketing na construção de marca. Segundo uma meta-análise da Universidade Federal do Paraná, apenas setenta estudos relevantes sobre marketing internacional foram publicados no Brasil entre 1997 e 2010. A maioria tem caráter exploratório, com pouca aplicação prática. O resultado é um mercado que forma profissionais com foco doméstico, sem preparo para atuar em ambientes multiculturais.

 

A pesquisa da PwC reforça o alerta: trinta por cento dos líderes empresariais brasileiros apontam a falta de talentos qualificados como o maior risco estratégico para seus negócios. E quando se trata de comunicação global, essa ausência se torna um abismo.

 

Comunicar-se globalmente exige mais do que fluência em outro idioma. Exige compreender códigos culturais, adaptar narrativas e construir pontes simbólicas entre contextos distintos. É justamente nesse ponto que muitas marcas brasileiras falham: ao tratar a linguagem como ferramenta técnica, e não como ativo estratégico. Nesse cenário, a tradução deixa de ser uma etapa final e passa a ocupar um papel central na construção de significado.

 

É nesse ponto que tradução e localização deixam de ser tarefas operacionais e passam a ser decisões estratégicas. Traduzir não é apenas converter palavras. É interpretar intenções, adaptar registros, preservar nuances. Localizar não é apenas ajustar formatos — é reconstruir a mensagem para que ela faça sentido em outro universo cultural. Empresas que ignoram esse processo correm riscos silenciosos: campanhas que não ressoam, slogans que perdem força, narrativas que soam deslocadas. E o mais grave — marcas que não constroem vínculo.

 

Em mercados maduros, equipes de marketing trabalham lado a lado com empresas especializadas em tradução e localização, formando parcerias estratégicas que garantem consistência, sensibilidade cultural e impacto global. Essas colaborações não apenas evitam erros — elas potencializam a marca, tornando-a capaz de dialogar com públicos diversos sem perder identidade. No Brasil, ainda é raro encontrar essa sinergia. O tradutor técnico existe. O profissional de marketing também. Mas o especialista em internacionalização de marca, que une linguagem, cultura e estratégia, ainda é exceção. E as parcerias entre empresas de tradução e equipes de branding global ainda são subexploradas — quando poderiam ser vetores de expansão e diferenciação.

 

A ausência de integração também se reflete no ambiente digital. Em um mundo onde a primeira interação com uma marca acontece, quase sempre, por meio de uma busca online, não ser encontrado é não existir. E muitas empresas brasileiras que tentam se internacionalizar enfrentam justamente esse obstáculo: não aparecem nas buscas locais, não são indexadas corretamente, não falam a língua do mercado que desejam atingir.
O motivo? SEO feito sem localização. O trabalho de otimização para mecanismos de busca — quando feito apenas em português ou com traduções literais — ignora os termos, hábitos e intenções de busca dos consumidores estrangeiros. Palavras-chave não são universais. Elas são culturais. E o SEO precisa ser localizado com o mesmo cuidado que se dá a uma campanha publicitária.

 

A popularização da inteligência artificial generativa trouxe agilidade à tradução, mas também reforçou um dilema: sem curadoria estratégica, a tecnologia não garante adaptação cultural nem coerência de marca. E é justamente aí que muitas empresas enfrentam um obstáculo — encontrar parceiros que aliem domínio técnico, sensibilidade linguística e visão estratégica continua sendo raro. O risco não está na ferramenta, mas na ausência de profissionais capazes de usá-la com inteligência e propósito.

 

Empresas globais já entenderam isso. Elas trabalham com equipes multidisciplinares que unem especialistas em SEO, tradutores, estrategistas de conteúdo e profissionais de marketing internacional. No Brasil, essa integração ainda é rara — e o resultado é uma presença digital limitada, que não alcança, não engaja e não converte.

 

A ausência de marcas brasileiras entre as mais valiosas do mundo revela uma falta de investimento em branding internacional, uma visão estratégica limitada e uma subvalorização da comunicação como ativo global. Para mudar esse cenário, o Brasil precisa formar profissionais com competências interculturais, valorizar tradução e localização como ferramentas de marca, integrar SEO localizado à estratégia digital, abandonar a lógica replicadora e investir em posicionamento global de longo prazo.

 

Temos produtos. Temos talento. Temos alma. Mas isso não basta. Para que o mundo nos reconheça, precisamos contar nossa história com inteligência, sensibilidade e estratégia. O futuro das marcas brasileiras não está apenas em novos mercados — está em novas narrativas. E isso começa com profissionais preparados para traduzir o Brasil para o mundo.

 

 

*Juliana Pazetti é diretora executiva na Pazetti Traduções, empresa que conecta empresas e pessoas por meio da tradução, da interpretação e da acessibilidade. É especialista em Comunicação Multilíngue e atua há mais de 18 anos em tradução, localização, tradução audiovisual e coordenação de projetos de interpretação. Residiu na Inglaterra e Itália. É formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Tradução. https://pazetti.com.br/